sábado, 12 de outubro de 2013

Episódio 14 - Ain't no wonder.

“É este o problema com a bebida, pensei, enquanto me servia dum copo. Se acontece algo de mau, bebe-se para esquecer; se acontece algo de bom, bebe-se para celebrar, e se nada acontece, bebe-se para que aconteça qualquer coisa.” — Charles Bukowski. 

Nick Jonas.
 — E o último candidato é Joshua White, que entrará para o 5º ano!
 Meu mundo pareceu cair naquele momento. Minha cabeça pesou tanto que eu pareci não estar no planeta terra. Todo meu esforço havia sido em vão, eu não havia conseguido. tudo que consegui fazer foi afundar minha cabeça no tampo da mesa, já sem esperança alguma. Automaticamente, comecei a pedir perdão ao meu pai em pensamento, e ainda prometi que daria outro jeito.
 — Isso é tudo, pessoal. Com licença.
 O diretor se encaminhou para a porta, se preparando para sair. Já vai tarde. Não vi ninguém me olhando, mas também pra que? Fiquei feliz por Miley ter conseguido, vejo que ela batalhou muito pra isso, mas ao que parece meu esforço não foi o bastante.
 — Senhor diretor! — do nada, a secretária apareceu na porta antes do diretor sair, meio esbaforida e exausta — Este candidato também foi aprovado. Eu acabei de corrigir pessoalmente.
 — Tem certeza? — o diretor pegou a pasta com as informações da mão de Emma, confuso.
 — Absoluta. — ela suspirou.
 O diretor a encarou por um tempo, ainda cético. Quando ouvi aquilo, agarrei de lá do fundo o meu último fiapo de esperança que tinha. Nada estava acabado ainda, tudo podia mudar. Fé, Nick. Se lembra do que seus pais sempre te ensinaram? Fé. Você foi bem. Isso basta.
 Ele foi até na frente da sala novamente, enchendo todos de esperança e ansiedade mais uma vez.
 — Nick Jonas também está aprovado e vai para o 4º ano!
 Parei de respirar.
 No começo achei que havia ouvido errado, mas não. Era eu. Eu havia passado! O diretor saiu como um jato da sala junto com todos os outros professores, e eu nem conseguia sorrir de tão aliviado que me sentia. Pareceu que um peso de 187362837 quilos saísse de minhas contas e eu já havia engolido o choro por achar que não havia passado.
 Eu suspirei e só depois de alguns minutos eu podia escutar Miley gritando:
 — Nick! Você passou! — ela gritou animada, se levantando de seu lugar e me abraçando.
 Eu mal podia sentir os seus braços me envolvendo, tamanho era meu nervosismo. Eu deveria estar tremendo, mas não conseguia sentir.
 Era agora. Era hoje. Finalmente, em tanto tempo, tinha certeza que uma nova etapa da minha vida estava começando.

Joe Collins.
 Depois da tremenda confusão no quarto de Ava, arrastei-a para longe de lá antes que algo mais grave acontecesse. Não era possível que Emma havia chegado tão rápido, eu nem a vi. E comer a Ava estava tão bom... Mas eu não podia levá-la até meu quarto, chega de confusões por hoje. Fomos até a academia do colégio depois que me certifiquei que ela estava vazia. Conseguimos um "espaço" entre os colchonetes, mas não transamos mais, apesar de ela ficar insistindo. Aqui não, tenho uma reputação importantíssima a zelar. E Ava era — por enquanto — só uma peguete. Uma peguete que eu tinha a hora que eu queria, e não é de hoje. *roupa de Ava*
 Depois de alguns minutos ali, me levantei um pouco cansado.
 — Anda, vamos aproveitar que não tem ninguém. — falei, agora mostrando um pouco menos de interesse. Não iria ser bom se me vissem saindo da academia vazia com Ava.
 — Ah, se bem que a gente podia ficar mais um pouquinho. — ela riu, me puxando de volta — Eu me sinto tão bem quando fico com você.
 Bufei. Mais uma apaixonada por mim, me diz, porque sou tão lindo?
 — Ava, você sabe que eu também fico numa boa, mas vamos!
 — Ah, espera! — ela me puxou mais uma vez, sorrindo — Vem cá, eu posso contar para as minhas amigas que eu tenho namorado?
 — O que?! — engasguei — Não, namorado é uma palavra muito forte. — fui caminhando até a entrada da academia.
 — Ai, Joe, por favor, entende! — ela falou alto, aparentemente nervosa.
 Eu não mereço isso agora, uma briga agora ninguém merece!
 — Ava, Ava, me escuta! — parei na frente dela — Com esse acidente e tudo que aconteceu, eu não estou bem, entendeu?
 Ela suspirou, parecendo decepcionada com a minha frase.
 — Tudo bem. — ela passou a mão em meus cabelos — Eu vou cuidar de você, meu amor, não se preocupe. Vai ver como vamos ficar juntinhos numa boa.
 Dei um sorriso fraco pra ela. Ava era linda e nós nos pegávamos a um tempo, mas nada sério. Talvez eu pudesse pensar em dar um passo adiante.
 — Joe!
 Me virei e vi Jacob correndo e entrando pela porta da academia, completamente esbaforido. Revirei os olhos. Não havia alguém melhor nesse momento.
 — Ainda bem que te encontrei, cara! — ele disse ao chegar perto de mim — Faz tempo que eu estava te procurando.
 — Porque? — dei de ombros.
 — Porque um dos bolsistas, pobre coitado... Pisou na bola. — ele disse com ar enojado.
 — O que?!

Nick Jonas.
 Com meu corpo mais leve, eu saí da sala, sorrindo. Não havia coisa melhor para se pensar. Eu estava feliz, e isso era certeza. Finalmente conseguia já sentir a mudança e o renovo chegando em minha vida, e apenas porque soube que passei em uma prova. Mas aquilo era muito mais. Eu estava cada a um passo a frente de tudo que eu planejei, e eu pretendia fazer dar certo até o fim. Por mim mesmo, e pelo meu pai, principalmente... O plano de acabar com ELE não iria ter tréguas.
 O corredor estava abarrotado de pessoas, principalmente de bolsistas e agora já se podia ver estudantes da Academia Yancy inseridos ali. Muitos passavam com seus narizes em pé, parecendo olhar com receio para os "pobres", que agora a maioria já não estava tão feliz assim. Miley fora falar com algumas pessoas, ou com seu jeito doce de sempre, consolar os que não passaram.
 Eu sinceramente não sabia o que fazer. Estava alegre e contente, claro, havia passado na prova para estudar na melhor escola dos Estados Unidos, mas no meio de toda aquela gente, eu só conseguia pensar no meu objetivo principal.
 Fui tirado de meus pensamentos quando alguém chamou meu nome no meio daquela multidão. Olhei e vi que era o diretor Ethan que estava com Emma um pouco mais de 3 metros de mim, e ele me chamava para me juntar a ele. *roupa de Emma*
 — Nick Jonas. — ele deu um sorriso, apertando minha mão.
 Ele não queria mais nada além de agradecer simplesmente o que eu havia feito. De acordo com ele, passar naquela prova era algo para pessoas esforçadas e de completo nível, e que uma coisa dessas não deveria ser ignorada.  Por fora fiquei feliz. Por dentro, sinceramente, tanto faz.

Selena Gomez.
 — Anda logo, Selena!
 Isabella gritou enquanto me puxava com violência para o corredor, que a essa altura já estava abarrotado de gente. Fiquei até assustada. Nós duas já havíamos trocado de roupa e preparado o make, (roupa de Selena, roupa de Isabella) como eu já havia dito, e eu finalmente havia conseguido colocar algum ânimo em Isabella. Mas sinceramente, meu foco aqui era encontrá-lo...
 Eu não sabia onde ele estava e nem nada dele. Será que é possível isso? Você gostar de uma pessoa assim? Do nada? Minha barriga até agora fica gelada quando lembro do jeito que ele me olhou a um momento atrás, e minha cabeça começa a revirar, parece que fico tonta. Como deve ser seus olhos de perto? E seu cheiro? Seu sorriso? Tenho que parar de viajar, estou em público.
 Eu e Isabella fomos até o andar de cima para fugirmos um pouco da abarrotação de pessoas que enchia o corredor principal. De lá, podíamos ver todos, e estava uma falação enorme. Mas eu não o via, e isso estava me enlouquecendo...
 — Isabella, calma. Não pode dar tanta pinta, tem que disfarçar um pouquinho. — suspirei, me apoiando no corrimão e varrendo os olhos por aquele corredor. Isabella parecia aflita para encontrar esse garoto, e isso estava um tédio — Cadê a Ava, hein?
 — Cadê ele? — ela sussurrou para si mesma, colocando quase todo o corpo para frente, quase caindo do segundo andar.
 Eu bufei, e decidi procurar junto com ela. Amigas são pra isso, certo? Comecei a olhar para a mesma direção de Isabella e em poucos minutos meu coração parou. Avistei o diretor Ethan e Emma e meus joelhos tremeram quando vi com quem eles falavam.
 Era ele. Eu tinha certeza. Era ele. Meu coração bateu mais forte e minha barriga parecia uma pista de gelo. Ele conversava com o diretor muito sorridente, o que me fez pensar por um segundo que ele poderia ser bolsista, mas não pensei muito, pois Isabella me deu uma cotovelada.
 — Ali! — ela falou um pouco alto, brotando um sorriso no rosto — Olha, Selena! Ele é lindo, meu Deus...
 Meu coração parou. Pareceu que eu havia sido atingida por um raio. O dedo de Isabella apontou exatamente para ELE e pareceu que ela estava me dando uma facada no coração. Uma facada brusca. Eu não queria acreditar, queria retirar aquela hipótese da minha mente, mas era o que eu estava vendo. Bufei, balançando a cabeça, ajeitando a bagunça que eu havia feito.
 — Qual? Aquele ali? — apontei para ELE, agarrada ao último fio de esperança que me restava. Porque aquilo não podia estar acontecendo, não mesmo.
 — Sim, é aquele! — ela estava tão radiante, o que partia ainda mais meu coração.
 Fechei meus olhos, tentando absorver a ideia. Sim, aquilo estava realmente acontecendo. Não acredito que pude gostar do mesmo garoto que Isabella. Como isso pode? Nunca gostávamos das mesmas pessoas, eu particularmente nunca havia gostado de ninguém assim, só de ver pela primeira vez. Isabella sempre foi de cair de cabeça, se entregar, e eu sempre fechada nesses assuntos, nunca queria compromisso, só queria curtir... Isso não pode estar acontecendo.
 — Olha aquele sorriso, aquela boca, aqueles músculos... — ela murmurava ao meu lado, completamente derretida. Eu queria tapar meus ouvidos e sair correndo. Naquela hora seria bom estar no monte Everest e dar uns gritos — Parece que ele conseguiu a bolsa, deve ter conseguido mesmo, estão dando os parabéns a ele.
 Bolsista. Lá veio a confirmação. Porque não pensei naquilo antes? Mas era óbvio. Eu nunca o tinha visto aqui na escola, e do nada ele parece justo no dia da prova. Os alunos novos geralmente não aparecem assim. Mas eu realmente não podia discordar de Isabella, ele era lindo. Lindo demais. Tinha olhos e boca perfeito, que me faziam me derreter ainda mais por ele. Será possível? Seu sorriso era encantador, fazia eu me perder naquilo por horas, ou podia até por anos... Mas o pior é que Isabella sentia a mesma coisa. E estava sentindo tudo isso naquele momento.
 Mas tudo aconteceu rápido demais. Mal tinha percebido que estava olhando demais pra ele perdi a noção do tempo. De repente ele levantou o rosto e seus olhos se encontraram com os meus. Meu coração disparou. A mesma sensação que senti quando isso aconteceu pela primeira vez. Senti minhas mãos tremendo e odiei isso, Isabella estava ao meu lado. E ele estava olhando pra mim, quase consegui sentir Isabella surtar.
 Mas o fez meus joelhos tremerem foi quando ele se despediu do diretor e Emma e foi indo em direção as escadas para o segundo andar, exatamente onde eu e Isabella estávamos. Bufei, fechando os meus olhos. Isso não pode estar acontecendo. Isso não vai acontecer. Droga, o que eu faço? Ele não pode vir pra cá, sem cogitação.
 — Ai, ele está vindo pra cá! — falou Isabella, parecendo me tirar de um transe.
 Ele mal havia começado a subir as escadas, mas eu tinha a plena certeza de que ele estava se aproximando.
 — Eu vou desmaiar, me ajuda, Selena. — Isabella respirava forte, literalmente parecia desesperada.
 E ele estava mesmo vindo em nossa direção. Não pensei duas vezes, balancei a cabeça e comecei a correr no mesmo caminho que vim, comecei a recuar.
 — Eu já volto! — gritei e corri, lutando para não ouvir os gritos de Isabella atrás de mim.

Nick Jonas.
 — Olá!
 Cumprimentei a garota em minha frente, a gordinha que estava com a outra... Aliás, onde ela estava? Quando eu a vi novamente no segundo andar, eu não soube dizer novamente o que senti. Já a havia visto a algumas horas, mas vê-la de novo parece que me causou um impacto ainda maior em meu coração. Odeio falar desse jeito. Mas ela realmente esbanjou atração para mim, e quando percebi já havia subido para conhecê-la. Sei que o último dos meus focos nesse lugar era garotas, mas não sei dizer o que aconteceu quando eu a vi, foi indescritível.
 Mas quando cheguei não a vi. Estranho. Ela estava exatamente aqui em cima, eu não estou enganado. Ou será que eu fiquei tão louco com ela que agora a estou vendo em qualquer lugar? Também não vamos exagerar. A garota que estava com ela me deu um abraço como sinal de cumprimento e vi que ela mastigava algo.
 — Olá, eu sou... — ela suspirou, balançando a cabeça. Parecia muito nervosa, e eu via que aquilo não era o normal dela — Eu sou a Isabella. — disse e apertou minha mão — Sou do 4º ano.
 — Ah, eu também vou estudar no 4º ano, acabaram de me dizer que eu passei na prova. — dei um sorriso satisfatório. Ela me avaliava com seu olhar, e eu sentia isso — Muito prazer, vamos ser colegas.
 — Meus parabéns! Sério, seja bem vindo. — ela deu um sorriso e seus pequenos olhos azuis ficaram menores. Ela era bem bonita. Mas nada me tirava a outra da cabeça, e até agora eu me perguntava onde ela havia se metido.
 Pensei nisso por alguns instantes.
 — Escuta, a garota que estava aqui com você... Ela vai ser nossa colega também? — perguntei, dando de ombros, não parecendo nem um pouco desinteressado.
 — Ah sim! Aquela menina é a minha melhor amiga, se chama Selena Gomez.
 Naquele momento pareceu que eu havia tomado um banho de água fria. Não só um, uns 34 banhos de água fria. Não podia ser. Era inacreditável. Gomez! Não, isso não. Não podia ser Gomez, ela devia estar confundindo... Ou eu não era acreditar. Meus olhos pareceram saltar das órbitas e eu fiquei paralisado, sem nem saber o que pensar. Isabella me olhou como se eu fosse louco, e eu parecia não conseguir me mexer.
 — O que foi? — perguntou ela, e eu vi preocupação em seus olhos.
 Consegui respirar e sentir novamente minhas pálpebras.
 — Gomez? — perguntei, em um sussurro, com a voz falhada. Meu tom de voz era de uma completa descrença.
 — É... Você conhece? — ela perguntava cautelosamente, como eu não entendesse suas palavras.
 Então é verdade. Ela é uma Gomez. Aliás, ela é a Gomez! Selena... Meu Deus, como não podia ter me tocado disso antes?! Selena é a filha dele! Como posso ter me distraído tanto a ponto de achar que não me esbarraria com ela por aqui? Me distraí tanto a ponto de achar que ela nem estivesse por aqui hoje... Como não posso ter pensado em ter visto uma foto dela antes? Ter pesquisado mais sobre isso, sobre ela...
 Mas me odeio mais ainda por, em algum momento, me sentir tão atraído por ela a ponto de me esquecer de tudo. Até de me esquecer do que eu realmente vim fazer aqui.
 De repente me lembrei da existência de Isabella a minha frente, que me olhava agora com certo "medo". Nossa, o que eu devia estar parecendo pra ela?
 — Não, não. — respondi depois de um tempo — Eu achei que ela fosse conhecida, mas... Não conheço o sobrenome, então não tem nada a ver.
 — Nick! — olhei para o lado das escadas e vi Miley vindo até mim, sorrindo, e se jogando para me dar um abraço. *roupa de Miley*
 — Como vai, Miley? — sorri, a abraçando de volta — Ei, essa aqui é a Miley, ela também vai entrar pro 4º ano. — falei com Isabella.
 — E aí? Tudo bem? — Miley estendeu as mãos para Isabella, que só agora havia percebido que não estava sorrindo mais. Pegou de leve nas mãos de Miley, a cumprimentando com um sorriso de lado.
 — E aí, o que você acha? — falei para Isabella. Esperava mesmo que todas as minhas amizades fossem a de Miley, e vice-versa.
 — Que sorte! — Isabella revirou os olhos. Senti um certo tom de desprezo em sua voz, mas descartei.
 — Nossa, o que é isso? — Miley riu, passando a mão em minha bochecha — Está sujo aqui. É chocolate.
 Passei a mão em meu rosto e olhei Isabella. Ela repentinamente havia abaixado a cabeça. Eu dei um sorriso fraco ao sentir ela envergonhada.
 — Ah, é que está... — fiz um gesto de mãos para anunciar que sua boca estava suja de chocolate.
 Não iria ser tão difícil ser amigo das pessoas por aqui.

Anthony Jackson.
 — Não, mãe, não posso deixar o celular o tempo todo ligado! — gritei mais uma vez ao telefone, já quase perdendo a paciência.
 Eu estava em meu "novo quarto". Pareceu que eu havia demorado séculos para chegar até aqui, de tão grande que era a escola. Minha mãe havia surtado após eu a contar que havia passado na prova, e eu também estava feliz. Feliz demais. Parecia a primeira vez que eu iria finalmente atravessar a rua sozinha, andar pelas ruas sozinho e fazer minhas próprias coisas e escolhas. Aqui eu podia errar. Errar e aprender, errar de novo... Aquilo era demais, eu estaria longe dos meus pais e da super proteção deles. Eu finalmente iria viver minha própria vida.
 — É proibido usar aqui. — continuei a falar com ela enquanto eu rodava por aquele quarto gigante. Era realmente gigante — Ta bom, eu te ligo assim que puder... Ok, eu vou descobrir se tem alguma sinagoga aqui perto. — revirei os olhos.
 Eu era judeu. Pode até parecer que não simplesmente pelo meu jeito de pensar, mas eu não tinha como fugir. Nasci em um lar judeu e era assim que eu tinha que viver pelo resto da minha vida. Pelo menos era assim que meus pais faziam questão de me lembrar quase todos os dias. Por isso sempre a super proteção de meus pais, por isso eu quase não tinha vida. Essa era a minha grande chance de chutar o balde por pelo menos algumas horas, era o mínimo que eu pedia.
 Parei subitamente quando ouvi vozes vindo pelo corredor, e tinha certeza que estavam vindo para o quarto. Falei um "tchau" rápido para minha mãe e desliguei o telefone, logo no momento em que a porta se abriu e dois garotos entraram rindo.
 — Não, a menina estava na sua frente... — um deles parou de falar ao me ver. Eu rapidamente havia sentado na cama e olhava para os dois, como se eu os estivesse esperando a muito tempo.
 O outro olhou para mim, confuso.
 — Oi. — ele me cumprimentou.
 — E aí?
 — Oi, eu sou Anthony! — me levantei de imediato ao ver que eles não expulsariam. Trocamos apertos de mãos — Me mandaram pra esse quarto.
 — Ah sim... E é Anthony de que? — um deles me perguntou, parecendo me avaliar.
 — Anthony Jackson.
 — Ah, legal. E escuta, você é judeu?
 Juntei as sobrancelhas.
 — Sou. — respondi — Porque?
 Haviam me investigado? Mas já?
 — Porque no gabinete do meu pai tinha um sub-secretário, um que tinha o sobrenome Jackson, e ele era judeu. — respondeu o outro que mal havia falado. Admito que ele tinha a maior cara de galã e não duvido nada que era o mais pegador de todos.
 — É parente seu? — perguntou o mais baixo.
 Com certeza não.
 — Não, acho que não. — dei de ombros — Gabinete? Não, não mesmo.
 — Hm, entendo! E escuta, é o seu pai que paga o colégio?
 — Não, eu entrei de bolsista.
 Eu posso estar louco, mas senti o olhar deles mudar sobre mim. Principalmente o do mais baixo, que o senti me avaliar desde a hora que pisou no quarto. Ele me olhou com um certo olhar de repulsa, mas não pude decifrar direito. O outro com cara de galã apenas me observou, como se tivesse lido meu futuro inteiro e não estava nem aí. Mas um arrepio cortante passou por mim ao olhar do mais baixo.
 — Não tem muitos judeus bolsistas nessa escola. — ele disse, dando de ombros, como se também não estivesse se importando — Que estranho, não é? Mas tudo bem, valeu, a gente se vê... — ele me deu mais um aperto de mão e se virou para a porta com o outro.
 — Am... Qual é a sua cama? — perguntei.
 — Aquela é a minha e essa é do Joe. — ele apontou para as camas e depois para o garoto com cara de galã — E eu sou Jacob.

Demi Lovato.
 — Puxa, não veio ninguém. — suspirei enquanto me sentava em uma das camas do quarto de Madison — Que inveja, você vai ficar aqui sozinha. Na minha jaula de zoológico, não vou sobreviver sem matar alguém logo.
 Ela inicialmente não me deu a mínima atenção, já que estava ocupada demais fazendo flexões. Quantos músculos o corpo dela ainda aguentaria ter?
 — Ou quem sabe, talvez uma das suas colegas de quarto chegue depois. Elas estão viajando, mas depois vão voltar. — dei uma risada, sentando em borboleta. *roupa de Demi*
 — Escuta, sabe se é obrigatório ir nessa viagem? Essa viagem aí da escola... Ou quem quiser pode ficar?
 — Não. — respondi, dando de ombros — Você tem que ir e ponto final.
 — Caramba. — ela balançou a cabeça de forma negativa, notando-se claramente sua repugnação por se juntar áquelas pessoas — Cara, eu queria ficar pra treinar mais a fundo. E se aparecer um intercolegial? Eu tenho que estar preparada.
 Revirei os olhos, rindo. Madison era uma peça completamente nova em minha vida, nela eu via tantas surpresas que nunca imaginei. *roupa de Madison*
 — Ah, só que aquelas minas me disseram que aqui não tem intercolegial... Me disseram que aqui não tem. — só pelo tom de sua voz já pude perceber que ela falava de Selena e seu grupinho. Tive nojo só de pensar nas três novamente.
 — E porque você acredita naquelas idiotas? São umas coitadas, pergunte isso ao diretor, já disse pra você. — falei, me levantando.
 De repente ouvimos um barulho. Na verdade, um imenso barulho, parecido com um alarme de incêndio, mas parecíamos estar dentro de um corpo de bombeiros. Olhei para Madison confusa.
 — Ué, que som é esse? — perguntou ela, parando suas flexões.
 — Não sei. — respondi, indo para a porta. Ao abrir a mesma, vi dezenas de pessoas passando no corredor, indo para a mesma direção, que era a que vinhemos.
 Puxei uma garota qualquer que passava em minha frente.
 — O que é isso, hein? Alarme de incêndio? — perguntei.
 — Ai, como você é burra, é o alarme que anuncia a reunião no saguão! Vem! — ela me olhou com desprezo e saiu rebolando. Juro que se ela não fosse tão ágil, já teria levado um tapa.
 — Burra é a tua vó! — gritei, mas ela já havia ido.
 Madison saiu do quarto, se pondo ao meu lado.
 — Você sabe onde fica o saguão? — perguntei a ela.
 — Não. — ela deu de ombros, fechando a porta atrás de si.
 Começamos a andar para frente, quando uma garota parou em nosso caminho. Ela tinha cabelos até o meio das costas cor de mel e olhos azuis. Tinha roupas simples e estava cheia de malas.
 — Ham, olá, meninas! — ela nos cumprimentou com um sorriso — Eu sou a Miley... Bom, me mandaram pra este quarto.
 — Bem vinda, My. — eu sorri, dando-lhe um aperto de mão — Essa é Madison, a dona do quarto, e eu sou Demi, a vizinha. — apontei para o quarto da frente.
 — Ah, que legal! Bom, eu vou entrar pra guardar as minhas coisas... — ela abriu a porta do quarto com dificuldade, já que estava cheia de malas.
 — Não, não, deixa isso pra depois, querida, agora temos uma reunião urgente, como aparenta! Deixa isso aí que arrumamos depois. — deti Miley antes que ela pudesse pisar dentro do quarto. Madison pegou suas malas e as jogou dentro do quarto, e em seguida, nós três estávamos descendo para o saguão.

