quinta-feira, 25 de julho de 2013

Episódio 12 - About You Now

"— E sua conclusão final é…? 
— Amar dói"
 Demi's POV.

 Eu estava em meu quarto. Aliás, o quarto em eu fui posta. Pareceu que eu expulsei aquelas patricinhas daqui por alguns momentos, o que eu fiquei aliviada por alguns minutos. Pareciam que o mesmo ar que elas respiravam não era o mesmo que o meu, por isso eu não as suportava mesmo, de jeito nenhum. Tive tempo para pegar meu saco de jujubas da minha mala e deitar na minha nova cama, olhando para a parede.
 Tinha coisa pior do que ficar nessa escola? Eu acho que não. A única coisa que eu conseguia pensar era que era tudo culpa do Noah. Não iria chamá-lo de pai, ele não merecia. Por culpa dele eu estou aqui, aturando todas essas pessoas para meu desgosto. Porque comigo? Odiei esse lugar desde a primeira vez que pisei aqui. Porque minha mãe também tem que ser tão burra? Vai obedecer as palavras de Noah? Não é possível. Eu nunca deveria estar aqui, eu queria pular aquela janela naquele instante e ir embora.
 Mas antes que eu pudesse fazer, ou até pensar em fazer algo, eu ouvi risadinhas vindos do corredor. Parei no mesmo instante. Estavam se aproximando, estavam vindo para o quarto. Sem pensar duas vezes, me joguei debaixo da cama, tentando respirar fraco. O som foi ficando mais perto, agora duas vozes.
 A porta se abriu.
 — Entra. — reconheci de imediato a voz da loirinha amiga de Selena, como era mesmo seu nome? — Relaxa, não vai entrar ninguém.
 Ela falava com alguém enquanto fechava a porta. De baixo eu podia ver um tênis e calças jeans, isso é, ela estava com um garoto. Eu abafei um riso. Vadia, sim ou claro?
 — Ta bom. — o garoto riu, e não reconheci sua voz. Na verdade, nunca havia escutado aquela voz na vida.
 A loirinha foi até uma escrivaninha ao lado da cama, pareceu pegar algo e voltar para o garoto.
 — O disco é esse aqui. — falou ela — Eu também adoro essas músicas.
 — Legal. — ouvi a voz do garoto. Podia sentir que ele estava sorrindo muito.
 — Suas músicas também são muito boas, você devia ser músico.
 — Não, não. — ele começou a andar para perto da cama onde eu estava. Droga. Minha respiração foi a mil — Pra mim é só um passatempo.
 Ele se sentou na cama. 1 segundo depois ela se sentou ao seu lado, o bico de seu salto quase batendo no meu dedo. Qual é, esses dois não poderiam sair daí? Ou melhor, não poderiam sair do quarto pra eu parar com esse fingimento aqui embaixo? Isso está me frustrando.
 De repente eu ouvi um barulho de beijo. Não, eu não estava louca, eu tinha certeza que os dois estavam se beijando nesse exato momento. Abafei um riso. Então essa garota trazia alguns meninos pra cá pra um sexozinho rápido com eles? Oh, que feio...
 — Quando fiquei sabendo do seu acidente... — começou ela, e ouvi mais um beijo — Eu quase morri. É, graças a Deus você é muito forte.
 Ouvi a risada dele.
 — Muito forte. — ele falou baixo, dando mais um beijo nela.
 O que era aquilo, cara? Ops, fiquei sabendo que é proibido os meninos no quarto das meninas... Ela sabia disso?
 — Vem cá... — disse ela, suspirando — O que você tem com a Selena?
 Apurei meus ouvidos.
 — Porque ta perguntando? — perguntou ele.
 — Ah, porque se não eu vou ter que fazer um esforço pra parar de pensar em você.
 Os pés dela se levantaram do chão e o dele também, e eu pude sentir a cama ficando mais pesada. É claro, mesmo não vendo eu sabia que ela o havia deitado na cama.
 — E acontece que eu não fiquei aqui pela Selena. — continuou ela — Eu fiquei por você.
 Abafei um riso.
 — Hmm. E se eu disser que não me interesso por ela? — falou ele.
 — Ah, eu não duvidaria. Ela é muito novinha pra você, Joe.
 — Mas porque?
 — Ah, porque a Selena é virgem!
 Cautelosamente, fui saindo debaixo da cama. Levantei devagar os olhos e olhei-os. Ela estava sentada em cima dele, com as mãos em seu abdomem enquanto ele mantinha as mãos nas coxas dela. Os dois estavam se engolindo, portanto não me viram, graças a Deus. Eu nem sabia explicar o que eu estava pensando naquele momento, apenas de que eu estava completamente assustada com o tipo de pessoas desse lugar.
 O tal do Joe se mexeu e afastou a loirinha de si, me fazendo me abaixar novamente, meu coração pulando. Eles não podiam me ver.
 — Selena é virgem? — perguntou ele — Ela pareceu ser outra coisa.
 — Ah claro, ela fez isso pra não parecer o que ela é, uma menininha!
 — E você? — disse ele em tom desafiante.
 Esperei ouvir uma resposta, mas depois de 2 segundos eu ouvi um gritinho vindo dela, e de repente ela pulou da cama, rindo e indo até as escadas. Joe também se levantou rindo e foi atrás dela, os dois parecendo crianças. Quando os dois estavam lá em cima, finalmente saí debaixo da cama novamente.
 Eu não iria sair do quarto áquela altura, é óbvio. Eu queria ver aquilo, o que as pessoas dessa escola tinham na cabeça? Fiquei de pé e ainda podia ouvir os dois rindo e se beijando em cima. Fui andando cautelosamente até as escadas, tentando fazer o mínimo de barulho possível. Quando coloquei meus pés no primeiro degrau, ouvi uma porta se abrindo.
 Meu coração disparou e olhei para trás, mas não era a porta do quarto. Ouvi os risos dos dois e subi mais um pouco, até ver que eles abriam a porta do closet e estavam entrando lá dentro. Eu ri baixinho. Não podia ser. Os dois fecharam a porta e na mesma hora eu terminei de subir as escadas, chegando no andar de cima. Ainda segurava no corrimão enquanto me aproximava do closet, que eles tinham deixado uma frestra aberta, onde eu escutava muito bem os risinhos maliciosos dos dois. Esperei por uns 2 minutos e rapidamente olhei pela frestra, segurando mais um riso.
 Os dois estavam literalmente se engolindo. A loirinha arrancava as roupas de Joe enquanto ele beijava toda a parte do corpo da garota. Ele a impressou na parede, arrancando sua blusa e beijando seus seios. A garota mesmo arrancou seu sutiã e logo após seu shorts. Sem sutiã e apenas de calcinha, que sutil, não? Joe estava apenas de boxers nesse momento, e os dois já estavam a todo fogo. Joe rapidamente abaixou a calcinha da garota, sem tirá-la, apenas para que ele retirasse sua boxers e penetrasse na garota, fazendo enroscar suas pernas em sua cintura e gemer sem parar.
 Levei minhas mãos á boca, dando passos pra trás. Como isso, cara? As pessoas dessa escola são realmente loucas, esses garotos eram uns pervertidos, eu estava me sentindo numa gravação de filme pornô! Me segurei muito para não rir. Eu virei de costas e me encostei na parede á direita do closet, apenas ouvindo os gemidos prazerosos da loirinha e Joe metendo na garota, murmurando palavras como "é isso aí", "gostosa" ou coisas do tipo.
 Foi quando do nada eu ouvi uma voz:
 — Ava!
 Meu coração gelou. Foi aí que eu percebi que já estava encostada ali a tempo demais pro meu gosto. Qual é, agora eu me interessava pelo sexo adolescente desses depravados? Olhei para baixo e minhas pernas tremeram. A secretária Emma havia entrado no quarto e pela sua cara ela estava escutando e muito bem os gemidos da loirinha, que pelo jeito se chamava Ava.
 Olhei para os lados, aflita por alguns momentos. Essa mulher jamais poderia me ver aqui, ainda mais em uma situação dessas. Ela poderia achar que eu estava encobrindo os dois pervertidos aqui, e isso eu jamais iria querer! Em uma fração de segundos, vi de relance que Emma começava a subir as escadas, seguida pelo som, e eu me afundei no primeiro armário que vi na frente, quase em frente ao closet onde estavam Ava e Joe. Eu suspirei, abrindo uma mínima frestra para poder ver.
 Vi Emma passar em frente ao meu armário e de repente ela parou. Eu gelei. Será que ela desconfiava que havia alguém aqui? Por favor, não abra o armário! Ela olhou para os lados e para cima, parecendo procurar o som. De repente ela olhou para o closet onde estavam os dois, e eu fechei os olhos, abafando mais um riso. Isso iria ser uma merda completa! Eu nem queria ver isso. Emma foi se aproximando devagar, pra ver se era dali mesmo que saía o barulho, e em um rompante a mulher abriu a porta, encontrando a terrível cena pornográfica que ali acontecia.
 O que eu escutei em seguida foi um berro agourento de Emma e um grito assustado de Ava. Emma se virou do outro lado, tampando os olhos, parecendo terrivelmente incrédula. Ava e Joe pararam tudo, estavam suados e descabelados, e os dois se vestiram aos tropeços, parecendo que tinham visto literalmente um fantasma. Emma bufava fortemente.
 — O que estão fazendo aqui?! — ela disse com dificuldade, finalmente se virando e destapando os olhos, vendo os dois agora semi-vestidos.

Isabella's POV.

 Depois que Selena havia me "expulsado" do carrinho de golfe, eu não sabia o que fazer e nem pra onde ir. Queria conversar com alguém, mas literalmente todos da escola haviam viajado pra fazer algo que preste. Ou melhor, todas as pessoas legais dessa escola. Decidi voltar para dentro da escola, ver se havia alguma coisa lá.
 Na verdade, eu já sabia que não teria nada lá. Ava com certeza estava com Joe nesse momento, e eu não sabia o que fazer. Andei pelos corredores e peguei um salgadinho na máquina, tendo a repentina ideia de ir ver como os bolsistas estavam se saindo na prova, já que eu não tinha mais nada pra fazer mesmo.
 Passei na frente da sala e me encostei na parede. As salas continham um vidro enorme na parede ao lado da porta, assim todos que passavam podiam vê-los livremente. Eles estavam concentrados em seus notbooks, alguns até concentrados demais. Dava pra sentir a vontade e o esforço que eles tinham para entrar nessa escola. Eu os entendo, eu acho. Foi ali que eu o vi pela primeira vez.
 Ele estava sentado no meio. Ele parecia muito concentrado por alguns minutos, mas depois ele se dispersava. Parecia pensar muito em suas respostas e sua cabeça parecia ficar confusa. Ele tinha cabelos levemente cacheados e era tão... forte, tão lindo. Meu coração na hora palpitou. Ele era a coisa mais linda que eu já tinha visto. O jeito como mordia a boca e fechava os olhos quando pensava que havia errado uma questão. O que era aquilo? Quem era ele?

Demi's POV.

 — SAIAM!
 Emma gritou e os dois saíram do closet aos tropeços. Eu fechava minha boca ao primeiro indício de que iria rir alto, mas não dava. Era uma das cenas mais engraçadas e cabulosas que já vira na vida. Que mole esses dois dão. Ava ajeitava seu cabelo e sua roupas enquanto Joe colocava sua camisa.
 — Eu... Eu estava arrumando o armário, só isso. — Ava gaguejou, suas mãos tremendo.
 — Eu estava... Estava... Arrumando... — Joe parecia tão nervoso quanto Ava.
 — É por isso que temos uma equipe de manutenção! — gritou Emma. Aqueles dois são sabiam mentir, credo. — Sabem que é proibido os meninos entrarem no quarto das meninas quando não tem um responsável junto! — ela empurrava os dois escada abaixo enquanto gritava em seus ouvidos.
 — Eu sei, eu sei que a culpa é minha! — Ava falou — Emma, por favor... Eu já disse que...
 — Ah, cala a boca! — gritou Emma.
 A secretária fechou os olhos mais uma vez, parecendo tentar eliminar a cena anterior de sua cabeça. Eu mesma iria fazer isso depois. Mas de algum modo Emma parecia já ter visto aquilo antes, muitas vezes, principalmente vindo dos dois.
 — Infelizmente eu vou ter que relatar esse episódio desagradável ao senhor Ethan. — disse ela quando chegaram lá embaixo.
 — Não, por favor! Não queime o meu filme com ele. — pediu Joe.
 — Eu não queimo filme. Só cumpro com o meu dever. — Emma o olhou com raiva, como se não suportasse mais olhar para o rosto do garoto.
 Lentamente, abri a porta do armário com cautela. Fiz o mínimo barulho possível até conseguir sair daquele cubículo e me agachar no chão, ficando de quatro, engatinhando rapidamente para olhar de perto aquela cena.
 — Tudo bem. É que eu já estou acostumado a levar surras. — Joe deu de ombros, com ar de dramático — Primeiro o acidente... E agora isso. — ele deu uma rápida olhada para Ava — De repente me expulsam.
 Eu não conhecia aquele garoto. Na verdade, era a primeira vez que o via, mas estava na cara que ele era um visitante frequente na diretoria e um dos depravados dessa escola. Um dos poucos depravados, já que essa era uma escola de elite, coisa séria. Estava escrito em sua testa que era um filhinho de papai, um mauricinho. Revirei os olhos ao pensar nisso.
 Emma pareceu amolecer o olhar. Ela bufou e disse:
 — Está bem. Dessa vez eu não vou falar nada.
 Joe abriu um sorriso enorme.
 — Obrigado! — ele suspirou — Você é um amor, Emma! — ele avançou nela, dando-lhe um beijo enorme na bochecha.
 Ela rapidamente o afastou.
 — Você não vai me convencer com carinhos. Ok? Da próxima vez que eu encontrar você aqui, eu não vou ter piedade. E vamos logo pro refeitório porque já está na hora do almoço! Vamos logo.

Selena's POV.

 — Não entendo seu pedido, Selena. — disse o diretor Ethan após meu enorme discurso que havia acabado de terminar. — Você sabe perfeitamente que o conselho nos obrigada a dar um percentual de bolsas todos os anos.
 — Eu sei. — bufei — Mas também sei que quase ninguém consegue receber a bolsa.
 — Bom, o colégio não tem culpa se os alunos abandonam porque não alcançam o nível. — ele deu de ombros.
 Rangi os dentes, revirando os olhos. Não era a toa que eu achava Ethan uma das pessoas mais idiotas da face da terra.
 — Todo mundo sabe muito bem que não é por isso. — rebati.
 Ele me olhou confuso e eu novamente revirei os olhos, me aproximando de seu rosto e sussurrei:
 — É pela Seita.
 Ethan me lançou um olhar matador. Aquele olhar que ele sempre lançava quando algum indivíduo falava na Seita. Aquele olhar de enojação, como se não acreditasse, ou não quisesse acreditar. Mas como ele poderia fugir? Todos estavam muito bem cientes da existência da Seita. Da existência de uma organização que bane bolsistas para que o colégio continue privilegiado com pessoas que realmente tem o "nível", como eles dizem. Ninguém imaginava o quanto a Seita poderia ser perigosa, e esse assunto me causava arrepios.
 — Se veio aqui pra falar de rumores infundados, não vou terminar a conversa! — ele trincou os dentes, parecendo querer dar um soco na minha cara.
 — Não, eu não vim falar da Seita.
 Ethan bufou, ainda me olhando com certa raiva. Esse assunto o deixava nesse estado. Ou ele não queria acreditar ou era um completo incrédulo e cego.
 — Olha só, eu vou dizer de uma vez por todas, nesse colégio não existe nenhuma Seita! Nenhuma organização nem nada parecido. — ele rosnou pra mim, aparentemente nervoso.
 Eu revirei os olhos. Era inútil discutir com Ethan sobre aquilo.
 — Tudo bem. Mas eu também não vim falar sobre os bolsistas, eu vim falar dos novos! — pensei logo em Demi, e meu estômago embrulhou.
 — Qual é o problema dos novos? — agora ele parecia entediado.
 — O problema é que não é possível que para cobrar uma taxa, o colégio aceite um novo rico qualquer!
 Ethan suspirou e se sentou em sua cadeira de couro, abrindo novamente seu laptop.
 — Deixa eu ver se eu entendi, você está falando de alguém em especial? — perguntou ele.
 — Estou, claro que estou. E eu preciso esclarecer isso, eu não vou dividir o meu quarto com a filha de uma artista barata!
 — Não é uma artista barata! — Ethan gritou, se levantando como um jato da cadeira, me olhando com raiva — É uma artista muito conhecida! Além disso, você não é ninguém para opinar sobre a família dos novos alunos.
 Abri a boca, chocada. Como assim Ethan estava contra mim? Todas as opiniões que dei dentro dessa escola foram respeitadas por ele, eu não pisava na sala da direção a toa, ok?
 — Bom... Talvez eu não. — dei um riso irônico — Mas eu acho que o meu pai não vai gostar muito quando souber. Porque ele paga muito caro pra me manter nesse colégio que, dizem, é de elite.
 Ethan me olhou cético. Se ele não me ouviria, eu teria que colocar meu pai no meio, como sempre.
 — Presta atenção, Selena. — disse ele — Se o seu pai tiver algum problema, eu vou falar com ele quando retornar de viagem. E agora, se me der licença — ele caminhou até a porta —, pode se retirar, porque estou muito ocupado!
 — Diretor! — arregalei os olhos. Ele estava me mandando embora?
 — Aluna, eu estou ocupado!
 Bufei e saí, batendo os pés. Aquilo não iria ficar assim.

Nick's POV.

 Terminei de fazer a prova e minha cabeça estava literalmente explodindo. Eu tinha dúvidas sobre várias questões, mas não queria revisar minha prova novamente, pois o tempo já estava se esgotando e se eu ficasse mais tempo naquela sala iria desmaiar. Odiava ser o último, eu ficava muito nervoso e não conseguia fazer nada. Avisei aos superintendentes que havia terminado e fui para a porta, mas por último dei uma olhada em Miley, que estava sentada em um canto da sala. Sussurrei um "boa sorte" e saí, respirando um ar puro.
 Quando botei meus pés para fora da sala, rapidamente vi uma garota correndo na direção oposta, no sentido do salão principal. Juntei as sobrancelhas, confuso. Balancei a cabeça e me virei para o mesmo lado, começando a andar, quando trombo com alguém sem querer.
 Era um garoto. Ele era alto e meio magro, com um cabelo estiloso louro cor de bronze, e pela sua blusa de mangas dava pra ver sua enorme tatuagem no braço esquerdo. Ele carregava alguns livros na mãos, que foram para o chão quando nos esbarramos.
 — Ah, pelo amor de Deus, você não olha por onde anda? — ele murmurou, me encarando enquanto pegava seus livros.
 — Desculpe, eu não te vi. — balancei a cabeça.
 — Se você não enxerga é melhor você ir pra uma escola de cegos, ta bom? — ele se levantou com seus livros novamente na mãos.
 Eu não pensei muito no que aconteceu em seguida. Só sei que em mínimas palavras ele tinha me deixado nervoso.
 — Escuta aqui, garoto! Tá pensando o que? — peguei na gola de sua camisa, me aproximando dele.
 — Quem você pensa que é?!
 — Sou eu que vou quebrar a sua cara se aparecer na minha frente de novo! Ta entendendo?
 Ele bufou e se soltou de mim ligeiramente.
 — Tomara que não passe na prova. — agarrou seus livros e saiu de perto de mim.
 Um peso me invadiu. O que eu estava fazendo? Agora eu iria me meter em brigas? Que ótimo, eu nem tinha entrado na escola ainda. Belo exemplo, Nick. Assim que você quer que eu as coisas dão certo? Meio difícil, colega. Eu suspirei e voltei a caminhar para o corredor principal.
 Haviam algumas pessoas circulando por ali, o que foi mais fácil pra mim. Eu agendava em minha cabeça um tempo para fazer um tour por aquela escola gigantesca, mas não agora. Agora eu tinha apenas que saber informações básicas. Encontrei com um dos bolsistas que havia terminado a prova no mesmo tempo do que eu e paramos para conversar no meio do corredor, de como estavam as provas e essas coisas.
 O corredor começou a encher aos poucos. Me interagi tanto na conversa com ele que, quando ele se despediu para comer alguma coisa, eu me vi quase no meio de uma multidão. Rolei os olhos pelo ambiente e eu a vi.
 Vi uma garota parada perto dos armários. Eu não sei se estava louco, mas quando mirei meus olhos nela, a mesma revirou o rosto, como se estivesse olhando pra mim o tempo todo. Eu a olhei novamente. Ela lentamente foi olhando para mim de novo, e em uma fração de segundos eu senti meu coração dar uma palpitação.
 Ela era linda. Tinha cabelos castanhos longos e ondulados, uma boquinha de cereja, olhos redondos e castanhos perfeitos... Era magra e esbelta e tinha um perfeito rosto de anjo. Eu paralisei na mesma hora. Juro que nunca me hipnotizei com uma garota assim.
 Ela parecia nervosa com algo e eu poderia estar louco, mas jurava que ela olhava pra mim. Sim, olhava diretamente pra mim. Eu não sabia ler o seu olhar, mas não conseguia parar de olhá-la. Era incrível.
 De repente ela pareceu "acordar" de um transe e se virou, indo embora por um dos corredores. Eu acordei e suspirei, me perguntando o que havia acabado de acontecer.