Nick Jonas.
 — Ei, olá!
 Olhei para trás enquanto havia acabado de chegar ao saguão. Um garoto, que me recordava pouco dele, corria em minha direção, parecia um louco. Ele parecia atropelar as pessoas muito desajeitadamente, já que naquele momento uma aglomeração de pessoas já começava a surgir. Ele chegou até mim, ofegante.
 — Eu sou Anthony. — ele disse após alguns minutos — Sou da sua galera. Digo isso porque vi você fazendo a prova, também sou bolsista.
 Dei um sorriso satisfatório. Havia acabado de me lembrar dele, estávamos a poucas horas atrás em uma sala fazendo prova.
 — E aí, beleza, Anthony? — trocamos apertos de mão.
 Na mesma hora, ouvimos a voz da secretária chamando todos os alunos para se reunir. Eu puxei Anthony comigo e percebemos que estávamos fora da aglomeração de pessoas. Corremos entre a multidão, e sinto que atropelei mais gente do que as que pedi um "com licença". Nos instalamos em um lugar perto da piscina, antes da secretária começar a falar.
 — Senhor diretor. — ela sorriu, parecendo passar a palavra para Ethan, que já estava a seu lado.
 — Obrigado, Emma. — ele suspirou — Tudo bem, pessoal? Reuni vocês aqui porque, somos poucos, como vocês podem ver. E bom, esse lugar que tem um ambiente mais familiar, não é? Quero dizer que o nosso colégio é como uma grande família, não é verdade? — alguns alunos gritaram afirmando — Bom, eu quero aproveitar para dar as boas vindas aos alunos que acabaram de entrar e peço para eles uma salva de palmas, por favor. — todas as pessoas aplaudiram — Bem vindos! E chegou a hora, pessoal... Todos devem preparar as suas malas porque vão para o clube no Havaí! — algumas pessoas vibraram com a notícia, que não parecia tão velha assim — Eu queria lembrar aos jovens, aos novos alunos, que a ida de vocês a esse lugar é para que se conheçam, para que destravem alguma conversa, e tenham um relacionamento com os seus colegas. Os alunos novos e os alunos que já estão a anos nessa escola. Eu agradeço e, por favor, aplausos para os novos alunos do colégio.
 Mais aplausos. Mais gritos. Mais euforia. Eu dei um riso fraco. Pra mim, nada daquilo importava, eu já havia passado dessa fase de 16 anos, já havia conhecido bastante coisa do mundo. Seria apenas reviver, meu objeto e foco aqui era outro.
 Eu e Anthony começamos a voltar para dentro do colégio, assim como os outros alunos. Esperei a maioria entrar para não ficar esbarrando em muita gente. Passávamos na borda da piscina quando senti um impacto em meu ombro, como se alguém tivesse me empurrado com força. Me virei e vi um garoto parado em minha frente, com os braços cruzados, me encarando. Eu não o conhecia, na verdade nunca o havia visto na vida...
 — Qual é o problema? Cuidado aí! — perguntei, meio alto. Ele parecia estar querendo arrumar uma confusão comigo, e aquilo havia me deixado nervoso.
 — Algum problema? — ele ergueu as sobrancelhas.
 — Não, eu não. — dei de ombros.
 — Mas eu tenho! — ele se aproximou de mim — Não gosto de alunos novos que se acham os maiorais. Isso aqui não é uma favela, aonde você deve ter sido criado! Aqui tem gente que não é pro seu bico, entendeu? Procura andar na linha pra não ter mais problema, falou?
 — Olha aqui, eu não sei o seu nome, mas acabou de arranjar um problema, entendeu? — sem pensar, avancei para ele, mas não cheguei a tocá-lo, pois senti Anthony puxar meu braço e me levar para não sei aonde.
 Mas eu pude ver nitidamente que, ao lado do valentão que queria brigar comigo, estava aquele garoto de touca que eu havia esbarrado ao sair da sala de prova. Tinha certeza absoluta.

domingo, 6 de outubro de 2013

Episódio 13 - A Broken Wing

Lá vai você, fingindo que não se importa, fingindo que não sente. — The Vampire Diaries.

Demi's POV

 Esperei algum tempo até eles saírem do quarto. Mas não saí da onde estava de imediato, vai que eles voltavam depois de alguns segundos? Pelo que eu vi daqueles dois, não duvidava de nada. Eles podiam voltar pra mais um sexozinho rápido, quem sabe.
 Mas quem entrou em seguida no quarto foi Isabella, a gordinha amiga de Selena. Olhar pra ela me deu ânsias de vômito, mas na verdade quem estava com ânsias era ela ao ver a decoração que havia feito na minha parte do quarto.
 Me levantei e soltei uma risada.
 — E aí, como vai? — chamei sua atenção, descendo as escadas — Ficou linda a minha decoração, não é?
 Ela me olhou chocada, como se não acreditasse que eu ainda estava em seu ambiente.
 — Ficou uma porcaria! — falou ela finalmente — Você não pode fazer isso, o quarto não é só seu!
 — Por favor, se acalma, ta? — bufei, subindo em minha cama — Meu Deus, que homem! — suspirei, beijando um pôster do Jared Leto que havia colado na parede — Olha, acredite, eu também gosto das suas coisas.
 Ela revirou os olhos, com certeza me achando uma completa imbecil. Eu a entendia.
 — Nós temos que entrar em um acordo. — disse ela, rangendo os dentes.
 Desci da cama, a encarando.
 — Eu não, falou? — ergui as sobrancelhas — Já vou avisando.
 — Não pense que vai poder fazer o que quiser! Minhas amigas e eu somos as mais populares do colégio, se quisermos em 5 minutos você vai embora!
 Tive vontade de dar gargalhadas. Na verdade, foi isso que eu fiz. Eu simplesmente ri da cara dela. O que era aquilo? Eu estava em um filme das patricinhas de Beverly Hills? Eu estava infurnada em algum shopping ambulante? Não era possível... Em um impulso, empurrei Isabella Golfinho na cama, ainda rindo.
 — Ui, que medo. — ri alto — As mais populares querem me tirar do colégio...
 — O que está fazendo? — ela arfou — E tem mais... Para com isso... Selena já foi falar com o diretor pra tirar você do quarto!
 — Não me diga! — dei um riso irônico, dando um aperto em seu nariz — Acho que você é a mais popular sim, mas entre os elefantes. — ri.
 — Me solta, sua abusada! — ela retirou minhas mãos de seu nariz.
 — É claro.
 Eu ri e me levantei, tentando pensar mais uma vez o que eu faria pra me livrar daquelas garotas.
 — Espera só até as minhas amigas chegarem! — gritou ela, se levantando.
 — Ui, belas amigas você tem, falam horrores umas das outras quando ninguém está escutando. — dei de ombros.
 — Isso é mentira! — ela bufou, se levantando. Tive a leve impressão de que tinha tocado em um ponto fraco dela.
 — Ah é? — levantei as sobrancelhas — Então pergunta pra loirinha o que ela disse pro bonequinho de plástico da Selena. Só por curiosidade, não é? — peguei um elefantezinho rosa de pelúcia em cima da mesinha de cabeceira e joguei em Isabella — Olha só a sua irmãzinha.
 Me levantei e saí do quarto, sentindo um alívio tremendo. Não seria fácil aguentar essa gente, não mesmo. Iria ter que rezar muito.

 — Credo, até senti falta de ar lá dentro! — murmurei a mim mesma quando cheguei ao gramado, do lado de fora da escola. Me sentei embaixo de uma árvore, cada vez mais sentindo um ódio tremendo — Tudo por culpa daquele velho asqueroso. Tomara que ele tenha um problema de próstata e vá logo pro inferno de uma vez por todas!
 De repente alguém caiu em cima de mim. Sem brincadeira, eu sentada reclamando da vida e algum ser pareceu que pulou - ou se jogou - da árvore acima de mim. Me levantei rapidamente e me deparei com uma menina. Ela era loira e usava uma touca na cabeça. Seus olhos eram fortemente azuis e ela tinha roupas surradas.
 — Ai, calma. — bufei — Está pensando o que? Se quer se suicidar, avisa! Se não você pode cair na minha cabeça.
 Ela não disse nada, apenas me olhou. Não ouvi e nem vi nenhum pedido de desculpas. Ela não parecia nem um pouco arrependida de quase ter me matado.
 — Será que nessa escola são todos loucos? — levantei as sobrancelhas, como se fosse óbvio.
 Me surpreendi ao ouvir uma risada dela.
 — Eu não sei, eu sou nova. — ela riu — Prazer, sou Madison. — ela estendeu a mão.
 Fizemos um toque de mãos, o que me surpreendeu. Achava que aqui dentro só tinham garotas engomadinhas cheias de não-me-toque.
 — Prazer, eu também sou nova. Eu sou a Demi. — me encostei na árvore — O que fazia ali em cima?
 — Eu estava tomando ar, porque lá dentro não dá nem pra respirar. — ela deu de ombros.
 Eu abri um sorriso. Impressão minha ou eu finalmente havia achado alguém com neurônios aqui nesse lugar?
 — É isso aí, bem vinda ao clube! — eu ri.
 — Po, é difícil ser nova, não é? Em qualquer lugar.
 — E aqui é pior. — bufei.
 — Porque entrou pra essa escola? — perguntou ela.
 Minha cabeça queimou naquele momento.
 — Porque o imbecil do meu pai me obrigou. — respondi. — E você?
 — Eu fui mandada do orfanato pra cá. — ela deu de ombros.
 Meus olhos brilharam. Eu tinha mesmo acabado de ouvir aquilo? Madison era muito mais do que eu pensava.
 — Então você é órfã? Ai, que legal! — abri um enorme sorriso.
 Ela me olhou como se eu fosse louca. Normal, não é? Quem iria comemorar por ser órfão? Aquilo nem ela estava entendendo.
 — Você está maluca?
 — Não estou maluca, eu te emprestaria um mês os meus pais e garanto que você daria graças a Deus de ser órfã. — dei um sorriso fraco — Então o orfanato está pagando seus estudos aqui?
 — Não, não, eu vim pra cá porque eu ganhei uma bolsa de atleta, mas umas meninas lá dentro me disseram que não disputam competições. — ela deu de ombros.
 — Então alguém paga o colégio pra você?
 — Não, que nada! Esse lugar aqui é caríssimo. Eu não tenho um centavo, então...
 — Então tem alguma coisa errada. — a interrompi — Alguém tem que falar com o diretor.
 Madison revirou os olhos para um carrinho de golfe que se aproximava de nós naquele momento. Dentro dele havia um garoto de cabelos escuros e olhos tão azuis que se via de longe. Era bonitinho, e parecia estar olhando diretamente pra nós.
 — Quem é esse aí? — perguntei, sussurrando, enquanto ouvia o carrinho se aproximar.
 — Logan Wade Lerman, um cara que sismou comigo desde que eu cheguei. É insuportável! — ela bufou.
 No momento em que ela disse isso, o tal Logan estacionou a nossa frente. O garoto sorriu maroto para nós e saltou do carrinho.
 — Não, eu sou James Bond. — ele sorriu, se aproximando de mim. Argh! — Olá, eu sou Lo...
 — Logan! — eu o empurrei para longe de mim, antes que ele encostasse aquela mãozinhas onde não deveria — Eu já sei!
 Ele se afastou de mim, me olhando assustado. Como se eu acabasse de ter dado um golpe mortal em seu peito, e eu só lhe dei um "empurrãozinho". Ele riu nervoso, meio sem graça.
 — Vocês deviam estar falando de mim, não é? — ele riu, convencido até demais. Dei uma olhada para Madison, rindo do quão idiota aquele garoto era — Eu já estou acostumado. E vocês são meninas de sorte, sabem porque? Eu acabei de comprar uns vinhos melhores do que os franceses, e eu vou ficar sozinho no meu quarto, então... Porque não? Eu que sou tão gente fina vim aqui convidar vocês...
 — Não, muito obrigada! — o interrompi antes que ele falasse mais alguma coisa — Sabe o que é? Nós duas preferimos beber caipirinha de cachaça com limão, ok? Passe bem, meu filho!
 Revirei os olhos e saí andando, e Madison me seguiu.

Selena's POV

 Meu coração ainda batia rápido quando entrei praticamente correndo no quarto! Bati a porta atrás de mim, respirando com dificuldade. Também, eu parecia ter estado sem respirar por 2 horas. Vi Isabella deitada em sua cama, mas não me importei muito, meu pensamento voava tanto. Sentei em minha escrivaninha, dando sorrisos involuntários.
 Mas o que eu vou vestir?! Preciso pensar nisso...
 — Isabella, depressa! Precisamos ir ao refeitório! — falei.
 Não obtive resposta no começo. De repente ouvi um soluço. Rapidamente me virei e vi que Isabella chorava.
 — Isabella! Isabella, o que você tem?
 Bufei.
 — Isabella, não liga pra ela! — me levantei e fui até ela — Não fica assim por isso.
 — Eu não to chorando só por isso... — ela falou em meio aos soluços.
 — E porque então?
 — É um menino.
 — Um menino? — juntei as sobrancelhas — Espera aí, quem te fez alguma coisa?
 — A natureza me fez gorda. — ela se sentou na cama, secando as lágrimas que ainda caíam. — E agora que eu conheci o menino dos meus sonhos... Não acredito que ele vá querer um elefante como eu.
 — Isabella, não exagera, ok?!
 — Essa barriga não é um exagero! — ela apontou para sua barriga abaixo da blusa amarela. Eu suspirei.
 — Olha só, vou te dizer uma coisa: as mulheres não atraem só pelo visual. Tem muitas outras coisas. E você é uma menina que tem sentimentos maravilhosos! E se esse menino é tão maravilhoso como você está achando que ele é, com certeza vai perceber quem é você. — dei um sorriso sincero. Ela parou de chorar e olhou em meus olhos.
 — Você acha? — perguntou ela.
 — Claro, sua boba! — passei a mão em seus cabelos — Olha, vamos fazer uma coisa. Você para de chorar e eu te conto uma coisinha! — eu ri animada, mais uma vez me lembrando do episódio maravilhoso que havia passado no corredor.
 — O que foi? — ela perguntou, brotando um sorrisinho de seu rosto.
 — Você lembra que eu disse que não gostava de ninguém daqui da escola? — ela assentiu — Ai, Isabella, eu não sei o que aconteceu, mas hoje eu vi alguém que eu gostei muito! — eu dei um enorme sorriso e eu vi o brilho nos olhos de Isabella. Aquilo realmente era uma novidade tremenda.
 — E ele é um dos bolsistas? perguntou ela, curiosa.
 — Ah, eu não sei. Eu acho que não. É aluno novo, mas eu não sei... Eu não sei... — eu suspirei, sorrindo involuntariamente mais uma vez ao lembrar daqueles olhos e daquele rosto. Podia jurar que estava mordendo os lábios só de lembrar.
 — E vai estudar na nossa turma?
 — Eu também não sei! — falei um pouco mais alto com Isabella, mas ainda rindo — Ele parece ser mais velho, mas não sei, só o vi no corredor rapidamente. — Isabella riu da situação — Ai, Isabella! Chega, ok? Vamos ficar bem bonitas e vamos dar as boas-vindas aos novos gatinhos! — me levantei da cama — Chega, eu não quero ver mais tristeza, ok? Agora eu vou maquiar você e você vai ficar linda.

Nick's POV

 — Quanto tempo mais vão demorar para dar os resultados? — perguntava Miley impaciente ao meu lado, enquanto todos os outros bolsistas quase morriam de tanto nervosismo.
 Eu balancei a cabeça, suspirando.
 — Não sei, não faço ideia. Mas você viu quantas provas eles tinham pra corrigir? Tomara que a gente tenha se dado bem e que entreguem logo os resultados.
 — Eu sei, mas tinham muitos professores para corrigir. — bufou Miley. Apertei meus olhos, assustado com a dor de cabeça e confusão que me vinham naquele momento. De repente eu pensava no pior. Pensava no péssimo.
 — Sabe, Miley? Acho que respondi rápido muitas perguntas, entreguei a prova muito rápido.
 — Fiquem tranquilos! — falou um dos bolsistas que me lembrava vagamente do rosto dele — Vai correr tudo bem, vocês vão ver.
 Dei um sorriso em resposta. Dois segundos depois ouvimos passos na escada e vimos o diretor Ethan junto com uma penca de professores descendo as escadas, com papeis nas mãos. Meu coração bateu mais forte. Era agora.
 — Façam o favor de entrar na sala. — disse o diretor, e entramos novamente naquela sala. Não sabia o quanto estava tremendo, mas sabia que estava. Isso era minha meta, eu tinha que entrar nessa escola de qualquer jeito — Trouxe os resultados da prova, pessoal. Lamentavelmente, não foram muitos os que alcançaram o nível. Por isso, são poucos os candidatos que entrarão esse ano para o Highland Private School. Vou dar o nome dos 4 candidatos admitido. — ele pegou uma folha com uma das pessoas ao lado — Madison Taylor entrará para o 4º ano.
 O diretor observou a sala, para ver se localizava a tal da Madison. Eu também rolei meus olhos, mas pelo visto, a tal da Madison não estava lá. Estranho.
 O diretor continuou:
 — Anthony Jackson entrará para o 4º ano!
 O mesmo garoto que havia falado comigo a uns minutos atrás fora da sala dera um salto da cadeira, dando um grito animado e logo depois se sentando constrangido.
 Já haviam sido dois, meu coração pulava mais do que tudo.
 — Miley Cyrus entrará para o 4º ano!
 O rosto de Miley saiu do pálido para a cor normal. Ela fechou os olhos e deu um sorriso fraco; eu quase podia sentir o alívio que ela sentia de longe.
 O último nome. Eu não conseguia me conter...
 — E o último aluno é...

CONTINUA!

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Episódio 12 - About You Now

"— E sua conclusão final é…? 
— Amar dói"
 Demi's POV.

 Eu estava em meu quarto. Aliás, o quarto em eu fui posta. Pareceu que eu expulsei aquelas patricinhas daqui por alguns momentos, o que eu fiquei aliviada por alguns minutos. Pareciam que o mesmo ar que elas respiravam não era o mesmo que o meu, por isso eu não as suportava mesmo, de jeito nenhum. Tive tempo para pegar meu saco de jujubas da minha mala e deitar na minha nova cama, olhando para a parede.
 Tinha coisa pior do que ficar nessa escola? Eu acho que não. A única coisa que eu conseguia pensar era que era tudo culpa do Noah. Não iria chamá-lo de pai, ele não merecia. Por culpa dele eu estou aqui, aturando todas essas pessoas para meu desgosto. Porque comigo? Odiei esse lugar desde a primeira vez que pisei aqui. Porque minha mãe também tem que ser tão burra? Vai obedecer as palavras de Noah? Não é possível. Eu nunca deveria estar aqui, eu queria pular aquela janela naquele instante e ir embora.
 Mas antes que eu pudesse fazer, ou até pensar em fazer algo, eu ouvi risadinhas vindos do corredor. Parei no mesmo instante. Estavam se aproximando, estavam vindo para o quarto. Sem pensar duas vezes, me joguei debaixo da cama, tentando respirar fraco. O som foi ficando mais perto, agora duas vozes.
 A porta se abriu.
 — Entra. — reconheci de imediato a voz da loirinha amiga de Selena, como era mesmo seu nome? — Relaxa, não vai entrar ninguém.
 Ela falava com alguém enquanto fechava a porta. De baixo eu podia ver um tênis e calças jeans, isso é, ela estava com um garoto. Eu abafei um riso. Vadia, sim ou claro?
 — Ta bom. — o garoto riu, e não reconheci sua voz. Na verdade, nunca havia escutado aquela voz na vida.
 A loirinha foi até uma escrivaninha ao lado da cama, pareceu pegar algo e voltar para o garoto.
 — O disco é esse aqui. — falou ela — Eu também adoro essas músicas.
 — Legal. — ouvi a voz do garoto. Podia sentir que ele estava sorrindo muito.
 — Suas músicas também são muito boas, você devia ser músico.
 — Não, não. — ele começou a andar para perto da cama onde eu estava. Droga. Minha respiração foi a mil — Pra mim é só um passatempo.
 Ele se sentou na cama. 1 segundo depois ela se sentou ao seu lado, o bico de seu salto quase batendo no meu dedo. Qual é, esses dois não poderiam sair daí? Ou melhor, não poderiam sair do quarto pra eu parar com esse fingimento aqui embaixo? Isso está me frustrando.
 De repente eu ouvi um barulho de beijo. Não, eu não estava louca, eu tinha certeza que os dois estavam se beijando nesse exato momento. Abafei um riso. Então essa garota trazia alguns meninos pra cá pra um sexozinho rápido com eles? Oh, que feio...
 — Quando fiquei sabendo do seu acidente... — começou ela, e ouvi mais um beijo — Eu quase morri. É, graças a Deus você é muito forte.
 Ouvi a risada dele.
 — Muito forte. — ele falou baixo, dando mais um beijo nela.
 O que era aquilo, cara? Ops, fiquei sabendo que é proibido os meninos no quarto das meninas... Ela sabia disso?
 — Vem cá... — disse ela, suspirando — O que você tem com a Selena?
 Apurei meus ouvidos.
 — Porque ta perguntando? — perguntou ele.
 — Ah, porque se não eu vou ter que fazer um esforço pra parar de pensar em você.
 Os pés dela se levantaram do chão e o dele também, e eu pude sentir a cama ficando mais pesada. É claro, mesmo não vendo eu sabia que ela o havia deitado na cama.
 — E acontece que eu não fiquei aqui pela Selena. — continuou ela — Eu fiquei por você.
 Abafei um riso.
 — Hmm. E se eu disser que não me interesso por ela? — falou ele.
 — Ah, eu não duvidaria. Ela é muito novinha pra você, Joe.
 — Mas porque?
 — Ah, porque a Selena é virgem!
 Cautelosamente, fui saindo debaixo da cama. Levantei devagar os olhos e olhei-os. Ela estava sentada em cima dele, com as mãos em seu abdomem enquanto ele mantinha as mãos nas coxas dela. Os dois estavam se engolindo, portanto não me viram, graças a Deus. Eu nem sabia explicar o que eu estava pensando naquele momento, apenas de que eu estava completamente assustada com o tipo de pessoas desse lugar.
 O tal do Joe se mexeu e afastou a loirinha de si, me fazendo me abaixar novamente, meu coração pulando. Eles não podiam me ver.
 — Selena é virgem? — perguntou ele — Ela pareceu ser outra coisa.
 — Ah claro, ela fez isso pra não parecer o que ela é, uma menininha!
 — E você? — disse ele em tom desafiante.
 Esperei ouvir uma resposta, mas depois de 2 segundos eu ouvi um gritinho vindo dela, e de repente ela pulou da cama, rindo e indo até as escadas. Joe também se levantou rindo e foi atrás dela, os dois parecendo crianças. Quando os dois estavam lá em cima, finalmente saí debaixo da cama novamente.
 Eu não iria sair do quarto áquela altura, é óbvio. Eu queria ver aquilo, o que as pessoas dessa escola tinham na cabeça? Fiquei de pé e ainda podia ouvir os dois rindo e se beijando em cima. Fui andando cautelosamente até as escadas, tentando fazer o mínimo de barulho possível. Quando coloquei meus pés no primeiro degrau, ouvi uma porta se abrindo.
 Meu coração disparou e olhei para trás, mas não era a porta do quarto. Ouvi os risos dos dois e subi mais um pouco, até ver que eles abriam a porta do closet e estavam entrando lá dentro. Eu ri baixinho. Não podia ser. Os dois fecharam a porta e na mesma hora eu terminei de subir as escadas, chegando no andar de cima. Ainda segurava no corrimão enquanto me aproximava do closet, que eles tinham deixado uma frestra aberta, onde eu escutava muito bem os risinhos maliciosos dos dois. Esperei por uns 2 minutos e rapidamente olhei pela frestra, segurando mais um riso.
 Os dois estavam literalmente se engolindo. A loirinha arrancava as roupas de Joe enquanto ele beijava toda a parte do corpo da garota. Ele a impressou na parede, arrancando sua blusa e beijando seus seios. A garota mesmo arrancou seu sutiã e logo após seu shorts. Sem sutiã e apenas de calcinha, que sutil, não? Joe estava apenas de boxers nesse momento, e os dois já estavam a todo fogo. Joe rapidamente abaixou a calcinha da garota, sem tirá-la, apenas para que ele retirasse sua boxers e penetrasse na garota, fazendo enroscar suas pernas em sua cintura e gemer sem parar.
 Levei minhas mãos á boca, dando passos pra trás. Como isso, cara? As pessoas dessa escola são realmente loucas, esses garotos eram uns pervertidos, eu estava me sentindo numa gravação de filme pornô! Me segurei muito para não rir. Eu virei de costas e me encostei na parede á direita do closet, apenas ouvindo os gemidos prazerosos da loirinha e Joe metendo na garota, murmurando palavras como "é isso aí", "gostosa" ou coisas do tipo.
 Foi quando do nada eu ouvi uma voz:
 — Ava!
 Meu coração gelou. Foi aí que eu percebi que já estava encostada ali a tempo demais pro meu gosto. Qual é, agora eu me interessava pelo sexo adolescente desses depravados? Olhei para baixo e minhas pernas tremeram. A secretária Emma havia entrado no quarto e pela sua cara ela estava escutando e muito bem os gemidos da loirinha, que pelo jeito se chamava Ava.
 Olhei para os lados, aflita por alguns momentos. Essa mulher jamais poderia me ver aqui, ainda mais em uma situação dessas. Ela poderia achar que eu estava encobrindo os dois pervertidos aqui, e isso eu jamais iria querer! Em uma fração de segundos, vi de relance que Emma começava a subir as escadas, seguida pelo som, e eu me afundei no primeiro armário que vi na frente, quase em frente ao closet onde estavam Ava e Joe. Eu suspirei, abrindo uma mínima frestra para poder ver.
 Vi Emma passar em frente ao meu armário e de repente ela parou. Eu gelei. Será que ela desconfiava que havia alguém aqui? Por favor, não abra o armário! Ela olhou para os lados e para cima, parecendo procurar o som. De repente ela olhou para o closet onde estavam os dois, e eu fechei os olhos, abafando mais um riso. Isso iria ser uma merda completa! Eu nem queria ver isso. Emma foi se aproximando devagar, pra ver se era dali mesmo que saía o barulho, e em um rompante a mulher abriu a porta, encontrando a terrível cena pornográfica que ali acontecia.
 O que eu escutei em seguida foi um berro agourento de Emma e um grito assustado de Ava. Emma se virou do outro lado, tampando os olhos, parecendo terrivelmente incrédula. Ava e Joe pararam tudo, estavam suados e descabelados, e os dois se vestiram aos tropeços, parecendo que tinham visto literalmente um fantasma. Emma bufava fortemente.
 — O que estão fazendo aqui?! — ela disse com dificuldade, finalmente se virando e destapando os olhos, vendo os dois agora semi-vestidos.