domingo, 21 de julho de 2013

Episódio 11 - Almost Home

"Chora não, menina boba." — Tati Bernardi.
Sala da direção
Academia Yancy
Nova York

 — Senhor diretor, minha família mora muito longe daqui. — Nick suspirou, se sentando na cadeira de couro em frente a Ethan, já quase desistindo — Olha, eu entendo que nessa escola tem muitos filhos de estrangeiros e diplomatas, porque não podemos fazer...
 — Olha, rapaz, não insista! — interrompeu Ethan, parecendo impaciente — Eu não posso aceitar a inscrição de nenhum aluno sem prévia entrevista com os pais do aluno ou os tutores do aluno.
 Nick apertou os olhos, ele mesmo começando a ficar impaciente. Tentou pensar em um plano rápido, mas foi impossível. O que poderia fazer em uma situação daquelas? Fora de cogitação tocar no nome de sua mãe.
 Ethan encarou Nick, se perguntando quando ele finalmente sumiria de sua sala.
 — Me dá licença, rapaz? Por favor? — pediu o mesmo, pegando sua xícara de café — Além disso, vejo aqui em sua inscrição que seu pai é falecido, não é?
 Nick o olhou bem cético, alegando em seu próprio olhar que aquele era um assunto proibido.
 — Ou então a sua mãe é a responsável. — Ethan deu de ombros — Eu preciso...
 Ethan parou de falar com uma batida na porta.
 — Senhor diretor — Emma entrou na sala. — Está aqui fora a responsável pelo candidato Nick Jonas.
 O coração de Nick disparou. O que? Como assim? Responsável? Ele não tinha responsável, e não havia avisado a ninguém. Nick gelou ao pensar em sua mãe, em como ela havia descoberto que ele estava tentando entrar na Academia Yancy, e não em uma universidade, como havia prometido.
 — Pode entrar. — Disse Emma.
 Abigail entrou trotando pela porta. Nick a olhou confuso e assustado, e todas as alternativas sobre sua mãe foram descartadas na hora.
 — Seu idiota, você fugiu de mim! — Abigail gritou, puxando os cabelos de Nick. O garoto gemeu, não entendendo nada.
 — Senhora, senhora! — Gritou Ethan, fazendo Abigail o olhar. — Espera, a senhora não é a tia da candidata Cyrus?
 — Sim, e madrinha desse bandido que quer aprontar mais uma! — Rosnou para Nick. — É que a mãe dele e eu somos, como posso dizer... Irmãs. Mas é que o Nick insiste em entrar e eu... Am... Ele quer ficar junto da Miley. Quer ter certeza de que ela terá boa educação. — Notava-se seu nervosismo.
 — Espera aí, perdão, mas eu não estou entendendo. — Ethan juntou as sobrancelhas. — O problema não é esse. O problema é que eu preciso de uma autorização legal assinada pela mãe desse rapaz pra eu poder dar entrada na inscrição dele.
 — Ah, não se preocupe com isso! — Abigail sorriu. — Eu vou trazer assim que ela mandar. Mas por favor, deixa que ele faça a prova. Se não o Nickzinho vai se atrasar e vai perder o ano, eu sei que o senhor é um homem muito bom...
 Nick não disse nada. Continuava mudo, apenas observando o que Abigail tentava fazer. Seu coração batia mais acelerado ao ver que ela conseguia convencer o diretor.

Dormitório das meninas / Selena's Room
Academia Yancy
Nova York

 Demi literalmente estava infernizando as garotas. Ela quebrava as coisas e fazia uma zona no quarto. Bagunçou a cama de Selena e jogou suas maquiagens no chão, fazendo Selena ficar louca e querer matá-la. Ela fez uma grande zona no guarda-roupa de Ava, que foi uma grande loucura, pois não havia nada de mais importante para Ava do que aquilo. Isabella já estava com ódio o bastante de Demi para ajudar as amigas a "acabarem com ela". Demi com certeza era um problema no meio das 'populares' e parecia fazer de propósito. Ela queria fazer de propósito.

Corredor
Academia Yancy
Nova York

 — Então faremos assim: você falsifica a carta da sua mãe, e eu consigo que alguma pessoa assine para que tenha valor. — Abigail sussurrava para Nick fora da sala da direção.
 O garoto deu um sorriso fraco.
 — Olha, obrigado pelo que está fazendo por mim. Se arriscar assim por um estranho é muito difícil, obrigado.
 — Eu sou assim, meu filho. Nem me lembre, porque eu volto atrás. Porque não é uma coisa muito correta.
 — Não, não, que isso. — Nick deu de ombros.
 — Além disso, não pense que vai sair de graça. — Ela sorriu.
 Nick bufou, sentindo um peso em suas costas.
 — Pode dizer.
 — O único favor que eu quero pedir é que... Cuide da Miley. — Abigail suspirou, olhando bem nos olhos de Nick. — Sabe, ela é uma boa menina. É muito inocente, e eu quero que você a proteja. Não deixe que ninguém faça nada a ela.
 — Não se preocupe. — Nick falou baixo, o pedido o pegando de surpresa. — Vou ser como o irmão mais velho da Miley. Não vou deixar que nada aconteça a ela.
 — Ah, não sabe a tranquilidade, que peso você tirou da minha consciência! Não imagina! — Abraçou Nick em um rompante, seus olhos começando a ficar marejados. Quando pensava em Miley, sempre pensava com preocupação, como se não soubesse como deixá-la sozinha no mundo, com medo de que a machucassem. Nick a abraçou, de repente sentindo essa mesma preocupação se transferindo para ele.

Dormitório das meninas / Selena's Room
Academia Yancy
Nova York

 — Não aguento mais, eu preciso de ar! — Bufou Selena, saindo do quarto com as amigas. — Que horror, essa menina é um atentado contra o bom gosto.
 As três riram.
 — De onde ela tira tanta porcaria? — falou Isabella.
 — Do lixo, de onde mais? — riu Ava.
 — Eu não sei, mas eu não suporto ela, vou ter um treco, preciso de ar! — Selena bufou.
 — Oi, e aí? — uma garota loira com uma touca falou Selena, Isabella e Ava. As três a olharam confusas. — Tudo bem?
 As três olharam, de repente formando um sorriso.
 — Estamos super bem, e você? — responderam em coro, como em uma 'coreografia'.
 Madison as olhou estática. Claro que achou aquilo ridículo.
 — Hmm... Aqui é o quarto das meninas? — perguntou ela, tentando tirar a imagem anterior de sua cabeça.
 — É... Você é nova? — Isabella a olhou de cima a baixo, reparando em suas roupas surradas.
 — Sim, meu nome é Madison. — fez o mesmo toque de mãos em Isabella, mas a garota também não conhecia aquela arte.
 — Vem cá, você é bolsista, não é? — perguntou Selena.
 — Como é você sabe?
 — Bom, olha, não é difícil notar, as suas roupas e o seu cabelo são um pouquinho radicais. Mas não se preocupe, nada que Selena Gomez, especialista em produção visual não possa resolver.
 As meninas sorriram. Madison as olhou com completo... Nojo. Na verdade, ela não esperava encontrar isso quando pisasse naquela escola. Esperava encontrar pessoas legais e gente desinterassada.
 Mal podia ver que estava super enganada.
 — Mas se você é bolsista, não devia estar fazendo a prova? — perguntou Isabella.
 — Hm, não. Eu vim pra cá como bolsista atleta.
 — E o que é isso? — Ava perguntou.
 — É que eu pratico taekwoundo e acho que quando tiver um intercolegial eu vou representar o colégio. — deu de ombros.
 — Não, não. — Selena balançou a cabeça — A Academia Yancy jamais participa dos intercolegiais. Ainda mais nesse negócio aí de taekwondo, eu acho que você errou de escola.
 Madison as olhou confusa. Não sabia o que pensar naquele momento, mas desejou sair de perto daquelas três antes que ficasse louca.
 — Ta bom, eu vou te mostrar o seu quarto, as bolsistas ficam pra lá. — falou Isabella, começando a andar pelo corredor — Vamos, meninas.

 — Olha, esse quarto aqui está disponível. — Isabella entrou no quarto — Pode escolher qualquer lugar e decorar como você quiser.
 — Ah é, como o nosso! — Selena sorriu, se sentando em uma poltrona vermelha — O nosso quarto foi todo decorado pelo Aiden Thomas, meu decorador. Ficou lindo, você nem imagina. Ele deixou cada uma com o seu estilo divino. O único mal é que agora chegou uma ignorante chamada Demi. — Selena torceu o nariz — E estragou tudo, todo o trabalho que fizemos em meses. Juro que me deu vontade de vomitar vendo as coisas que ela trouxe. Bom, eu digo isso porque sou super sensível e você ainda não me conhece.
 — Ai, que nojo, uma mosca! — falou Ava, parecendo abafar o ar.
 Madison ainda as olhava confusa, como se aquelas garotas não fossem reais. Não tinham nada a ver com ela, e já começava a não suportá-las.
 — Hmm, eu vou pegar a minha mala. — falou ela, indo até a porta.
 — Eu te ajudo. — Isabella foi atrás dela.
 — Tem moscas nesse quarto?! — Selena sussurrou para Ava, com cara de nojo.
 — Ah, que nojo isso, fala sério!
 — Ai! — Isabella bufou, largando a mala de Madison no chão. — Tem algo que quebre aí?
 — Não sei, fizeram a minha mala no orfanato. — Deu de ombros.
 — Espera aí, você veio de um orfanato? — Isabella arregalou os olhos.
 — É, algum problema? — ergueu as sobrancelhas.
 — Não, é porque aqui isso não é comum. — Ava sorriu forçado.
 — Me desculpe, mas eu nunca vi uma órfã ao vivo... Como é ser órfã? — Selena a encarou como se fosse ouro.
 — Deve ser super deprimente, não é? — Isabella falou, olhando para Madison com pena.
 — Pior que não, lá se aprende muito. Uma das coisas que eu aprendi lá é: destruir tudo que te incomoda. — Lançou um olhar mortal para as três.

Campus de golfe
Academia Yancy
Nova York
Joe's POV

 Bom, eu não fui pra casa após sair do hospital, como podem ver. Ainda tinha que realizar os temerosos trabalhos voluntários, coisa que com certeza não era pra mim. Eu estava odiando aquilo, não tinha nada pior, eu deveria estar em casa descansando bastante e ser mimado pelos meus empregados, poxa, eu acabei de sofrer um acidente!
 Mas o senhor Collins tampouco pensava desse jeito.
 Ele teve prazer em ir até meu quarto no hospital para jogar na minha cara que havia feito uma denúncia contra mim sobre o acidente. Tudo bem, eu vacilei, eu admito, mas ele é meu pai. Será que qualquer outro pai faria isso com o filho? Não consigo nem imaginar, ele me dá nos nervos, apesar de eu sempre afastar esse sentimento de mim. Ele me deixa nervoso e com ele não posso dizer sequer o que quero e o que penso sobre nenhum assunto. Ás vezes me espelho nele, mas na maioria das vezes eu o desejo longe da minha frente e da minha vida.
 Saí do meu quarto e fui para o campus de golfe, entrei em um carrinho e aproveitei para ligar para Jacob. Contar as "novidades":
 — Pois é, Jacob, o juíz mandou fazer trabalho voluntário numa cidadezinha... Juro que preferia morrer. — Balancei a cabeça, afastando tais pensamentos. — Aposto que foi ideia do meu pai. Não me deixa sozinho nessa, ok? Ta bom, tchau.
 Desliguei o telefone, já voltando a sentir a mesma repulsa de antes. Eu estava atordoado com toda aquela situação, estava fora de cogitação eu, Joe Collins, passar o verão inteiro trabalhando. Qual é, eu nunca nem lavei um prato em casa, agora terei que trabalhar para outras pessoas? Foram só maconha e bebidas, ok? Porra, foi só uma mancadinha!
 Ainda continuava rodando pelo campus com o carrinho, passei pelas líderes de torcida fazendo alongamentos no gramado, as quais acenaram para mim alegres e sorrindo. Assanhadas. Me adoravam, eram loucas pra transar comigo, e eu já havia pegado metade. Assim como metade dessa escola.
 Quem pode, pode.

Selena Gomez's POV

 Aquela Madison me assustou, eu não vou negar. Depois das últimas palavras que ela me lançou, eu e as meninas demos uma desculpa para sairmos correndo daquele quarto o quanto antes. Até tinha passado pela minha cabeça que eu poderia ajudá-la aqui, mas logo descartei. Não gosto de trabalhos difíceis, muito menos de cobaias difíceis. Se quer ficar do jeito que está, que fique. Eu, Ava e Isabella saímos daquele quarto, indo direto para o campus de golfe.
 Ao chegar lá, pegamos um carrinho e nos amontoamos em cima dele, eu e Ava na frente e Isabella atrás. Conversávamos sobre assuntos recorrentes quando cruzamos com o carrinho de Joe a nossa frente, o qual havia acabado de azarar simultaneamente várias líderes de torcida atrás dele. Eu automaticamente dei um sorrisinho cínico pra ele. Eu já estava ligada na mega confusão que ele havia se metido, aliás, quem não sabia?
 Joe parou o carro a minha frente, me fazendo parar também. Nós dois nos encaramos.
 — Joezinho! — Falei, sorrindo. — Suas férias foram curtas, não é?
 Ele riu, balançando a cabeça.
 — Olha só quem fala. Você nem saiu daqui, gatinha.
 Ele piscou para mim, e depois arrancou com o carrinho, dando de ré e virando na direção oposta. Fiquei estática em meu lugar. Como assim? Ele é apenas Joe Collins. Apesar de ele ter dito a verdade, eu não aceitava ouvir aquilo dele, não mesmo.
 — Hahaha. — Ri irônica, não achando graça nenhuma.
 Ele deu uma última olhada para nós e saiu de vez, sem olhar pra trás. Já vai tarde.
 — Vem cá, porque você trata ele assim? — Perguntou Ava de repente. — Eu acho que você está afim dele.
 — Mas é claro que não. — Nós duas rimos, eu achando completamente sem nexo o que ela acabara de dizer. — Sabe, Ava, ele é um gato, mas não faz o meu tipo. E ficar com ele? Fala sério!
 Ela me avaliou, parecendo querer entrar da minha cabeça para ver se eu estava falando a verdade.
 — Bom... — disse ela.
 — Bom o que? — perguntei.
 — Eu já volto! — ela deu um gritinho, saindo do carrinho rapidamente e correndo para onde Joe havia partido.
 Eu ri e a olhei, meio perplexa, mas não assustada. Joe seria o novo alvo de Ava, isso eu já esperava para esse ano.
 — Ah, vai pedir carona pra ele, vai? — eu ri, vendo ela correr empolgada.
 — Ei, por favor! — ouvi ela dizer para um garoto que estava de bobeira parado em um carrinho. — Pode me dar uma caroninha até lá em cima?
 O garoto apenas sorriu e ela subiu em seu banco carona, o carro arrancando para frente. Que esse garoto não queira nada em troca, por favor. Ava era louca, era capaz de aceitar para não ficar mal na fita. Apenas balancei a cabeça e Isabella se sentou ao meu lado, no antigo lugar de Ava.
 — Amiga, fiquei pensando muito no que a Ava disse. — falou Isabella.
 — O que?
 — Que você e o Joe seriam o casal ideal. Os dois são iguais. — ela sorriu, parecendo sonhar com esse dia.
 Eu ri. Na verdade, gargalhei. Não era possível. Onde que eu e Joe éramos "perfeitos um pro outro"? Nunca, né? Contem outra, o garoto é um bebêzão e fica com todas as meninas do colégio. Um namoro dele deve durar o que? 1 semana? E olhe lá...
 — Ah, Isabella, por favor! — bufei, rindo. — Sério, não tem nada a ver. Você pensa umas merdas muito grandes, mas tudo bem.
 Ela revirou os olhos, parecendo não mudar de ideia.
 — Viu a Ava? Ela perde a linha, saiu voando atrás do Joe. É só aparecer um menino que ela vai correndo atrás.
 — Ai, não começa, não critica, ela é nossa amiga, lembra? — levantei as sobrancelhas.
 — É óbvio, eu sei que ela é nossa amiga, mas isso vai ficar entre a gente, ta? Olha, você não vai negar que ela é super atiradinha com os meninos. — deu de ombros.
 Eu ri. Na verdade, foi a única coisa que eu encontrei naquele momento.
 — Isabella, para! — falei. — Já chega. O problema é que a Ava tem que ser boazinha porque todos os meninos querem ficar com ela. Tem que ser como eu, não os trato mal, mas eu parto o coração deles.
 Ela bufou.
 — Você é legal, mas eu acho ela muito oferecida!
 — Sério?
 — Por isso que eles te procuram tanto.
 — Ta bom, chega de criticar. O que eu ia te dizer a 5 minutos é que eu tenho que ir falar com o diretor, por isso querida, me dá uns minutinhos, vai lá.
 "Expulsei" Isabella do carrinho, mandando um beijinho no ar. Logo mais, saí com o carrinho, direto para a sala do diretor. Haviam assuntos importantes a tratar com ele, muito importantes.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Episódio 10 - Fabulous

"Não sei que coração é esse, que te chama por horas e horas, mas que se cala quando você chega. Como te querer se não sei como querer. Como te amar se nem sei se você me ama." — Caio Augusto Leite.
Avenida Begrs Street
Nova York

"Ok, pode parar aqui." — Logan se manifestou no carro — "Daqui eu vou sozinho."
"Porque, filho? Falta tão pouco." — disse seu pai.
"Eu sei, pai, mas eu não sou mais uma criança pra você me deixar em frente a escola."
 Seus pais suspiraram e pararam a uma distância mínima da Academia Yancy, enquanto Logan se atirava para fora da caminhonete Hi-Lux, pegando apenas sua mala preta de rodinhas e começando a caminhar.
"Filho, espera!" — sua mãe gritou, o fazendo parar de má vontade — "Sabe o que é? Eu gostaria de conhecer seus colegas. O seu quarto, o refeitório..."
"Ok, mãe, mas não vai dar. E também não quero que venham me visitar nos fins de semana. Quando der eu visito vocês." — deu de ombros.
"Mas nós achamos importante visitar você aqui." — sua mãe sorriu.
"Tudo bem, tudo bem." — seu pai cortou a conversa, dando um riso forçado — "Ele é assim." — abraçou Logan, fazendo o garoto executar uma careta de mal gosto — "Sabe, eu sinto muito orgulho de um filho de um simples açougueiro, de gente do campo, chegou ao melhor colégio do país. Sabe, filho, você vai chegar mais longe do que eu."
 Logan revirou os olhos, completamente entediado.
"Desde que seja um homem bom e trabalhador como você." — os pais se olharam — "Porque é o que eu quero."
"Tudo bem, mulher. Ele quer ser mais do que eu..."
"Mas porque ser mais? Além disso, ele pode continuar com o negócio do açougue. Nós conseguimos juntar mais do que jamais sonhamos."
"Ok, chega!" — gritou Logan — "Já chega, ok? Não vai começar agora com aquela história de miséria, que um dia ficamos ricos e blá blá blá." — ele bufou.
"Tudo bem, filho." — seu pai sussurrou — "Boa sorte. Trouxe tudo?"
"Sim, pai." — respondeu Logan, morrendo de vontade de vê-los longe.
"Aqui, filho. A medalinha do seu batismo." — sua mãe colocou um cordão de prata em seu pescoço — "Ande sempre com ela."
"Obrigado... Agora vão." — Logan bufou, e dessa vez seguiu em frente para a Academia.

Queens
Nova York

"E depois o meu pai morreu." — completou Nick, com o olhar distante, enquanto ele, Abigail e Miley estavam sentados, ainda esperando o ônibus.
"Coitado." — Miley suspirou — "E morreu de que?"
"Ele já estava doente." — Nick deu de ombros.
"Puxa..." — Abigail suspirou, observando Nick.
"Na verdade, o sonho dele era que eu entrasse pra essa escola, por isso eu vim." — Nick mentiu, rolando os olhos. Era a primeira vez que mentia daquele jeito em voz alta.
"Vai ser difícil." — falou Abigail — "Nessa escola é tudo complicado. Não pense que vai ser tão fácil entrar."
"Mas... Eu posso falsificar a assinatura da minha mãe..."
"Como vai falsificar a assinatura da sua mãe, garoto? Te expulsam! Não, aqui é tudo cheio de regras!" — ela bufou — "O que eu quero dizer é o seguinte, precisa de alguém que se responsabilize por você. Que fale por você, que o defenda, entendeu?"
"Mas esse é o sonho da minha vida inteira. É quase meu projeto de vida, entrar pra essa escola..." — Nick imaginava se não estaria exagerando demais.
"Você vai entrar, eu tenho certeza." — Miley sorriu, encorajando-o.
"Não, você vai entrar, eu tenho certeza."

Centro Médico Chapon Hill
Nova York

"Venha, filho." — a mãe de Joe puxou o garoto pelas mãos enquanto terminava de colocar suas roupas normais. Joe estava com a cara mais abatida de todas. Não dormia direito havia dias e sua cabeça ainda doía com o curativo acima da sobrancelha.
"Eu estou bem, mãe." — Joe falou baixo, ainda sentindo dores.
"Vejo que se recuperou perfeitamente, Joe." — o diretor Ethan entrou pela porta do quarto, o que causou ainda mais dores de cabeça em Joe.
"Senhor diretor, me desculpe." — falou Joe — "Eu sei que vacilei. Acho que dessa vez a situação é um pouco delicada, não é?"
"É..." — Ethan deu de ombros.
"Mas não está pensando em me expulsar, não é?"
"Bom, eu devia, Joe, mas falei com o seu pai e considerando que todos os seus irmãos passaram pelo nosso colégio, vamos considerá-lo como um caso especial." — Ethan sorriu e Joe o olhou confuso — "E tem mais, eu falei com o juíz e não precisará ser processado. Isso não significa que não terá uma punição."
"Ah, muito obrigada!" — falou a mãe de Joe, sorrindo como sempre — "Que consideração. Agradeça a ele, Joezinho." — deu uma cutucada em Joe.
"Obrigado. Qual é a punição?"
"Está aqui, especificado." — Ethan tirou do bolso do terno alguns papeis — "E você vai realizar trabalhos voluntários. E não se preocupe, vai ser na cidade, perto do nosso clube de férias. Mas fique sabendo que vai ter um inspetor vigiando você."
"É por isso que eu adoro a sua escola!" — a mulher riu, pegando no braço de Ethan e o encaminhando para fora do quarto.
"Senhora, por favor..." — Ethan ria nervoso.
"É tão encantador..."
"Nós temos prazer em poder ajudá-lo." — sorriu.

Área da piscina
Academia Yancy
Nova York

"Oi, gatinha!" — gritou Logan ao ver uma loirinha baixa andando em sua frente. A garota o olhou, parecendo confusa — "E aí, posso te ajudar em alguma coisa? Eu já vi que você é nova aqui, e sei lá... Logan Lerman." — estendeu a mão.
"Eu sou Madison Taylor." — fez um toque de mãos com Logan, e o garoto a olhou cético. Só agora havia percebido algo 'macho' na garota.
"Hmm, Madison Taylor..." — ele analisou-a — "É que... Combina com seus olhos." — Madison riu — "Então, você é bolsista aqui? Veio fazer a prova?"
"Não, pra mim não disseram nada."
 Em algum canto da piscina, no meio da confusão entre os jogadores que praticavam volleyboll na água, a bola escapou dentre as mãos de alguma pessoa, fazendo a bola correr pelo teto e bater em Madison, na parte de seus seios. A garota soltou um gemido de dor e as pessoas na piscina a olharam preocupados. Não com ela, claro, mas se ela devolveria a bola numa boa.
 Madison os olhou com raiva. Logan apenas revirou os olhos, se fazendo de desentendido, como se não estivesse presente naquele momento. Madison pegou a bola do chão.
 — Quem foi o idiota? — A garota gritou, olhando para as pessoas na piscina.
 Ninguém soltou um pio. Ela bufou e em menos de 1 segundo, jogou a bola pra cima, chutando-a em seguida, com uma força extraordinária. O queixo de Logan caiu. Ele e todos acompanharam enquanto a bola voava pela quadra, por cima da piscina. E todos olharam com medo até ver que a bola ia em direção a um homem descendo as escadas, há uma distância significante da quadra. Não deu outra, a bola bateu em seu braço, dando um estalo.
 — O que aconteceu, Daniel? — Gritou o homem, massageando seu braço onde fora atingido, saindo em seguida batendo os pés.
 Daniel Anderson era o professor de educação física, presente na quadra naquele momento, e não soube o que dizer naquele momento. Não podia dizer nada, ainda olhava perplexo para Madison, assim como os outros.
 — Nada mal. — Logan comentou após as pessoas terem "acordado" e voltado para suas atividades. — Eu aposto que você quer ajuda com a sua mala, não é? O que é isso aqui? Seu tapete de alongamento? — Ele riu, enquanto pegava a mala de Madison.
 Os braços de Logan queimaram. Pareciam haver pedras na mala da garota. Logan soltou um gemido gutural enquanto tentava levantar a mala, e Madison apenas soltou um sorriso.
 — Vamos lá? — Ela riu e começou a caminhar para dentro da escola, sendo seguida pelo andar devagar de Logan.

Dormitório das meninas / Selena's Room
Academia Yancy
Nova York

 — Eu não voltei só por você, Selena, eu voltei também porque eu não suportava mais a minha mãe e o imbecil do meu irmão. — Ava bufou enquanto Selena passava pó em seu rosto. — Só porque o meu pai saiu de casa, ele se acha o dono de tudo.
 — Soube mais alguma coisa dele?
 — Não. Ele se divorciou da minha mãe, se divorciou de todos.
 — Vocês já viram os alunos novos? — Perguntou Isabella enquanto descia as escadas do dormitório gigante.
 — São uns idiotas... — Murmurou Ava.
 — Tadinhos, pareciam que estavam entrando no matadouro. — Isabella riu.
 — Você já está prontinha. — Selena disse á Ava enquanto guardava um pouco de suas maquiagens. Ava agradeceu murmurando um "obrigada". — Olha, eu nem tive vontade de sair do meu quarto. Já basta ter visto aquela menina... — Selena descia as escadas, indo ao encontro de Isabella. — Sabe o que eu descobri? Que ela é filha de uma artista...
 — Gente, eu vi ela em uma revista, eu achei ela bem bonita. — Ava se levantou do espelho, indo ao encontro das amigas.
 Selena bufou.
 — Ava, acorda! Por favor, nas revistas eles retocam as fotos no computador. — ela se jogou em sua cama — Você precisa vê-la pessoalmente, não é? Conta pra ela, Isabella!
 — Então me contem, eu quero saber. — Ava se sentou em sua cama, e Isabella soltou uma risada.
 — Parece uma árvore de natal com as luzes piscando, é horrível. — Selena contou, fazendo as três rirem. Ava murmurava palavras como "Ah não, não acredito..."
 — E a filha? — perguntou Ava.
 — A filha? Não, a filha é a pior de todas! É a mais idiota que eu já vi na minha vida! — Selena gesticulava com os braços.
 — Espera, me conta aí. — pediu Ava.
 — Não, espera, ela tem um cabelo loiro com umas mexas verdes...
 — Azuis! — corrigiu Isabella.
 — São azuis também? — Selena riu. — São azuis, roxas, sei lá...
 Naquele momento, a porta se abriu bruscamente. Demi chutou suas malas para dentro do quarto, fazendo um silêncio reinar naquele momento. A garota entrou a passos largos, não se importando com as meninas ali.
 — É exatamente desse jeito. — Selena resmungou — Escuta, menina, acho que você se enganou, porque a saída fica por aquele lado. — apontou para um lado distante do quarto.
 — Ah, não me diga! — Demi sorriu irônicamente. — Então me desculpe, pois eu vim pra ficar aqui, bonequinha. — Mexeu nos cabelos de Selena.
 — Mas você me disse que não ia ficar...
 — Pois é, mas eu mudei de ideia. — Demi pulou de joelhos na cama de Selena — Porque eu gostei muito da escola e então... Eu vou ficar aqui. — Sorriu.
 Selena a olhou com nojo e desprezo, e também um pouco de preocupação. Não sabia porque, mas já sentia que Demi iria ser um problema pra ela.
 — Essa escola não tem nada a ver com você! — Isabella disse, se levantando.
 Demi a olhou com graça, dando um enorme sorriso de deboche.
 — É mesmo? — Ela se levantou, ficando em pé na cama de Selena. — Poxa, mas que inteligente você é.
 — Não na minha cama! — Selena gritou ao ver Demi em pé.
 — Deixa eu te perguntar, além de falar, você também sabe fazer piruetas? Como todos as baleias? — Demi falou para Isabella, ignorando a existência de Selena completamente.
 Ava levou a mão á boca, chocada com o comentário de Demi. Selena baixou os olhos, seu peito pareceu se apertar. Isabella a encarou, sua garganta se fechando, como se não houvesse o que dizer naquele momento.
 Isabella era a típica pessoa que estava acima do peso. Isso seria normal, se ela não fosse uma das meninas mais populares da escola. Se sentia completamente fora do mundo comum pelo motivo de não estar no patamar do "corpo perfeito", e se tinha alguma coisa que a machucava era caçoar disso.

Salão principal
Academia Yancy
Nova York

 — Os que entregaram a solicitação podem passar para a sala para fazerem a prova. Só os candidatos! — Anunciou Emma para a aglomeração de pais e filhos na Academia.
 Nick e Miley se levantaram em um sobressalto, assim como um montante de alunos. Todos pareciam mais nervosos do que o comum, pareciam estarem se decidindo ali na hora se iam ou não. Dava pra ver o pânico nos olhos deles.
 Um a um, os candidatos iam até a mesa de Emma e colocavam a solicitação preenchida, como devia ser. Suas mãos tremiam, sem querer exagerar. Eles estavam mesmo nervosos. Miley rapidamente entregou nas mãos de Emma e caminhou até a sala, parecendo suar frio.
 Nick se encaminhou para a mesa de Emma, colocou sua solicitação e já foi seguindo para a sala, quando:
 — Jonas! — chamou Emma, fazendo Nick se virar novamente — Você não.
 Nick a olhou confuso e ao mesmo tempo perplexo. Abigail e Miley pararam para ver ao longe, também confusas.
 — Não o que? — perguntou ele.
 — Você não pode fazer a prova. — ela deu de ombros.
 — Mas porque?
 — O diretor não falou com os seus pais. Eles vieram com você?
 A cabeça de Nick queimou. Seus pais? Não havia coisa pior para pedir a ele naquele momento. Estava fora de cogitação envolver seus pais naquilo. Ele respirou bem fundo.
 — Não. — respondeu.
 — Então você não vai poder fazer a prova, eu lamento. — Emma deu de ombros.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Episódio 9 - I Believe

"Dizem por ai, mas não tenho certeza, que meu sorriso fica mais feliz quando te vejo, dizem também que meus olhos brilham, dizem também que é amor, mas isso sim é certeza." — Dom Casmurro.
Nova York

"Pai, eu..." — Joe tentou começar, mas as palavras lhe faltavam. Ele estava com mais medo do que nunca esteve.
"Você faz de tudo pra me destruir." — disse Michael, com seu tom frio e arrogante de sempre — "O que a oposição não conseguiu fazer em anos, você quase conseguiu em um dia." — ele bufou, dando passos até Joe — "Me diga uma coisa, filho, qual é o seu plano? Quer me arrasar? Porque você não aprende com os seus irmãos mais velhos? Eles são mil vezes melhores do que você! Você não pensa na minha imagem pública, não é verdade? Não se importa se ficam falando do seu pai por aí, pelas ruas, em todos os lugares..."
"Pai, por favor, deixa eu falar..." — Joe balançou a cabeça.
"Não, eu não vim pra escutar você! Eu vim pra falar. Eu vim dizer que se você pensa que por ser meu filho vai poder fazer o que você quiser..." — Michael balançou a cabeça, parecendo indignado — "Filho, você está muito enganado. Dessa vez eu não pretendo salvar você. Você foi longe demais, podia ter matado todo mundo!" — Joe abaixou a cabeça, as palavras de seu pai pareciam ser marteladas no cérebro dele — "Você destruiu um carro..."
"Pai..."
"Você destruiu um carro, não é verdade?!"
"Eu vou pagar por tudo, pai, eu juro."
"Não." — Michael soltou uma risada irônica — "A minha confiança não tem preço."
"Nunca teve confiança em mim, não é? Tudo que vê em mim é ruim, pai."
"E tem alguma coisa boa?" — ele levantou as sobrancelhas e Joe sentiu os joelhos vacilarem. Ele não queria escutar mais nada — "Eu vim trazer isso." — Michael retirou uma folha de papel do paletó que usava.
"O que é isso?"
"É uma entimação." — ele estendeu a folha para Joe. O garoto arregalou os olhos.
"Quem fez a denúncia? As garotas?"
"Não... Eu fiz."
 Joe olhou para o pai, com uma expressão de choque e desamparo. Seu pai estava transformando aquela situação na mais infernal de todas. Seu coração pareceu apertar, e de repente ele se tocou de que não sabia do que seu pai era capaz.
"Você?!" — Joe arregalava os olhos chocado.
"A mídia me persegue. Eu tenho que dar alguma coisa." — ele deu de ombros, parecendo completamente satisfeito.
"Ah, claro." — Joe deu uma risada irônica — "Agora eu entendo. O político exemplar quer entregar a cabeça do filho. Maior sacrifício do que esse impossível, não é?"
"Não é assustador que tenha tanta inteligência. Você que não a use, filho." — deu um olhar duro para Joe e saiu, acendendo mais um de seus inseparáveis charutos.
"Pai, espera!" — Joe gritou, mas o pai já havia ido — "É, estou com um pouco de dor de cabeça. Obrigado por perguntar..." — falou a si mesmo.

Highland PS
Nova York

"48, 49, 50, 51..." — Selena arfava enquanto levantava mais um peso no meio do quarto. Não era a primeira vez que se sentia tão entediada a ponto de malhar ali, no quarto mesmo — "Selena!" — ela gritou a si mesma, largando os pesinhos e se olhando no enorme espelho que pegava do chão ao teto — "Selena, o que é isso? Que gordurinha é essa? Não pode ser! Droga! Porque tudo tem que acontecer comigo?!" — ela choramingou enquanto apertava sua barriga em frente ao espelho.
 Selena gemia de indignação ao procurar qualquer tipo de creme nos armários e rezou quantas vezes fosse preciso para que Deus a afastasse das celulites e estrias. A garota ainda se olhava no espelho quando algo escorreu por sua porta. Ela olhou, sem entender no início. Depois viu um pedaço de papel no meio do quarto.
"Quem é?" — gritou ela, mas não obteve resposta. Selena se aproximou e pegou a carta, que estava intitulada como 'Selena Gomez'. Ela rapidamente abriu a porta, mas não viu ninguém, corredor completamente vazio. Ela estranhou e fechou a porta novamente.
"Ah não, e se for um trote? Ou um vírus perigoso?" — ela murmurou, se sentando na cama — "Ou talvez não! Talvez é um menino que quer ficar comigo... E se for aquele gatinho da outra sala?" — ela riu — "Caramba, é muito difícil seu eu! Tenho que ler..." — Selena abriu a carta, com sorrisos involuntários — "Essa caça ao tesouro é pra você. No colégio tem uma coisa que te interessa. Pra encontrar a primeira pista vá ao corredor dos vestiários..."
 Selena parou de ler e não sabia o que fazer. Rapidamente, ela se levantou e saiu pela porta, seguindo para o corredor. Chegando lá, bem em cima dos vestiários, havia plaquinhas onde ela deveria ir. Ela estranhava, pois a escola estava completamente vazia, mas seguia em frente. Depois de ter rodado praticamente a escola toda, ela chegou ao ginásio, que estava completamente escuro e assustador. Selena começou a sentir um medo, pois não via ninguém. E, sem mais nem menos, a garota tropeçou em seus próprio pés e algo caiu em cima dela.
"O QUE É ISSO?!" — Selena berrou ao ver que uma rede caíra em cima da mesma — "QUEM ESTÁ AÍ? EI, QUEM ESTÁ AÍ? ME AJUDA, JÁ CHEGA DISSO!"
 Selena começava a ficar com medo, e não sabia o que fazer. De um canto do ginásio, ela ouviu passos, e de repente duas pessoas apareciam naquele escuro como breu. De repente ela passou do medo para sentir alívio. As duas pessoas eram Isabella e Ava, suas amigas, que viam rindo.
"Calma, amiga!" — disse Ava, rindo, enquanto ela e Isabella tiravam a rede de Selena.
"Suas bobas! Vocês me assustaram!" — Selena estava rindo, estava feliz — "Vem cá, o que estão fazendo aqui? Não estavam de férias?"
"Nós estávamos, mas eu disse pra minha mãe que preferia voltar pro colégio." — Ava deu de ombros.
"Ah, amiga!" — Selena a deu um abraço rápido.
"E é claro que eu inventei pra minha mãe que tinha que estudar algumas matérias." — Isabella sorriu.
"Por isso que eu adoro vocês, porque são as melhores amigas desse mundo! Obrigada por não me deixarem sozinha."
"Como a gente ia te deixar sozinha?" — Isabella riu.
"Não, a gente prefere sofrer com você num martírio." — Ava sorriu.

Queens
Nova York

"É aqui." — Abigail apontou para o logotipo do Highland na figura na parede, avisando que ali era o ponto onde o ônibus do internato passaria — "Essa é a escola, Miley, eu..."
 Abigail foi interrompida por um ser que esbarrou nela enquanto se virava para Miley. Instantaneamente, ela o bateu com a bolsa que segurava, fazendo o garoto se assustar.
"Qual é o problema, senhora?" — Nick gritou, afagando seu braço.
"Como assim qual é o problema? Você me deu o maior susto!" — Abigail bufou.
"Eu só vim esperar o micro ônibus do Highland Private School, sei lá..." — ele suspirou.
"Oh, me desculpe, eu não sabia que você também era aluno daqui, mas... É que de repente aparece qualquer um que a gente não sabe se vai cumprimentar ou roubar." — ela deu de ombros. Nick deu um sorrisinho fraco.
"Sou Nick Jonas." — ele estendeu a mão para elas.
"Sou Abigail." — apertou a mão de Nick.
"Eu sou Miley." — a garota lançou um olhar doce para Nick, que se encantou na mesma hora.
"Pra ser sincera, é muito chato, é que essa cidade você não sabe de onde você é, o que você faz, as coisas são bem difíceis..." — Abigail remexia em sua bolsa enquanto falava.
"Sou da Flórida, mas meus pais moraram aqui há muito tempo." — disse Nick.
"Que legal! Nós somos da Califórnia, mas foi fácil chegar até aqui." — Miley sorriu, fazendo Nick sorrir junto.
"Ah, então vocês já estão acostumadas com a correria dessa cidade..."
"Não, ainda não acostumamos, falta muito." — Abigail riu — "E como você chegou aqui? Da onde você veio?"
"Na verdade, eu estou muito cansado."
"E de que você veio?"
"De ônibus." — Nick deu um sorriso de lado.
"Nossa, tantas horas de ônibus!"
"12."
"Nossa senhora, que isso, deve estar cansadíssimo. Você já comeu?"
"Hm... Não."
"Toma aqui, eu trouxe uns sanduíches de casa, vai servir pra você."
"Ok." — Nick sorriu.

Episódio 8 - 1800 Clap Your Hands

Tenho um segredo pra vocês. Aproximem-se! Não lemos nem escrevemos poesia porque é bonitinho. Lemos e escrevemos poesia porque somos membros da raça humana. E a raça humana está repleta de paixão. E medicina, advocacia, administração, engenharia são objetivos nobres e necessários para manter-se vivo. Mas a poesia, beleza, romance, amor é para isso que nós vivemos. Citando Whitman: “Ó eu! Ó vida! Entre as questões que reaparecem, os intermináveis trens dos desleais, cidades cheias de tolos. O que há de bom entre eles, ó eu? Ó vida? Resposta. Que você está aqui. A vida existe e a identidade. Que essa brincadeira de poder continue e você pode contribuir com um verso.” Qual será o verso de vocês? — Sociedade dos poetas mortos.