Isabella's POV.

 Depois que Selena havia me "expulsado" do carrinho de golfe, eu não sabia o que fazer e nem pra onde ir. Queria conversar com alguém, mas literalmente todos da escola haviam viajado pra fazer algo que preste. Ou melhor, todas as pessoas legais dessa escola. Decidi voltar para dentro da escola, ver se havia alguma coisa lá.
 Na verdade, eu já sabia que não teria nada lá. Ava com certeza estava com Joe nesse momento, e eu não sabia o que fazer. Andei pelos corredores e peguei um salgadinho na máquina, tendo a repentina ideia de ir ver como os bolsistas estavam se saindo na prova, já que eu não tinha mais nada pra fazer mesmo.
 Passei na frente da sala e me encostei na parede. As salas continham um vidro enorme na parede ao lado da porta, assim todos que passavam podiam vê-los livremente. Eles estavam concentrados em seus notbooks, alguns até concentrados demais. Dava pra sentir a vontade e o esforço que eles tinham para entrar nessa escola. Eu os entendo, eu acho. Foi ali que eu o vi pela primeira vez.
 Ele estava sentado no meio. Ele parecia muito concentrado por alguns minutos, mas depois ele se dispersava. Parecia pensar muito em suas respostas e sua cabeça parecia ficar confusa. Ele tinha cabelos levemente cacheados e era tão... forte, tão lindo. Meu coração na hora palpitou. Ele era a coisa mais linda que eu já tinha visto. O jeito como mordia a boca e fechava os olhos quando pensava que havia errado uma questão. O que era aquilo? Quem era ele?

Demi's POV.

 — SAIAM!
 Emma gritou e os dois saíram do closet aos tropeços. Eu fechava minha boca ao primeiro indício de que iria rir alto, mas não dava. Era uma das cenas mais engraçadas e cabulosas que já vira na vida. Que mole esses dois dão. Ava ajeitava seu cabelo e sua roupas enquanto Joe colocava sua camisa.
 — Eu... Eu estava arrumando o armário, só isso. — Ava gaguejou, suas mãos tremendo.
 — Eu estava... Estava... Arrumando... — Joe parecia tão nervoso quanto Ava.
 — É por isso que temos uma equipe de manutenção! — gritou Emma. Aqueles dois são sabiam mentir, credo. — Sabem que é proibido os meninos entrarem no quarto das meninas quando não tem um responsável junto! — ela empurrava os dois escada abaixo enquanto gritava em seus ouvidos.
 — Eu sei, eu sei que a culpa é minha! — Ava falou — Emma, por favor... Eu já disse que...
 — Ah, cala a boca! — gritou Emma.
 A secretária fechou os olhos mais uma vez, parecendo tentar eliminar a cena anterior de sua cabeça. Eu mesma iria fazer isso depois. Mas de algum modo Emma parecia já ter visto aquilo antes, muitas vezes, principalmente vindo dos dois.
 — Infelizmente eu vou ter que relatar esse episódio desagradável ao senhor Ethan. — disse ela quando chegaram lá embaixo.
 — Não, por favor! Não queime o meu filme com ele. — pediu Joe.
 — Eu não queimo filme. Só cumpro com o meu dever. — Emma o olhou com raiva, como se não suportasse mais olhar para o rosto do garoto.
 Lentamente, abri a porta do armário com cautela. Fiz o mínimo barulho possível até conseguir sair daquele cubículo e me agachar no chão, ficando de quatro, engatinhando rapidamente para olhar de perto aquela cena.
 — Tudo bem. É que eu já estou acostumado a levar surras. — Joe deu de ombros, com ar de dramático — Primeiro o acidente... E agora isso. — ele deu uma rápida olhada para Ava — De repente me expulsam.
 Eu não conhecia aquele garoto. Na verdade, era a primeira vez que o via, mas estava na cara que ele era um visitante frequente na diretoria e um dos depravados dessa escola. Um dos poucos depravados, já que essa era uma escola de elite, coisa séria. Estava escrito em sua testa que era um filhinho de papai, um mauricinho. Revirei os olhos ao pensar nisso.
 Emma pareceu amolecer o olhar. Ela bufou e disse:
 — Está bem. Dessa vez eu não vou falar nada.
 Joe abriu um sorriso enorme.
 — Obrigado! — ele suspirou — Você é um amor, Emma! — ele avançou nela, dando-lhe um beijo enorme na bochecha.
 Ela rapidamente o afastou.
 — Você não vai me convencer com carinhos. Ok? Da próxima vez que eu encontrar você aqui, eu não vou ter piedade. E vamos logo pro refeitório porque já está na hora do almoço! Vamos logo.

Selena's POV.

 — Não entendo seu pedido, Selena. — disse o diretor Ethan após meu enorme discurso que havia acabado de terminar. — Você sabe perfeitamente que o conselho nos obrigada a dar um percentual de bolsas todos os anos.
 — Eu sei. — bufei — Mas também sei que quase ninguém consegue receber a bolsa.
 — Bom, o colégio não tem culpa se os alunos abandonam porque não alcançam o nível. — ele deu de ombros.
 Rangi os dentes, revirando os olhos. Não era a toa que eu achava Ethan uma das pessoas mais idiotas da face da terra.
 — Todo mundo sabe muito bem que não é por isso. — rebati.
 Ele me olhou confuso e eu novamente revirei os olhos, me aproximando de seu rosto e sussurrei:
 — É pela Seita.
 Ethan me lançou um olhar matador. Aquele olhar que ele sempre lançava quando algum indivíduo falava na Seita. Aquele olhar de enojação, como se não acreditasse, ou não quisesse acreditar. Mas como ele poderia fugir? Todos estavam muito bem cientes da existência da Seita. Da existência de uma organização que bane bolsistas para que o colégio continue privilegiado com pessoas que realmente tem o "nível", como eles dizem. Ninguém imaginava o quanto a Seita poderia ser perigosa, e esse assunto me causava arrepios.
 — Se veio aqui pra falar de rumores infundados, não vou terminar a conversa! — ele trincou os dentes, parecendo querer dar um soco na minha cara.
 — Não, eu não vim falar da Seita.
 Ethan bufou, ainda me olhando com certa raiva. Esse assunto o deixava nesse estado. Ou ele não queria acreditar ou era um completo incrédulo e cego.
 — Olha só, eu vou dizer de uma vez por todas, nesse colégio não existe nenhuma Seita! Nenhuma organização nem nada parecido. — ele rosnou pra mim, aparentemente nervoso.
 Eu revirei os olhos. Era inútil discutir com Ethan sobre aquilo.
 — Tudo bem. Mas eu também não vim falar sobre os bolsistas, eu vim falar dos novos! — pensei logo em Demi, e meu estômago embrulhou.
 — Qual é o problema dos novos? — agora ele parecia entediado.
 — O problema é que não é possível que para cobrar uma taxa, o colégio aceite um novo rico qualquer!
 Ethan suspirou e se sentou em sua cadeira de couro, abrindo novamente seu laptop.
 — Deixa eu ver se eu entendi, você está falando de alguém em especial? — perguntou ele.
 — Estou, claro que estou. E eu preciso esclarecer isso, eu não vou dividir o meu quarto com a filha de uma artista barata!
 — Não é uma artista barata! — Ethan gritou, se levantando como um jato da cadeira, me olhando com raiva — É uma artista muito conhecida! Além disso, você não é ninguém para opinar sobre a família dos novos alunos.
 Abri a boca, chocada. Como assim Ethan estava contra mim? Todas as opiniões que dei dentro dessa escola foram respeitadas por ele, eu não pisava na sala da direção a toa, ok?
 — Bom... Talvez eu não. — dei um riso irônico — Mas eu acho que o meu pai não vai gostar muito quando souber. Porque ele paga muito caro pra me manter nesse colégio que, dizem, é de elite.
 Ethan me olhou cético. Se ele não me ouviria, eu teria que colocar meu pai no meio, como sempre.
 — Presta atenção, Selena. — disse ele — Se o seu pai tiver algum problema, eu vou falar com ele quando retornar de viagem. E agora, se me der licença — ele caminhou até a porta —, pode se retirar, porque estou muito ocupado!
 — Diretor! — arregalei os olhos. Ele estava me mandando embora?
 — Aluna, eu estou ocupado!
 Bufei e saí, batendo os pés. Aquilo não iria ficar assim.

Nick's POV.

 Terminei de fazer a prova e minha cabeça estava literalmente explodindo. Eu tinha dúvidas sobre várias questões, mas não queria revisar minha prova novamente, pois o tempo já estava se esgotando e se eu ficasse mais tempo naquela sala iria desmaiar. Odiava ser o último, eu ficava muito nervoso e não conseguia fazer nada. Avisei aos superintendentes que havia terminado e fui para a porta, mas por último dei uma olhada em Miley, que estava sentada em um canto da sala. Sussurrei um "boa sorte" e saí, respirando um ar puro.
 Quando botei meus pés para fora da sala, rapidamente vi uma garota correndo na direção oposta, no sentido do salão principal. Juntei as sobrancelhas, confuso. Balancei a cabeça e me virei para o mesmo lado, começando a andar, quando trombo com alguém sem querer.
 Era um garoto. Ele era alto e meio magro, com um cabelo estiloso louro cor de bronze, e pela sua blusa de mangas dava pra ver sua enorme tatuagem no braço esquerdo. Ele carregava alguns livros na mãos, que foram para o chão quando nos esbarramos.
 — Ah, pelo amor de Deus, você não olha por onde anda? — ele murmurou, me encarando enquanto pegava seus livros.
 — Desculpe, eu não te vi. — balancei a cabeça.
 — Se você não enxerga é melhor você ir pra uma escola de cegos, ta bom? — ele se levantou com seus livros novamente na mãos.
 Eu não pensei muito no que aconteceu em seguida. Só sei que em mínimas palavras ele tinha me deixado nervoso.
 — Escuta aqui, garoto! Tá pensando o que? — peguei na gola de sua camisa, me aproximando dele.
 — Quem você pensa que é?!
 — Sou eu que vou quebrar a sua cara se aparecer na minha frente de novo! Ta entendendo?
 Ele bufou e se soltou de mim ligeiramente.
 — Tomara que não passe na prova. — agarrou seus livros e saiu de perto de mim.
 Um peso me invadiu. O que eu estava fazendo? Agora eu iria me meter em brigas? Que ótimo, eu nem tinha entrado na escola ainda. Belo exemplo, Nick. Assim que você quer que eu as coisas dão certo? Meio difícil, colega. Eu suspirei e voltei a caminhar para o corredor principal.
 Haviam algumas pessoas circulando por ali, o que foi mais fácil pra mim. Eu agendava em minha cabeça um tempo para fazer um tour por aquela escola gigantesca, mas não agora. Agora eu tinha apenas que saber informações básicas. Encontrei com um dos bolsistas que havia terminado a prova no mesmo tempo do que eu e paramos para conversar no meio do corredor, de como estavam as provas e essas coisas.
 O corredor começou a encher aos poucos. Me interagi tanto na conversa com ele que, quando ele se despediu para comer alguma coisa, eu me vi quase no meio de uma multidão. Rolei os olhos pelo ambiente e eu a vi.
 Vi uma garota parada perto dos armários. Eu não sei se estava louco, mas quando mirei meus olhos nela, a mesma revirou o rosto, como se estivesse olhando pra mim o tempo todo. Eu a olhei novamente. Ela lentamente foi olhando para mim de novo, e em uma fração de segundos eu senti meu coração dar uma palpitação.
 Ela era linda. Tinha cabelos castanhos longos e ondulados, uma boquinha de cereja, olhos redondos e castanhos perfeitos... Era magra e esbelta e tinha um perfeito rosto de anjo. Eu paralisei na mesma hora. Juro que nunca me hipnotizei com uma garota assim.
 Ela parecia nervosa com algo e eu poderia estar louco, mas jurava que ela olhava pra mim. Sim, olhava diretamente pra mim. Eu não sabia ler o seu olhar, mas não conseguia parar de olhá-la. Era incrível.
 De repente ela pareceu "acordar" de um transe e se virou, indo embora por um dos corredores. Eu acordei e suspirei, me perguntando o que havia acabado de acontecer.

domingo, 21 de julho de 2013

Episódio 11 - Almost Home

"Chora não, menina boba." — Tati Bernardi.
Sala da direção
Academia Yancy
Nova York

 — Senhor diretor, minha família mora muito longe daqui. — Nick suspirou, se sentando na cadeira de couro em frente a Ethan, já quase desistindo — Olha, eu entendo que nessa escola tem muitos filhos de estrangeiros e diplomatas, porque não podemos fazer...
 — Olha, rapaz, não insista! — interrompeu Ethan, parecendo impaciente — Eu não posso aceitar a inscrição de nenhum aluno sem prévia entrevista com os pais do aluno ou os tutores do aluno.
 Nick apertou os olhos, ele mesmo começando a ficar impaciente. Tentou pensar em um plano rápido, mas foi impossível. O que poderia fazer em uma situação daquelas? Fora de cogitação tocar no nome de sua mãe.
 Ethan encarou Nick, se perguntando quando ele finalmente sumiria de sua sala.
 — Me dá licença, rapaz? Por favor? — pediu o mesmo, pegando sua xícara de café — Além disso, vejo aqui em sua inscrição que seu pai é falecido, não é?
 Nick o olhou bem cético, alegando em seu próprio olhar que aquele era um assunto proibido.
 — Ou então a sua mãe é a responsável. — Ethan deu de ombros — Eu preciso...
 Ethan parou de falar com uma batida na porta.
 — Senhor diretor — Emma entrou na sala. — Está aqui fora a responsável pelo candidato Nick Jonas.
 O coração de Nick disparou. O que? Como assim? Responsável? Ele não tinha responsável, e não havia avisado a ninguém. Nick gelou ao pensar em sua mãe, em como ela havia descoberto que ele estava tentando entrar na Academia Yancy, e não em uma universidade, como havia prometido.
 — Pode entrar. — Disse Emma.
 Abigail entrou trotando pela porta. Nick a olhou confuso e assustado, e todas as alternativas sobre sua mãe foram descartadas na hora.
 — Seu idiota, você fugiu de mim! — Abigail gritou, puxando os cabelos de Nick. O garoto gemeu, não entendendo nada.
 — Senhora, senhora! — Gritou Ethan, fazendo Abigail o olhar. — Espera, a senhora não é a tia da candidata Cyrus?
 — Sim, e madrinha desse bandido que quer aprontar mais uma! — Rosnou para Nick. — É que a mãe dele e eu somos, como posso dizer... Irmãs. Mas é que o Nick insiste em entrar e eu... Am... Ele quer ficar junto da Miley. Quer ter certeza de que ela terá boa educação. — Notava-se seu nervosismo.
 — Espera aí, perdão, mas eu não estou entendendo. — Ethan juntou as sobrancelhas. — O problema não é esse. O problema é que eu preciso de uma autorização legal assinada pela mãe desse rapaz pra eu poder dar entrada na inscrição dele.
 — Ah, não se preocupe com isso! — Abigail sorriu. — Eu vou trazer assim que ela mandar. Mas por favor, deixa que ele faça a prova. Se não o Nickzinho vai se atrasar e vai perder o ano, eu sei que o senhor é um homem muito bom...
 Nick não disse nada. Continuava mudo, apenas observando o que Abigail tentava fazer. Seu coração batia mais acelerado ao ver que ela conseguia convencer o diretor.

Dormitório das meninas / Selena's Room
Academia Yancy
Nova York

 Demi literalmente estava infernizando as garotas. Ela quebrava as coisas e fazia uma zona no quarto. Bagunçou a cama de Selena e jogou suas maquiagens no chão, fazendo Selena ficar louca e querer matá-la. Ela fez uma grande zona no guarda-roupa de Ava, que foi uma grande loucura, pois não havia nada de mais importante para Ava do que aquilo. Isabella já estava com ódio o bastante de Demi para ajudar as amigas a "acabarem com ela". Demi com certeza era um problema no meio das 'populares' e parecia fazer de propósito. Ela queria fazer de propósito.

Corredor
Academia Yancy
Nova York

 — Então faremos assim: você falsifica a carta da sua mãe, e eu consigo que alguma pessoa assine para que tenha valor. — Abigail sussurrava para Nick fora da sala da direção.
 O garoto deu um sorriso fraco.
 — Olha, obrigado pelo que está fazendo por mim. Se arriscar assim por um estranho é muito difícil, obrigado.
 — Eu sou assim, meu filho. Nem me lembre, porque eu volto atrás. Porque não é uma coisa muito correta.
 — Não, não, que isso. — Nick deu de ombros.
 — Além disso, não pense que vai sair de graça. — Ela sorriu.
 Nick bufou, sentindo um peso em suas costas.
 — Pode dizer.
 — O único favor que eu quero pedir é que... Cuide da Miley. — Abigail suspirou, olhando bem nos olhos de Nick. — Sabe, ela é uma boa menina. É muito inocente, e eu quero que você a proteja. Não deixe que ninguém faça nada a ela.
 — Não se preocupe. — Nick falou baixo, o pedido o pegando de surpresa. — Vou ser como o irmão mais velho da Miley. Não vou deixar que nada aconteça a ela.
 — Ah, não sabe a tranquilidade, que peso você tirou da minha consciência! Não imagina! — Abraçou Nick em um rompante, seus olhos começando a ficar marejados. Quando pensava em Miley, sempre pensava com preocupação, como se não soubesse como deixá-la sozinha no mundo, com medo de que a machucassem. Nick a abraçou, de repente sentindo essa mesma preocupação se transferindo para ele.

Dormitório das meninas / Selena's Room
Academia Yancy
Nova York

 — Não aguento mais, eu preciso de ar! — Bufou Selena, saindo do quarto com as amigas. — Que horror, essa menina é um atentado contra o bom gosto.
 As três riram.
 — De onde ela tira tanta porcaria? — falou Isabella.
 — Do lixo, de onde mais? — riu Ava.
 — Eu não sei, mas eu não suporto ela, vou ter um treco, preciso de ar! — Selena bufou.
 — Oi, e aí? — uma garota loira com uma touca falou Selena, Isabella e Ava. As três a olharam confusas. — Tudo bem?
 As três olharam, de repente formando um sorriso.
 — Estamos super bem, e você? — responderam em coro, como em uma 'coreografia'.
 Madison as olhou estática. Claro que achou aquilo ridículo.
 — Hmm... Aqui é o quarto das meninas? — perguntou ela, tentando tirar a imagem anterior de sua cabeça.
 — É... Você é nova? — Isabella a olhou de cima a baixo, reparando em suas roupas surradas.
 — Sim, meu nome é Madison. — fez o mesmo toque de mãos em Isabella, mas a garota também não conhecia aquela arte.
 — Vem cá, você é bolsista, não é? — perguntou Selena.
 — Como é você sabe?
 — Bom, olha, não é difícil notar, as suas roupas e o seu cabelo são um pouquinho radicais. Mas não se preocupe, nada que Selena Gomez, especialista em produção visual não possa resolver.
 As meninas sorriram. Madison as olhou com completo... Nojo. Na verdade, ela não esperava encontrar isso quando pisasse naquela escola. Esperava encontrar pessoas legais e gente desinterassada.
 Mal podia ver que estava super enganada.
 — Mas se você é bolsista, não devia estar fazendo a prova? — perguntou Isabella.
 — Hm, não. Eu vim pra cá como bolsista atleta.
 — E o que é isso? — Ava perguntou.
 — É que eu pratico taekwoundo e acho que quando tiver um intercolegial eu vou representar o colégio. — deu de ombros.
 — Não, não. — Selena balançou a cabeça — A Academia Yancy jamais participa dos intercolegiais. Ainda mais nesse negócio aí de taekwondo, eu acho que você errou de escola.
 Madison as olhou confusa. Não sabia o que pensar naquele momento, mas desejou sair de perto daquelas três antes que ficasse louca.
 — Ta bom, eu vou te mostrar o seu quarto, as bolsistas ficam pra lá. — falou Isabella, começando a andar pelo corredor — Vamos, meninas.