 Salão Mystic Sal's
Califórnia

"Ah, quando conhecer o colégio não vai acreditar, parece até um hotel de 5 estrelas." — falou a tia de Miley enquanto penteava os cabelos da sobrinha — "Os quartos são como suítes presidenciais, lindos!"
"Tia, e se não me aceitarem? O que vai acontecer? O que eu vou fazer se eu não entrar pra esse colégio?" — perguntou Miley, se virando para a tia.
"Mas porque, filha? Porque não vão aceitá-la e entrar nesse colégio?"
"Não, não é isso, mas eu morro de medo. Eu juro que morro de medo de não passar nessa prova!"
"Será aprovada." — ela sorriu.
"Depois de tudo que ficou gastando com os professores particulares pra que eu pudesse entrar... Mas eu prometo que eu vou te pagar por tudo que você fez por mim."
"Oh, esquece essa história de pagar! Porque se disser de novo eu queimo o seu cabelo, faço um permanente e vou deixar tudo verde, o que você acha disso?"
"Então você vai me maltratar?" — perguntou Miley, se segurando para não rir.
"Vou, vou sim! Vou deixar você careca, o que acha?"
"Você é muito má!" — as duas riram e se abraçaram.
"Minha linda..." — a mulher sussurrou no ouvido de Miley, causando um conforto na menina.
"Obrigada por tudo, tia."
"Não tem o que agradecer. E lembre-se, se não gostar de alguma coisa ou se alguém mexer com você, se aqueles ricos exibidos quiserem te maltratar, não esqueça de me ligar, filha, estou avisando."
"Mas espera, se lá eu vou ter que estudar com adolescentes ricos e exibidos, porque eu estou indo?" — Miley arqueou as sobrancelhas, como se não soubesse o que pensar naquele momento.
"Filha, não reclama." — sua tia bufou — "Olha, você tem que crescer. O preço nós temos que pagar, temos que pagar pra ser alguém. Você tem que sair dessa cidade, querida, você é muito mais do que uma cabeleireira." — ela acariciou o rosto de Miley com doçura e a deu mais um abraço, que confortou as duas naquele momento. Ela a amava como sua própria filha e faria de tudo por ela, sem medidas — "Minha filha..."
"Miley!" — as duas se separaram ao ouvir uma voz e uma mulher entrando no salão, batendo os pés e parecia irritada. Tinha cabelos castanhos claros e olhos azuis. A mãe de Miley — "Você vai lá em casa se despedir da sua irmã ou vai embora direto daqui?" — perguntou ela com desdém.
"Não, claro que eu vou me despedir da Emily, mãe. Aliás, sem a sua permissão eu não vou a nenhum lugar." — Miley falou desanimada e saiu em seguida.
"O que está olhando? Gostou da cor de cabelo que eu estou usando? Gostou? Posso pintar o seu de graça?" — disse a tia de Miley com desdém, a olhando com desprezo.
"Agora que conseguiu separar a minha filha da mãe dela deve estar contente, não é, Abigail?" — as duas se encaravam com ódio nos olhos, um ódio antigo.
"Se quiser que eu diga a verdade... Sim." — Abigail deu um sorriso cínico.
"O que ganha tirando a minha filha de casa? Fala!"
"Ganho nada. Vou sentir muito mais saudade do que você. Mas sabe quem vai ganhar? A própria Miley."
 A mãe da garota balançou a cabeça, parecia indignada. Parecia não querer ouvir nada que saísse da boca de Abigail.
"Não vê que eu preciso dela?" — ela trincou os dentes — "Porque encheu a cabeça dela de merda, porque?"
"Porque ela tem direito!" — gritou Abigail, se aproximando da mulher — "Ela tem o direito de ter a cabeça cheia de sonhos, ela tem o direito de ter uma história diferente, a história não pode se repetir, tem que ser diferente de você e de mim!"
"Ah claro!" — a mulher soltou uma risada irônica — "Desde que não levem ela pra onde levaram você também... Tomara que a minha filha não seja uma prostituta como a tia dela foi." — olhou com nojo para Abigail, que revirou os olhos.
"Não. Ela não vai ser prostituta, eu tenho certeza. Mas sabe de uma coisa? Não vai ser a enfermeira da irmã dela a vida toda!"
"Sabe perfeitamente que ela ama a irmã dela..."
"Mas é claro que ela ama! A menina gosta dela, mas você é a mãe dela, ela não é a mãe dela e tem que cuidar dela! É seu direito e sua obrigação, ENTENDA!"

Casa de Miley
Califórnia

"Oi." — sussurrou Miley ao ver Emily tentando subir os degraus da escada. A menina com síndrome de down segurava um telefone de brinquedo, e parecia não ter ideia da onde estava indo.
"Ainda faltam alguns degraus." — disse Emily, apontando para a escada. Miley deu um sorriso fraco e se sentou na escada, pegando um caderno meio surrado.
"Aqui nesse livrinho eu vou escrever tudo que acontece comigo. Pra que quando eu for ver você eu possa ler tudo, como se estivesse lendo uma historinha." — falou ela enquanto Emily se sentava ao seu lado.
"Ok." — a menininha abraçou Miley, parecendo agarrar cada pedacinho dela — "Porque, Miley? Porque?"
 Miley sentiu um aperto no coração e se segurou para não começar a chorar.
"Eu vou sentir muito a sua falta..." — disse com voz abargada — "Mas você e eu sempre vamos estar juntas." — beijou a testa de Emily — "A minha tia me prometeu que vai te pentear todos os dias. E vai te deixar mais bonita do que se eu estivesse com você." — ela sorriu e se virou para Emily — "Ela vai pintar suas unhas também."
"É... As unhas?" — disse a menina, maravilhada.
"Pois é..." — Miley riu — "Me dá um beijo." — Emily logo beijou seu rosto e Miley a abraçou, sentindo cada parte da irmã. Em seguida, pegou na mão de Emily e foram para o quarto, se sentando em cima das duas camas de solteiro no quarto pequeno, pegando uma caixa que estava no chão — "Agora você vai ser a responsável, vai cuidar de todos os nosso brinquedos, ta bom? Você promete?" — Emily apenas assentiu, começando a remexer nas coisas da caixa — "Eu não quero te deixar..." — uma lágrima começava a querer sair dos olhos de Miley — "Mas eu tenho que ir."
"Porque?" — perguntou Emily inocentemente.
"Porque eu quero ser uma grande médica pra poder cuidar de outras crianças como você." — acariciou os cabelos de Emily. Enxugou algumas lágrimas que escaparam e pegou um retrato na cabeceira — "Olha, eu tenho essa foto de nós duas. Olha como estamos bonitas."
"Você tá mais bonita." — Emily apontou para Miley na foto.
"Você também está linda..." — a voz de Miley começava a falhar — "Olha, eu vou ficar com uma foto igualzinha essa e você vai ficar com essa, pra poder lembrar de mim."
"De mim..." — Emily parecia "viajar".
"Eu já sei que vai lembrar de mim, eu também vou lembrar de você..." — Emily soltou uma risada e Miley chorou ainda mais — "Eu prometo que quando eu voltar eu nunca mais vou deixar você sozinha... Ok? Você acredita? Eu nunca mais vou deixar você. Quando eu acabar a escola eu vou voltar pra ficar com você, eu prometo. Eu te amo!" — abraçou Emily, com lágrimas.

Centro Médico Chapon Hill
Nova York

"Me disseram que você estava bem, mas não tão bem." — riu Jacob enquanto entrava no quarto de Joe.
"Eu estou bem." — Joe riu, se levantando da cama — "Nenhum arranhão. O que acha?"
"Super legal." — Jacob riu.
"E o carro?"
"Ah, cara, o seguro vai pagar."
"E o que sua mãe disse?"
"Minha mãe nem veio me ver. Ela só falou comigo por telefone e o meu pai disse que eu era um homem muito idiota. E minha mãe disse que graças a mim tinha perdido o carro." — deu de ombros.
"Ah, mas se não voltaram das férias é porque está tudo bem."
"Não, está tudo mal, eu vou ficar sem a minha mesada por 1 ano." — Jacob bufou.
"Irmão, eu estou aqui pra te ajudar." — Joe sorriu, colocando sua mão no ombro de Jacob — "E aí, o que vai fazer?"
"Eu não sei." — suspirou, dando de ombros — "E aí, como está o seu pai? Como ele está, não falou com ele?"
"Ainda não." — suspirou — "Mas garanto que vai me dar a maior bronca."
"E você está assustado?"
"Pior que to." — Joe balançou a cabeça.
"Ah, sei lá, Joe, quem sabe ele também não paga sua mesada por 1 ano inteiro igual o meu..."
"Não. Olha, essa ele não me perdoa."
"Tudo bem. De repente ele não quer te ver por 10 anos e quando voltar ele vai estar velhinho demais pra se lembrar de todas as merdas que nós fizemos." — Jacob deu de ombros. Joe gargalhou.
"Que bom que você veio." — Joe sorriu, abraçando o amigo.
"Ah, você sabe que mora no meu coração." — os dois riram e foram caminhando devagar até a porta do quarto.
"Já estava cansado de fingir que dormia pra não falar com a minha mãe." — Joe suspirou.
"Deve estar tudo bem, cara..."
"Joe!"
 Os dois se viraram ao ver o secretário Collins ali parado, com uma cara carrancuda e séria. Joe sentiu arrepios na espinha na mesma hora e quis morrer. Não queria falar com o pai tão cedo, muito menos ali, com plateia. Michael lançou um olhar furtivo para Jacob. O garoto entendeu e só disse um "Boa tarde" baixo antes de sair.
"Oi, pai." — sussurrou Joe.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Episódio 7 - A Night To Remember

O tempo não é um remédio que se toma para esquecer uma pessoa, as marcas que são deixadas apenas adormecem dentro de nós, esperando por um novo despertar. Hoje sem querer encontrei uma carta dentro de um livro empoeirado na minha estante, por sinal era o mesmo livro que você me deu de presente, e naquela carta dizia que nosso amor era pra sempre, e olha hoje, nem sei aonde te encontrar. O tempo não foi capaz de apagar o que nós vivemos. Relendo a carta, senti meu coração batendo mais forte, o mesmo sentimento que tinha quando te via, sentimento que pensei ter esquecido mas estava apenas adormecido dentro de um coração que sempre foi seu. — Ressaltar.

Sala da direção
Highland Private School
Nova York

"Minha filha Demi é hiperativa. É um verdadeiro tanque de guerra." — explicava Sophia á Ethan após um tempo de terem se 'reconhecido'. Os dois tentavam deixar o nervosismo de lado, mas não acreditavam que estavam se vendo de novo após tanto tempo.
"Eu vou adorar conhecê-la." — Ethan sorriu.
"O único problema é que quando ela mete alguma coisa na cabeça..." — suspirou — "Não desiste enquanto não consegue. E está decidida a não ficar nessa escola."
"Não se preocupe." — ele balançou a cabeça. Não conseguia parar de sorrir ao ver Sophia — "Vamos ajudá-la a se adaptar. É meu trabalho."
"Obrigada." — ela sorriu, se sentindo satisfeita por um tempo.
"Ainda mais nesse caso." — falou Ethan, bem baixo, mas o bastante para Sophia ouvir e rolar os olhos — "Quer mais café?"
"Eu agradeço, mas chega." — ela lhe entregou a xícara, se levantando — "A Demi não é má. Digamos que seja um pouco intensa. Entendeu?"
"Eu entendi perfeitamente." — ele riu sem graça, se levantando também — "O que você me contou me faz lembrar de uma linda adolescente que conheci uma vez..." — Ethan olhou bem nos olhos de Sophia, com a voz abafada — "Uma menina que era fogo puro. E, mesmo já sendo um homem, me apaixonei como um adolescente."
 Uma torrente de lembranças invadiram a cabeça de Sophia naquele momento. Tudo voltava á tona, Ethan a olhava como se fosse a 10 anos atrás, do mesmo jeito. Seu coração se acelerou por uns instantes, o tempo suficiente que teve para se perder novamente naquele olhar que ela não via a tanto tempo.
"Mas não se apaixonou o suficiente pra largar tudo e ir embora com ela." — Sophia sussurrou, ainda encarando-o. Ethan suspirou, desviando o olhar.
"Eu não podia." — ele sussurrou — "Tinha uma carreira, uma família..." — ele se virou para sua mesa, pegando um porta-retrato com a foto de uma garota linda de cabelos castanhos claros e lindos olhos negros — "Sabia que eu tenho uma filha da idade da sua?"
"É claro que eu sei." — Sophia trincou os dentes, fechando os olhos com a lembrança — "Eu sumi quando descobri que a sua mulher estava grávida."
"Você não me perdoa, não é?" — ele bufou, ainda de costas para Sophia.
"Não, eu não vim aqui criticar nem nada. Pra mim, você é só uma lembrança." — ela ficou de frente para ele — "Uma linda lembrança."
"Eu nunca te esqueci." — se olharam nos olhos de novo — "Acompanhei a sua carreira pelas revistas, procurei tudo que podia para saber sobre o pai da sua filha, mas... Nunca soube nada dele." — Ethan estava tenso.
"Não se preocupe." — Sophia suspirou — "Demi não é sua filha. O pai dela é um homem que vive muito longe e que a única coisa boa que me deu foi essa princesa." — ela deu um sorriso de tristeza — "Mas agora quer me separar dela."
"Como assim? Porque?"
"Ele disse que eu não sou boa mãe. E se a Demi não ficar nesse colégio, ele vai levá-la com ele pra Europa." — ela bufou — "Tem que me ajudar pra que ela fique aqui, por favor."
"Fica tranquila." — Ethan pegou na mão de Sophia em cima da mesa, o que causou arrepios em ambos — "Me diz, porque ela não vai poder ficar aqui, com você?"

"Já disse que ninguém pode entrar na sala do diretor sem ser chamado!" — falou Emma na porta da sala da direção, enquanto Demi tentava de todos os jeitos entrar.
"Deixa que eu me anuncio, muito obrigada, não tenho a vida toda para esperar." — respondeu Demi, empurrando Emma da frente da porta e entrando a trotadas na sala.
"Não pode entrar..." — tentou Emma, mas Demi já havia entrado.
"Nossa, a julgar pela aparência do diretor eu julgo que ele tem bem menos tempo do que eu, não é verdade?" — Demi falou ao olhar para Ethan, que fez uma expressão de confusão — "O senhor já não devia estar aposentado?"
"Demi, por favor, minha filha!" — Sophia murmurou, se aproximando de Demi — "Essa é minha filha, senhor diretor." — Sophia deu um sorriso nervoso — "Por favor, o cumprimente, Demi."
"Como vai?" — Demi deu um aperto de mão em Ethan.
"Esse senhor é o diretor do colégio." — Sophia falava as palavras pausadamente, com uma tensão na voz como se tivesse medo do que Demi poderia fazer.
"Ah, um cigarrinho, você fuma?" — Demi tirou do bolso um maço de cigarros, estendendo para Ethan.
 Ethan olhou de forma assustada para Sophia, que já estava com vários pensamentos negativos na cabeça.

Quarto de Selena
Highland PS
Nova York

"Abri a exceção de trazer o telefone até aqui só porque é o seu pai e está ligando de Los Angeles, disse que não atende o celular." — disse Emma ao estender o telefone para Selena, que ainda estava sentada na mesma posição em sua cama.
 Selena revirou os olhos e olhou para seu iPhone em cima da cama.
"Ah, olha! Está desligado." — ela mostrou para Emma, dando um sorriso cínico — "Mas diz pra ele que eu vou ligar agora mesmo."
"Atende agora, vai?" — Emma arqueou as sobrancelhas, ainda estendendo o telefone.
"Tudo bem." — Selena sorriu nervosa, pegando o telefone. Emma virou de costas por alguns segundos, tempo suficiente para Selena desligar a chamada e colocá-lo na orelha — "Alô? Pai? Como você está, paizinho?" — ela sorria — "Puxa, eu estou tão feliz, nem te conto, não vejo a hora de passar as férias no Vacance Club... Juro! Tudo bem que não é igual as ilhas do Caribe, mas não importa, tem todo mundo que eu gosto e eles estão no colégio... Ah claro, pai, divirta-se bastante e não exagere com o trabalho. Tudo bem. Te amo, pai. Tchau." — Selena desligou e Emma a olhava desconfiada. Os dois não haviam brigado? Jayden foi bem claro ao telefone ao explicar isso á ela.
"Está tudo bem?" — Emma perguntou, ainda confusa.
"Tudo perfeito! Quando nós vamos para o Vacance Club?"
"Quando os bolsistas terminarem de fazer a prova."
"Que maravilha!" — ela fingia uma falsa felicidade. Emma a olhou pela última vez e saiu do quarto, agora deixando uma Selena chateada e entendiada.

Centro Médico Chapon Hill
Nova York

"Doutor, em relação aos jovens que estavam com ele, digam aos familiares deles que eu vou arcar com todas as despesas." — falou o secretário Michael Collins após chegar ao hospital com sua esposa — "Mas eu quero que mantenham discrição sobre tudo, é lógico."
"Creio que não haverá nenhum problema." — o doutor sorriu. Michael sorriu para a mulher a seu lado.
"Ainda bem. Isso é o mais importante."
"Achei que o mais importante era a saúde do seu filho." — ele ergueu as sobrancelhas — "Não querem vê-lo?"
 Michael o olhou meio assustado. Não esperava tal afirmação.
"Am... Não, não." — ele negou — "Prefiro esperá-lo aqui. Vai você, meu amor." — ele olhou para sua esposa, que sorriu.
"Onde fica o quarto dele?" — perguntou ela.
"Por aqui, senhorita." — gesticulou o médico, a levando para o quarto de Joe.

Sala da direção
Highland PS
Nova York

"Chega de brincar, Demi, parece uma criança!" — Sophia gritou mais uma vez, arrancando as estátuas dos variados prêmios que estavam postos em cima da mesa do diretor. Ethan havia saído, e Sophia estava com a cabeça estourando, pois não sabia o que sairia dali.
"Eu já estou cansada. A que horas o diretor pretende vir?" — Demi arqueou as sobrancelhas.
"Eu me pergunto exatamente a mesma coisa. Provavelmente ele já está com a decisão tomada, mas deve ter medo de me dizer que não aceita você nessa escola!" — Sophia bufou.
"Poxa, mas se a escola não me aceita o problema não é nosso." — Demi deu de ombros.
"Ah claro, depois do show que você fez! Porque tinha que pegar o cigarro? Você deixou de fumar faz tempo, Demi!
"Ué, velhos hábitos voltam..." — deu de ombros mais uma vez, se sentando na cadeira do diretor.
"Tanto faz." — Sophia suspirou, derrotada — "Agora as cartas já foram dadas. E eu não tenho mais nenhum trunfo na manga."
"Para de dramatizar, mãe." — suspirou, se sentando em borboleta em cima da mesa — "Olha, quando o velho descobrir que não me aceitaram nessa merdinha de escola, vai querer mostrar que tem poder, e só."
"Dessa vez não é assim, Demi. Se não te aceitarem aqui, Noah vai reclamar a sua guarda e vão te separar de mim. Será que você não entendeu, filha?"
"Isso não importa." — Demi suspirou — "Olha, eu vou deixá-lo louco. O velho não me aguentar por mais de 3 dias e vai me devolver. Pronto, mãe."
"Quem dera que as coisas fossem tão fáceis. Não importa por quanto tempo for, ainda assim vai ser longo..." — Sophia sussurrou, acariciando o rosto de Demi — "Vou perder a sua guarda e não vou poder recuperar. Talvez isso possa ser bom pra você, não é? Conhecer outras pessoas, uma família... Uma coisa que comigo você nunca teve."
"Eu não quero ter nenhuma outra família, mãe." — Demi sussurrou, seus olhos marejados.
"Agora é tarde, filha..."
 Demi abriu a boca pra falar, mas no mesmo instante a porta se abriu e o diretor Ethan havia chegado, com uma cara péssima. Demi desceu rapidamente da mesa, secando todo e qualquer indício de choro.
"Bom, eu já tomei uma decisão." — falou o diretor.
"Olha, não importa qual tenha sido sua decisão, está bem? Ainda assim eu quero pedir desculpas, como... Como a minha mãe me ensinou." — disse Demi, pegando no braço de Sophia — "E... Eu nem uso essas porcarias... Não uso mais. Eu só queria escandalizar um pouco." — Demi pegou os cigarros e os atirou na lixeira — "Nada demais."
"E... Porque queria fazer uma coisa assim?" — Ethan levantou as sobrancelhas. Demi suspirou.
"Porque eu não tinha percebido..." — ela olhou para a mãe — "... Quanta vontade eu tenho de ficar nesse colégio."
"Não acredito em você, sabia?" — Ethan bufou — "Mas... Acredito que nós dois merecemos uma oportunidade. Você de conhecer o colégio e o colégio de conhecer você." — Sophia e Demi ficaram confusas — "Bem vinda ao Highland Private School, Demi Lovato."

terça-feira, 9 de julho de 2013

Episódio 6 - 22



Assim como a natureza pende para o outono, também o outono começa em mim e em torno de mim. As folhas da minha alma vão amarelecendo, enquanto as folhas das árvores vizinhas caem. — Goethe.


Sala da direção — Highland Private School



"Ainda não entendo como ele conseguiu escapar." — o diretor Ethan tentava se explicar para os pais de Joe, que estavam presentes na sala naquele momento.

"Eu me pergunto a mesma coisa." — disse o senhor Collins, frio e arrogante — "Que tipo de segurança vocês tem nesse colégio?"

"Já sei, senhor." — Ethan deu um sorriso nervoso — "Estamos fazendo o impossível para encontrá-lo. Eu garanto."

"Se souberem que eu não consigo controlar o meu filho, como vão votar em mim para controlar o país?"

"Vamos encontrá-lo, senhor." — Ethan estava nervoso, e sorria amarelo. Como sempre ficava na presença do secretário Collins — "Estamos ligando pra casa de todos os alunos e dos que saíram do colégio, ele tem que estar em alguma."

"Procure no céu e na terra. Mas tem uma coisa: com muita discrição, entendeu?" — Michael o lançou um olhar afetador, quase o fuzilando.





Quarto de Selena, Highland Private School




"Eu juro, Ava, eu nunca vi ninguém assim." — falava Selena ao telefone com sua amiga enquanto se ajeitava em frente ao espelho. Havia tomado um bom banho e trocado de roupa, e ainda pensava na horrível cena que havia acabado de passar — "E tá na cara que ela não vai poder ficar no colégio, porque aqui não admitem idiotas como ela... Ah, ninguém merece!"

"Espera aí, ela também é bolsista?" — do outro lado da linha, Ava passava um creme nas pernas enquanto também se olhava no espelho, enquanto falava com Selena.

"Ah não. Não, Ava, não é isso. Olha, você é bolsista e eu gosto muito de você. O problema é que essa menina, sei lá, essa menina é ignorante. Mas tudo bem, não vamos mais falar dela porque eu to ficando enjoada." — ela foi para sua cama — "Mas me fala de você, como está tudo na sua casa?"

"Como sempre uma chatice! Selena, vem cá, quando você vai viajar?"

"Não, eu não vou mais não..." — Selena baixou a voz ao lembrar da briga com o pai — "Eu tive uma briga com meu ex pai e ele cancelou a viagem. Não tem jeito, vou ficar as férias inteiras aqui... Não, eu juro que não me importo... É, a Isabella acabou de ir embora... Mas está tudo bem, amiga." — Selena ouviu um som — "Espera, tenho outra ligação, me espera um segundo..." — ela atendeu — "Alô?"

"Alô, Selena?" — disse Jayden. Selena rapidamente reconheceu a voz e ficou sem reação — "Selena? Selena, sou eu, o seu pai!" — Selena rapidamente desligou o telefone.

"Desculpe, Ava. Alguém ligou errado. Só Deus sabe pra onde. Mas enfim, amiga, eu tenho que desligar... Ah sim! Eu juro pela minha última calça Armani que eu estou bem, estou bem sim! Tchau!" — Selena desligou o telefone e o jogou em cima da cabeceira, se deitando na cama — "Está tudo bem! Não importa se você está sozinha, ok? Não tem que se importar, está tudo bem. Está tudo bem." — ela suspirou, e se sentou novamente, fechando os olhos, tentando de alguma forma se acalmar.

"Com licença, Selena." — a porta se abriu e de lá entrou Emma, a secretária.

"Emma, está tudo bem!" — falou Selena, suspirando — "Não precisa me pedir desculpa, eu realmente estou bem, ok?"

Emma a olhou sem entender. Nunca havia entendido Selena e dessa vez também não queria se importar.

"Demi?" — Emma chamou, olhando para a porta.

Demi apareceu na porta, com o rosto entediado. Selena arregalou os olhos.

"Não, pode ir tirando essa daí do meu quarto!" — Selena se levantou, a olhando apavorada — "Só de olhar pra ela eu fico enjoada, por favor."

"Demi vai ficar aqui enquanto a mãe dela fala com o diretor." — falou Emma.

"Mas porque aqui?" — Selena gemeu.

"Porque este vai ser o quarto dela, caso seja aceita." — Emma sorriu — "Bom, com licença." — se virou para a porta.

"Espera, espera!"

"Entre, minha querida." — Emma falou para Demi antes de sair.

"Obrigada." — Demi deu um sorriso simpático.




"Olha, eu já vou logo falando de cara: nem sonhe em ficar neste colégio, porque é outro mundo, você não tem lugar aqui!" — grunhiu Selena. Não estava suportando a ideia de ter Demi com ela novamente.

"Não se preocupe, ok? Eu não quero ficar nesse internato de merda." — Demi se sentou em qualquer cama — "Deixa eu só falar com o diretor que eu garanto que não vai aceitar a minha inscrição."

"É o que eu espero."





Flórida





Hoje era o dia da mudança. Não só da casa, mas sim de vidas. A família de Nick havia perdido tudo que tinha, e a última lembrança do pai ele também havia perdido, que era a casa onde ele havia crescido. Sua família estava atolada em dívidas, e a situação ainda estava complicada. Nick já havia decidido pra onde iria, já era maior de idade e podia tomar suas próprias decisões. Mesmo que sua mãe não concordasse, ele iria fazer.

Na manhã daquele dia, sua mãe estava indo para o antigo quarto do filho para pegar as últimas coisas para irem, quando não viu Nick. De início não achou estranho, pois Nick fazia caminhadas matinais. Deu mais uma olhada no quarto e sentiu um aperto no coração. Nick só fazia caminhadas matinais com o pai. Depois da morte de seu pai, Nick nunca mais fazia isso sozinho, nem com amigos. Sua cabeça girou. Ela olhou para a cama desmontada e avistou um papel branco. Ela rapidamente correu e pegou aquele papel. "Para mamãe e a baixinha", estava escrito. Ela abriu a carta, com as mãos trêmulas: "Mamãe e baixinha, espero que possam me perdoar por sumir assim de repente. Mas eu queria evitar uma nova discussão. Eu vou seguir o que eu quero."





Highland Private School — Nova York




"Sente-se, por favor." — Emma abriu a porta da sala da direção, para que Sophia entrasse. Nem acreditava que estava na presença de Sophia Jones, mas se continha.

"Obrigada." — Sophia sorriu, se sentando.

"Eu já ia chamá-la de Sophia. É que eu estou acostumada a vê-la na TV, nas revistas..." — Emma falou nervosa, dando sorrisos amarelos — "Eu sinto como se já te conhecesse."

"Que isso, não se preocupe, pode me chamar de Sophia." — sorriu.

"Eu vou servir um café, a senhora deseja? Sem açúcar?"

"Sim, sem açúcar. Eu tenho que me cuidar, não é?"

"Aqui está." — entregou o café nas mãos de Sophia — "Dentro de alguns minutos o senhor Ethan virá recebê-la."

"Obrigada, é muito gentil."

"Eu vou estar aqui, qualquer coisa que precisar." — Sophia sorriu e Emma saiu da sala. Sophia suspirou, mexendo em seu café. Torcia mentalmente para que Demi entrasse, não era uma causa boba. Se ela não entrasse, Sophia podia nunca mais vê-la, e isso a apavorava. Ela ouviu passos e a porta se abriu novamente, e de lá entrou o diretor Williams.

"Desculpe a demora, mas eu estava me despedindo de alguns pais de alunos e..." — ele se virou para ver a mulher sentada á sua frente, e seus olhos se arregalaram de surpresa.

"Você?!" — Sophia se levantou, aturdida.





Rodoviária, Flórida




"Ah, não fiquem com essas caras." — reclamou Nick, olhando para os amigos, que não estavam nada felizes ao ver Nick partir com uma simples mochila.

"Não deve ser fácil se vingar de um cara tão poderoso como esse velho." — falou um deles — falou um deles. — falou um deles.

"Quer saber de uma coisa? Vou atingi-lo onde mais dói nele."

"Espera, o que você quer dizer com isso?" — perguntou um outro, magrelo de cabelos cacheados.

"Ele tem uma filha." — falou Nick, dando de ombros.

"E como vai fazer pra se aproximar dela?"

"O mais provável é que a menina nem te dê bola." — falou um deles.

"Porque não daria bola pra um colega de colégio?" — disse Nick.

"Como vocês vão se relacionar no colégio?"

"Olha, andei pesquisando na internet e já sei onde está estudando essa riquinha..." — Nick deu de ombros novamente.

"E o que vai fazer? Vai pedir uma vaga de porteiro, de faxineiro?" — todos riram.

"Não, cara!" — Nick deu um soco no ombro do amigo, rindo — "Eu pedi uma bolsa pra estudar no mesmo ano que essa menina."

"Tá maluco, Nick?! Vai voltar pro segundo grau?!"

"Vai logo." — o outro amigo bateu no ombro de Nick, ajeitando sua mochila — "Você vai perder o ônibus."

"Não vou te desapontar." — Nick olhou firme para o amigo.

"Eu sei que não." — ele sorriu.

"Olha, eu sei que nem preciso dizer pra vocês, mas minha mãe e minha irmã não podem saber por nenhum motivo que estou indo a Nova York vingar a morte do meu pai."

"Ah, não se preocupe. A galera aqui e eu vamos cuidar muito bem dela e da sua irmãzinha também."

"Fica tranquilo."

Nick sorriu para os amigos e estendeu a mão, dando um toque em cada um dos três. Eles lhe desejaram boa sorte e partiram, sentindo a mesma dor de Nick de ter que partir.

O garoto virou-se para ir, enfim, para sua nova vida. Mas um grito gelou o corpo inteiro de Nick. "NICK!" Ele se virou, se deparando com sua mãe correndo dentre a multidão de pessoas com sua irmãzinha segurando pela sua mão, lutando para acompanhar os passos da mãe.

Nick parou no mesmo momento, seu coração parecendo bater mais rápido. Ele não sabia o que sentia naquele momento, apenas ficou parado e imóvel. As duas chegaram até ele, com expressões mudas.

"O que está fazendo aqui?" — Nick sussurrou, com a voz trêmula.

"Você tem que me prometer duas coisas." — sua mãe o interrompeu — "Que vai se cuidar muito... E que não vai cometer nenhuma idiotice." — ela afagou seus ombros, fazendo Nick sentir um certo conforto.

"Eu prometo, mãe." — ele soltou um sorrisinho, se sentindo bem.

"E, por favor, se mantenha em contato!" — os dois deram risos fracos.

"Vou sentir sua falta." — sua irmã falou, fazendo Nick a olhar pela primeira vez ali, agarrada á mão da mãe. Nick se abaixou até o tamanho dela, sorrindo.

"Eu também vou, baixinha. Eu vou levar você aqui bem pertinho do meu coração, ok?" — ela assentiu — "Me dá um beijo." — ela beijou sua testa, e Nick se levantou novamente.

"Nick, lembre-se do que seu pai sempre te disse. Que fosse feliz."

Nick fechou os olhos, lembrando de um certo flashback com seu pai.

"É por isso que eu vou, mãe." — ele sorriu.

"Vai escrever pra gente?" — perguntou mais uma vez sua irmã. Nick sorriu docemente. Adorava isso nela, mesmo com o mundo cheio de tecnologias e afins, ela ainda adorava a atitude de escrever cartas.

"Eu vou escrever muitas cartas, ok? Mas você que vai ler, tudo bem?" — ela sorriu, e vibrou por dentro. Nick deu mais um beijo em sua testa, já morrendo de saudades.

"Filho, eu sei que vai correr tudo bem porque você sabe se virar sozinho, mas sei que a corrente do seu pai vai estar sempre com você, e você vai estar confiando e sentindo ele sempre perto de você."

Nick sorriu esperançoso. Em seguida, abraçou a mãe. Um abraço de tirar um fôlego, um abraço completamente satisfatório e cheio de amor. Já estavam sentindo falta um do outro, mas Nick sabia o que era melhor. Queria ir e nada o faria mudar de ideia. Se juntaram em um abraço triplo e ali ficaram por um tempo, até entenderem que era hora de ir embora.

Nick pegou sua mochila, andando de costas até o ônibus, que já ameaçava partir. Deu um último olhar e seguiu, sem olhar para trás, sem olhar para a família que estava deixando na Flórida.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Episódio 12 - About You Now

"— E sua conclusão final é…? 
— Amar dói"
 Demi's POV.

 Eu estava em meu quarto. Aliás, o quarto em eu fui posta. Pareceu que eu expulsei aquelas patricinhas daqui por alguns momentos, o que eu fiquei aliviada por alguns minutos. Pareciam que o mesmo ar que elas respiravam não era o mesmo que o meu, por isso eu não as suportava mesmo, de jeito nenhum. Tive tempo para pegar meu saco de jujubas da minha mala e deitar na minha nova cama, olhando para a parede.
 Tinha coisa pior do que ficar nessa escola? Eu acho que não. A única coisa que eu conseguia pensar era que era tudo culpa do Noah. Não iria chamá-lo de pai, ele não merecia. Por culpa dele eu estou aqui, aturando todas essas pessoas para meu desgosto. Porque comigo? Odiei esse lugar desde a primeira vez que pisei aqui. Porque minha mãe também tem que ser tão burra? Vai obedecer as palavras de Noah? Não é possível. Eu nunca deveria estar aqui, eu queria pular aquela janela naquele instante e ir embora.
 Mas antes que eu pudesse fazer, ou até pensar em fazer algo, eu ouvi risadinhas vindos do corredor. Parei no mesmo instante. Estavam se aproximando, estavam vindo para o quarto. Sem pensar duas vezes, me joguei debaixo da cama, tentando respirar fraco. O som foi ficando mais perto, agora duas vozes.
 A porta se abriu.
 — Entra. — reconheci de imediato a voz da loirinha amiga de Selena, como era mesmo seu nome? — Relaxa, não vai entrar ninguém.
 Ela falava com alguém enquanto fechava a porta. De baixo eu podia ver um tênis e calças jeans, isso é, ela estava com um garoto. Eu abafei um riso. Vadia, sim ou claro?
 — Ta bom. — o garoto riu, e não reconheci sua voz. Na verdade, nunca havia escutado aquela voz na vida.
 A loirinha foi até uma escrivaninha ao lado da cama, pareceu pegar algo e voltar para o garoto.
 — O disco é esse aqui. — falou ela — Eu também adoro essas músicas.
 — Legal. — ouvi a voz do garoto. Podia sentir que ele estava sorrindo muito.
 — Suas músicas também são muito boas, você devia ser músico.
 — Não, não. — ele começou a andar para perto da cama onde eu estava. Droga. Minha respiração foi a mil — Pra mim é só um passatempo.
 Ele se sentou na cama. 1 segundo depois ela se sentou ao seu lado, o bico de seu salto quase batendo no meu dedo. Qual é, esses dois não poderiam sair daí? Ou melhor, não poderiam sair do quarto pra eu parar com esse fingimento aqui embaixo? Isso está me frustrando.
 De repente eu ouvi um barulho de beijo. Não, eu não estava louca, eu tinha certeza que os dois estavam se beijando nesse exato momento. Abafei um riso. Então essa garota trazia alguns meninos pra cá pra um sexozinho rápido com eles? Oh, que feio...
 — Quando fiquei sabendo do seu acidente... — começou ela, e ouvi mais um beijo — Eu quase morri. É, graças a Deus você é muito forte.
 Ouvi a risada dele.
 — Muito forte. — ele falou baixo, dando mais um beijo nela.
 O que era aquilo, cara? Ops, fiquei sabendo que é proibido os meninos no quarto das meninas... Ela sabia disso?
 — Vem cá... — disse ela, suspirando — O que você tem com a Selena?
 Apurei meus ouvidos.
 — Porque ta perguntando? — perguntou ele.
 — Ah, porque se não eu vou ter que fazer um esforço pra parar de pensar em você.
 Os pés dela se levantaram do chão e o dele também, e eu pude sentir a cama ficando mais pesada. É claro, mesmo não vendo eu sabia que ela o havia deitado na cama.
 — E acontece que eu não fiquei aqui pela Selena. — continuou ela — Eu fiquei por você.
 Abafei um riso.
 — Hmm. E se eu disser que não me interesso por ela? — falou ele.
 — Ah, eu não duvidaria. Ela é muito novinha pra você, Joe.
 — Mas porque?
 — Ah, porque a Selena é virgem!
 Cautelosamente, fui saindo debaixo da cama. Levantei devagar os olhos e olhei-os. Ela estava sentada em cima dele, com as mãos em seu abdomem enquanto ele mantinha as mãos nas coxas dela. Os dois estavam se engolindo, portanto não me viram, graças a Deus. Eu nem sabia explicar o que eu estava pensando naquele momento, apenas de que eu estava completamente assustada com o tipo de pessoas desse lugar.
 O tal do Joe se mexeu e afastou a loirinha de si, me fazendo me abaixar novamente, meu coração pulando. Eles não podiam me ver.
 — Selena é virgem? — perguntou ele — Ela pareceu ser outra coisa.
 — Ah claro, ela fez isso pra não parecer o que ela é, uma menininha!
 — E você? — disse ele em tom desafiante.
 Esperei ouvir uma resposta, mas depois de 2 segundos eu ouvi um gritinho vindo dela, e de repente ela pulou da cama, rindo e indo até as escadas. Joe também se levantou rindo e foi atrás dela, os dois parecendo crianças. Quando os dois estavam lá em cima, finalmente saí debaixo da cama novamente.
 Eu não iria sair do quarto áquela altura, é óbvio. Eu queria ver aquilo, o que as pessoas dessa escola tinham na cabeça? Fiquei de pé e ainda podia ouvir os dois rindo e se beijando em cima. Fui andando cautelosamente até as escadas, tentando fazer o mínimo de barulho possível. Quando coloquei meus pés no primeiro degrau, ouvi uma porta se abrindo.
 Meu coração disparou e olhei para trás, mas não era a porta do quarto. Ouvi os risos dos dois e subi mais um pouco, até ver que eles abriam a porta do closet e estavam entrando lá dentro. Eu ri baixinho. Não podia ser. Os dois fecharam a porta e na mesma hora eu terminei de subir as escadas, chegando no andar de cima. Ainda segurava no corrimão enquanto me aproximava do closet, que eles tinham deixado uma frestra aberta, onde eu escutava muito bem os risinhos maliciosos dos dois. Esperei por uns 2 minutos e rapidamente olhei pela frestra, segurando mais um riso.
 Os dois estavam literalmente se engolindo. A loirinha arrancava as roupas de Joe enquanto ele beijava toda a parte do corpo da garota. Ele a impressou na parede, arrancando sua blusa e beijando seus seios. A garota mesmo arrancou seu sutiã e logo após seu shorts. Sem sutiã e apenas de calcinha, que sutil, não? Joe estava apenas de boxers nesse momento, e os dois já estavam a todo fogo. Joe rapidamente abaixou a calcinha da garota, sem tirá-la, apenas para que ele retirasse sua boxers e penetrasse na garota, fazendo enroscar suas pernas em sua cintura e gemer sem parar.
 Levei minhas mãos á boca, dando passos pra trás. Como isso, cara? As pessoas dessa escola são realmente loucas, esses garotos eram uns pervertidos, eu estava me sentindo numa gravação de filme pornô! Me segurei muito para não rir. Eu virei de costas e me encostei na parede á direita do closet, apenas ouvindo os gemidos prazerosos da loirinha e Joe metendo na garota, murmurando palavras como "é isso aí", "gostosa" ou coisas do tipo.
 Foi quando do nada eu ouvi uma voz:
 — Ava!
 Meu coração gelou. Foi aí que eu percebi que já estava encostada ali a tempo demais pro meu gosto. Qual é, agora eu me interessava pelo sexo adolescente desses depravados? Olhei para baixo e minhas pernas tremeram. A secretária Emma havia entrado no quarto e pela sua cara ela estava escutando e muito bem os gemidos da loirinha, que pelo jeito se chamava Ava.
 Olhei para os lados, aflita por alguns momentos. Essa mulher jamais poderia me ver aqui, ainda mais em uma situação dessas. Ela poderia achar que eu estava encobrindo os dois pervertidos aqui, e isso eu jamais iria querer! Em uma fração de segundos, vi de relance que Emma começava a subir as escadas, seguida pelo som, e eu me afundei no primeiro armário que vi na frente, quase em frente ao closet onde estavam Ava e Joe. Eu suspirei, abrindo uma mínima frestra para poder ver.
 Vi Emma passar em frente ao meu armário e de repente ela parou. Eu gelei. Será que ela desconfiava que havia alguém aqui? Por favor, não abra o armário! Ela olhou para os lados e para cima, parecendo procurar o som. De repente ela olhou para o closet onde estavam os dois, e eu fechei os olhos, abafando mais um riso. Isso iria ser uma merda completa! Eu nem queria ver isso. Emma foi se aproximando devagar, pra ver se era dali mesmo que saía o barulho, e em um rompante a mulher abriu a porta, encontrando a terrível cena pornográfica que ali acontecia.
 O que eu escutei em seguida foi um berro agourento de Emma e um grito assustado de Ava. Emma se virou do outro lado, tampando os olhos, parecendo terrivelmente incrédula. Ava e Joe pararam tudo, estavam suados e descabelados, e os dois se vestiram aos tropeços, parecendo que tinham visto literalmente um fantasma. Emma bufava fortemente.
 — O que estão fazendo aqui?! — ela disse com dificuldade, finalmente se virando e destapando os olhos, vendo os dois agora semi-vestidos.

Isabella's POV.

 Depois que Selena havia me "expulsado" do carrinho de golfe, eu não sabia o que fazer e nem pra onde ir. Queria conversar com alguém, mas literalmente todos da escola haviam viajado pra fazer algo que preste. Ou melhor, todas as pessoas legais dessa escola. Decidi voltar para dentro da escola, ver se havia alguma coisa lá.
 Na verdade, eu já sabia que não teria nada lá. Ava com certeza estava com Joe nesse momento, e eu não sabia o que fazer. Andei pelos corredores e peguei um salgadinho na máquina, tendo a repentina ideia de ir ver como os bolsistas estavam se saindo na prova, já que eu não tinha mais nada pra fazer mesmo.
 Passei na frente da sala e me encostei na parede. As salas continham um vidro enorme na parede ao lado da porta, assim todos que passavam podiam vê-los livremente. Eles estavam concentrados em seus notbooks, alguns até concentrados demais. Dava pra sentir a vontade e o esforço que eles tinham para entrar nessa escola. Eu os entendo, eu acho. Foi ali que eu o vi pela primeira vez.
 Ele estava sentado no meio. Ele parecia muito concentrado por alguns minutos, mas depois ele se dispersava. Parecia pensar muito em suas respostas e sua cabeça parecia ficar confusa. Ele tinha cabelos levemente cacheados e era tão... forte, tão lindo. Meu coração na hora palpitou. Ele era a coisa mais linda que eu já tinha visto. O jeito como mordia a boca e fechava os olhos quando pensava que havia errado uma questão. O que era aquilo? Quem era ele?