 — Olha, esse quarto aqui está disponível. — Isabella entrou no quarto — Pode escolher qualquer lugar e decorar como você quiser.
 — Ah é, como o nosso! — Selena sorriu, se sentando em uma poltrona vermelha — O nosso quarto foi todo decorado pelo Aiden Thomas, meu decorador. Ficou lindo, você nem imagina. Ele deixou cada uma com o seu estilo divino. O único mal é que agora chegou uma ignorante chamada Demi. — Selena torceu o nariz — E estragou tudo, todo o trabalho que fizemos em meses. Juro que me deu vontade de vomitar vendo as coisas que ela trouxe. Bom, eu digo isso porque sou super sensível e você ainda não me conhece.
 — Ai, que nojo, uma mosca! — falou Ava, parecendo abafar o ar.
 Madison ainda as olhava confusa, como se aquelas garotas não fossem reais. Não tinham nada a ver com ela, e já começava a não suportá-las.
 — Hmm, eu vou pegar a minha mala. — falou ela, indo até a porta.
 — Eu te ajudo. — Isabella foi atrás dela.
 — Tem moscas nesse quarto?! — Selena sussurrou para Ava, com cara de nojo.
 — Ah, que nojo isso, fala sério!
 — Ai! — Isabella bufou, largando a mala de Madison no chão. — Tem algo que quebre aí?
 — Não sei, fizeram a minha mala no orfanato. — Deu de ombros.
 — Espera aí, você veio de um orfanato? — Isabella arregalou os olhos.
 — É, algum problema? — ergueu as sobrancelhas.
 — Não, é porque aqui isso não é comum. — Ava sorriu forçado.
 — Me desculpe, mas eu nunca vi uma órfã ao vivo... Como é ser órfã? — Selena a encarou como se fosse ouro.
 — Deve ser super deprimente, não é? — Isabella falou, olhando para Madison com pena.
 — Pior que não, lá se aprende muito. Uma das coisas que eu aprendi lá é: destruir tudo que te incomoda. — Lançou um olhar mortal para as três.

Campus de golfe
Academia Yancy
Nova York
Joe's POV

 Bom, eu não fui pra casa após sair do hospital, como podem ver. Ainda tinha que realizar os temerosos trabalhos voluntários, coisa que com certeza não era pra mim. Eu estava odiando aquilo, não tinha nada pior, eu deveria estar em casa descansando bastante e ser mimado pelos meus empregados, poxa, eu acabei de sofrer um acidente!
 Mas o senhor Collins tampouco pensava desse jeito.
 Ele teve prazer em ir até meu quarto no hospital para jogar na minha cara que havia feito uma denúncia contra mim sobre o acidente. Tudo bem, eu vacilei, eu admito, mas ele é meu pai. Será que qualquer outro pai faria isso com o filho? Não consigo nem imaginar, ele me dá nos nervos, apesar de eu sempre afastar esse sentimento de mim. Ele me deixa nervoso e com ele não posso dizer sequer o que quero e o que penso sobre nenhum assunto. Ás vezes me espelho nele, mas na maioria das vezes eu o desejo longe da minha frente e da minha vida.
 Saí do meu quarto e fui para o campus de golfe, entrei em um carrinho e aproveitei para ligar para Jacob. Contar as "novidades":
 — Pois é, Jacob, o juíz mandou fazer trabalho voluntário numa cidadezinha... Juro que preferia morrer. — Balancei a cabeça, afastando tais pensamentos. — Aposto que foi ideia do meu pai. Não me deixa sozinho nessa, ok? Ta bom, tchau.
 Desliguei o telefone, já voltando a sentir a mesma repulsa de antes. Eu estava atordoado com toda aquela situação, estava fora de cogitação eu, Joe Collins, passar o verão inteiro trabalhando. Qual é, eu nunca nem lavei um prato em casa, agora terei que trabalhar para outras pessoas? Foram só maconha e bebidas, ok? Porra, foi só uma mancadinha!
 Ainda continuava rodando pelo campus com o carrinho, passei pelas líderes de torcida fazendo alongamentos no gramado, as quais acenaram para mim alegres e sorrindo. Assanhadas. Me adoravam, eram loucas pra transar comigo, e eu já havia pegado metade. Assim como metade dessa escola.
 Quem pode, pode.

Selena Gomez's POV

 Aquela Madison me assustou, eu não vou negar. Depois das últimas palavras que ela me lançou, eu e as meninas demos uma desculpa para sairmos correndo daquele quarto o quanto antes. Até tinha passado pela minha cabeça que eu poderia ajudá-la aqui, mas logo descartei. Não gosto de trabalhos difíceis, muito menos de cobaias difíceis. Se quer ficar do jeito que está, que fique. Eu, Ava e Isabella saímos daquele quarto, indo direto para o campus de golfe.
 Ao chegar lá, pegamos um carrinho e nos amontoamos em cima dele, eu e Ava na frente e Isabella atrás. Conversávamos sobre assuntos recorrentes quando cruzamos com o carrinho de Joe a nossa frente, o qual havia acabado de azarar simultaneamente várias líderes de torcida atrás dele. Eu automaticamente dei um sorrisinho cínico pra ele. Eu já estava ligada na mega confusão que ele havia se metido, aliás, quem não sabia?
 Joe parou o carro a minha frente, me fazendo parar também. Nós dois nos encaramos.
 — Joezinho! — Falei, sorrindo. — Suas férias foram curtas, não é?
 Ele riu, balançando a cabeça.
 — Olha só quem fala. Você nem saiu daqui, gatinha.
 Ele piscou para mim, e depois arrancou com o carrinho, dando de ré e virando na direção oposta. Fiquei estática em meu lugar. Como assim? Ele é apenas Joe Collins. Apesar de ele ter dito a verdade, eu não aceitava ouvir aquilo dele, não mesmo.
 — Hahaha. — Ri irônica, não achando graça nenhuma.
 Ele deu uma última olhada para nós e saiu de vez, sem olhar pra trás. Já vai tarde.
 — Vem cá, porque você trata ele assim? — Perguntou Ava de repente. — Eu acho que você está afim dele.
 — Mas é claro que não. — Nós duas rimos, eu achando completamente sem nexo o que ela acabara de dizer. — Sabe, Ava, ele é um gato, mas não faz o meu tipo. E ficar com ele? Fala sério!
 Ela me avaliou, parecendo querer entrar da minha cabeça para ver se eu estava falando a verdade.
 — Bom... — disse ela.
 — Bom o que? — perguntei.
 — Eu já volto! — ela deu um gritinho, saindo do carrinho rapidamente e correndo para onde Joe havia partido.
 Eu ri e a olhei, meio perplexa, mas não assustada. Joe seria o novo alvo de Ava, isso eu já esperava para esse ano.
 — Ah, vai pedir carona pra ele, vai? — eu ri, vendo ela correr empolgada.
 — Ei, por favor! — ouvi ela dizer para um garoto que estava de bobeira parado em um carrinho. — Pode me dar uma caroninha até lá em cima?
 O garoto apenas sorriu e ela subiu em seu banco carona, o carro arrancando para frente. Que esse garoto não queira nada em troca, por favor. Ava era louca, era capaz de aceitar para não ficar mal na fita. Apenas balancei a cabeça e Isabella se sentou ao meu lado, no antigo lugar de Ava.
 — Amiga, fiquei pensando muito no que a Ava disse. — falou Isabella.
 — O que?
 — Que você e o Joe seriam o casal ideal. Os dois são iguais. — ela sorriu, parecendo sonhar com esse dia.
 Eu ri. Na verdade, gargalhei. Não era possível. Onde que eu e Joe éramos "perfeitos um pro outro"? Nunca, né? Contem outra, o garoto é um bebêzão e fica com todas as meninas do colégio. Um namoro dele deve durar o que? 1 semana? E olhe lá...
 — Ah, Isabella, por favor! — bufei, rindo. — Sério, não tem nada a ver. Você pensa umas merdas muito grandes, mas tudo bem.
 Ela revirou os olhos, parecendo não mudar de ideia.
 — Viu a Ava? Ela perde a linha, saiu voando atrás do Joe. É só aparecer um menino que ela vai correndo atrás.
 — Ai, não começa, não critica, ela é nossa amiga, lembra? — levantei as sobrancelhas.
 — É óbvio, eu sei que ela é nossa amiga, mas isso vai ficar entre a gente, ta? Olha, você não vai negar que ela é super atiradinha com os meninos. — deu de ombros.
 Eu ri. Na verdade, foi a única coisa que eu encontrei naquele momento.
 — Isabella, para! — falei. — Já chega. O problema é que a Ava tem que ser boazinha porque todos os meninos querem ficar com ela. Tem que ser como eu, não os trato mal, mas eu parto o coração deles.
 Ela bufou.
 — Você é legal, mas eu acho ela muito oferecida!
 — Sério?
 — Por isso que eles te procuram tanto.
 — Ta bom, chega de criticar. O que eu ia te dizer a 5 minutos é que eu tenho que ir falar com o diretor, por isso querida, me dá uns minutinhos, vai lá.
 "Expulsei" Isabella do carrinho, mandando um beijinho no ar. Logo mais, saí com o carrinho, direto para a sala do diretor. Haviam assuntos importantes a tratar com ele, muito importantes.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Episódio 10 - Fabulous

"Não sei que coração é esse, que te chama por horas e horas, mas que se cala quando você chega. Como te querer se não sei como querer. Como te amar se nem sei se você me ama." — Caio Augusto Leite.
Avenida Begrs Street
Nova York

"Ok, pode parar aqui." — Logan se manifestou no carro — "Daqui eu vou sozinho."
"Porque, filho? Falta tão pouco." — disse seu pai.
"Eu sei, pai, mas eu não sou mais uma criança pra você me deixar em frente a escola."
 Seus pais suspiraram e pararam a uma distância mínima da Academia Yancy, enquanto Logan se atirava para fora da caminhonete Hi-Lux, pegando apenas sua mala preta de rodinhas e começando a caminhar.
"Filho, espera!" — sua mãe gritou, o fazendo parar de má vontade — "Sabe o que é? Eu gostaria de conhecer seus colegas. O seu quarto, o refeitório..."
"Ok, mãe, mas não vai dar. E também não quero que venham me visitar nos fins de semana. Quando der eu visito vocês." — deu de ombros.
"Mas nós achamos importante visitar você aqui." — sua mãe sorriu.
"Tudo bem, tudo bem." — seu pai cortou a conversa, dando um riso forçado — "Ele é assim." — abraçou Logan, fazendo o garoto executar uma careta de mal gosto — "Sabe, eu sinto muito orgulho de um filho de um simples açougueiro, de gente do campo, chegou ao melhor colégio do país. Sabe, filho, você vai chegar mais longe do que eu."
 Logan revirou os olhos, completamente entediado.
"Desde que seja um homem bom e trabalhador como você." — os pais se olharam — "Porque é o que eu quero."
"Tudo bem, mulher. Ele quer ser mais do que eu..."
"Mas porque ser mais? Além disso, ele pode continuar com o negócio do açougue. Nós conseguimos juntar mais do que jamais sonhamos."
"Ok, chega!" — gritou Logan — "Já chega, ok? Não vai começar agora com aquela história de miséria, que um dia ficamos ricos e blá blá blá." — ele bufou.
"Tudo bem, filho." — seu pai sussurrou — "Boa sorte. Trouxe tudo?"
"Sim, pai." — respondeu Logan, morrendo de vontade de vê-los longe.
"Aqui, filho. A medalinha do seu batismo." — sua mãe colocou um cordão de prata em seu pescoço — "Ande sempre com ela."
"Obrigado... Agora vão." — Logan bufou, e dessa vez seguiu em frente para a Academia.

Queens
Nova York

"E depois o meu pai morreu." — completou Nick, com o olhar distante, enquanto ele, Abigail e Miley estavam sentados, ainda esperando o ônibus.
"Coitado." — Miley suspirou — "E morreu de que?"
"Ele já estava doente." — Nick deu de ombros.
"Puxa..." — Abigail suspirou, observando Nick.
"Na verdade, o sonho dele era que eu entrasse pra essa escola, por isso eu vim." — Nick mentiu, rolando os olhos. Era a primeira vez que mentia daquele jeito em voz alta.
"Vai ser difícil." — falou Abigail — "Nessa escola é tudo complicado. Não pense que vai ser tão fácil entrar."
"Mas... Eu posso falsificar a assinatura da minha mãe..."
"Como vai falsificar a assinatura da sua mãe, garoto? Te expulsam! Não, aqui é tudo cheio de regras!" — ela bufou — "O que eu quero dizer é o seguinte, precisa de alguém que se responsabilize por você. Que fale por você, que o defenda, entendeu?"
"Mas esse é o sonho da minha vida inteira. É quase meu projeto de vida, entrar pra essa escola..." — Nick imaginava se não estaria exagerando demais.
"Você vai entrar, eu tenho certeza." — Miley sorriu, encorajando-o.
"Não, você vai entrar, eu tenho certeza."

Centro Médico Chapon Hill
Nova York

"Venha, filho." — a mãe de Joe puxou o garoto pelas mãos enquanto terminava de colocar suas roupas normais. Joe estava com a cara mais abatida de todas. Não dormia direito havia dias e sua cabeça ainda doía com o curativo acima da sobrancelha.
"Eu estou bem, mãe." — Joe falou baixo, ainda sentindo dores.
"Vejo que se recuperou perfeitamente, Joe." — o diretor Ethan entrou pela porta do quarto, o que causou ainda mais dores de cabeça em Joe.
"Senhor diretor, me desculpe." — falou Joe — "Eu sei que vacilei. Acho que dessa vez a situação é um pouco delicada, não é?"
"É..." — Ethan deu de ombros.
"Mas não está pensando em me expulsar, não é?"
"Bom, eu devia, Joe, mas falei com o seu pai e considerando que todos os seus irmãos passaram pelo nosso colégio, vamos considerá-lo como um caso especial." — Ethan sorriu e Joe o olhou confuso — "E tem mais, eu falei com o juíz e não precisará ser processado. Isso não significa que não terá uma punição."
"Ah, muito obrigada!" — falou a mãe de Joe, sorrindo como sempre — "Que consideração. Agradeça a ele, Joezinho." — deu uma cutucada em Joe.
"Obrigado. Qual é a punição?"
"Está aqui, especificado." — Ethan tirou do bolso do terno alguns papeis — "E você vai realizar trabalhos voluntários. E não se preocupe, vai ser na cidade, perto do nosso clube de férias. Mas fique sabendo que vai ter um inspetor vigiando você."
"É por isso que eu adoro a sua escola!" — a mulher riu, pegando no braço de Ethan e o encaminhando para fora do quarto.
"Senhora, por favor..." — Ethan ria nervoso.
"É tão encantador..."
"Nós temos prazer em poder ajudá-lo." — sorriu.

Área da piscina
Academia Yancy
Nova York

"Oi, gatinha!" — gritou Logan ao ver uma loirinha baixa andando em sua frente. A garota o olhou, parecendo confusa — "E aí, posso te ajudar em alguma coisa? Eu já vi que você é nova aqui, e sei lá... Logan Lerman." — estendeu a mão.
"Eu sou Madison Taylor." — fez um toque de mãos com Logan, e o garoto a olhou cético. Só agora havia percebido algo 'macho' na garota.
"Hmm, Madison Taylor..." — ele analisou-a — "É que... Combina com seus olhos." — Madison riu — "Então, você é bolsista aqui? Veio fazer a prova?"
"Não, pra mim não disseram nada."
 Em algum canto da piscina, no meio da confusão entre os jogadores que praticavam volleyboll na água, a bola escapou dentre as mãos de alguma pessoa, fazendo a bola correr pelo teto e bater em Madison, na parte de seus seios. A garota soltou um gemido de dor e as pessoas na piscina a olharam preocupados. Não com ela, claro, mas se ela devolveria a bola numa boa.
 Madison os olhou com raiva. Logan apenas revirou os olhos, se fazendo de desentendido, como se não estivesse presente naquele momento. Madison pegou a bola do chão.
 — Quem foi o idiota? — A garota gritou, olhando para as pessoas na piscina.
 Ninguém soltou um pio. Ela bufou e em menos de 1 segundo, jogou a bola pra cima, chutando-a em seguida, com uma força extraordinária. O queixo de Logan caiu. Ele e todos acompanharam enquanto a bola voava pela quadra, por cima da piscina. E todos olharam com medo até ver que a bola ia em direção a um homem descendo as escadas, há uma distância significante da quadra. Não deu outra, a bola bateu em seu braço, dando um estalo.
 — O que aconteceu, Daniel? — Gritou o homem, massageando seu braço onde fora atingido, saindo em seguida batendo os pés.
 Daniel Anderson era o professor de educação física, presente na quadra naquele momento, e não soube o que dizer naquele momento. Não podia dizer nada, ainda olhava perplexo para Madison, assim como os outros.
 — Nada mal. — Logan comentou após as pessoas terem "acordado" e voltado para suas atividades. — Eu aposto que você quer ajuda com a sua mala, não é? O que é isso aqui? Seu tapete de alongamento? — Ele riu, enquanto pegava a mala de Madison.
 Os braços de Logan queimaram. Pareciam haver pedras na mala da garota. Logan soltou um gemido gutural enquanto tentava levantar a mala, e Madison apenas soltou um sorriso.
 — Vamos lá? — Ela riu e começou a caminhar para dentro da escola, sendo seguida pelo andar devagar de Logan.

Dormitório das meninas / Selena's Room
Academia Yancy
Nova York

 — Eu não voltei só por você, Selena, eu voltei também porque eu não suportava mais a minha mãe e o imbecil do meu irmão. — Ava bufou enquanto Selena passava pó em seu rosto. — Só porque o meu pai saiu de casa, ele se acha o dono de tudo.
 — Soube mais alguma coisa dele?
 — Não. Ele se divorciou da minha mãe, se divorciou de todos.
 — Vocês já viram os alunos novos? — Perguntou Isabella enquanto descia as escadas do dormitório gigante.
 — São uns idiotas... — Murmurou Ava.
 — Tadinhos, pareciam que estavam entrando no matadouro. — Isabella riu.
 — Você já está prontinha. — Selena disse á Ava enquanto guardava um pouco de suas maquiagens. Ava agradeceu murmurando um "obrigada". — Olha, eu nem tive vontade de sair do meu quarto. Já basta ter visto aquela menina... — Selena descia as escadas, indo ao encontro de Isabella. — Sabe o que eu descobri? Que ela é filha de uma artista...
 — Gente, eu vi ela em uma revista, eu achei ela bem bonita. — Ava se levantou do espelho, indo ao encontro das amigas.
 Selena bufou.
 — Ava, acorda! Por favor, nas revistas eles retocam as fotos no computador. — ela se jogou em sua cama — Você precisa vê-la pessoalmente, não é? Conta pra ela, Isabella!
 — Então me contem, eu quero saber. — Ava se sentou em sua cama, e Isabella soltou uma risada.
 — Parece uma árvore de natal com as luzes piscando, é horrível. — Selena contou, fazendo as três rirem. Ava murmurava palavras como "Ah não, não acredito..."
 — E a filha? — perguntou Ava.
 — A filha? Não, a filha é a pior de todas! É a mais idiota que eu já vi na minha vida! — Selena gesticulava com os braços.
 — Espera, me conta aí. — pediu Ava.
 — Não, espera, ela tem um cabelo loiro com umas mexas verdes...
 — Azuis! — corrigiu Isabella.
 — São azuis também? — Selena riu. — São azuis, roxas, sei lá...
 Naquele momento, a porta se abriu bruscamente. Demi chutou suas malas para dentro do quarto, fazendo um silêncio reinar naquele momento. A garota entrou a passos largos, não se importando com as meninas ali.
 — É exatamente desse jeito. — Selena resmungou — Escuta, menina, acho que você se enganou, porque a saída fica por aquele lado. — apontou para um lado distante do quarto.
 — Ah, não me diga! — Demi sorriu irônicamente. — Então me desculpe, pois eu vim pra ficar aqui, bonequinha. — Mexeu nos cabelos de Selena.
 — Mas você me disse que não ia ficar...
 — Pois é, mas eu mudei de ideia. — Demi pulou de joelhos na cama de Selena — Porque eu gostei muito da escola e então... Eu vou ficar aqui. — Sorriu.
 Selena a olhou com nojo e desprezo, e também um pouco de preocupação. Não sabia porque, mas já sentia que Demi iria ser um problema pra ela.
 — Essa escola não tem nada a ver com você! — Isabella disse, se levantando.
 Demi a olhou com graça, dando um enorme sorriso de deboche.
 — É mesmo? — Ela se levantou, ficando em pé na cama de Selena. — Poxa, mas que inteligente você é.
 — Não na minha cama! — Selena gritou ao ver Demi em pé.
 — Deixa eu te perguntar, além de falar, você também sabe fazer piruetas? Como todos as baleias? — Demi falou para Isabella, ignorando a existência de Selena completamente.
 Ava levou a mão á boca, chocada com o comentário de Demi. Selena baixou os olhos, seu peito pareceu se apertar. Isabella a encarou, sua garganta se fechando, como se não houvesse o que dizer naquele momento.
 Isabella era a típica pessoa que estava acima do peso. Isso seria normal, se ela não fosse uma das meninas mais populares da escola. Se sentia completamente fora do mundo comum pelo motivo de não estar no patamar do "corpo perfeito", e se tinha alguma coisa que a machucava era caçoar disso.

Salão principal
Academia Yancy
Nova York

 — Os que entregaram a solicitação podem passar para a sala para fazerem a prova. Só os candidatos! — Anunciou Emma para a aglomeração de pais e filhos na Academia.
 Nick e Miley se levantaram em um sobressalto, assim como um montante de alunos. Todos pareciam mais nervosos do que o comum, pareciam estarem se decidindo ali na hora se iam ou não. Dava pra ver o pânico nos olhos deles.
 Um a um, os candidatos iam até a mesa de Emma e colocavam a solicitação preenchida, como devia ser. Suas mãos tremiam, sem querer exagerar. Eles estavam mesmo nervosos. Miley rapidamente entregou nas mãos de Emma e caminhou até a sala, parecendo suar frio.
 Nick se encaminhou para a mesa de Emma, colocou sua solicitação e já foi seguindo para a sala, quando:
 — Jonas! — chamou Emma, fazendo Nick se virar novamente — Você não.
 Nick a olhou confuso e ao mesmo tempo perplexo. Abigail e Miley pararam para ver ao longe, também confusas.
 — Não o que? — perguntou ele.
 — Você não pode fazer a prova. — ela deu de ombros.
 — Mas porque?
 — O diretor não falou com os seus pais. Eles vieram com você?
 A cabeça de Nick queimou. Seus pais? Não havia coisa pior para pedir a ele naquele momento. Estava fora de cogitação envolver seus pais naquilo. Ele respirou bem fundo.
 — Não. — respondeu.
 — Então você não vai poder fazer a prova, eu lamento. — Emma deu de ombros.

sábado, 12 de outubro de 2013

Episódio 14 - Ain't no wonder.