Demi's POV.

 — SAIAM!
 Emma gritou e os dois saíram do closet aos tropeços. Eu fechava minha boca ao primeiro indício de que iria rir alto, mas não dava. Era uma das cenas mais engraçadas e cabulosas que já vira na vida. Que mole esses dois dão. Ava ajeitava seu cabelo e sua roupas enquanto Joe colocava sua camisa.
 — Eu... Eu estava arrumando o armário, só isso. — Ava gaguejou, suas mãos tremendo.
 — Eu estava... Estava... Arrumando... — Joe parecia tão nervoso quanto Ava.
 — É por isso que temos uma equipe de manutenção! — gritou Emma. Aqueles dois são sabiam mentir, credo. — Sabem que é proibido os meninos entrarem no quarto das meninas quando não tem um responsável junto! — ela empurrava os dois escada abaixo enquanto gritava em seus ouvidos.
 — Eu sei, eu sei que a culpa é minha! — Ava falou — Emma, por favor... Eu já disse que...
 — Ah, cala a boca! — gritou Emma.
 A secretária fechou os olhos mais uma vez, parecendo tentar eliminar a cena anterior de sua cabeça. Eu mesma iria fazer isso depois. Mas de algum modo Emma parecia já ter visto aquilo antes, muitas vezes, principalmente vindo dos dois.
 — Infelizmente eu vou ter que relatar esse episódio desagradável ao senhor Ethan. — disse ela quando chegaram lá embaixo.
 — Não, por favor! Não queime o meu filme com ele. — pediu Joe.
 — Eu não queimo filme. Só cumpro com o meu dever. — Emma o olhou com raiva, como se não suportasse mais olhar para o rosto do garoto.
 Lentamente, abri a porta do armário com cautela. Fiz o mínimo barulho possível até conseguir sair daquele cubículo e me agachar no chão, ficando de quatro, engatinhando rapidamente para olhar de perto aquela cena.
 — Tudo bem. É que eu já estou acostumado a levar surras. — Joe deu de ombros, com ar de dramático — Primeiro o acidente... E agora isso. — ele deu uma rápida olhada para Ava — De repente me expulsam.
 Eu não conhecia aquele garoto. Na verdade, era a primeira vez que o via, mas estava na cara que ele era um visitante frequente na diretoria e um dos depravados dessa escola. Um dos poucos depravados, já que essa era uma escola de elite, coisa séria. Estava escrito em sua testa que era um filhinho de papai, um mauricinho. Revirei os olhos ao pensar nisso.
 Emma pareceu amolecer o olhar. Ela bufou e disse:
 — Está bem. Dessa vez eu não vou falar nada.
 Joe abriu um sorriso enorme.
 — Obrigado! — ele suspirou — Você é um amor, Emma! — ele avançou nela, dando-lhe um beijo enorme na bochecha.
 Ela rapidamente o afastou.
 — Você não vai me convencer com carinhos. Ok? Da próxima vez que eu encontrar você aqui, eu não vou ter piedade. E vamos logo pro refeitório porque já está na hora do almoço! Vamos logo.

Selena's POV.

 — Não entendo seu pedido, Selena. — disse o diretor Ethan após meu enorme discurso que havia acabado de terminar. — Você sabe perfeitamente que o conselho nos obrigada a dar um percentual de bolsas todos os anos.
 — Eu sei. — bufei — Mas também sei que quase ninguém consegue receber a bolsa.
 — Bom, o colégio não tem culpa se os alunos abandonam porque não alcançam o nível. — ele deu de ombros.
 Rangi os dentes, revirando os olhos. Não era a toa que eu achava Ethan uma das pessoas mais idiotas da face da terra.
 — Todo mundo sabe muito bem que não é por isso. — rebati.
 Ele me olhou confuso e eu novamente revirei os olhos, me aproximando de seu rosto e sussurrei:
 — É pela Seita.
 Ethan me lançou um olhar matador. Aquele olhar que ele sempre lançava quando algum indivíduo falava na Seita. Aquele olhar de enojação, como se não acreditasse, ou não quisesse acreditar. Mas como ele poderia fugir? Todos estavam muito bem cientes da existência da Seita. Da existência de uma organização que bane bolsistas para que o colégio continue privilegiado com pessoas que realmente tem o "nível", como eles dizem. Ninguém imaginava o quanto a Seita poderia ser perigosa, e esse assunto me causava arrepios.
 — Se veio aqui pra falar de rumores infundados, não vou terminar a conversa! — ele trincou os dentes, parecendo querer dar um soco na minha cara.
 — Não, eu não vim falar da Seita.
 Ethan bufou, ainda me olhando com certa raiva. Esse assunto o deixava nesse estado. Ou ele não queria acreditar ou era um completo incrédulo e cego.
 — Olha só, eu vou dizer de uma vez por todas, nesse colégio não existe nenhuma Seita! Nenhuma organização nem nada parecido. — ele rosnou pra mim, aparentemente nervoso.
 Eu revirei os olhos. Era inútil discutir com Ethan sobre aquilo.
 — Tudo bem. Mas eu também não vim falar sobre os bolsistas, eu vim falar dos novos! — pensei logo em Demi, e meu estômago embrulhou.
 — Qual é o problema dos novos? — agora ele parecia entediado.
 — O problema é que não é possível que para cobrar uma taxa, o colégio aceite um novo rico qualquer!
 Ethan suspirou e se sentou em sua cadeira de couro, abrindo novamente seu laptop.
 — Deixa eu ver se eu entendi, você está falando de alguém em especial? — perguntou ele.
 — Estou, claro que estou. E eu preciso esclarecer isso, eu não vou dividir o meu quarto com a filha de uma artista barata!
 — Não é uma artista barata! — Ethan gritou, se levantando como um jato da cadeira, me olhando com raiva — É uma artista muito conhecida! Além disso, você não é ninguém para opinar sobre a família dos novos alunos.
 Abri a boca, chocada. Como assim Ethan estava contra mim? Todas as opiniões que dei dentro dessa escola foram respeitadas por ele, eu não pisava na sala da direção a toa, ok?
 — Bom... Talvez eu não. — dei um riso irônico — Mas eu acho que o meu pai não vai gostar muito quando souber. Porque ele paga muito caro pra me manter nesse colégio que, dizem, é de elite.
 Ethan me olhou cético. Se ele não me ouviria, eu teria que colocar meu pai no meio, como sempre.
 — Presta atenção, Selena. — disse ele — Se o seu pai tiver algum problema, eu vou falar com ele quando retornar de viagem. E agora, se me der licença — ele caminhou até a porta —, pode se retirar, porque estou muito ocupado!
 — Diretor! — arregalei os olhos. Ele estava me mandando embora?
 — Aluna, eu estou ocupado!
 Bufei e saí, batendo os pés. Aquilo não iria ficar assim.

Nick's POV.

 Terminei de fazer a prova e minha cabeça estava literalmente explodindo. Eu tinha dúvidas sobre várias questões, mas não queria revisar minha prova novamente, pois o tempo já estava se esgotando e se eu ficasse mais tempo naquela sala iria desmaiar. Odiava ser o último, eu ficava muito nervoso e não conseguia fazer nada. Avisei aos superintendentes que havia terminado e fui para a porta, mas por último dei uma olhada em Miley, que estava sentada em um canto da sala. Sussurrei um "boa sorte" e saí, respirando um ar puro.
 Quando botei meus pés para fora da sala, rapidamente vi uma garota correndo na direção oposta, no sentido do salão principal. Juntei as sobrancelhas, confuso. Balancei a cabeça e me virei para o mesmo lado, começando a andar, quando trombo com alguém sem querer.
 Era um garoto. Ele era alto e meio magro, com um cabelo estiloso louro cor de bronze, e pela sua blusa de mangas dava pra ver sua enorme tatuagem no braço esquerdo. Ele carregava alguns livros na mãos, que foram para o chão quando nos esbarramos.
 — Ah, pelo amor de Deus, você não olha por onde anda? — ele murmurou, me encarando enquanto pegava seus livros.
 — Desculpe, eu não te vi. — balancei a cabeça.
 — Se você não enxerga é melhor você ir pra uma escola de cegos, ta bom? — ele se levantou com seus livros novamente na mãos.
 Eu não pensei muito no que aconteceu em seguida. Só sei que em mínimas palavras ele tinha me deixado nervoso.
 — Escuta aqui, garoto! Tá pensando o que? — peguei na gola de sua camisa, me aproximando dele.
 — Quem você pensa que é?!
 — Sou eu que vou quebrar a sua cara se aparecer na minha frente de novo! Ta entendendo?
 Ele bufou e se soltou de mim ligeiramente.
 — Tomara que não passe na prova. — agarrou seus livros e saiu de perto de mim.
 Um peso me invadiu. O que eu estava fazendo? Agora eu iria me meter em brigas? Que ótimo, eu nem tinha entrado na escola ainda. Belo exemplo, Nick. Assim que você quer que eu as coisas dão certo? Meio difícil, colega. Eu suspirei e voltei a caminhar para o corredor principal.
 Haviam algumas pessoas circulando por ali, o que foi mais fácil pra mim. Eu agendava em minha cabeça um tempo para fazer um tour por aquela escola gigantesca, mas não agora. Agora eu tinha apenas que saber informações básicas. Encontrei com um dos bolsistas que havia terminado a prova no mesmo tempo do que eu e paramos para conversar no meio do corredor, de como estavam as provas e essas coisas.
 O corredor começou a encher aos poucos. Me interagi tanto na conversa com ele que, quando ele se despediu para comer alguma coisa, eu me vi quase no meio de uma multidão. Rolei os olhos pelo ambiente e eu a vi.
 Vi uma garota parada perto dos armários. Eu não sei se estava louco, mas quando mirei meus olhos nela, a mesma revirou o rosto, como se estivesse olhando pra mim o tempo todo. Eu a olhei novamente. Ela lentamente foi olhando para mim de novo, e em uma fração de segundos eu senti meu coração dar uma palpitação.
 Ela era linda. Tinha cabelos castanhos longos e ondulados, uma boquinha de cereja, olhos redondos e castanhos perfeitos... Era magra e esbelta e tinha um perfeito rosto de anjo. Eu paralisei na mesma hora. Juro que nunca me hipnotizei com uma garota assim.
 Ela parecia nervosa com algo e eu poderia estar louco, mas jurava que ela olhava pra mim. Sim, olhava diretamente pra mim. Eu não sabia ler o seu olhar, mas não conseguia parar de olhá-la. Era incrível.
 De repente ela pareceu "acordar" de um transe e se virou, indo embora por um dos corredores. Eu acordei e suspirei, me perguntando o que havia acabado de acontecer.

domingo, 21 de julho de 2013

Episódio 11 - Almost Home

"Chora não, menina boba." — Tati Bernardi.
Sala da direção
Academia Yancy
Nova York

 — Senhor diretor, minha família mora muito longe daqui. — Nick suspirou, se sentando na cadeira de couro em frente a Ethan, já quase desistindo — Olha, eu entendo que nessa escola tem muitos filhos de estrangeiros e diplomatas, porque não podemos fazer...
 — Olha, rapaz, não insista! — interrompeu Ethan, parecendo impaciente — Eu não posso aceitar a inscrição de nenhum aluno sem prévia entrevista com os pais do aluno ou os tutores do aluno.
 Nick apertou os olhos, ele mesmo começando a ficar impaciente. Tentou pensar em um plano rápido, mas foi impossível. O que poderia fazer em uma situação daquelas? Fora de cogitação tocar no nome de sua mãe.
 Ethan encarou Nick, se perguntando quando ele finalmente sumiria de sua sala.
 — Me dá licença, rapaz? Por favor? — pediu o mesmo, pegando sua xícara de café — Além disso, vejo aqui em sua inscrição que seu pai é falecido, não é?
 Nick o olhou bem cético, alegando em seu próprio olhar que aquele era um assunto proibido.
 — Ou então a sua mãe é a responsável. — Ethan deu de ombros — Eu preciso...
 Ethan parou de falar com uma batida na porta.
 — Senhor diretor — Emma entrou na sala. — Está aqui fora a responsável pelo candidato Nick Jonas.
 O coração de Nick disparou. O que? Como assim? Responsável? Ele não tinha responsável, e não havia avisado a ninguém. Nick gelou ao pensar em sua mãe, em como ela havia descoberto que ele estava tentando entrar na Academia Yancy, e não em uma universidade, como havia prometido.
 — Pode entrar. — Disse Emma.
 Abigail entrou trotando pela porta. Nick a olhou confuso e assustado, e todas as alternativas sobre sua mãe foram descartadas na hora.
 — Seu idiota, você fugiu de mim! — Abigail gritou, puxando os cabelos de Nick. O garoto gemeu, não entendendo nada.
 — Senhora, senhora! — Gritou Ethan, fazendo Abigail o olhar. — Espera, a senhora não é a tia da candidata Cyrus?
 — Sim, e madrinha desse bandido que quer aprontar mais uma! — Rosnou para Nick. — É que a mãe dele e eu somos, como posso dizer... Irmãs. Mas é que o Nick insiste em entrar e eu... Am... Ele quer ficar junto da Miley. Quer ter certeza de que ela terá boa educação. — Notava-se seu nervosismo.
 — Espera aí, perdão, mas eu não estou entendendo. — Ethan juntou as sobrancelhas. — O problema não é esse. O problema é que eu preciso de uma autorização legal assinada pela mãe desse rapaz pra eu poder dar entrada na inscrição dele.
 — Ah, não se preocupe com isso! — Abigail sorriu. — Eu vou trazer assim que ela mandar. Mas por favor, deixa que ele faça a prova. Se não o Nickzinho vai se atrasar e vai perder o ano, eu sei que o senhor é um homem muito bom...
 Nick não disse nada. Continuava mudo, apenas observando o que Abigail tentava fazer. Seu coração batia mais acelerado ao ver que ela conseguia convencer o diretor.

Dormitório das meninas / Selena's Room
Academia Yancy
Nova York

 Demi literalmente estava infernizando as garotas. Ela quebrava as coisas e fazia uma zona no quarto. Bagunçou a cama de Selena e jogou suas maquiagens no chão, fazendo Selena ficar louca e querer matá-la. Ela fez uma grande zona no guarda-roupa de Ava, que foi uma grande loucura, pois não havia nada de mais importante para Ava do que aquilo. Isabella já estava com ódio o bastante de Demi para ajudar as amigas a "acabarem com ela". Demi com certeza era um problema no meio das 'populares' e parecia fazer de propósito. Ela queria fazer de propósito.

Corredor
Academia Yancy
Nova York

 — Então faremos assim: você falsifica a carta da sua mãe, e eu consigo que alguma pessoa assine para que tenha valor. — Abigail sussurrava para Nick fora da sala da direção.
 O garoto deu um sorriso fraco.
 — Olha, obrigado pelo que está fazendo por mim. Se arriscar assim por um estranho é muito difícil, obrigado.
 — Eu sou assim, meu filho. Nem me lembre, porque eu volto atrás. Porque não é uma coisa muito correta.
 — Não, não, que isso. — Nick deu de ombros.
 — Além disso, não pense que vai sair de graça. — Ela sorriu.
 Nick bufou, sentindo um peso em suas costas.
 — Pode dizer.
 — O único favor que eu quero pedir é que... Cuide da Miley. — Abigail suspirou, olhando bem nos olhos de Nick. — Sabe, ela é uma boa menina. É muito inocente, e eu quero que você a proteja. Não deixe que ninguém faça nada a ela.
 — Não se preocupe. — Nick falou baixo, o pedido o pegando de surpresa. — Vou ser como o irmão mais velho da Miley. Não vou deixar que nada aconteça a ela.
 — Ah, não sabe a tranquilidade, que peso você tirou da minha consciência! Não imagina! — Abraçou Nick em um rompante, seus olhos começando a ficar marejados. Quando pensava em Miley, sempre pensava com preocupação, como se não soubesse como deixá-la sozinha no mundo, com medo de que a machucassem. Nick a abraçou, de repente sentindo essa mesma preocupação se transferindo para ele.

Dormitório das meninas / Selena's Room
Academia Yancy
Nova York

 — Não aguento mais, eu preciso de ar! — Bufou Selena, saindo do quarto com as amigas. — Que horror, essa menina é um atentado contra o bom gosto.
 As três riram.
 — De onde ela tira tanta porcaria? — falou Isabella.
 — Do lixo, de onde mais? — riu Ava.
 — Eu não sei, mas eu não suporto ela, vou ter um treco, preciso de ar! — Selena bufou.
 — Oi, e aí? — uma garota loira com uma touca falou Selena, Isabella e Ava. As três a olharam confusas. — Tudo bem?
 As três olharam, de repente formando um sorriso.
 — Estamos super bem, e você? — responderam em coro, como em uma 'coreografia'.
 Madison as olhou estática. Claro que achou aquilo ridículo.
 — Hmm... Aqui é o quarto das meninas? — perguntou ela, tentando tirar a imagem anterior de sua cabeça.
 — É... Você é nova? — Isabella a olhou de cima a baixo, reparando em suas roupas surradas.
 — Sim, meu nome é Madison. — fez o mesmo toque de mãos em Isabella, mas a garota também não conhecia aquela arte.
 — Vem cá, você é bolsista, não é? — perguntou Selena.
 — Como é você sabe?
 — Bom, olha, não é difícil notar, as suas roupas e o seu cabelo são um pouquinho radicais. Mas não se preocupe, nada que Selena Gomez, especialista em produção visual não possa resolver.
 As meninas sorriram. Madison as olhou com completo... Nojo. Na verdade, ela não esperava encontrar isso quando pisasse naquela escola. Esperava encontrar pessoas legais e gente desinterassada.
 Mal podia ver que estava super enganada.
 — Mas se você é bolsista, não devia estar fazendo a prova? — perguntou Isabella.
 — Hm, não. Eu vim pra cá como bolsista atleta.
 — E o que é isso? — Ava perguntou.
 — É que eu pratico taekwoundo e acho que quando tiver um intercolegial eu vou representar o colégio. — deu de ombros.
 — Não, não. — Selena balançou a cabeça — A Academia Yancy jamais participa dos intercolegiais. Ainda mais nesse negócio aí de taekwondo, eu acho que você errou de escola.
 Madison as olhou confusa. Não sabia o que pensar naquele momento, mas desejou sair de perto daquelas três antes que ficasse louca.
 — Ta bom, eu vou te mostrar o seu quarto, as bolsistas ficam pra lá. — falou Isabella, começando a andar pelo corredor — Vamos, meninas.

 — Olha, esse quarto aqui está disponível. — Isabella entrou no quarto — Pode escolher qualquer lugar e decorar como você quiser.
 — Ah é, como o nosso! — Selena sorriu, se sentando em uma poltrona vermelha — O nosso quarto foi todo decorado pelo Aiden Thomas, meu decorador. Ficou lindo, você nem imagina. Ele deixou cada uma com o seu estilo divino. O único mal é que agora chegou uma ignorante chamada Demi. — Selena torceu o nariz — E estragou tudo, todo o trabalho que fizemos em meses. Juro que me deu vontade de vomitar vendo as coisas que ela trouxe. Bom, eu digo isso porque sou super sensível e você ainda não me conhece.
 — Ai, que nojo, uma mosca! — falou Ava, parecendo abafar o ar.
 Madison ainda as olhava confusa, como se aquelas garotas não fossem reais. Não tinham nada a ver com ela, e já começava a não suportá-las.
 — Hmm, eu vou pegar a minha mala. — falou ela, indo até a porta.
 — Eu te ajudo. — Isabella foi atrás dela.
 — Tem moscas nesse quarto?! — Selena sussurrou para Ava, com cara de nojo.
 — Ah, que nojo isso, fala sério!
 — Ai! — Isabella bufou, largando a mala de Madison no chão. — Tem algo que quebre aí?
 — Não sei, fizeram a minha mala no orfanato. — Deu de ombros.
 — Espera aí, você veio de um orfanato? — Isabella arregalou os olhos.
 — É, algum problema? — ergueu as sobrancelhas.
 — Não, é porque aqui isso não é comum. — Ava sorriu forçado.
 — Me desculpe, mas eu nunca vi uma órfã ao vivo... Como é ser órfã? — Selena a encarou como se fosse ouro.
 — Deve ser super deprimente, não é? — Isabella falou, olhando para Madison com pena.
 — Pior que não, lá se aprende muito. Uma das coisas que eu aprendi lá é: destruir tudo que te incomoda. — Lançou um olhar mortal para as três.

Campus de golfe
Academia Yancy
Nova York
Joe's POV

 Bom, eu não fui pra casa após sair do hospital, como podem ver. Ainda tinha que realizar os temerosos trabalhos voluntários, coisa que com certeza não era pra mim. Eu estava odiando aquilo, não tinha nada pior, eu deveria estar em casa descansando bastante e ser mimado pelos meus empregados, poxa, eu acabei de sofrer um acidente!
 Mas o senhor Collins tampouco pensava desse jeito.
 Ele teve prazer em ir até meu quarto no hospital para jogar na minha cara que havia feito uma denúncia contra mim sobre o acidente. Tudo bem, eu vacilei, eu admito, mas ele é meu pai. Será que qualquer outro pai faria isso com o filho? Não consigo nem imaginar, ele me dá nos nervos, apesar de eu sempre afastar esse sentimento de mim. Ele me deixa nervoso e com ele não posso dizer sequer o que quero e o que penso sobre nenhum assunto. Ás vezes me espelho nele, mas na maioria das vezes eu o desejo longe da minha frente e da minha vida.
 Saí do meu quarto e fui para o campus de golfe, entrei em um carrinho e aproveitei para ligar para Jacob. Contar as "novidades":
 — Pois é, Jacob, o juíz mandou fazer trabalho voluntário numa cidadezinha... Juro que preferia morrer. — Balancei a cabeça, afastando tais pensamentos. — Aposto que foi ideia do meu pai. Não me deixa sozinho nessa, ok? Ta bom, tchau.
 Desliguei o telefone, já voltando a sentir a mesma repulsa de antes. Eu estava atordoado com toda aquela situação, estava fora de cogitação eu, Joe Collins, passar o verão inteiro trabalhando. Qual é, eu nunca nem lavei um prato em casa, agora terei que trabalhar para outras pessoas? Foram só maconha e bebidas, ok? Porra, foi só uma mancadinha!
 Ainda continuava rodando pelo campus com o carrinho, passei pelas líderes de torcida fazendo alongamentos no gramado, as quais acenaram para mim alegres e sorrindo. Assanhadas. Me adoravam, eram loucas pra transar comigo, e eu já havia pegado metade. Assim como metade dessa escola.
 Quem pode, pode.

Selena Gomez's POV

 Aquela Madison me assustou, eu não vou negar. Depois das últimas palavras que ela me lançou, eu e as meninas demos uma desculpa para sairmos correndo daquele quarto o quanto antes. Até tinha passado pela minha cabeça que eu poderia ajudá-la aqui, mas logo descartei. Não gosto de trabalhos difíceis, muito menos de cobaias difíceis. Se quer ficar do jeito que está, que fique. Eu, Ava e Isabella saímos daquele quarto, indo direto para o campus de golfe.
 Ao chegar lá, pegamos um carrinho e nos amontoamos em cima dele, eu e Ava na frente e Isabella atrás. Conversávamos sobre assuntos recorrentes quando cruzamos com o carrinho de Joe a nossa frente, o qual havia acabado de azarar simultaneamente várias líderes de torcida atrás dele. Eu automaticamente dei um sorrisinho cínico pra ele. Eu já estava ligada na mega confusão que ele havia se metido, aliás, quem não sabia?
 Joe parou o carro a minha frente, me fazendo parar também. Nós dois nos encaramos.
 — Joezinho! — Falei, sorrindo. — Suas férias foram curtas, não é?
 Ele riu, balançando a cabeça.
 — Olha só quem fala. Você nem saiu daqui, gatinha.
 Ele piscou para mim, e depois arrancou com o carrinho, dando de ré e virando na direção oposta. Fiquei estática em meu lugar. Como assim? Ele é apenas Joe Collins. Apesar de ele ter dito a verdade, eu não aceitava ouvir aquilo dele, não mesmo.
 — Hahaha. — Ri irônica, não achando graça nenhuma.
 Ele deu uma última olhada para nós e saiu de vez, sem olhar pra trás. Já vai tarde.
 — Vem cá, porque você trata ele assim? — Perguntou Ava de repente. — Eu acho que você está afim dele.
 — Mas é claro que não. — Nós duas rimos, eu achando completamente sem nexo o que ela acabara de dizer. — Sabe, Ava, ele é um gato, mas não faz o meu tipo. E ficar com ele? Fala sério!
 Ela me avaliou, parecendo querer entrar da minha cabeça para ver se eu estava falando a verdade.
 — Bom... — disse ela.
 — Bom o que? — perguntei.
 — Eu já volto! — ela deu um gritinho, saindo do carrinho rapidamente e correndo para onde Joe havia partido.
 Eu ri e a olhei, meio perplexa, mas não assustada. Joe seria o novo alvo de Ava, isso eu já esperava para esse ano.
 — Ah, vai pedir carona pra ele, vai? — eu ri, vendo ela correr empolgada.
 — Ei, por favor! — ouvi ela dizer para um garoto que estava de bobeira parado em um carrinho. — Pode me dar uma caroninha até lá em cima?
 O garoto apenas sorriu e ela subiu em seu banco carona, o carro arrancando para frente. Que esse garoto não queira nada em troca, por favor. Ava era louca, era capaz de aceitar para não ficar mal na fita. Apenas balancei a cabeça e Isabella se sentou ao meu lado, no antigo lugar de Ava.
 — Amiga, fiquei pensando muito no que a Ava disse. — falou Isabella.
 — O que?
 — Que você e o Joe seriam o casal ideal. Os dois são iguais. — ela sorriu, parecendo sonhar com esse dia.
 Eu ri. Na verdade, gargalhei. Não era possível. Onde que eu e Joe éramos "perfeitos um pro outro"? Nunca, né? Contem outra, o garoto é um bebêzão e fica com todas as meninas do colégio. Um namoro dele deve durar o que? 1 semana? E olhe lá...
 — Ah, Isabella, por favor! — bufei, rindo. — Sério, não tem nada a ver. Você pensa umas merdas muito grandes, mas tudo bem.
 Ela revirou os olhos, parecendo não mudar de ideia.
 — Viu a Ava? Ela perde a linha, saiu voando atrás do Joe. É só aparecer um menino que ela vai correndo atrás.
 — Ai, não começa, não critica, ela é nossa amiga, lembra? — levantei as sobrancelhas.
 — É óbvio, eu sei que ela é nossa amiga, mas isso vai ficar entre a gente, ta? Olha, você não vai negar que ela é super atiradinha com os meninos. — deu de ombros.
 Eu ri. Na verdade, foi a única coisa que eu encontrei naquele momento.
 — Isabella, para! — falei. — Já chega. O problema é que a Ava tem que ser boazinha porque todos os meninos querem ficar com ela. Tem que ser como eu, não os trato mal, mas eu parto o coração deles.
 Ela bufou.
 — Você é legal, mas eu acho ela muito oferecida!
 — Sério?
 — Por isso que eles te procuram tanto.
 — Ta bom, chega de criticar. O que eu ia te dizer a 5 minutos é que eu tenho que ir falar com o diretor, por isso querida, me dá uns minutinhos, vai lá.
 "Expulsei" Isabella do carrinho, mandando um beijinho no ar. Logo mais, saí com o carrinho, direto para a sala do diretor. Haviam assuntos importantes a tratar com ele, muito importantes.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Episódio 10 - Fabulous

"Não sei que coração é esse, que te chama por horas e horas, mas que se cala quando você chega. Como te querer se não sei como querer. Como te amar se nem sei se você me ama." — Caio Augusto Leite.
Avenida Begrs Street
Nova York

"Ok, pode parar aqui." — Logan se manifestou no carro — "Daqui eu vou sozinho."
"Porque, filho? Falta tão pouco." — disse seu pai.
"Eu sei, pai, mas eu não sou mais uma criança pra você me deixar em frente a escola."
 Seus pais suspiraram e pararam a uma distância mínima da Academia Yancy, enquanto Logan se atirava para fora da caminhonete Hi-Lux, pegando apenas sua mala preta de rodinhas e começando a caminhar.
"Filho, espera!" — sua mãe gritou, o fazendo parar de má vontade — "Sabe o que é? Eu gostaria de conhecer seus colegas. O seu quarto, o refeitório..."
"Ok, mãe, mas não vai dar. E também não quero que venham me visitar nos fins de semana. Quando der eu visito vocês." — deu de ombros.
"Mas nós achamos importante visitar você aqui." — sua mãe sorriu.
"Tudo bem, tudo bem." — seu pai cortou a conversa, dando um riso forçado — "Ele é assim." — abraçou Logan, fazendo o garoto executar uma careta de mal gosto — "Sabe, eu sinto muito orgulho de um filho de um simples açougueiro, de gente do campo, chegou ao melhor colégio do país. Sabe, filho, você vai chegar mais longe do que eu."
 Logan revirou os olhos, completamente entediado.
"Desde que seja um homem bom e trabalhador como você." — os pais se olharam — "Porque é o que eu quero."
"Tudo bem, mulher. Ele quer ser mais do que eu..."
"Mas porque ser mais? Além disso, ele pode continuar com o negócio do açougue. Nós conseguimos juntar mais do que jamais sonhamos."
"Ok, chega!" — gritou Logan — "Já chega, ok? Não vai começar agora com aquela história de miséria, que um dia ficamos ricos e blá blá blá." — ele bufou.
"Tudo bem, filho." — seu pai sussurrou — "Boa sorte. Trouxe tudo?"
"Sim, pai." — respondeu Logan, morrendo de vontade de vê-los longe.
"Aqui, filho. A medalinha do seu batismo." — sua mãe colocou um cordão de prata em seu pescoço — "Ande sempre com ela."
"Obrigado... Agora vão." — Logan bufou, e dessa vez seguiu em frente para a Academia.

Queens
Nova York

"E depois o meu pai morreu." — completou Nick, com o olhar distante, enquanto ele, Abigail e Miley estavam sentados, ainda esperando o ônibus.
"Coitado." — Miley suspirou — "E morreu de que?"
"Ele já estava doente." — Nick deu de ombros.
"Puxa..." — Abigail suspirou, observando Nick.
"Na verdade, o sonho dele era que eu entrasse pra essa escola, por isso eu vim." — Nick mentiu, rolando os olhos. Era a primeira vez que mentia daquele jeito em voz alta.
"Vai ser difícil." — falou Abigail — "Nessa escola é tudo complicado. Não pense que vai ser tão fácil entrar."
"Mas... Eu posso falsificar a assinatura da minha mãe..."
"Como vai falsificar a assinatura da sua mãe, garoto? Te expulsam! Não, aqui é tudo cheio de regras!" — ela bufou — "O que eu quero dizer é o seguinte, precisa de alguém que se responsabilize por você. Que fale por você, que o defenda, entendeu?"
"Mas esse é o sonho da minha vida inteira. É quase meu projeto de vida, entrar pra essa escola..." — Nick imaginava se não estaria exagerando demais.
"Você vai entrar, eu tenho certeza." — Miley sorriu, encorajando-o.
"Não, você vai entrar, eu tenho certeza."

Centro Médico Chapon Hill
Nova York

"Venha, filho." — a mãe de Joe puxou o garoto pelas mãos enquanto terminava de colocar suas roupas normais. Joe estava com a cara mais abatida de todas. Não dormia direito havia dias e sua cabeça ainda doía com o curativo acima da sobrancelha.
"Eu estou bem, mãe." — Joe falou baixo, ainda sentindo dores.
"Vejo que se recuperou perfeitamente, Joe." — o diretor Ethan entrou pela porta do quarto, o que causou ainda mais dores de cabeça em Joe.
"Senhor diretor, me desculpe." — falou Joe — "Eu sei que vacilei. Acho que dessa vez a situação é um pouco delicada, não é?"
"É..." — Ethan deu de ombros.
"Mas não está pensando em me expulsar, não é?"
"Bom, eu devia, Joe, mas falei com o seu pai e considerando que todos os seus irmãos passaram pelo nosso colégio, vamos considerá-lo como um caso especial." — Ethan sorriu e Joe o olhou confuso — "E tem mais, eu falei com o juíz e não precisará ser processado. Isso não significa que não terá uma punição."
"Ah, muito obrigada!" — falou a mãe de Joe, sorrindo como sempre — "Que consideração. Agradeça a ele, Joezinho." — deu uma cutucada em Joe.
"Obrigado. Qual é a punição?"
"Está aqui, especificado." — Ethan tirou do bolso do terno alguns papeis — "E você vai realizar trabalhos voluntários. E não se preocupe, vai ser na cidade, perto do nosso clube de férias. Mas fique sabendo que vai ter um inspetor vigiando você."
"É por isso que eu adoro a sua escola!" — a mulher riu, pegando no braço de Ethan e o encaminhando para fora do quarto.
"Senhora, por favor..." — Ethan ria nervoso.
"É tão encantador..."
"Nós temos prazer em poder ajudá-lo." — sorriu.

Área da piscina
Academia Yancy
Nova York

"Oi, gatinha!" — gritou Logan ao ver uma loirinha baixa andando em sua frente. A garota o olhou, parecendo confusa — "E aí, posso te ajudar em alguma coisa? Eu já vi que você é nova aqui, e sei lá... Logan Lerman." — estendeu a mão.
"Eu sou Madison Taylor." — fez um toque de mãos com Logan, e o garoto a olhou cético. Só agora havia percebido algo 'macho' na garota.
"Hmm, Madison Taylor..." — ele analisou-a — "É que... Combina com seus olhos." — Madison riu — "Então, você é bolsista aqui? Veio fazer a prova?"
"Não, pra mim não disseram nada."
 Em algum canto da piscina, no meio da confusão entre os jogadores que praticavam volleyboll na água, a bola escapou dentre as mãos de alguma pessoa, fazendo a bola correr pelo teto e bater em Madison, na parte de seus seios. A garota soltou um gemido de dor e as pessoas na piscina a olharam preocupados. Não com ela, claro, mas se ela devolveria a bola numa boa.
 Madison os olhou com raiva. Logan apenas revirou os olhos, se fazendo de desentendido, como se não estivesse presente naquele momento. Madison pegou a bola do chão.
 — Quem foi o idiota? — A garota gritou, olhando para as pessoas na piscina.
 Ninguém soltou um pio. Ela bufou e em menos de 1 segundo, jogou a bola pra cima, chutando-a em seguida, com uma força extraordinária. O queixo de Logan caiu. Ele e todos acompanharam enquanto a bola voava pela quadra, por cima da piscina. E todos olharam com medo até ver que a bola ia em direção a um homem descendo as escadas, há uma distância significante da quadra. Não deu outra, a bola bateu em seu braço, dando um estalo.
 — O que aconteceu, Daniel? — Gritou o homem, massageando seu braço onde fora atingido, saindo em seguida batendo os pés.
 Daniel Anderson era o professor de educação física, presente na quadra naquele momento, e não soube o que dizer naquele momento. Não podia dizer nada, ainda olhava perplexo para Madison, assim como os outros.
 — Nada mal. — Logan comentou após as pessoas terem "acordado" e voltado para suas atividades. — Eu aposto que você quer ajuda com a sua mala, não é? O que é isso aqui? Seu tapete de alongamento? — Ele riu, enquanto pegava a mala de Madison.
 Os braços de Logan queimaram. Pareciam haver pedras na mala da garota. Logan soltou um gemido gutural enquanto tentava levantar a mala, e Madison apenas soltou um sorriso.
 — Vamos lá? — Ela riu e começou a caminhar para dentro da escola, sendo seguida pelo andar devagar de Logan.

Dormitório das meninas / Selena's Room
Academia Yancy
Nova York

 — Eu não voltei só por você, Selena, eu voltei também porque eu não suportava mais a minha mãe e o imbecil do meu irmão. — Ava bufou enquanto Selena passava pó em seu rosto. — Só porque o meu pai saiu de casa, ele se acha o dono de tudo.
 — Soube mais alguma coisa dele?
 — Não. Ele se divorciou da minha mãe, se divorciou de todos.
 — Vocês já viram os alunos novos? — Perguntou Isabella enquanto descia as escadas do dormitório gigante.
 — São uns idiotas... — Murmurou Ava.
 — Tadinhos, pareciam que estavam entrando no matadouro. — Isabella riu.
 — Você já está prontinha. — Selena disse á Ava enquanto guardava um pouco de suas maquiagens. Ava agradeceu murmurando um "obrigada". — Olha, eu nem tive vontade de sair do meu quarto. Já basta ter visto aquela menina... — Selena descia as escadas, indo ao encontro de Isabella. — Sabe o que eu descobri? Que ela é filha de uma artista...
 — Gente, eu vi ela em uma revista, eu achei ela bem bonita. — Ava se levantou do espelho, indo ao encontro das amigas.
 Selena bufou.
 — Ava, acorda! Por favor, nas revistas eles retocam as fotos no computador. — ela se jogou em sua cama — Você precisa vê-la pessoalmente, não é? Conta pra ela, Isabella!
 — Então me contem, eu quero saber. — Ava se sentou em sua cama, e Isabella soltou uma risada.
 — Parece uma árvore de natal com as luzes piscando, é horrível. — Selena contou, fazendo as três rirem. Ava murmurava palavras como "Ah não, não acredito..."
 — E a filha? — perguntou Ava.
 — A filha? Não, a filha é a pior de todas! É a mais idiota que eu já vi na minha vida! — Selena gesticulava com os braços.
 — Espera, me conta aí. — pediu Ava.
 — Não, espera, ela tem um cabelo loiro com umas mexas verdes...
 — Azuis! — corrigiu Isabella.
 — São azuis também? — Selena riu. — São azuis, roxas, sei lá...
 Naquele momento, a porta se abriu bruscamente. Demi chutou suas malas para dentro do quarto, fazendo um silêncio reinar naquele momento. A garota entrou a passos largos, não se importando com as meninas ali.
 — É exatamente desse jeito. — Selena resmungou — Escuta, menina, acho que você se enganou, porque a saída fica por aquele lado. — apontou para um lado distante do quarto.
 — Ah, não me diga! — Demi sorriu irônicamente. — Então me desculpe, pois eu vim pra ficar aqui, bonequinha. — Mexeu nos cabelos de Selena.
 — Mas você me disse que não ia ficar...
 — Pois é, mas eu mudei de ideia. — Demi pulou de joelhos na cama de Selena — Porque eu gostei muito da escola e então... Eu vou ficar aqui. — Sorriu.
 Selena a olhou com nojo e desprezo, e também um pouco de preocupação. Não sabia porque, mas já sentia que Demi iria ser um problema pra ela.
 — Essa escola não tem nada a ver com você! — Isabella disse, se levantando.
 Demi a olhou com graça, dando um enorme sorriso de deboche.
 — É mesmo? — Ela se levantou, ficando em pé na cama de Selena. — Poxa, mas que inteligente você é.
 — Não na minha cama! — Selena gritou ao ver Demi em pé.
 — Deixa eu te perguntar, além de falar, você também sabe fazer piruetas? Como todos as baleias? — Demi falou para Isabella, ignorando a existência de Selena completamente.
 Ava levou a mão á boca, chocada com o comentário de Demi. Selena baixou os olhos, seu peito pareceu se apertar. Isabella a encarou, sua garganta se fechando, como se não houvesse o que dizer naquele momento.
 Isabella era a típica pessoa que estava acima do peso. Isso seria normal, se ela não fosse uma das meninas mais populares da escola. Se sentia completamente fora do mundo comum pelo motivo de não estar no patamar do "corpo perfeito", e se tinha alguma coisa que a machucava era caçoar disso.