“É este o problema com a bebida, pensei, enquanto me servia dum copo. Se acontece algo de mau, bebe-se para esquecer; se acontece algo de bom, bebe-se para celebrar, e se nada acontece, bebe-se para que aconteça qualquer coisa.” — Charles Bukowski. 

Nick Jonas.
 — E o último candidato é Joshua White, que entrará para o 5º ano!
 Meu mundo pareceu cair naquele momento. Minha cabeça pesou tanto que eu pareci não estar no planeta terra. Todo meu esforço havia sido em vão, eu não havia conseguido. tudo que consegui fazer foi afundar minha cabeça no tampo da mesa, já sem esperança alguma. Automaticamente, comecei a pedir perdão ao meu pai em pensamento, e ainda prometi que daria outro jeito.
 — Isso é tudo, pessoal. Com licença.
 O diretor se encaminhou para a porta, se preparando para sair. Já vai tarde. Não vi ninguém me olhando, mas também pra que? Fiquei feliz por Miley ter conseguido, vejo que ela batalhou muito pra isso, mas ao que parece meu esforço não foi o bastante.
 — Senhor diretor! — do nada, a secretária apareceu na porta antes do diretor sair, meio esbaforida e exausta — Este candidato também foi aprovado. Eu acabei de corrigir pessoalmente.
 — Tem certeza? — o diretor pegou a pasta com as informações da mão de Emma, confuso.
 — Absoluta. — ela suspirou.
 O diretor a encarou por um tempo, ainda cético. Quando ouvi aquilo, agarrei de lá do fundo o meu último fiapo de esperança que tinha. Nada estava acabado ainda, tudo podia mudar. Fé, Nick. Se lembra do que seus pais sempre te ensinaram? Fé. Você foi bem. Isso basta.
 Ele foi até na frente da sala novamente, enchendo todos de esperança e ansiedade mais uma vez.
 — Nick Jonas também está aprovado e vai para o 4º ano!
 Parei de respirar.
 No começo achei que havia ouvido errado, mas não. Era eu. Eu havia passado! O diretor saiu como um jato da sala junto com todos os outros professores, e eu nem conseguia sorrir de tão aliviado que me sentia. Pareceu que um peso de 187362837 quilos saísse de minhas contas e eu já havia engolido o choro por achar que não havia passado.
 Eu suspirei e só depois de alguns minutos eu podia escutar Miley gritando:
 — Nick! Você passou! — ela gritou animada, se levantando de seu lugar e me abraçando.
 Eu mal podia sentir os seus braços me envolvendo, tamanho era meu nervosismo. Eu deveria estar tremendo, mas não conseguia sentir.
 Era agora. Era hoje. Finalmente, em tanto tempo, tinha certeza que uma nova etapa da minha vida estava começando.

Joe Collins.
 Depois da tremenda confusão no quarto de Ava, arrastei-a para longe de lá antes que algo mais grave acontecesse. Não era possível que Emma havia chegado tão rápido, eu nem a vi. E comer a Ava estava tão bom... Mas eu não podia levá-la até meu quarto, chega de confusões por hoje. Fomos até a academia do colégio depois que me certifiquei que ela estava vazia. Conseguimos um "espaço" entre os colchonetes, mas não transamos mais, apesar de ela ficar insistindo. Aqui não, tenho uma reputação importantíssima a zelar. E Ava era — por enquanto — só uma peguete. Uma peguete que eu tinha a hora que eu queria, e não é de hoje. *roupa de Ava*
 Depois de alguns minutos ali, me levantei um pouco cansado.
 — Anda, vamos aproveitar que não tem ninguém. — falei, agora mostrando um pouco menos de interesse. Não iria ser bom se me vissem saindo da academia vazia com Ava.
 — Ah, se bem que a gente podia ficar mais um pouquinho. — ela riu, me puxando de volta — Eu me sinto tão bem quando fico com você.
 Bufei. Mais uma apaixonada por mim, me diz, porque sou tão lindo?
 — Ava, você sabe que eu também fico numa boa, mas vamos!
 — Ah, espera! — ela me puxou mais uma vez, sorrindo — Vem cá, eu posso contar para as minhas amigas que eu tenho namorado?
 — O que?! — engasguei — Não, namorado é uma palavra muito forte. — fui caminhando até a entrada da academia.
 — Ai, Joe, por favor, entende! — ela falou alto, aparentemente nervosa.
 Eu não mereço isso agora, uma briga agora ninguém merece!
 — Ava, Ava, me escuta! — parei na frente dela — Com esse acidente e tudo que aconteceu, eu não estou bem, entendeu?
 Ela suspirou, parecendo decepcionada com a minha frase.
 — Tudo bem. — ela passou a mão em meus cabelos — Eu vou cuidar de você, meu amor, não se preocupe. Vai ver como vamos ficar juntinhos numa boa.
 Dei um sorriso fraco pra ela. Ava era linda e nós nos pegávamos a um tempo, mas nada sério. Talvez eu pudesse pensar em dar um passo adiante.
 — Joe!
 Me virei e vi Jacob correndo e entrando pela porta da academia, completamente esbaforido. Revirei os olhos. Não havia alguém melhor nesse momento.
 — Ainda bem que te encontrei, cara! — ele disse ao chegar perto de mim — Faz tempo que eu estava te procurando.
 — Porque? — dei de ombros.
 — Porque um dos bolsistas, pobre coitado... Pisou na bola. — ele disse com ar enojado.
 — O que?!

Nick Jonas.
 Com meu corpo mais leve, eu saí da sala, sorrindo. Não havia coisa melhor para se pensar. Eu estava feliz, e isso era certeza. Finalmente conseguia já sentir a mudança e o renovo chegando em minha vida, e apenas porque soube que passei em uma prova. Mas aquilo era muito mais. Eu estava cada a um passo a frente de tudo que eu planejei, e eu pretendia fazer dar certo até o fim. Por mim mesmo, e pelo meu pai, principalmente... O plano de acabar com ELE não iria ter tréguas.
 O corredor estava abarrotado de pessoas, principalmente de bolsistas e agora já se podia ver estudantes da Academia Yancy inseridos ali. Muitos passavam com seus narizes em pé, parecendo olhar com receio para os "pobres", que agora a maioria já não estava tão feliz assim. Miley fora falar com algumas pessoas, ou com seu jeito doce de sempre, consolar os que não passaram.
 Eu sinceramente não sabia o que fazer. Estava alegre e contente, claro, havia passado na prova para estudar na melhor escola dos Estados Unidos, mas no meio de toda aquela gente, eu só conseguia pensar no meu objetivo principal.
 Fui tirado de meus pensamentos quando alguém chamou meu nome no meio daquela multidão. Olhei e vi que era o diretor Ethan que estava com Emma um pouco mais de 3 metros de mim, e ele me chamava para me juntar a ele. *roupa de Emma*
 — Nick Jonas. — ele deu um sorriso, apertando minha mão.
 Ele não queria mais nada além de agradecer simplesmente o que eu havia feito. De acordo com ele, passar naquela prova era algo para pessoas esforçadas e de completo nível, e que uma coisa dessas não deveria ser ignorada.  Por fora fiquei feliz. Por dentro, sinceramente, tanto faz.

Selena Gomez.
 — Anda logo, Selena!
 Isabella gritou enquanto me puxava com violência para o corredor, que a essa altura já estava abarrotado de gente. Fiquei até assustada. Nós duas já havíamos trocado de roupa e preparado o make, (roupa de Selena, roupa de Isabella) como eu já havia dito, e eu finalmente havia conseguido colocar algum ânimo em Isabella. Mas sinceramente, meu foco aqui era encontrá-lo...
 Eu não sabia onde ele estava e nem nada dele. Será que é possível isso? Você gostar de uma pessoa assim? Do nada? Minha barriga até agora fica gelada quando lembro do jeito que ele me olhou a um momento atrás, e minha cabeça começa a revirar, parece que fico tonta. Como deve ser seus olhos de perto? E seu cheiro? Seu sorriso? Tenho que parar de viajar, estou em público.
 Eu e Isabella fomos até o andar de cima para fugirmos um pouco da abarrotação de pessoas que enchia o corredor principal. De lá, podíamos ver todos, e estava uma falação enorme. Mas eu não o via, e isso estava me enlouquecendo...
 — Isabella, calma. Não pode dar tanta pinta, tem que disfarçar um pouquinho. — suspirei, me apoiando no corrimão e varrendo os olhos por aquele corredor. Isabella parecia aflita para encontrar esse garoto, e isso estava um tédio — Cadê a Ava, hein?
 — Cadê ele? — ela sussurrou para si mesma, colocando quase todo o corpo para frente, quase caindo do segundo andar.
 Eu bufei, e decidi procurar junto com ela. Amigas são pra isso, certo? Comecei a olhar para a mesma direção de Isabella e em poucos minutos meu coração parou. Avistei o diretor Ethan e Emma e meus joelhos tremeram quando vi com quem eles falavam.
 Era ele. Eu tinha certeza. Era ele. Meu coração bateu mais forte e minha barriga parecia uma pista de gelo. Ele conversava com o diretor muito sorridente, o que me fez pensar por um segundo que ele poderia ser bolsista, mas não pensei muito, pois Isabella me deu uma cotovelada.
 — Ali! — ela falou um pouco alto, brotando um sorriso no rosto — Olha, Selena! Ele é lindo, meu Deus...
 Meu coração parou. Pareceu que eu havia sido atingida por um raio. O dedo de Isabella apontou exatamente para ELE e pareceu que ela estava me dando uma facada no coração. Uma facada brusca. Eu não queria acreditar, queria retirar aquela hipótese da minha mente, mas era o que eu estava vendo. Bufei, balançando a cabeça, ajeitando a bagunça que eu havia feito.
 — Qual? Aquele ali? — apontei para ELE, agarrada ao último fio de esperança que me restava. Porque aquilo não podia estar acontecendo, não mesmo.
 — Sim, é aquele! — ela estava tão radiante, o que partia ainda mais meu coração.
 Fechei meus olhos, tentando absorver a ideia. Sim, aquilo estava realmente acontecendo. Não acredito que pude gostar do mesmo garoto que Isabella. Como isso pode? Nunca gostávamos das mesmas pessoas, eu particularmente nunca havia gostado de ninguém assim, só de ver pela primeira vez. Isabella sempre foi de cair de cabeça, se entregar, e eu sempre fechada nesses assuntos, nunca queria compromisso, só queria curtir... Isso não pode estar acontecendo.
 — Olha aquele sorriso, aquela boca, aqueles músculos... — ela murmurava ao meu lado, completamente derretida. Eu queria tapar meus ouvidos e sair correndo. Naquela hora seria bom estar no monte Everest e dar uns gritos — Parece que ele conseguiu a bolsa, deve ter conseguido mesmo, estão dando os parabéns a ele.
 Bolsista. Lá veio a confirmação. Porque não pensei naquilo antes? Mas era óbvio. Eu nunca o tinha visto aqui na escola, e do nada ele parece justo no dia da prova. Os alunos novos geralmente não aparecem assim. Mas eu realmente não podia discordar de Isabella, ele era lindo. Lindo demais. Tinha olhos e boca perfeito, que me faziam me derreter ainda mais por ele. Será possível? Seu sorriso era encantador, fazia eu me perder naquilo por horas, ou podia até por anos... Mas o pior é que Isabella sentia a mesma coisa. E estava sentindo tudo isso naquele momento.
 Mas tudo aconteceu rápido demais. Mal tinha percebido que estava olhando demais pra ele perdi a noção do tempo. De repente ele levantou o rosto e seus olhos se encontraram com os meus. Meu coração disparou. A mesma sensação que senti quando isso aconteceu pela primeira vez. Senti minhas mãos tremendo e odiei isso, Isabella estava ao meu lado. E ele estava olhando pra mim, quase consegui sentir Isabella surtar.
 Mas o fez meus joelhos tremerem foi quando ele se despediu do diretor e Emma e foi indo em direção as escadas para o segundo andar, exatamente onde eu e Isabella estávamos. Bufei, fechando os meus olhos. Isso não pode estar acontecendo. Isso não vai acontecer. Droga, o que eu faço? Ele não pode vir pra cá, sem cogitação.
 — Ai, ele está vindo pra cá! — falou Isabella, parecendo me tirar de um transe.
 Ele mal havia começado a subir as escadas, mas eu tinha a plena certeza de que ele estava se aproximando.
 — Eu vou desmaiar, me ajuda, Selena. — Isabella respirava forte, literalmente parecia desesperada.
 E ele estava mesmo vindo em nossa direção. Não pensei duas vezes, balancei a cabeça e comecei a correr no mesmo caminho que vim, comecei a recuar.
 — Eu já volto! — gritei e corri, lutando para não ouvir os gritos de Isabella atrás de mim.

Nick Jonas.
 — Olá!
 Cumprimentei a garota em minha frente, a gordinha que estava com a outra... Aliás, onde ela estava? Quando eu a vi novamente no segundo andar, eu não soube dizer novamente o que senti. Já a havia visto a algumas horas, mas vê-la de novo parece que me causou um impacto ainda maior em meu coração. Odeio falar desse jeito. Mas ela realmente esbanjou atração para mim, e quando percebi já havia subido para conhecê-la. Sei que o último dos meus focos nesse lugar era garotas, mas não sei dizer o que aconteceu quando eu a vi, foi indescritível.
 Mas quando cheguei não a vi. Estranho. Ela estava exatamente aqui em cima, eu não estou enganado. Ou será que eu fiquei tão louco com ela que agora a estou vendo em qualquer lugar? Também não vamos exagerar. A garota que estava com ela me deu um abraço como sinal de cumprimento e vi que ela mastigava algo.
 — Olá, eu sou... — ela suspirou, balançando a cabeça. Parecia muito nervosa, e eu via que aquilo não era o normal dela — Eu sou a Isabella. — disse e apertou minha mão — Sou do 4º ano.
 — Ah, eu também vou estudar no 4º ano, acabaram de me dizer que eu passei na prova. — dei um sorriso satisfatório. Ela me avaliava com seu olhar, e eu sentia isso — Muito prazer, vamos ser colegas.
 — Meus parabéns! Sério, seja bem vindo. — ela deu um sorriso e seus pequenos olhos azuis ficaram menores. Ela era bem bonita. Mas nada me tirava a outra da cabeça, e até agora eu me perguntava onde ela havia se metido.
 Pensei nisso por alguns instantes.
 — Escuta, a garota que estava aqui com você... Ela vai ser nossa colega também? — perguntei, dando de ombros, não parecendo nem um pouco desinteressado.
 — Ah sim! Aquela menina é a minha melhor amiga, se chama Selena Gomez.
 Naquele momento pareceu que eu havia tomado um banho de água fria. Não só um, uns 34 banhos de água fria. Não podia ser. Era inacreditável. Gomez! Não, isso não. Não podia ser Gomez, ela devia estar confundindo... Ou eu não era acreditar. Meus olhos pareceram saltar das órbitas e eu fiquei paralisado, sem nem saber o que pensar. Isabella me olhou como se eu fosse louco, e eu parecia não conseguir me mexer.
 — O que foi? — perguntou ela, e eu vi preocupação em seus olhos.
 Consegui respirar e sentir novamente minhas pálpebras.
 — Gomez? — perguntei, em um sussurro, com a voz falhada. Meu tom de voz era de uma completa descrença.
 — É... Você conhece? — ela perguntava cautelosamente, como eu não entendesse suas palavras.
 Então é verdade. Ela é uma Gomez. Aliás, ela é a Gomez! Selena... Meu Deus, como não podia ter me tocado disso antes?! Selena é a filha dele! Como posso ter me distraído tanto a ponto de achar que não me esbarraria com ela por aqui? Me distraí tanto a ponto de achar que ela nem estivesse por aqui hoje... Como não posso ter pensado em ter visto uma foto dela antes? Ter pesquisado mais sobre isso, sobre ela...
 Mas me odeio mais ainda por, em algum momento, me sentir tão atraído por ela a ponto de me esquecer de tudo. Até de me esquecer do que eu realmente vim fazer aqui.
 De repente me lembrei da existência de Isabella a minha frente, que me olhava agora com certo "medo". Nossa, o que eu devia estar parecendo pra ela?
 — Não, não. — respondi depois de um tempo — Eu achei que ela fosse conhecida, mas... Não conheço o sobrenome, então não tem nada a ver.
 — Nick! — olhei para o lado das escadas e vi Miley vindo até mim, sorrindo, e se jogando para me dar um abraço. *roupa de Miley*
 — Como vai, Miley? — sorri, a abraçando de volta — Ei, essa aqui é a Miley, ela também vai entrar pro 4º ano. — falei com Isabella.
 — E aí? Tudo bem? — Miley estendeu as mãos para Isabella, que só agora havia percebido que não estava sorrindo mais. Pegou de leve nas mãos de Miley, a cumprimentando com um sorriso de lado.
 — E aí, o que você acha? — falei para Isabella. Esperava mesmo que todas as minhas amizades fossem a de Miley, e vice-versa.
 — Que sorte! — Isabella revirou os olhos. Senti um certo tom de desprezo em sua voz, mas descartei.
 — Nossa, o que é isso? — Miley riu, passando a mão em minha bochecha — Está sujo aqui. É chocolate.
 Passei a mão em meu rosto e olhei Isabella. Ela repentinamente havia abaixado a cabeça. Eu dei um sorriso fraco ao sentir ela envergonhada.
 — Ah, é que está... — fiz um gesto de mãos para anunciar que sua boca estava suja de chocolate.
 Não iria ser tão difícil ser amigo das pessoas por aqui.

Anthony Jackson.
 — Não, mãe, não posso deixar o celular o tempo todo ligado! — gritei mais uma vez ao telefone, já quase perdendo a paciência.
 Eu estava em meu "novo quarto". Pareceu que eu havia demorado séculos para chegar até aqui, de tão grande que era a escola. Minha mãe havia surtado após eu a contar que havia passado na prova, e eu também estava feliz. Feliz demais. Parecia a primeira vez que eu iria finalmente atravessar a rua sozinha, andar pelas ruas sozinho e fazer minhas próprias coisas e escolhas. Aqui eu podia errar. Errar e aprender, errar de novo... Aquilo era demais, eu estaria longe dos meus pais e da super proteção deles. Eu finalmente iria viver minha própria vida.
 — É proibido usar aqui. — continuei a falar com ela enquanto eu rodava por aquele quarto gigante. Era realmente gigante — Ta bom, eu te ligo assim que puder... Ok, eu vou descobrir se tem alguma sinagoga aqui perto. — revirei os olhos.
 Eu era judeu. Pode até parecer que não simplesmente pelo meu jeito de pensar, mas eu não tinha como fugir. Nasci em um lar judeu e era assim que eu tinha que viver pelo resto da minha vida. Pelo menos era assim que meus pais faziam questão de me lembrar quase todos os dias. Por isso sempre a super proteção de meus pais, por isso eu quase não tinha vida. Essa era a minha grande chance de chutar o balde por pelo menos algumas horas, era o mínimo que eu pedia.
 Parei subitamente quando ouvi vozes vindo pelo corredor, e tinha certeza que estavam vindo para o quarto. Falei um "tchau" rápido para minha mãe e desliguei o telefone, logo no momento em que a porta se abriu e dois garotos entraram rindo.
 — Não, a menina estava na sua frente... — um deles parou de falar ao me ver. Eu rapidamente havia sentado na cama e olhava para os dois, como se eu os estivesse esperando a muito tempo.
 O outro olhou para mim, confuso.
 — Oi. — ele me cumprimentou.
 — E aí?
 — Oi, eu sou Anthony! — me levantei de imediato ao ver que eles não expulsariam. Trocamos apertos de mãos — Me mandaram pra esse quarto.
 — Ah sim... E é Anthony de que? — um deles me perguntou, parecendo me avaliar.
 — Anthony Jackson.
 — Ah, legal. E escuta, você é judeu?
 Juntei as sobrancelhas.
 — Sou. — respondi — Porque?
 Haviam me investigado? Mas já?
 — Porque no gabinete do meu pai tinha um sub-secretário, um que tinha o sobrenome Jackson, e ele era judeu. — respondeu o outro que mal havia falado. Admito que ele tinha a maior cara de galã e não duvido nada que era o mais pegador de todos.
 — É parente seu? — perguntou o mais baixo.
 Com certeza não.
 — Não, acho que não. — dei de ombros — Gabinete? Não, não mesmo.
 — Hm, entendo! E escuta, é o seu pai que paga o colégio?
 — Não, eu entrei de bolsista.
 Eu posso estar louco, mas senti o olhar deles mudar sobre mim. Principalmente o do mais baixo, que o senti me avaliar desde a hora que pisou no quarto. Ele me olhou com um certo olhar de repulsa, mas não pude decifrar direito. O outro com cara de galã apenas me observou, como se tivesse lido meu futuro inteiro e não estava nem aí. Mas um arrepio cortante passou por mim ao olhar do mais baixo.
 — Não tem muitos judeus bolsistas nessa escola. — ele disse, dando de ombros, como se também não estivesse se importando — Que estranho, não é? Mas tudo bem, valeu, a gente se vê... — ele me deu mais um aperto de mão e se virou para a porta com o outro.
 — Am... Qual é a sua cama? — perguntei.
 — Aquela é a minha e essa é do Joe. — ele apontou para as camas e depois para o garoto com cara de galã — E eu sou Jacob.

Demi Lovato.
 — Puxa, não veio ninguém. — suspirei enquanto me sentava em uma das camas do quarto de Madison — Que inveja, você vai ficar aqui sozinha. Na minha jaula de zoológico, não vou sobreviver sem matar alguém logo.
 Ela inicialmente não me deu a mínima atenção, já que estava ocupada demais fazendo flexões. Quantos músculos o corpo dela ainda aguentaria ter?
 — Ou quem sabe, talvez uma das suas colegas de quarto chegue depois. Elas estão viajando, mas depois vão voltar. — dei uma risada, sentando em borboleta. *roupa de Demi*
 — Escuta, sabe se é obrigatório ir nessa viagem? Essa viagem aí da escola... Ou quem quiser pode ficar?
 — Não. — respondi, dando de ombros — Você tem que ir e ponto final.
 — Caramba. — ela balançou a cabeça de forma negativa, notando-se claramente sua repugnação por se juntar áquelas pessoas — Cara, eu queria ficar pra treinar mais a fundo. E se aparecer um intercolegial? Eu tenho que estar preparada.
 Revirei os olhos, rindo. Madison era uma peça completamente nova em minha vida, nela eu via tantas surpresas que nunca imaginei. *roupa de Madison*
 — Ah, só que aquelas minas me disseram que aqui não tem intercolegial... Me disseram que aqui não tem. — só pelo tom de sua voz já pude perceber que ela falava de Selena e seu grupinho. Tive nojo só de pensar nas três novamente.
 — E porque você acredita naquelas idiotas? São umas coitadas, pergunte isso ao diretor, já disse pra você. — falei, me levantando.
 De repente ouvimos um barulho. Na verdade, um imenso barulho, parecido com um alarme de incêndio, mas parecíamos estar dentro de um corpo de bombeiros. Olhei para Madison confusa.
 — Ué, que som é esse? — perguntou ela, parando suas flexões.
 — Não sei. — respondi, indo para a porta. Ao abrir a mesma, vi dezenas de pessoas passando no corredor, indo para a mesma direção, que era a que vinhemos.
 Puxei uma garota qualquer que passava em minha frente.
 — O que é isso, hein? Alarme de incêndio? — perguntei.
 — Ai, como você é burra, é o alarme que anuncia a reunião no saguão! Vem! — ela me olhou com desprezo e saiu rebolando. Juro que se ela não fosse tão ágil, já teria levado um tapa.
 — Burra é a tua vó! — gritei, mas ela já havia ido.
 Madison saiu do quarto, se pondo ao meu lado.
 — Você sabe onde fica o saguão? — perguntei a ela.
 — Não. — ela deu de ombros, fechando a porta atrás de si.
 Começamos a andar para frente, quando uma garota parou em nosso caminho. Ela tinha cabelos até o meio das costas cor de mel e olhos azuis. Tinha roupas simples e estava cheia de malas.
 — Ham, olá, meninas! — ela nos cumprimentou com um sorriso — Eu sou a Miley... Bom, me mandaram pra este quarto.
 — Bem vinda, My. — eu sorri, dando-lhe um aperto de mão — Essa é Madison, a dona do quarto, e eu sou Demi, a vizinha. — apontei para o quarto da frente.
 — Ah, que legal! Bom, eu vou entrar pra guardar as minhas coisas... — ela abriu a porta do quarto com dificuldade, já que estava cheia de malas.
 — Não, não, deixa isso pra depois, querida, agora temos uma reunião urgente, como aparenta! Deixa isso aí que arrumamos depois. — deti Miley antes que ela pudesse pisar dentro do quarto. Madison pegou suas malas e as jogou dentro do quarto, e em seguida, nós três estávamos descendo para o saguão.

Nick Jonas.
 — Ei, olá!
 Olhei para trás enquanto havia acabado de chegar ao saguão. Um garoto, que me recordava pouco dele, corria em minha direção, parecia um louco. Ele parecia atropelar as pessoas muito desajeitadamente, já que naquele momento uma aglomeração de pessoas já começava a surgir. Ele chegou até mim, ofegante.
 — Eu sou Anthony. — ele disse após alguns minutos — Sou da sua galera. Digo isso porque vi você fazendo a prova, também sou bolsista.
 Dei um sorriso satisfatório. Havia acabado de me lembrar dele, estávamos a poucas horas atrás em uma sala fazendo prova.
 — E aí, beleza, Anthony? — trocamos apertos de mão.
 Na mesma hora, ouvimos a voz da secretária chamando todos os alunos para se reunir. Eu puxei Anthony comigo e percebemos que estávamos fora da aglomeração de pessoas. Corremos entre a multidão, e sinto que atropelei mais gente do que as que pedi um "com licença". Nos instalamos em um lugar perto da piscina, antes da secretária começar a falar.
 — Senhor diretor. — ela sorriu, parecendo passar a palavra para Ethan, que já estava a seu lado.
 — Obrigado, Emma. — ele suspirou — Tudo bem, pessoal? Reuni vocês aqui porque, somos poucos, como vocês podem ver. E bom, esse lugar que tem um ambiente mais familiar, não é? Quero dizer que o nosso colégio é como uma grande família, não é verdade? — alguns alunos gritaram afirmando — Bom, eu quero aproveitar para dar as boas vindas aos alunos que acabaram de entrar e peço para eles uma salva de palmas, por favor. — todas as pessoas aplaudiram — Bem vindos! E chegou a hora, pessoal... Todos devem preparar as suas malas porque vão para o clube no Havaí! — algumas pessoas vibraram com a notícia, que não parecia tão velha assim — Eu queria lembrar aos jovens, aos novos alunos, que a ida de vocês a esse lugar é para que se conheçam, para que destravem alguma conversa, e tenham um relacionamento com os seus colegas. Os alunos novos e os alunos que já estão a anos nessa escola. Eu agradeço e, por favor, aplausos para os novos alunos do colégio.
 Mais aplausos. Mais gritos. Mais euforia. Eu dei um riso fraco. Pra mim, nada daquilo importava, eu já havia passado dessa fase de 16 anos, já havia conhecido bastante coisa do mundo. Seria apenas reviver, meu objeto e foco aqui era outro.
 Eu e Anthony começamos a voltar para dentro do colégio, assim como os outros alunos. Esperei a maioria entrar para não ficar esbarrando em muita gente. Passávamos na borda da piscina quando senti um impacto em meu ombro, como se alguém tivesse me empurrado com força. Me virei e vi um garoto parado em minha frente, com os braços cruzados, me encarando. Eu não o conhecia, na verdade nunca o havia visto na vida...
 — Qual é o problema? Cuidado aí! — perguntei, meio alto. Ele parecia estar querendo arrumar uma confusão comigo, e aquilo havia me deixado nervoso.
 — Algum problema? — ele ergueu as sobrancelhas.
 — Não, eu não. — dei de ombros.
 — Mas eu tenho! — ele se aproximou de mim — Não gosto de alunos novos que se acham os maiorais. Isso aqui não é uma favela, aonde você deve ter sido criado! Aqui tem gente que não é pro seu bico, entendeu? Procura andar na linha pra não ter mais problema, falou?
 — Olha aqui, eu não sei o seu nome, mas acabou de arranjar um problema, entendeu? — sem pensar, avancei para ele, mas não cheguei a tocá-lo, pois senti Anthony puxar meu braço e me levar para não sei aonde.
 Mas eu pude ver nitidamente que, ao lado do valentão que queria brigar comigo, estava aquele garoto de touca que eu havia esbarrado ao sair da sala de prova. Tinha certeza absoluta.

domingo, 6 de outubro de 2013

Episódio 13 - A Broken Wing

Lá vai você, fingindo que não se importa, fingindo que não sente. — The Vampire Diaries.

Demi's POV

 Esperei algum tempo até eles saírem do quarto. Mas não saí da onde estava de imediato, vai que eles voltavam depois de alguns segundos? Pelo que eu vi daqueles dois, não duvidava de nada. Eles podiam voltar pra mais um sexozinho rápido, quem sabe.
 Mas quem entrou em seguida no quarto foi Isabella, a gordinha amiga de Selena. Olhar pra ela me deu ânsias de vômito, mas na verdade quem estava com ânsias era ela ao ver a decoração que havia feito na minha parte do quarto.
 Me levantei e soltei uma risada.
 — E aí, como vai? — chamei sua atenção, descendo as escadas — Ficou linda a minha decoração, não é?
 Ela me olhou chocada, como se não acreditasse que eu ainda estava em seu ambiente.
 — Ficou uma porcaria! — falou ela finalmente — Você não pode fazer isso, o quarto não é só seu!
 — Por favor, se acalma, ta? — bufei, subindo em minha cama — Meu Deus, que homem! — suspirei, beijando um pôster do Jared Leto que havia colado na parede — Olha, acredite, eu também gosto das suas coisas.
 Ela revirou os olhos, com certeza me achando uma completa imbecil. Eu a entendia.
 — Nós temos que entrar em um acordo. — disse ela, rangendo os dentes.
 Desci da cama, a encarando.
 — Eu não, falou? — ergui as sobrancelhas — Já vou avisando.
 — Não pense que vai poder fazer o que quiser! Minhas amigas e eu somos as mais populares do colégio, se quisermos em 5 minutos você vai embora!
 Tive vontade de dar gargalhadas. Na verdade, foi isso que eu fiz. Eu simplesmente ri da cara dela. O que era aquilo? Eu estava em um filme das patricinhas de Beverly Hills? Eu estava infurnada em algum shopping ambulante? Não era possível... Em um impulso, empurrei Isabella Golfinho na cama, ainda rindo.
 — Ui, que medo. — ri alto — As mais populares querem me tirar do colégio...
 — O que está fazendo? — ela arfou — E tem mais... Para com isso... Selena já foi falar com o diretor pra tirar você do quarto!
 — Não me diga! — dei um riso irônico, dando um aperto em seu nariz — Acho que você é a mais popular sim, mas entre os elefantes. — ri.
 — Me solta, sua abusada! — ela retirou minhas mãos de seu nariz.
 — É claro.
 Eu ri e me levantei, tentando pensar mais uma vez o que eu faria pra me livrar daquelas garotas.
 — Espera só até as minhas amigas chegarem! — gritou ela, se levantando.
 — Ui, belas amigas você tem, falam horrores umas das outras quando ninguém está escutando. — dei de ombros.
 — Isso é mentira! — ela bufou, se levantando. Tive a leve impressão de que tinha tocado em um ponto fraco dela.
 — Ah é? — levantei as sobrancelhas — Então pergunta pra loirinha o que ela disse pro bonequinho de plástico da Selena. Só por curiosidade, não é? — peguei um elefantezinho rosa de pelúcia em cima da mesinha de cabeceira e joguei em Isabella — Olha só a sua irmãzinha.
 Me levantei e saí do quarto, sentindo um alívio tremendo. Não seria fácil aguentar essa gente, não mesmo. Iria ter que rezar muito.

 — Credo, até senti falta de ar lá dentro! — murmurei a mim mesma quando cheguei ao gramado, do lado de fora da escola. Me sentei embaixo de uma árvore, cada vez mais sentindo um ódio tremendo — Tudo por culpa daquele velho asqueroso. Tomara que ele tenha um problema de próstata e vá logo pro inferno de uma vez por todas!
 De repente alguém caiu em cima de mim. Sem brincadeira, eu sentada reclamando da vida e algum ser pareceu que pulou - ou se jogou - da árvore acima de mim. Me levantei rapidamente e me deparei com uma menina. Ela era loira e usava uma touca na cabeça. Seus olhos eram fortemente azuis e ela tinha roupas surradas.
 — Ai, calma. — bufei — Está pensando o que? Se quer se suicidar, avisa! Se não você pode cair na minha cabeça.
 Ela não disse nada, apenas me olhou. Não ouvi e nem vi nenhum pedido de desculpas. Ela não parecia nem um pouco arrependida de quase ter me matado.
 — Será que nessa escola são todos loucos? — levantei as sobrancelhas, como se fosse óbvio.
 Me surpreendi ao ouvir uma risada dela.
 — Eu não sei, eu sou nova. — ela riu — Prazer, sou Madison. — ela estendeu a mão.
 Fizemos um toque de mãos, o que me surpreendeu. Achava que aqui dentro só tinham garotas engomadinhas cheias de não-me-toque.
 — Prazer, eu também sou nova. Eu sou a Demi. — me encostei na árvore — O que fazia ali em cima?
 — Eu estava tomando ar, porque lá dentro não dá nem pra respirar. — ela deu de ombros.
 Eu abri um sorriso. Impressão minha ou eu finalmente havia achado alguém com neurônios aqui nesse lugar?
 — É isso aí, bem vinda ao clube! — eu ri.
 — Po, é difícil ser nova, não é? Em qualquer lugar.
 — E aqui é pior. — bufei.
 — Porque entrou pra essa escola? — perguntou ela.
 Minha cabeça queimou naquele momento.
 — Porque o imbecil do meu pai me obrigou. — respondi. — E você?
 — Eu fui mandada do orfanato pra cá. — ela deu de ombros.
 Meus olhos brilharam. Eu tinha mesmo acabado de ouvir aquilo? Madison era muito mais do que eu pensava.
 — Então você é órfã? Ai, que legal! — abri um enorme sorriso.
 Ela me olhou como se eu fosse louca. Normal, não é? Quem iria comemorar por ser órfão? Aquilo nem ela estava entendendo.
 — Você está maluca?
 — Não estou maluca, eu te emprestaria um mês os meus pais e garanto que você daria graças a Deus de ser órfã. — dei um sorriso fraco — Então o orfanato está pagando seus estudos aqui?
 — Não, não, eu vim pra cá porque eu ganhei uma bolsa de atleta, mas umas meninas lá dentro me disseram que não disputam competições. — ela deu de ombros.
 — Então alguém paga o colégio pra você?
 — Não, que nada! Esse lugar aqui é caríssimo. Eu não tenho um centavo, então...
 — Então tem alguma coisa errada. — a interrompi — Alguém tem que falar com o diretor.
 Madison revirou os olhos para um carrinho de golfe que se aproximava de nós naquele momento. Dentro dele havia um garoto de cabelos escuros e olhos tão azuis que se via de longe. Era bonitinho, e parecia estar olhando diretamente pra nós.
 — Quem é esse aí? — perguntei, sussurrando, enquanto ouvia o carrinho se aproximar.
 — Logan Wade Lerman, um cara que sismou comigo desde que eu cheguei. É insuportável! — ela bufou.
 No momento em que ela disse isso, o tal Logan estacionou a nossa frente. O garoto sorriu maroto para nós e saltou do carrinho.
 — Não, eu sou James Bond. — ele sorriu, se aproximando de mim. Argh! — Olá, eu sou Lo...
 — Logan! — eu o empurrei para longe de mim, antes que ele encostasse aquela mãozinhas onde não deveria — Eu já sei!
 Ele se afastou de mim, me olhando assustado. Como se eu acabasse de ter dado um golpe mortal em seu peito, e eu só lhe dei um "empurrãozinho". Ele riu nervoso, meio sem graça.
 — Vocês deviam estar falando de mim, não é? — ele riu, convencido até demais. Dei uma olhada para Madison, rindo do quão idiota aquele garoto era — Eu já estou acostumado. E vocês são meninas de sorte, sabem porque? Eu acabei de comprar uns vinhos melhores do que os franceses, e eu vou ficar sozinho no meu quarto, então... Porque não? Eu que sou tão gente fina vim aqui convidar vocês...
 — Não, muito obrigada! — o interrompi antes que ele falasse mais alguma coisa — Sabe o que é? Nós duas preferimos beber caipirinha de cachaça com limão, ok? Passe bem, meu filho!
 Revirei os olhos e saí andando, e Madison me seguiu.

Selena's POV

 Meu coração ainda batia rápido quando entrei praticamente correndo no quarto! Bati a porta atrás de mim, respirando com dificuldade. Também, eu parecia ter estado sem respirar por 2 horas. Vi Isabella deitada em sua cama, mas não me importei muito, meu pensamento voava tanto. Sentei em minha escrivaninha, dando sorrisos involuntários.
 Mas o que eu vou vestir?! Preciso pensar nisso...
 — Isabella, depressa! Precisamos ir ao refeitório! — falei.
 Não obtive resposta no começo. De repente ouvi um soluço. Rapidamente me virei e vi que Isabella chorava.
 — Isabella! Isabella, o que você tem?
 Bufei.
 — Isabella, não liga pra ela! — me levantei e fui até ela — Não fica assim por isso.
 — Eu não to chorando só por isso... — ela falou em meio aos soluços.
 — E porque então?
 — É um menino.
 — Um menino? — juntei as sobrancelhas — Espera aí, quem te fez alguma coisa?
 — A natureza me fez gorda. — ela se sentou na cama, secando as lágrimas que ainda caíam. — E agora que eu conheci o menino dos meus sonhos... Não acredito que ele vá querer um elefante como eu.
 — Isabella, não exagera, ok?!
 — Essa barriga não é um exagero! — ela apontou para sua barriga abaixo da blusa amarela. Eu suspirei.
 — Olha só, vou te dizer uma coisa: as mulheres não atraem só pelo visual. Tem muitas outras coisas. E você é uma menina que tem sentimentos maravilhosos! E se esse menino é tão maravilhoso como você está achando que ele é, com certeza vai perceber quem é você. — dei um sorriso sincero. Ela parou de chorar e olhou em meus olhos.
 — Você acha? — perguntou ela.
 — Claro, sua boba! — passei a mão em seus cabelos — Olha, vamos fazer uma coisa. Você para de chorar e eu te conto uma coisinha! — eu ri animada, mais uma vez me lembrando do episódio maravilhoso que havia passado no corredor.
 — O que foi? — ela perguntou, brotando um sorrisinho de seu rosto.
 — Você lembra que eu disse que não gostava de ninguém daqui da escola? — ela assentiu — Ai, Isabella, eu não sei o que aconteceu, mas hoje eu vi alguém que eu gostei muito! — eu dei um enorme sorriso e eu vi o brilho nos olhos de Isabella. Aquilo realmente era uma novidade tremenda.
 — E ele é um dos bolsistas? perguntou ela, curiosa.
 — Ah, eu não sei. Eu acho que não. É aluno novo, mas eu não sei... Eu não sei... — eu suspirei, sorrindo involuntariamente mais uma vez ao lembrar daqueles olhos e daquele rosto. Podia jurar que estava mordendo os lábios só de lembrar.
 — E vai estudar na nossa turma?
 — Eu também não sei! — falei um pouco mais alto com Isabella, mas ainda rindo — Ele parece ser mais velho, mas não sei, só o vi no corredor rapidamente. — Isabella riu da situação — Ai, Isabella! Chega, ok? Vamos ficar bem bonitas e vamos dar as boas-vindas aos novos gatinhos! — me levantei da cama — Chega, eu não quero ver mais tristeza, ok? Agora eu vou maquiar você e você vai ficar linda.

Nick's POV

 — Quanto tempo mais vão demorar para dar os resultados? — perguntava Miley impaciente ao meu lado, enquanto todos os outros bolsistas quase morriam de tanto nervosismo.
 Eu balancei a cabeça, suspirando.
 — Não sei, não faço ideia. Mas você viu quantas provas eles tinham pra corrigir? Tomara que a gente tenha se dado bem e que entreguem logo os resultados.
 — Eu sei, mas tinham muitos professores para corrigir. — bufou Miley. Apertei meus olhos, assustado com a dor de cabeça e confusão que me vinham naquele momento. De repente eu pensava no pior. Pensava no péssimo.
 — Sabe, Miley? Acho que respondi rápido muitas perguntas, entreguei a prova muito rápido.
 — Fiquem tranquilos! — falou um dos bolsistas que me lembrava vagamente do rosto dele — Vai correr tudo bem, vocês vão ver.
 Dei um sorriso em resposta. Dois segundos depois ouvimos passos na escada e vimos o diretor Ethan junto com uma penca de professores descendo as escadas, com papeis nas mãos. Meu coração bateu mais forte. Era agora.
 — Façam o favor de entrar na sala. — disse o diretor, e entramos novamente naquela sala. Não sabia o quanto estava tremendo, mas sabia que estava. Isso era minha meta, eu tinha que entrar nessa escola de qualquer jeito — Trouxe os resultados da prova, pessoal. Lamentavelmente, não foram muitos os que alcançaram o nível. Por isso, são poucos os candidatos que entrarão esse ano para o Highland Private School. Vou dar o nome dos 4 candidatos admitido. — ele pegou uma folha com uma das pessoas ao lado — Madison Taylor entrará para o 4º ano.
 O diretor observou a sala, para ver se localizava a tal da Madison. Eu também rolei meus olhos, mas pelo visto, a tal da Madison não estava lá. Estranho.
 O diretor continuou:
 — Anthony Jackson entrará para o 4º ano!
 O mesmo garoto que havia falado comigo a uns minutos atrás fora da sala dera um salto da cadeira, dando um grito animado e logo depois se sentando constrangido.
 Já haviam sido dois, meu coração pulava mais do que tudo.
 — Miley Cyrus entrará para o 4º ano!
 O rosto de Miley saiu do pálido para a cor normal. Ela fechou os olhos e deu um sorriso fraco; eu quase podia sentir o alívio que ela sentia de longe.
 O último nome. Eu não conseguia me conter...
 — E o último aluno é...

CONTINUA!

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Episódio 12 - About You Now

"— E sua conclusão final é…? 
— Amar dói"
 Demi's POV.

 Eu estava em meu quarto. Aliás, o quarto em eu fui posta. Pareceu que eu expulsei aquelas patricinhas daqui por alguns momentos, o que eu fiquei aliviada por alguns minutos. Pareciam que o mesmo ar que elas respiravam não era o mesmo que o meu, por isso eu não as suportava mesmo, de jeito nenhum. Tive tempo para pegar meu saco de jujubas da minha mala e deitar na minha nova cama, olhando para a parede.
 Tinha coisa pior do que ficar nessa escola? Eu acho que não. A única coisa que eu conseguia pensar era que era tudo culpa do Noah. Não iria chamá-lo de pai, ele não merecia. Por culpa dele eu estou aqui, aturando todas essas pessoas para meu desgosto. Porque comigo? Odiei esse lugar desde a primeira vez que pisei aqui. Porque minha mãe também tem que ser tão burra? Vai obedecer as palavras de Noah? Não é possível. Eu nunca deveria estar aqui, eu queria pular aquela janela naquele instante e ir embora.
 Mas antes que eu pudesse fazer, ou até pensar em fazer algo, eu ouvi risadinhas vindos do corredor. Parei no mesmo instante. Estavam se aproximando, estavam vindo para o quarto. Sem pensar duas vezes, me joguei debaixo da cama, tentando respirar fraco. O som foi ficando mais perto, agora duas vozes.
 A porta se abriu.
 — Entra. — reconheci de imediato a voz da loirinha amiga de Selena, como era mesmo seu nome? — Relaxa, não vai entrar ninguém.
 Ela falava com alguém enquanto fechava a porta. De baixo eu podia ver um tênis e calças jeans, isso é, ela estava com um garoto. Eu abafei um riso. Vadia, sim ou claro?
 — Ta bom. — o garoto riu, e não reconheci sua voz. Na verdade, nunca havia escutado aquela voz na vida.
 A loirinha foi até uma escrivaninha ao lado da cama, pareceu pegar algo e voltar para o garoto.
 — O disco é esse aqui. — falou ela — Eu também adoro essas músicas.
 — Legal. — ouvi a voz do garoto. Podia sentir que ele estava sorrindo muito.
 — Suas músicas também são muito boas, você devia ser músico.
 — Não, não. — ele começou a andar para perto da cama onde eu estava. Droga. Minha respiração foi a mil — Pra mim é só um passatempo.
 Ele se sentou na cama. 1 segundo depois ela se sentou ao seu lado, o bico de seu salto quase batendo no meu dedo. Qual é, esses dois não poderiam sair daí? Ou melhor, não poderiam sair do quarto pra eu parar com esse fingimento aqui embaixo? Isso está me frustrando.
 De repente eu ouvi um barulho de beijo. Não, eu não estava louca, eu tinha certeza que os dois estavam se beijando nesse exato momento. Abafei um riso. Então essa garota trazia alguns meninos pra cá pra um sexozinho rápido com eles? Oh, que feio...
 — Quando fiquei sabendo do seu acidente... — começou ela, e ouvi mais um beijo — Eu quase morri. É, graças a Deus você é muito forte.
 Ouvi a risada dele.
 — Muito forte. — ele falou baixo, dando mais um beijo nela.
 O que era aquilo, cara? Ops, fiquei sabendo que é proibido os meninos no quarto das meninas... Ela sabia disso?
 — Vem cá... — disse ela, suspirando — O que você tem com a Selena?
 Apurei meus ouvidos.
 — Porque ta perguntando? — perguntou ele.
 — Ah, porque se não eu vou ter que fazer um esforço pra parar de pensar em você.
 Os pés dela se levantaram do chão e o dele também, e eu pude sentir a cama ficando mais pesada. É claro, mesmo não vendo eu sabia que ela o havia deitado na cama.
 — E acontece que eu não fiquei aqui pela Selena. — continuou ela — Eu fiquei por você.
 Abafei um riso.
 — Hmm. E se eu disser que não me interesso por ela? — falou ele.
 — Ah, eu não duvidaria. Ela é muito novinha pra você, Joe.
 — Mas porque?
 — Ah, porque a Selena é virgem!
 Cautelosamente, fui saindo debaixo da cama. Levantei devagar os olhos e olhei-os. Ela estava sentada em cima dele, com as mãos em seu abdomem enquanto ele mantinha as mãos nas coxas dela. Os dois estavam se engolindo, portanto não me viram, graças a Deus. Eu nem sabia explicar o que eu estava pensando naquele momento, apenas de que eu estava completamente assustada com o tipo de pessoas desse lugar.
 O tal do Joe se mexeu e afastou a loirinha de si, me fazendo me abaixar novamente, meu coração pulando. Eles não podiam me ver.
 — Selena é virgem? — perguntou ele — Ela pareceu ser outra coisa.
 — Ah claro, ela fez isso pra não parecer o que ela é, uma menininha!
 — E você? — disse ele em tom desafiante.
 Esperei ouvir uma resposta, mas depois de 2 segundos eu ouvi um gritinho vindo dela, e de repente ela pulou da cama, rindo e indo até as escadas. Joe também se levantou rindo e foi atrás dela, os dois parecendo crianças. Quando os dois estavam lá em cima, finalmente saí debaixo da cama novamente.
 Eu não iria sair do quarto áquela altura, é óbvio. Eu queria ver aquilo, o que as pessoas dessa escola tinham na cabeça? Fiquei de pé e ainda podia ouvir os dois rindo e se beijando em cima. Fui andando cautelosamente até as escadas, tentando fazer o mínimo de barulho possível. Quando coloquei meus pés no primeiro degrau, ouvi uma porta se abrindo.
 Meu coração disparou e olhei para trás, mas não era a porta do quarto. Ouvi os risos dos dois e subi mais um pouco, até ver que eles abriam a porta do closet e estavam entrando lá dentro. Eu ri baixinho. Não podia ser. Os dois fecharam a porta e na mesma hora eu terminei de subir as escadas, chegando no andar de cima. Ainda segurava no corrimão enquanto me aproximava do closet, que eles tinham deixado uma frestra aberta, onde eu escutava muito bem os risinhos maliciosos dos dois. Esperei por uns 2 minutos e rapidamente olhei pela frestra, segurando mais um riso.
 Os dois estavam literalmente se engolindo. A loirinha arrancava as roupas de Joe enquanto ele beijava toda a parte do corpo da garota. Ele a impressou na parede, arrancando sua blusa e beijando seus seios. A garota mesmo arrancou seu sutiã e logo após seu shorts. Sem sutiã e apenas de calcinha, que sutil, não? Joe estava apenas de boxers nesse momento, e os dois já estavam a todo fogo. Joe rapidamente abaixou a calcinha da garota, sem tirá-la, apenas para que ele retirasse sua boxers e penetrasse na garota, fazendo enroscar suas pernas em sua cintura e gemer sem parar.
 Levei minhas mãos á boca, dando passos pra trás. Como isso, cara? As pessoas dessa escola são realmente loucas, esses garotos eram uns pervertidos, eu estava me sentindo numa gravação de filme pornô! Me segurei muito para não rir. Eu virei de costas e me encostei na parede á direita do closet, apenas ouvindo os gemidos prazerosos da loirinha e Joe metendo na garota, murmurando palavras como "é isso aí", "gostosa" ou coisas do tipo.
 Foi quando do nada eu ouvi uma voz:
 — Ava!
 Meu coração gelou. Foi aí que eu percebi que já estava encostada ali a tempo demais pro meu gosto. Qual é, agora eu me interessava pelo sexo adolescente desses depravados? Olhei para baixo e minhas pernas tremeram. A secretária Emma havia entrado no quarto e pela sua cara ela estava escutando e muito bem os gemidos da loirinha, que pelo jeito se chamava Ava.
 Olhei para os lados, aflita por alguns momentos. Essa mulher jamais poderia me ver aqui, ainda mais em uma situação dessas. Ela poderia achar que eu estava encobrindo os dois pervertidos aqui, e isso eu jamais iria querer! Em uma fração de segundos, vi de relance que Emma começava a subir as escadas, seguida pelo som, e eu me afundei no primeiro armário que vi na frente, quase em frente ao closet onde estavam Ava e Joe. Eu suspirei, abrindo uma mínima frestra para poder ver.
 Vi Emma passar em frente ao meu armário e de repente ela parou. Eu gelei. Será que ela desconfiava que havia alguém aqui? Por favor, não abra o armário! Ela olhou para os lados e para cima, parecendo procurar o som. De repente ela olhou para o closet onde estavam os dois, e eu fechei os olhos, abafando mais um riso. Isso iria ser uma merda completa! Eu nem queria ver isso. Emma foi se aproximando devagar, pra ver se era dali mesmo que saía o barulho, e em um rompante a mulher abriu a porta, encontrando a terrível cena pornográfica que ali acontecia.
 O que eu escutei em seguida foi um berro agourento de Emma e um grito assustado de Ava. Emma se virou do outro lado, tampando os olhos, parecendo terrivelmente incrédula. Ava e Joe pararam tudo, estavam suados e descabelados, e os dois se vestiram aos tropeços, parecendo que tinham visto literalmente um fantasma. Emma bufava fortemente.
 — O que estão fazendo aqui?! — ela disse com dificuldade, finalmente se virando e destapando os olhos, vendo os dois agora semi-vestidos.

Isabella's POV.

 Depois que Selena havia me "expulsado" do carrinho de golfe, eu não sabia o que fazer e nem pra onde ir. Queria conversar com alguém, mas literalmente todos da escola haviam viajado pra fazer algo que preste. Ou melhor, todas as pessoas legais dessa escola. Decidi voltar para dentro da escola, ver se havia alguma coisa lá.
 Na verdade, eu já sabia que não teria nada lá. Ava com certeza estava com Joe nesse momento, e eu não sabia o que fazer. Andei pelos corredores e peguei um salgadinho na máquina, tendo a repentina ideia de ir ver como os bolsistas estavam se saindo na prova, já que eu não tinha mais nada pra fazer mesmo.
 Passei na frente da sala e me encostei na parede. As salas continham um vidro enorme na parede ao lado da porta, assim todos que passavam podiam vê-los livremente. Eles estavam concentrados em seus notbooks, alguns até concentrados demais. Dava pra sentir a vontade e o esforço que eles tinham para entrar nessa escola. Eu os entendo, eu acho. Foi ali que eu o vi pela primeira vez.
 Ele estava sentado no meio. Ele parecia muito concentrado por alguns minutos, mas depois ele se dispersava. Parecia pensar muito em suas respostas e sua cabeça parecia ficar confusa. Ele tinha cabelos levemente cacheados e era tão... forte, tão lindo. Meu coração na hora palpitou. Ele era a coisa mais linda que eu já tinha visto. O jeito como mordia a boca e fechava os olhos quando pensava que havia errado uma questão. O que era aquilo? Quem era ele?

Demi's POV.

 — SAIAM!
 Emma gritou e os dois saíram do closet aos tropeços. Eu fechava minha boca ao primeiro indício de que iria rir alto, mas não dava. Era uma das cenas mais engraçadas e cabulosas que já vira na vida. Que mole esses dois dão. Ava ajeitava seu cabelo e sua roupas enquanto Joe colocava sua camisa.
 — Eu... Eu estava arrumando o armário, só isso. — Ava gaguejou, suas mãos tremendo.
 — Eu estava... Estava... Arrumando... — Joe parecia tão nervoso quanto Ava.
 — É por isso que temos uma equipe de manutenção! — gritou Emma. Aqueles dois são sabiam mentir, credo. — Sabem que é proibido os meninos entrarem no quarto das meninas quando não tem um responsável junto! — ela empurrava os dois escada abaixo enquanto gritava em seus ouvidos.
 — Eu sei, eu sei que a culpa é minha! — Ava falou — Emma, por favor... Eu já disse que...
 — Ah, cala a boca! — gritou Emma.
 A secretária fechou os olhos mais uma vez, parecendo tentar eliminar a cena anterior de sua cabeça. Eu mesma iria fazer isso depois. Mas de algum modo Emma parecia já ter visto aquilo antes, muitas vezes, principalmente vindo dos dois.
 — Infelizmente eu vou ter que relatar esse episódio desagradável ao senhor Ethan. — disse ela quando chegaram lá embaixo.
 — Não, por favor! Não queime o meu filme com ele. — pediu Joe.
 — Eu não queimo filme. Só cumpro com o meu dever. — Emma o olhou com raiva, como se não suportasse mais olhar para o rosto do garoto.
 Lentamente, abri a porta do armário com cautela. Fiz o mínimo barulho possível até conseguir sair daquele cubículo e me agachar no chão, ficando de quatro, engatinhando rapidamente para olhar de perto aquela cena.
 — Tudo bem. É que eu já estou acostumado a levar surras. — Joe deu de ombros, com ar de dramático — Primeiro o acidente... E agora isso. — ele deu uma rápida olhada para Ava — De repente me expulsam.
 Eu não conhecia aquele garoto. Na verdade, era a primeira vez que o via, mas estava na cara que ele era um visitante frequente na diretoria e um dos depravados dessa escola. Um dos poucos depravados, já que essa era uma escola de elite, coisa séria. Estava escrito em sua testa que era um filhinho de papai, um mauricinho. Revirei os olhos ao pensar nisso.
 Emma pareceu amolecer o olhar. Ela bufou e disse:
 — Está bem. Dessa vez eu não vou falar nada.
 Joe abriu um sorriso enorme.
 — Obrigado! — ele suspirou — Você é um amor, Emma! — ele avançou nela, dando-lhe um beijo enorme na bochecha.
 Ela rapidamente o afastou.
 — Você não vai me convencer com carinhos. Ok? Da próxima vez que eu encontrar você aqui, eu não vou ter piedade. E vamos logo pro refeitório porque já está na hora do almoço! Vamos logo.

Selena's POV.

 — Não entendo seu pedido, Selena. — disse o diretor Ethan após meu enorme discurso que havia acabado de terminar. — Você sabe perfeitamente que o conselho nos obrigada a dar um percentual de bolsas todos os anos.
 — Eu sei. — bufei — Mas também sei que quase ninguém consegue receber a bolsa.
 — Bom, o colégio não tem culpa se os alunos abandonam porque não alcançam o nível. — ele deu de ombros.
 Rangi os dentes, revirando os olhos. Não era a toa que eu achava Ethan uma das pessoas mais idiotas da face da terra.
 — Todo mundo sabe muito bem que não é por isso. — rebati.
 Ele me olhou confuso e eu novamente revirei os olhos, me aproximando de seu rosto e sussurrei:
 — É pela Seita.
 Ethan me lançou um olhar matador. Aquele olhar que ele sempre lançava quando algum indivíduo falava na Seita. Aquele olhar de enojação, como se não acreditasse, ou não quisesse acreditar. Mas como ele poderia fugir? Todos estavam muito bem cientes da existência da Seita. Da existência de uma organização que bane bolsistas para que o colégio continue privilegiado com pessoas que realmente tem o "nível", como eles dizem. Ninguém imaginava o quanto a Seita poderia ser perigosa, e esse assunto me causava arrepios.
 — Se veio aqui pra falar de rumores infundados, não vou terminar a conversa! — ele trincou os dentes, parecendo querer dar um soco na minha cara.
 — Não, eu não vim falar da Seita.
 Ethan bufou, ainda me olhando com certa raiva. Esse assunto o deixava nesse estado. Ou ele não queria acreditar ou era um completo incrédulo e cego.
 — Olha só, eu vou dizer de uma vez por todas, nesse colégio não existe nenhuma Seita! Nenhuma organização nem nada parecido. — ele rosnou pra mim, aparentemente nervoso.
 Eu revirei os olhos. Era inútil discutir com Ethan sobre aquilo.
 — Tudo bem. Mas eu também não vim falar sobre os bolsistas, eu vim falar dos novos! — pensei logo em Demi, e meu estômago embrulhou.
 — Qual é o problema dos novos? — agora ele parecia entediado.
 — O problema é que não é possível que para cobrar uma taxa, o colégio aceite um novo rico qualquer!
 Ethan suspirou e se sentou em sua cadeira de couro, abrindo novamente seu laptop.
 — Deixa eu ver se eu entendi, você está falando de alguém em especial? — perguntou ele.
 — Estou, claro que estou. E eu preciso esclarecer isso, eu não vou dividir o meu quarto com a filha de uma artista barata!
 — Não é uma artista barata! — Ethan gritou, se levantando como um jato da cadeira, me olhando com raiva — É uma artista muito conhecida! Além disso, você não é ninguém para opinar sobre a família dos novos alunos.
 Abri a boca, chocada. Como assim Ethan estava contra mim? Todas as opiniões que dei dentro dessa escola foram respeitadas por ele, eu não pisava na sala da direção a toa, ok?
 — Bom... Talvez eu não. — dei um riso irônico — Mas eu acho que o meu pai não vai gostar muito quando souber. Porque ele paga muito caro pra me manter nesse colégio que, dizem, é de elite.
 Ethan me olhou cético. Se ele não me ouviria, eu teria que colocar meu pai no meio, como sempre.
 — Presta atenção, Selena. — disse ele — Se o seu pai tiver algum problema, eu vou falar com ele quando retornar de viagem. E agora, se me der licença — ele caminhou até a porta —, pode se retirar, porque estou muito ocupado!
 — Diretor! — arregalei os olhos. Ele estava me mandando embora?
 — Aluna, eu estou ocupado!
 Bufei e saí, batendo os pés. Aquilo não iria ficar assim.

Nick's POV.

 Terminei de fazer a prova e minha cabeça estava literalmente explodindo. Eu tinha dúvidas sobre várias questões, mas não queria revisar minha prova novamente, pois o tempo já estava se esgotando e se eu ficasse mais tempo naquela sala iria desmaiar. Odiava ser o último, eu ficava muito nervoso e não conseguia fazer nada. Avisei aos superintendentes que havia terminado e fui para a porta, mas por último dei uma olhada em Miley, que estava sentada em um canto da sala. Sussurrei um "boa sorte" e saí, respirando um ar puro.
 Quando botei meus pés para fora da sala, rapidamente vi uma garota correndo na direção oposta, no sentido do salão principal. Juntei as sobrancelhas, confuso. Balancei a cabeça e me virei para o mesmo lado, começando a andar, quando trombo com alguém sem querer.
 Era um garoto. Ele era alto e meio magro, com um cabelo estiloso louro cor de bronze, e pela sua blusa de mangas dava pra ver sua enorme tatuagem no braço esquerdo. Ele carregava alguns livros na mãos, que foram para o chão quando nos esbarramos.
 — Ah, pelo amor de Deus, você não olha por onde anda? — ele murmurou, me encarando enquanto pegava seus livros.
 — Desculpe, eu não te vi. — balancei a cabeça.
 — Se você não enxerga é melhor você ir pra uma escola de cegos, ta bom? — ele se levantou com seus livros novamente na mãos.
 Eu não pensei muito no que aconteceu em seguida. Só sei que em mínimas palavras ele tinha me deixado nervoso.
 — Escuta aqui, garoto! Tá pensando o que? — peguei na gola de sua camisa, me aproximando dele.
 — Quem você pensa que é?!
 — Sou eu que vou quebrar a sua cara se aparecer na minha frente de novo! Ta entendendo?
 Ele bufou e se soltou de mim ligeiramente.
 — Tomara que não passe na prova. — agarrou seus livros e saiu de perto de mim.
 Um peso me invadiu. O que eu estava fazendo? Agora eu iria me meter em brigas? Que ótimo, eu nem tinha entrado na escola ainda. Belo exemplo, Nick. Assim que você quer que eu as coisas dão certo? Meio difícil, colega. Eu suspirei e voltei a caminhar para o corredor principal.
 Haviam algumas pessoas circulando por ali, o que foi mais fácil pra mim. Eu agendava em minha cabeça um tempo para fazer um tour por aquela escola gigantesca, mas não agora. Agora eu tinha apenas que saber informações básicas. Encontrei com um dos bolsistas que havia terminado a prova no mesmo tempo do que eu e paramos para conversar no meio do corredor, de como estavam as provas e essas coisas.
 O corredor começou a encher aos poucos. Me interagi tanto na conversa com ele que, quando ele se despediu para comer alguma coisa, eu me vi quase no meio de uma multidão. Rolei os olhos pelo ambiente e eu a vi.
 Vi uma garota parada perto dos armários. Eu não sei se estava louco, mas quando mirei meus olhos nela, a mesma revirou o rosto, como se estivesse olhando pra mim o tempo todo. Eu a olhei novamente. Ela lentamente foi olhando para mim de novo, e em uma fração de segundos eu senti meu coração dar uma palpitação.
 Ela era linda. Tinha cabelos castanhos longos e ondulados, uma boquinha de cereja, olhos redondos e castanhos perfeitos... Era magra e esbelta e tinha um perfeito rosto de anjo. Eu paralisei na mesma hora. Juro que nunca me hipnotizei com uma garota assim.
 Ela parecia nervosa com algo e eu poderia estar louco, mas jurava que ela olhava pra mim. Sim, olhava diretamente pra mim. Eu não sabia ler o seu olhar, mas não conseguia parar de olhá-la. Era incrível.
 De repente ela pareceu "acordar" de um transe e se virou, indo embora por um dos corredores. Eu acordei e suspirei, me perguntando o que havia acabado de acontecer.

domingo, 21 de julho de 2013

Episódio 11 - Almost Home

"Chora não, menina boba." — Tati Bernardi.
Sala da direção
Academia Yancy
Nova York

 — Senhor diretor, minha família mora muito longe daqui. — Nick suspirou, se sentando na cadeira de couro em frente a Ethan, já quase desistindo — Olha, eu entendo que nessa escola tem muitos filhos de estrangeiros e diplomatas, porque não podemos fazer...
 — Olha, rapaz, não insista! — interrompeu Ethan, parecendo impaciente — Eu não posso aceitar a inscrição de nenhum aluno sem prévia entrevista com os pais do aluno ou os tutores do aluno.
 Nick apertou os olhos, ele mesmo começando a ficar impaciente. Tentou pensar em um plano rápido, mas foi impossível. O que poderia fazer em uma situação daquelas? Fora de cogitação tocar no nome de sua mãe.
 Ethan encarou Nick, se perguntando quando ele finalmente sumiria de sua sala.
 — Me dá licença, rapaz? Por favor? — pediu o mesmo, pegando sua xícara de café — Além disso, vejo aqui em sua inscrição que seu pai é falecido, não é?
 Nick o olhou bem cético, alegando em seu próprio olhar que aquele era um assunto proibido.
 — Ou então a sua mãe é a responsável. — Ethan deu de ombros — Eu preciso...
 Ethan parou de falar com uma batida na porta.
 — Senhor diretor — Emma entrou na sala. — Está aqui fora a responsável pelo candidato Nick Jonas.
 O coração de Nick disparou. O que? Como assim? Responsável? Ele não tinha responsável, e não havia avisado a ninguém. Nick gelou ao pensar em sua mãe, em como ela havia descoberto que ele estava tentando entrar na Academia Yancy, e não em uma universidade, como havia prometido.
 — Pode entrar. — Disse Emma.
 Abigail entrou trotando pela porta. Nick a olhou confuso e assustado, e todas as alternativas sobre sua mãe foram descartadas na hora.
 — Seu idiota, você fugiu de mim! — Abigail gritou, puxando os cabelos de Nick. O garoto gemeu, não entendendo nada.
 — Senhora, senhora! — Gritou Ethan, fazendo Abigail o olhar. — Espera, a senhora não é a tia da candidata Cyrus?
 — Sim, e madrinha desse bandido que quer aprontar mais uma! — Rosnou para Nick. — É que a mãe dele e eu somos, como posso dizer... Irmãs. Mas é que o Nick insiste em entrar e eu... Am... Ele quer ficar junto da Miley. Quer ter certeza de que ela terá boa educação. — Notava-se seu nervosismo.
 — Espera aí, perdão, mas eu não estou entendendo. — Ethan juntou as sobrancelhas. — O problema não é esse. O problema é que eu preciso de uma autorização legal assinada pela mãe desse rapaz pra eu poder dar entrada na inscrição dele.
 — Ah, não se preocupe com isso! — Abigail sorriu. — Eu vou trazer assim que ela mandar. Mas por favor, deixa que ele faça a prova. Se não o Nickzinho vai se atrasar e vai perder o ano, eu sei que o senhor é um homem muito bom...
 Nick não disse nada. Continuava mudo, apenas observando o que Abigail tentava fazer. Seu coração batia mais acelerado ao ver que ela conseguia convencer o diretor.

Dormitório das meninas / Selena's Room
Academia Yancy
Nova York

 Demi literalmente estava infernizando as garotas. Ela quebrava as coisas e fazia uma zona no quarto. Bagunçou a cama de Selena e jogou suas maquiagens no chão, fazendo Selena ficar louca e querer matá-la. Ela fez uma grande zona no guarda-roupa de Ava, que foi uma grande loucura, pois não havia nada de mais importante para Ava do que aquilo. Isabella já estava com ódio o bastante de Demi para ajudar as amigas a "acabarem com ela". Demi com certeza era um problema no meio das 'populares' e parecia fazer de propósito. Ela queria fazer de propósito.

Corredor
Academia Yancy
Nova York

 — Então faremos assim: você falsifica a carta da sua mãe, e eu consigo que alguma pessoa assine para que tenha valor. — Abigail sussurrava para Nick fora da sala da direção.
 O garoto deu um sorriso fraco.
 — Olha, obrigado pelo que está fazendo por mim. Se arriscar assim por um estranho é muito difícil, obrigado.
 — Eu sou assim, meu filho. Nem me lembre, porque eu volto atrás. Porque não é uma coisa muito correta.
 — Não, não, que isso. — Nick deu de ombros.
 — Além disso, não pense que vai sair de graça. — Ela sorriu.
 Nick bufou, sentindo um peso em suas costas.
 — Pode dizer.
 — O único favor que eu quero pedir é que... Cuide da Miley. — Abigail suspirou, olhando bem nos olhos de Nick. — Sabe, ela é uma boa menina. É muito inocente, e eu quero que você a proteja. Não deixe que ninguém faça nada a ela.
 — Não se preocupe. — Nick falou baixo, o pedido o pegando de surpresa. — Vou ser como o irmão mais velho da Miley. Não vou deixar que nada aconteça a ela.
 — Ah, não sabe a tranquilidade, que peso você tirou da minha consciência! Não imagina! — Abraçou Nick em um rompante, seus olhos começando a ficar marejados. Quando pensava em Miley, sempre pensava com preocupação, como se não soubesse como deixá-la sozinha no mundo, com medo de que a machucassem. Nick a abraçou, de repente sentindo essa mesma preocupação se transferindo para ele.

Dormitório das meninas / Selena's Room
Academia Yancy
Nova York

 — Não aguento mais, eu preciso de ar! — Bufou Selena, saindo do quarto com as amigas. — Que horror, essa menina é um atentado contra o bom gosto.
 As três riram.
 — De onde ela tira tanta porcaria? — falou Isabella.
 — Do lixo, de onde mais? — riu Ava.
 — Eu não sei, mas eu não suporto ela, vou ter um treco, preciso de ar! — Selena bufou.
 — Oi, e aí? — uma garota loira com uma touca falou Selena, Isabella e Ava. As três a olharam confusas. — Tudo bem?
 As três olharam, de repente formando um sorriso.
 — Estamos super bem, e você? — responderam em coro, como em uma 'coreografia'.
 Madison as olhou estática. Claro que achou aquilo ridículo.
 — Hmm... Aqui é o quarto das meninas? — perguntou ela, tentando tirar a imagem anterior de sua cabeça.
 — É... Você é nova? — Isabella a olhou de cima a baixo, reparando em suas roupas surradas.
 — Sim, meu nome é Madison. — fez o mesmo toque de mãos em Isabella, mas a garota também não conhecia aquela arte.
 — Vem cá, você é bolsista, não é? — perguntou Selena.
 — Como é você sabe?
 — Bom, olha, não é difícil notar, as suas roupas e o seu cabelo são um pouquinho radicais. Mas não se preocupe, nada que Selena Gomez, especialista em produção visual não possa resolver.
 As meninas sorriram. Madison as olhou com completo... Nojo. Na verdade, ela não esperava encontrar isso quando pisasse naquela escola. Esperava encontrar pessoas legais e gente desinterassada.
 Mal podia ver que estava super enganada.
 — Mas se você é bolsista, não devia estar fazendo a prova? — perguntou Isabella.
 — Hm, não. Eu vim pra cá como bolsista atleta.
 — E o que é isso? — Ava perguntou.
 — É que eu pratico taekwoundo e acho que quando tiver um intercolegial eu vou representar o colégio. — deu de ombros.
 — Não, não. — Selena balançou a cabeça — A Academia Yancy jamais participa dos intercolegiais. Ainda mais nesse negócio aí de taekwondo, eu acho que você errou de escola.
 Madison as olhou confusa. Não sabia o que pensar naquele momento, mas desejou sair de perto daquelas três antes que ficasse louca.
 — Ta bom, eu vou te mostrar o seu quarto, as bolsistas ficam pra lá. — falou Isabella, começando a andar pelo corredor — Vamos, meninas.

 — Olha, esse quarto aqui está disponível. — Isabella entrou no quarto — Pode escolher qualquer lugar e decorar como você quiser.
 — Ah é, como o nosso! — Selena sorriu, se sentando em uma poltrona vermelha — O nosso quarto foi todo decorado pelo Aiden Thomas, meu decorador. Ficou lindo, você nem imagina. Ele deixou cada uma com o seu estilo divino. O único mal é que agora chegou uma ignorante chamada Demi. — Selena torceu o nariz — E estragou tudo, todo o trabalho que fizemos em meses. Juro que me deu vontade de vomitar vendo as coisas que ela trouxe. Bom, eu digo isso porque sou super sensível e você ainda não me conhece.
 — Ai, que nojo, uma mosca! — falou Ava, parecendo abafar o ar.
 Madison ainda as olhava confusa, como se aquelas garotas não fossem reais. Não tinham nada a ver com ela, e já começava a não suportá-las.
 — Hmm, eu vou pegar a minha mala. — falou ela, indo até a porta.
 — Eu te ajudo. — Isabella foi atrás dela.
 — Tem moscas nesse quarto?! — Selena sussurrou para Ava, com cara de nojo.
 — Ah, que nojo isso, fala sério!
 — Ai! — Isabella bufou, largando a mala de Madison no chão. — Tem algo que quebre aí?
 — Não sei, fizeram a minha mala no orfanato. — Deu de ombros.
 — Espera aí, você veio de um orfanato? — Isabella arregalou os olhos.
 — É, algum problema? — ergueu as sobrancelhas.
 — Não, é porque aqui isso não é comum. — Ava sorriu forçado.
 — Me desculpe, mas eu nunca vi uma órfã ao vivo... Como é ser órfã? — Selena a encarou como se fosse ouro.
 — Deve ser super deprimente, não é? — Isabella falou, olhando para Madison com pena.
 — Pior que não, lá se aprende muito. Uma das coisas que eu aprendi lá é: destruir tudo que te incomoda. — Lançou um olhar mortal para as três.

Campus de golfe
Academia Yancy
Nova York
Joe's POV

 Bom, eu não fui pra casa após sair do hospital, como podem ver. Ainda tinha que realizar os temerosos trabalhos voluntários, coisa que com certeza não era pra mim. Eu estava odiando aquilo, não tinha nada pior, eu deveria estar em casa descansando bastante e ser mimado pelos meus empregados, poxa, eu acabei de sofrer um acidente!
 Mas o senhor Collins tampouco pensava desse jeito.
 Ele teve prazer em ir até meu quarto no hospital para jogar na minha cara que havia feito uma denúncia contra mim sobre o acidente. Tudo bem, eu vacilei, eu admito, mas ele é meu pai. Será que qualquer outro pai faria isso com o filho? Não consigo nem imaginar, ele me dá nos nervos, apesar de eu sempre afastar esse sentimento de mim. Ele me deixa nervoso e com ele não posso dizer sequer o que quero e o que penso sobre nenhum assunto. Ás vezes me espelho nele, mas na maioria das vezes eu o desejo longe da minha frente e da minha vida.
 Saí do meu quarto e fui para o campus de golfe, entrei em um carrinho e aproveitei para ligar para Jacob. Contar as "novidades":
 — Pois é, Jacob, o juíz mandou fazer trabalho voluntário numa cidadezinha... Juro que preferia morrer. — Balancei a cabeça, afastando tais pensamentos. — Aposto que foi ideia do meu pai. Não me deixa sozinho nessa, ok? Ta bom, tchau.
 Desliguei o telefone, já voltando a sentir a mesma repulsa de antes. Eu estava atordoado com toda aquela situação, estava fora de cogitação eu, Joe Collins, passar o verão inteiro trabalhando. Qual é, eu nunca nem lavei um prato em casa, agora terei que trabalhar para outras pessoas? Foram só maconha e bebidas, ok? Porra, foi só uma mancadinha!
 Ainda continuava rodando pelo campus com o carrinho, passei pelas líderes de torcida fazendo alongamentos no gramado, as quais acenaram para mim alegres e sorrindo. Assanhadas. Me adoravam, eram loucas pra transar comigo, e eu já havia pegado metade. Assim como metade dessa escola.
 Quem pode, pode.

Selena Gomez's POV

 Aquela Madison me assustou, eu não vou negar. Depois das últimas palavras que ela me lançou, eu e as meninas demos uma desculpa para sairmos correndo daquele quarto o quanto antes. Até tinha passado pela minha cabeça que eu poderia ajudá-la aqui, mas logo descartei. Não gosto de trabalhos difíceis, muito menos de cobaias difíceis. Se quer ficar do jeito que está, que fique. Eu, Ava e Isabella saímos daquele quarto, indo direto para o campus de golfe.
 Ao chegar lá, pegamos um carrinho e nos amontoamos em cima dele, eu e Ava na frente e Isabella atrás. Conversávamos sobre assuntos recorrentes quando cruzamos com o carrinho de Joe a nossa frente, o qual havia acabado de azarar simultaneamente várias líderes de torcida atrás dele. Eu automaticamente dei um sorrisinho cínico pra ele. Eu já estava ligada na mega confusão que ele havia se metido, aliás, quem não sabia?
 Joe parou o carro a minha frente, me fazendo parar também. Nós dois nos encaramos.
 — Joezinho! — Falei, sorrindo. — Suas férias foram curtas, não é?
 Ele riu, balançando a cabeça.
 — Olha só quem fala. Você nem saiu daqui, gatinha.
 Ele piscou para mim, e depois arrancou com o carrinho, dando de ré e virando na direção oposta. Fiquei estática em meu lugar. Como assim? Ele é apenas Joe Collins. Apesar de ele ter dito a verdade, eu não aceitava ouvir aquilo dele, não mesmo.
 — Hahaha. — Ri irônica, não achando graça nenhuma.
 Ele deu uma última olhada para nós e saiu de vez, sem olhar pra trás. Já vai tarde.
 — Vem cá, porque você trata ele assim? — Perguntou Ava de repente. — Eu acho que você está afim dele.
 — Mas é claro que não. — Nós duas rimos, eu achando completamente sem nexo o que ela acabara de dizer. — Sabe, Ava, ele é um gato, mas não faz o meu tipo. E ficar com ele? Fala sério!
 Ela me avaliou, parecendo querer entrar da minha cabeça para ver se eu estava falando a verdade.
 — Bom... — disse ela.
 — Bom o que? — perguntei.
 — Eu já volto! — ela deu um gritinho, saindo do carrinho rapidamente e correndo para onde Joe havia partido.
 Eu ri e a olhei, meio perplexa, mas não assustada. Joe seria o novo alvo de Ava, isso eu já esperava para esse ano.
 — Ah, vai pedir carona pra ele, vai? — eu ri, vendo ela correr empolgada.
 — Ei, por favor! — ouvi ela dizer para um garoto que estava de bobeira parado em um carrinho. — Pode me dar uma caroninha até lá em cima?
 O garoto apenas sorriu e ela subiu em seu banco carona, o carro arrancando para frente. Que esse garoto não queira nada em troca, por favor. Ava era louca, era capaz de aceitar para não ficar mal na fita. Apenas balancei a cabeça e Isabella se sentou ao meu lado, no antigo lugar de Ava.
 — Amiga, fiquei pensando muito no que a Ava disse. — falou Isabella.
 — O que?
 — Que você e o Joe seriam o casal ideal. Os dois são iguais. — ela sorriu, parecendo sonhar com esse dia.
 Eu ri. Na verdade, gargalhei. Não era possível. Onde que eu e Joe éramos "perfeitos um pro outro"? Nunca, né? Contem outra, o garoto é um bebêzão e fica com todas as meninas do colégio. Um namoro dele deve durar o que? 1 semana? E olhe lá...
 — Ah, Isabella, por favor! — bufei, rindo. — Sério, não tem nada a ver. Você pensa umas merdas muito grandes, mas tudo bem.
 Ela revirou os olhos, parecendo não mudar de ideia.
 — Viu a Ava? Ela perde a linha, saiu voando atrás do Joe. É só aparecer um menino que ela vai correndo atrás.
 — Ai, não começa, não critica, ela é nossa amiga, lembra? — levantei as sobrancelhas.
 — É óbvio, eu sei que ela é nossa amiga, mas isso vai ficar entre a gente, ta? Olha, você não vai negar que ela é super atiradinha com os meninos. — deu de ombros.
 Eu ri. Na verdade, foi a única coisa que eu encontrei naquele momento.
 — Isabella, para! — falei. — Já chega. O problema é que a Ava tem que ser boazinha porque todos os meninos querem ficar com ela. Tem que ser como eu, não os trato mal, mas eu parto o coração deles.
 Ela bufou.
 — Você é legal, mas eu acho ela muito oferecida!
 — Sério?
 — Por isso que eles te procuram tanto.
 — Ta bom, chega de criticar. O que eu ia te dizer a 5 minutos é que eu tenho que ir falar com o diretor, por isso querida, me dá uns minutinhos, vai lá.
 "Expulsei" Isabella do carrinho, mandando um beijinho no ar. Logo mais, saí com o carrinho, direto para a sala do diretor. Haviam assuntos importantes a tratar com ele, muito importantes.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Episódio 10 - Fabulous

"Não sei que coração é esse, que te chama por horas e horas, mas que se cala quando você chega. Como te querer se não sei como querer. Como te amar se nem sei se você me ama." — Caio Augusto Leite.
Avenida Begrs Street
Nova York

"Ok, pode parar aqui." — Logan se manifestou no carro — "Daqui eu vou sozinho."
"Porque, filho? Falta tão pouco." — disse seu pai.
"Eu sei, pai, mas eu não sou mais uma criança pra você me deixar em frente a escola."
 Seus pais suspiraram e pararam a uma distância mínima da Academia Yancy, enquanto Logan se atirava para fora da caminhonete Hi-Lux, pegando apenas sua mala preta de rodinhas e começando a caminhar.
"Filho, espera!" — sua mãe gritou, o fazendo parar de má vontade — "Sabe o que é? Eu gostaria de conhecer seus colegas. O seu quarto, o refeitório..."
"Ok, mãe, mas não vai dar. E também não quero que venham me visitar nos fins de semana. Quando der eu visito vocês." — deu de ombros.
"Mas nós achamos importante visitar você aqui." — sua mãe sorriu.
"Tudo bem, tudo bem." — seu pai cortou a conversa, dando um riso forçado — "Ele é assim." — abraçou Logan, fazendo o garoto executar uma careta de mal gosto — "Sabe, eu sinto muito orgulho de um filho de um simples açougueiro, de gente do campo, chegou ao melhor colégio do país. Sabe, filho, você vai chegar mais longe do que eu."
 Logan revirou os olhos, completamente entediado.
"Desde que seja um homem bom e trabalhador como você." — os pais se olharam — "Porque é o que eu quero."
"Tudo bem, mulher. Ele quer ser mais do que eu..."
"Mas porque ser mais? Além disso, ele pode continuar com o negócio do açougue. Nós conseguimos juntar mais do que jamais sonhamos."
"Ok, chega!" — gritou Logan — "Já chega, ok? Não vai começar agora com aquela história de miséria, que um dia ficamos ricos e blá blá blá." — ele bufou.
"Tudo bem, filho." — seu pai sussurrou — "Boa sorte. Trouxe tudo?"
"Sim, pai." — respondeu Logan, morrendo de vontade de vê-los longe.
"Aqui, filho. A medalinha do seu batismo." — sua mãe colocou um cordão de prata em seu pescoço — "Ande sempre com ela."
"Obrigado... Agora vão." — Logan bufou, e dessa vez seguiu em frente para a Academia.

Queens
Nova York

"E depois o meu pai morreu." — completou Nick, com o olhar distante, enquanto ele, Abigail e Miley estavam sentados, ainda esperando o ônibus.
"Coitado." — Miley suspirou — "E morreu de que?"
"Ele já estava doente." — Nick deu de ombros.
"Puxa..." — Abigail suspirou, observando Nick.
"Na verdade, o sonho dele era que eu entrasse pra essa escola, por isso eu vim." — Nick mentiu, rolando os olhos. Era a primeira vez que mentia daquele jeito em voz alta.
"Vai ser difícil." — falou Abigail — "Nessa escola é tudo complicado. Não pense que vai ser tão fácil entrar."
"Mas... Eu posso falsificar a assinatura da minha mãe..."
"Como vai falsificar a assinatura da sua mãe, garoto? Te expulsam! Não, aqui é tudo cheio de regras!" — ela bufou — "O que eu quero dizer é o seguinte, precisa de alguém que se responsabilize por você. Que fale por você, que o defenda, entendeu?"
"Mas esse é o sonho da minha vida inteira. É quase meu projeto de vida, entrar pra essa escola..." — Nick imaginava se não estaria exagerando demais.
"Você vai entrar, eu tenho certeza." — Miley sorriu, encorajando-o.
"Não, você vai entrar, eu tenho certeza."

Centro Médico Chapon Hill
Nova York

"Venha, filho." — a mãe de Joe puxou o garoto pelas mãos enquanto terminava de colocar suas roupas normais. Joe estava com a cara mais abatida de todas. Não dormia direito havia dias e sua cabeça ainda doía com o curativo acima da sobrancelha.
"Eu estou bem, mãe." — Joe falou baixo, ainda sentindo dores.
"Vejo que se recuperou perfeitamente, Joe." — o diretor Ethan entrou pela porta do quarto, o que causou ainda mais dores de cabeça em Joe.
"Senhor diretor, me desculpe." — falou Joe — "Eu sei que vacilei. Acho que dessa vez a situação é um pouco delicada, não é?"
"É..." — Ethan deu de ombros.
"Mas não está pensando em me expulsar, não é?"
"Bom, eu devia, Joe, mas falei com o seu pai e considerando que todos os seus irmãos passaram pelo nosso colégio, vamos considerá-lo como um caso especial." — Ethan sorriu e Joe o olhou confuso — "E tem mais, eu falei com o juíz e não precisará ser processado. Isso não significa que não terá uma punição."
"Ah, muito obrigada!" — falou a mãe de Joe, sorrindo como sempre — "Que consideração. Agradeça a ele, Joezinho." — deu uma cutucada em Joe.
"Obrigado. Qual é a punição?"
"Está aqui, especificado." — Ethan tirou do bolso do terno alguns papeis — "E você vai realizar trabalhos voluntários. E não se preocupe, vai ser na cidade, perto do nosso clube de férias. Mas fique sabendo que vai ter um inspetor vigiando você."
"É por isso que eu adoro a sua escola!" — a mulher riu, pegando no braço de Ethan e o encaminhando para fora do quarto.
"Senhora, por favor..." — Ethan ria nervoso.
"É tão encantador..."
"Nós temos prazer em poder ajudá-lo." — sorriu.

Área da piscina
Academia Yancy
Nova York

"Oi, gatinha!" — gritou Logan ao ver uma loirinha baixa andando em sua frente. A garota o olhou, parecendo confusa — "E aí, posso te ajudar em alguma coisa? Eu já vi que você é nova aqui, e sei lá... Logan Lerman." — estendeu a mão.
"Eu sou Madison Taylor." — fez um toque de mãos com Logan, e o garoto a olhou cético. Só agora havia percebido algo 'macho' na garota.
"Hmm, Madison Taylor..." — ele analisou-a — "É que... Combina com seus olhos." — Madison riu — "Então, você é bolsista aqui? Veio fazer a prova?"
"Não, pra mim não disseram nada."
 Em algum canto da piscina, no meio da confusão entre os jogadores que praticavam volleyboll na água, a bola escapou dentre as mãos de alguma pessoa, fazendo a bola correr pelo teto e bater em Madison, na parte de seus seios. A garota soltou um gemido de dor e as pessoas na piscina a olharam preocupados. Não com ela, claro, mas se ela devolveria a bola numa boa.
 Madison os olhou com raiva. Logan apenas revirou os olhos, se fazendo de desentendido, como se não estivesse presente naquele momento. Madison pegou a bola do chão.
 — Quem foi o idiota? — A garota gritou, olhando para as pessoas na piscina.
 Ninguém soltou um pio. Ela bufou e em menos de 1 segundo, jogou a bola pra cima, chutando-a em seguida, com uma força extraordinária. O queixo de Logan caiu. Ele e todos acompanharam enquanto a bola voava pela quadra, por cima da piscina. E todos olharam com medo até ver que a bola ia em direção a um homem descendo as escadas, há uma distância significante da quadra. Não deu outra, a bola bateu em seu braço, dando um estalo.
 — O que aconteceu, Daniel? — Gritou o homem, massageando seu braço onde fora atingido, saindo em seguida batendo os pés.
 Daniel Anderson era o professor de educação física, presente na quadra naquele momento, e não soube o que dizer naquele momento. Não podia dizer nada, ainda olhava perplexo para Madison, assim como os outros.
 — Nada mal. — Logan comentou após as pessoas terem "acordado" e voltado para suas atividades. — Eu aposto que você quer ajuda com a sua mala, não é? O que é isso aqui? Seu tapete de alongamento? — Ele riu, enquanto pegava a mala de Madison.
 Os braços de Logan queimaram. Pareciam haver pedras na mala da garota. Logan soltou um gemido gutural enquanto tentava levantar a mala, e Madison apenas soltou um sorriso.
 — Vamos lá? — Ela riu e começou a caminhar para dentro da escola, sendo seguida pelo andar devagar de Logan.

Dormitório das meninas / Selena's Room
Academia Yancy
Nova York

 — Eu não voltei só por você, Selena, eu voltei também porque eu não suportava mais a minha mãe e o imbecil do meu irmão. — Ava bufou enquanto Selena passava pó em seu rosto. — Só porque o meu pai saiu de casa, ele se acha o dono de tudo.
 — Soube mais alguma coisa dele?
 — Não. Ele se divorciou da minha mãe, se divorciou de todos.
 — Vocês já viram os alunos novos? — Perguntou Isabella enquanto descia as escadas do dormitório gigante.
 — São uns idiotas... — Murmurou Ava.
 — Tadinhos, pareciam que estavam entrando no matadouro. — Isabella riu.
 — Você já está prontinha. — Selena disse á Ava enquanto guardava um pouco de suas maquiagens. Ava agradeceu murmurando um "obrigada". — Olha, eu nem tive vontade de sair do meu quarto. Já basta ter visto aquela menina... — Selena descia as escadas, indo ao encontro de Isabella. — Sabe o que eu descobri? Que ela é filha de uma artista...
 — Gente, eu vi ela em uma revista, eu achei ela bem bonita. — Ava se levantou do espelho, indo ao encontro das amigas.
 Selena bufou.
 — Ava, acorda! Por favor, nas revistas eles retocam as fotos no computador. — ela se jogou em sua cama — Você precisa vê-la pessoalmente, não é? Conta pra ela, Isabella!
 — Então me contem, eu quero saber. — Ava se sentou em sua cama, e Isabella soltou uma risada.
 — Parece uma árvore de natal com as luzes piscando, é horrível. — Selena contou, fazendo as três rirem. Ava murmurava palavras como "Ah não, não acredito..."
 — E a filha? — perguntou Ava.
 — A filha? Não, a filha é a pior de todas! É a mais idiota que eu já vi na minha vida! — Selena gesticulava com os braços.
 — Espera, me conta aí. — pediu Ava.
 — Não, espera, ela tem um cabelo loiro com umas mexas verdes...
 — Azuis! — corrigiu Isabella.
 — São azuis também? — Selena riu. — São azuis, roxas, sei lá...
 Naquele momento, a porta se abriu bruscamente. Demi chutou suas malas para dentro do quarto, fazendo um silêncio reinar naquele momento. A garota entrou a passos largos, não se importando com as meninas ali.
 — É exatamente desse jeito. — Selena resmungou — Escuta, menina, acho que você se enganou, porque a saída fica por aquele lado. — apontou para um lado distante do quarto.
 — Ah, não me diga! — Demi sorriu irônicamente. — Então me desculpe, pois eu vim pra ficar aqui, bonequinha. — Mexeu nos cabelos de Selena.
 — Mas você me disse que não ia ficar...
 — Pois é, mas eu mudei de ideia. — Demi pulou de joelhos na cama de Selena — Porque eu gostei muito da escola e então... Eu vou ficar aqui. — Sorriu.
 Selena a olhou com nojo e desprezo, e também um pouco de preocupação. Não sabia porque, mas já sentia que Demi iria ser um problema pra ela.
 — Essa escola não tem nada a ver com você! — Isabella disse, se levantando.
 Demi a olhou com graça, dando um enorme sorriso de deboche.
 — É mesmo? — Ela se levantou, ficando em pé na cama de Selena. — Poxa, mas que inteligente você é.
 — Não na minha cama! — Selena gritou ao ver Demi em pé.
 — Deixa eu te perguntar, além de falar, você também sabe fazer piruetas? Como todos as baleias? — Demi falou para Isabella, ignorando a existência de Selena completamente.
 Ava levou a mão á boca, chocada com o comentário de Demi. Selena baixou os olhos, seu peito pareceu se apertar. Isabella a encarou, sua garganta se fechando, como se não houvesse o que dizer naquele momento.
 Isabella era a típica pessoa que estava acima do peso. Isso seria normal, se ela não fosse uma das meninas mais populares da escola. Se sentia completamente fora do mundo comum pelo motivo de não estar no patamar do "corpo perfeito", e se tinha alguma coisa que a machucava era caçoar disso.

Salão principal
Academia Yancy
Nova York

 — Os que entregaram a solicitação podem passar para a sala para fazerem a prova. Só os candidatos! — Anunciou Emma para a aglomeração de pais e filhos na Academia.
 Nick e Miley se levantaram em um sobressalto, assim como um montante de alunos. Todos pareciam mais nervosos do que o comum, pareciam estarem se decidindo ali na hora se iam ou não. Dava pra ver o pânico nos olhos deles.
 Um a um, os candidatos iam até a mesa de Emma e colocavam a solicitação preenchida, como devia ser. Suas mãos tremiam, sem querer exagerar. Eles estavam mesmo nervosos. Miley rapidamente entregou nas mãos de Emma e caminhou até a sala, parecendo suar frio.
 Nick se encaminhou para a mesa de Emma, colocou sua solicitação e já foi seguindo para a sala, quando:
 — Jonas! — chamou Emma, fazendo Nick se virar novamente — Você não.
 Nick a olhou confuso e ao mesmo tempo perplexo. Abigail e Miley pararam para ver ao longe, também confusas.
 — Não o que? — perguntou ele.
 — Você não pode fazer a prova. — ela deu de ombros.
 — Mas porque?
 — O diretor não falou com os seus pais. Eles vieram com você?
 A cabeça de Nick queimou. Seus pais? Não havia coisa pior para pedir a ele naquele momento. Estava fora de cogitação envolver seus pais naquilo. Ele respirou bem fundo.
 — Não. — respondeu.
 — Então você não vai poder fazer a prova, eu lamento. — Emma deu de ombros.