Salão principal
Academia Yancy
Nova York

 — Os que entregaram a solicitação podem passar para a sala para fazerem a prova. Só os candidatos! — Anunciou Emma para a aglomeração de pais e filhos na Academia.
 Nick e Miley se levantaram em um sobressalto, assim como um montante de alunos. Todos pareciam mais nervosos do que o comum, pareciam estarem se decidindo ali na hora se iam ou não. Dava pra ver o pânico nos olhos deles.
 Um a um, os candidatos iam até a mesa de Emma e colocavam a solicitação preenchida, como devia ser. Suas mãos tremiam, sem querer exagerar. Eles estavam mesmo nervosos. Miley rapidamente entregou nas mãos de Emma e caminhou até a sala, parecendo suar frio.
 Nick se encaminhou para a mesa de Emma, colocou sua solicitação e já foi seguindo para a sala, quando:
 — Jonas! — chamou Emma, fazendo Nick se virar novamente — Você não.
 Nick a olhou confuso e ao mesmo tempo perplexo. Abigail e Miley pararam para ver ao longe, também confusas.
 — Não o que? — perguntou ele.
 — Você não pode fazer a prova. — ela deu de ombros.
 — Mas porque?
 — O diretor não falou com os seus pais. Eles vieram com você?
 A cabeça de Nick queimou. Seus pais? Não havia coisa pior para pedir a ele naquele momento. Estava fora de cogitação envolver seus pais naquilo. Ele respirou bem fundo.
 — Não. — respondeu.
 — Então você não vai poder fazer a prova, eu lamento. — Emma deu de ombros.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Episódio 9 - I Believe

"Dizem por ai, mas não tenho certeza, que meu sorriso fica mais feliz quando te vejo, dizem também que meus olhos brilham, dizem também que é amor, mas isso sim é certeza." — Dom Casmurro.
Nova York

"Pai, eu..." — Joe tentou começar, mas as palavras lhe faltavam. Ele estava com mais medo do que nunca esteve.
"Você faz de tudo pra me destruir." — disse Michael, com seu tom frio e arrogante de sempre — "O que a oposição não conseguiu fazer em anos, você quase conseguiu em um dia." — ele bufou, dando passos até Joe — "Me diga uma coisa, filho, qual é o seu plano? Quer me arrasar? Porque você não aprende com os seus irmãos mais velhos? Eles são mil vezes melhores do que você! Você não pensa na minha imagem pública, não é verdade? Não se importa se ficam falando do seu pai por aí, pelas ruas, em todos os lugares..."
"Pai, por favor, deixa eu falar..." — Joe balançou a cabeça.
"Não, eu não vim pra escutar você! Eu vim pra falar. Eu vim dizer que se você pensa que por ser meu filho vai poder fazer o que você quiser..." — Michael balançou a cabeça, parecendo indignado — "Filho, você está muito enganado. Dessa vez eu não pretendo salvar você. Você foi longe demais, podia ter matado todo mundo!" — Joe abaixou a cabeça, as palavras de seu pai pareciam ser marteladas no cérebro dele — "Você destruiu um carro..."
"Pai..."
"Você destruiu um carro, não é verdade?!"
"Eu vou pagar por tudo, pai, eu juro."
"Não." — Michael soltou uma risada irônica — "A minha confiança não tem preço."
"Nunca teve confiança em mim, não é? Tudo que vê em mim é ruim, pai."
"E tem alguma coisa boa?" — ele levantou as sobrancelhas e Joe sentiu os joelhos vacilarem. Ele não queria escutar mais nada — "Eu vim trazer isso." — Michael retirou uma folha de papel do paletó que usava.
"O que é isso?"
"É uma entimação." — ele estendeu a folha para Joe. O garoto arregalou os olhos.
"Quem fez a denúncia? As garotas?"
"Não... Eu fiz."
 Joe olhou para o pai, com uma expressão de choque e desamparo. Seu pai estava transformando aquela situação na mais infernal de todas. Seu coração pareceu apertar, e de repente ele se tocou de que não sabia do que seu pai era capaz.
"Você?!" — Joe arregalava os olhos chocado.
"A mídia me persegue. Eu tenho que dar alguma coisa." — ele deu de ombros, parecendo completamente satisfeito.
"Ah, claro." — Joe deu uma risada irônica — "Agora eu entendo. O político exemplar quer entregar a cabeça do filho. Maior sacrifício do que esse impossível, não é?"
"Não é assustador que tenha tanta inteligência. Você que não a use, filho." — deu um olhar duro para Joe e saiu, acendendo mais um de seus inseparáveis charutos.
"Pai, espera!" — Joe gritou, mas o pai já havia ido — "É, estou com um pouco de dor de cabeça. Obrigado por perguntar..." — falou a si mesmo.

Highland PS
Nova York

"48, 49, 50, 51..." — Selena arfava enquanto levantava mais um peso no meio do quarto. Não era a primeira vez que se sentia tão entediada a ponto de malhar ali, no quarto mesmo — "Selena!" — ela gritou a si mesma, largando os pesinhos e se olhando no enorme espelho que pegava do chão ao teto — "Selena, o que é isso? Que gordurinha é essa? Não pode ser! Droga! Porque tudo tem que acontecer comigo?!" — ela choramingou enquanto apertava sua barriga em frente ao espelho.
 Selena gemia de indignação ao procurar qualquer tipo de creme nos armários e rezou quantas vezes fosse preciso para que Deus a afastasse das celulites e estrias. A garota ainda se olhava no espelho quando algo escorreu por sua porta. Ela olhou, sem entender no início. Depois viu um pedaço de papel no meio do quarto.
"Quem é?" — gritou ela, mas não obteve resposta. Selena se aproximou e pegou a carta, que estava intitulada como 'Selena Gomez'. Ela rapidamente abriu a porta, mas não viu ninguém, corredor completamente vazio. Ela estranhou e fechou a porta novamente.
"Ah não, e se for um trote? Ou um vírus perigoso?" — ela murmurou, se sentando na cama — "Ou talvez não! Talvez é um menino que quer ficar comigo... E se for aquele gatinho da outra sala?" — ela riu — "Caramba, é muito difícil seu eu! Tenho que ler..." — Selena abriu a carta, com sorrisos involuntários — "Essa caça ao tesouro é pra você. No colégio tem uma coisa que te interessa. Pra encontrar a primeira pista vá ao corredor dos vestiários..."
 Selena parou de ler e não sabia o que fazer. Rapidamente, ela se levantou e saiu pela porta, seguindo para o corredor. Chegando lá, bem em cima dos vestiários, havia plaquinhas onde ela deveria ir. Ela estranhava, pois a escola estava completamente vazia, mas seguia em frente. Depois de ter rodado praticamente a escola toda, ela chegou ao ginásio, que estava completamente escuro e assustador. Selena começou a sentir um medo, pois não via ninguém. E, sem mais nem menos, a garota tropeçou em seus próprio pés e algo caiu em cima dela.
"O QUE É ISSO?!" — Selena berrou ao ver que uma rede caíra em cima da mesma — "QUEM ESTÁ AÍ? EI, QUEM ESTÁ AÍ? ME AJUDA, JÁ CHEGA DISSO!"
 Selena começava a ficar com medo, e não sabia o que fazer. De um canto do ginásio, ela ouviu passos, e de repente duas pessoas apareciam naquele escuro como breu. De repente ela passou do medo para sentir alívio. As duas pessoas eram Isabella e Ava, suas amigas, que viam rindo.
"Calma, amiga!" — disse Ava, rindo, enquanto ela e Isabella tiravam a rede de Selena.
"Suas bobas! Vocês me assustaram!" — Selena estava rindo, estava feliz — "Vem cá, o que estão fazendo aqui? Não estavam de férias?"
"Nós estávamos, mas eu disse pra minha mãe que preferia voltar pro colégio." — Ava deu de ombros.
"Ah, amiga!" — Selena a deu um abraço rápido.
"E é claro que eu inventei pra minha mãe que tinha que estudar algumas matérias." — Isabella sorriu.
"Por isso que eu adoro vocês, porque são as melhores amigas desse mundo! Obrigada por não me deixarem sozinha."
"Como a gente ia te deixar sozinha?" — Isabella riu.
"Não, a gente prefere sofrer com você num martírio." — Ava sorriu.

Queens
Nova York

"É aqui." — Abigail apontou para o logotipo do Highland na figura na parede, avisando que ali era o ponto onde o ônibus do internato passaria — "Essa é a escola, Miley, eu..."
 Abigail foi interrompida por um ser que esbarrou nela enquanto se virava para Miley. Instantaneamente, ela o bateu com a bolsa que segurava, fazendo o garoto se assustar.
"Qual é o problema, senhora?" — Nick gritou, afagando seu braço.
"Como assim qual é o problema? Você me deu o maior susto!" — Abigail bufou.
"Eu só vim esperar o micro ônibus do Highland Private School, sei lá..." — ele suspirou.
"Oh, me desculpe, eu não sabia que você também era aluno daqui, mas... É que de repente aparece qualquer um que a gente não sabe se vai cumprimentar ou roubar." — ela deu de ombros. Nick deu um sorrisinho fraco.
"Sou Nick Jonas." — ele estendeu a mão para elas.
"Sou Abigail." — apertou a mão de Nick.
"Eu sou Miley." — a garota lançou um olhar doce para Nick, que se encantou na mesma hora.
"Pra ser sincera, é muito chato, é que essa cidade você não sabe de onde você é, o que você faz, as coisas são bem difíceis..." — Abigail remexia em sua bolsa enquanto falava.
"Sou da Flórida, mas meus pais moraram aqui há muito tempo." — disse Nick.
"Que legal! Nós somos da Califórnia, mas foi fácil chegar até aqui." — Miley sorriu, fazendo Nick sorrir junto.
"Ah, então vocês já estão acostumadas com a correria dessa cidade..."
"Não, ainda não acostumamos, falta muito." — Abigail riu — "E como você chegou aqui? Da onde você veio?"
"Na verdade, eu estou muito cansado."
"E de que você veio?"
"De ônibus." — Nick deu um sorriso de lado.
"Nossa, tantas horas de ônibus!"
"12."
"Nossa senhora, que isso, deve estar cansadíssimo. Você já comeu?"
"Hm... Não."
"Toma aqui, eu trouxe uns sanduíches de casa, vai servir pra você."
"Ok." — Nick sorriu.

Episódio 8 - 1800 Clap Your Hands

Tenho um segredo pra vocês. Aproximem-se! Não lemos nem escrevemos poesia porque é bonitinho. Lemos e escrevemos poesia porque somos membros da raça humana. E a raça humana está repleta de paixão. E medicina, advocacia, administração, engenharia são objetivos nobres e necessários para manter-se vivo. Mas a poesia, beleza, romance, amor é para isso que nós vivemos. Citando Whitman: “Ó eu! Ó vida! Entre as questões que reaparecem, os intermináveis trens dos desleais, cidades cheias de tolos. O que há de bom entre eles, ó eu? Ó vida? Resposta. Que você está aqui. A vida existe e a identidade. Que essa brincadeira de poder continue e você pode contribuir com um verso.” Qual será o verso de vocês? — Sociedade dos poetas mortos.

 Salão Mystic Sal's
Califórnia

"Ah, quando conhecer o colégio não vai acreditar, parece até um hotel de 5 estrelas." — falou a tia de Miley enquanto penteava os cabelos da sobrinha — "Os quartos são como suítes presidenciais, lindos!"
"Tia, e se não me aceitarem? O que vai acontecer? O que eu vou fazer se eu não entrar pra esse colégio?" — perguntou Miley, se virando para a tia.
"Mas porque, filha? Porque não vão aceitá-la e entrar nesse colégio?"
"Não, não é isso, mas eu morro de medo. Eu juro que morro de medo de não passar nessa prova!"
"Será aprovada." — ela sorriu.
"Depois de tudo que ficou gastando com os professores particulares pra que eu pudesse entrar... Mas eu prometo que eu vou te pagar por tudo que você fez por mim."
"Oh, esquece essa história de pagar! Porque se disser de novo eu queimo o seu cabelo, faço um permanente e vou deixar tudo verde, o que você acha disso?"
"Então você vai me maltratar?" — perguntou Miley, se segurando para não rir.
"Vou, vou sim! Vou deixar você careca, o que acha?"
"Você é muito má!" — as duas riram e se abraçaram.
"Minha linda..." — a mulher sussurrou no ouvido de Miley, causando um conforto na menina.
"Obrigada por tudo, tia."
"Não tem o que agradecer. E lembre-se, se não gostar de alguma coisa ou se alguém mexer com você, se aqueles ricos exibidos quiserem te maltratar, não esqueça de me ligar, filha, estou avisando."
"Mas espera, se lá eu vou ter que estudar com adolescentes ricos e exibidos, porque eu estou indo?" — Miley arqueou as sobrancelhas, como se não soubesse o que pensar naquele momento.
"Filha, não reclama." — sua tia bufou — "Olha, você tem que crescer. O preço nós temos que pagar, temos que pagar pra ser alguém. Você tem que sair dessa cidade, querida, você é muito mais do que uma cabeleireira." — ela acariciou o rosto de Miley com doçura e a deu mais um abraço, que confortou as duas naquele momento. Ela a amava como sua própria filha e faria de tudo por ela, sem medidas — "Minha filha..."
"Miley!" — as duas se separaram ao ouvir uma voz e uma mulher entrando no salão, batendo os pés e parecia irritada. Tinha cabelos castanhos claros e olhos azuis. A mãe de Miley — "Você vai lá em casa se despedir da sua irmã ou vai embora direto daqui?" — perguntou ela com desdém.
"Não, claro que eu vou me despedir da Emily, mãe. Aliás, sem a sua permissão eu não vou a nenhum lugar." — Miley falou desanimada e saiu em seguida.
"O que está olhando? Gostou da cor de cabelo que eu estou usando? Gostou? Posso pintar o seu de graça?" — disse a tia de Miley com desdém, a olhando com desprezo.
"Agora que conseguiu separar a minha filha da mãe dela deve estar contente, não é, Abigail?" — as duas se encaravam com ódio nos olhos, um ódio antigo.
"Se quiser que eu diga a verdade... Sim." — Abigail deu um sorriso cínico.
"O que ganha tirando a minha filha de casa? Fala!"
"Ganho nada. Vou sentir muito mais saudade do que você. Mas sabe quem vai ganhar? A própria Miley."
 A mãe da garota balançou a cabeça, parecia indignada. Parecia não querer ouvir nada que saísse da boca de Abigail.
"Não vê que eu preciso dela?" — ela trincou os dentes — "Porque encheu a cabeça dela de merda, porque?"
"Porque ela tem direito!" — gritou Abigail, se aproximando da mulher — "Ela tem o direito de ter a cabeça cheia de sonhos, ela tem o direito de ter uma história diferente, a história não pode se repetir, tem que ser diferente de você e de mim!"
"Ah claro!" — a mulher soltou uma risada irônica — "Desde que não levem ela pra onde levaram você também... Tomara que a minha filha não seja uma prostituta como a tia dela foi." — olhou com nojo para Abigail, que revirou os olhos.
"Não. Ela não vai ser prostituta, eu tenho certeza. Mas sabe de uma coisa? Não vai ser a enfermeira da irmã dela a vida toda!"
"Sabe perfeitamente que ela ama a irmã dela..."
"Mas é claro que ela ama! A menina gosta dela, mas você é a mãe dela, ela não é a mãe dela e tem que cuidar dela! É seu direito e sua obrigação, ENTENDA!"

Casa de Miley
Califórnia

"Oi." — sussurrou Miley ao ver Emily tentando subir os degraus da escada. A menina com síndrome de down segurava um telefone de brinquedo, e parecia não ter ideia da onde estava indo.
"Ainda faltam alguns degraus." — disse Emily, apontando para a escada. Miley deu um sorriso fraco e se sentou na escada, pegando um caderno meio surrado.
"Aqui nesse livrinho eu vou escrever tudo que acontece comigo. Pra que quando eu for ver você eu possa ler tudo, como se estivesse lendo uma historinha." — falou ela enquanto Emily se sentava ao seu lado.
"Ok." — a menininha abraçou Miley, parecendo agarrar cada pedacinho dela — "Porque, Miley? Porque?"
 Miley sentiu um aperto no coração e se segurou para não começar a chorar.
"Eu vou sentir muito a sua falta..." — disse com voz abargada — "Mas você e eu sempre vamos estar juntas." — beijou a testa de Emily — "A minha tia me prometeu que vai te pentear todos os dias. E vai te deixar mais bonita do que se eu estivesse com você." — ela sorriu e se virou para Emily — "Ela vai pintar suas unhas também."
"É... As unhas?" — disse a menina, maravilhada.
"Pois é..." — Miley riu — "Me dá um beijo." — Emily logo beijou seu rosto e Miley a abraçou, sentindo cada parte da irmã. Em seguida, pegou na mão de Emily e foram para o quarto, se sentando em cima das duas camas de solteiro no quarto pequeno, pegando uma caixa que estava no chão — "Agora você vai ser a responsável, vai cuidar de todos os nosso brinquedos, ta bom? Você promete?" — Emily apenas assentiu, começando a remexer nas coisas da caixa — "Eu não quero te deixar..." — uma lágrima começava a querer sair dos olhos de Miley — "Mas eu tenho que ir."
"Porque?" — perguntou Emily inocentemente.
"Porque eu quero ser uma grande médica pra poder cuidar de outras crianças como você." — acariciou os cabelos de Emily. Enxugou algumas lágrimas que escaparam e pegou um retrato na cabeceira — "Olha, eu tenho essa foto de nós duas. Olha como estamos bonitas."
"Você tá mais bonita." — Emily apontou para Miley na foto.
"Você também está linda..." — a voz de Miley começava a falhar — "Olha, eu vou ficar com uma foto igualzinha essa e você vai ficar com essa, pra poder lembrar de mim."
"De mim..." — Emily parecia "viajar".
"Eu já sei que vai lembrar de mim, eu também vou lembrar de você..." — Emily soltou uma risada e Miley chorou ainda mais — "Eu prometo que quando eu voltar eu nunca mais vou deixar você sozinha... Ok? Você acredita? Eu nunca mais vou deixar você. Quando eu acabar a escola eu vou voltar pra ficar com você, eu prometo. Eu te amo!" — abraçou Emily, com lágrimas.

Centro Médico Chapon Hill
Nova York

"Me disseram que você estava bem, mas não tão bem." — riu Jacob enquanto entrava no quarto de Joe.
"Eu estou bem." — Joe riu, se levantando da cama — "Nenhum arranhão. O que acha?"
"Super legal." — Jacob riu.
"E o carro?"
"Ah, cara, o seguro vai pagar."
"E o que sua mãe disse?"
"Minha mãe nem veio me ver. Ela só falou comigo por telefone e o meu pai disse que eu era um homem muito idiota. E minha mãe disse que graças a mim tinha perdido o carro." — deu de ombros.
"Ah, mas se não voltaram das férias é porque está tudo bem."
"Não, está tudo mal, eu vou ficar sem a minha mesada por 1 ano." — Jacob bufou.
"Irmão, eu estou aqui pra te ajudar." — Joe sorriu, colocando sua mão no ombro de Jacob — "E aí, o que vai fazer?"
"Eu não sei." — suspirou, dando de ombros — "E aí, como está o seu pai? Como ele está, não falou com ele?"
"Ainda não." — suspirou — "Mas garanto que vai me dar a maior bronca."
"E você está assustado?"
"Pior que to." — Joe balançou a cabeça.
"Ah, sei lá, Joe, quem sabe ele também não paga sua mesada por 1 ano inteiro igual o meu..."
"Não. Olha, essa ele não me perdoa."
"Tudo bem. De repente ele não quer te ver por 10 anos e quando voltar ele vai estar velhinho demais pra se lembrar de todas as merdas que nós fizemos." — Jacob deu de ombros. Joe gargalhou.
"Que bom que você veio." — Joe sorriu, abraçando o amigo.
"Ah, você sabe que mora no meu coração." — os dois riram e foram caminhando devagar até a porta do quarto.
"Já estava cansado de fingir que dormia pra não falar com a minha mãe." — Joe suspirou.
"Deve estar tudo bem, cara..."
"Joe!"
 Os dois se viraram ao ver o secretário Collins ali parado, com uma cara carrancuda e séria. Joe sentiu arrepios na espinha na mesma hora e quis morrer. Não queria falar com o pai tão cedo, muito menos ali, com plateia. Michael lançou um olhar furtivo para Jacob. O garoto entendeu e só disse um "Boa tarde" baixo antes de sair.
"Oi, pai." — sussurrou Joe.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Episódio 7 - A Night To Remember

O tempo não é um remédio que se toma para esquecer uma pessoa, as marcas que são deixadas apenas adormecem dentro de nós, esperando por um novo despertar. Hoje sem querer encontrei uma carta dentro de um livro empoeirado na minha estante, por sinal era o mesmo livro que você me deu de presente, e naquela carta dizia que nosso amor era pra sempre, e olha hoje, nem sei aonde te encontrar. O tempo não foi capaz de apagar o que nós vivemos. Relendo a carta, senti meu coração batendo mais forte, o mesmo sentimento que tinha quando te via, sentimento que pensei ter esquecido mas estava apenas adormecido dentro de um coração que sempre foi seu. — Ressaltar.

Sala da direção
Highland Private School
Nova York

"Minha filha Demi é hiperativa. É um verdadeiro tanque de guerra." — explicava Sophia á Ethan após um tempo de terem se 'reconhecido'. Os dois tentavam deixar o nervosismo de lado, mas não acreditavam que estavam se vendo de novo após tanto tempo.
"Eu vou adorar conhecê-la." — Ethan sorriu.
"O único problema é que quando ela mete alguma coisa na cabeça..." — suspirou — "Não desiste enquanto não consegue. E está decidida a não ficar nessa escola."
"Não se preocupe." — ele balançou a cabeça. Não conseguia parar de sorrir ao ver Sophia — "Vamos ajudá-la a se adaptar. É meu trabalho."
"Obrigada." — ela sorriu, se sentindo satisfeita por um tempo.
"Ainda mais nesse caso." — falou Ethan, bem baixo, mas o bastante para Sophia ouvir e rolar os olhos — "Quer mais café?"
"Eu agradeço, mas chega." — ela lhe entregou a xícara, se levantando — "A Demi não é má. Digamos que seja um pouco intensa. Entendeu?"
"Eu entendi perfeitamente." — ele riu sem graça, se levantando também — "O que você me contou me faz lembrar de uma linda adolescente que conheci uma vez..." — Ethan olhou bem nos olhos de Sophia, com a voz abafada — "Uma menina que era fogo puro. E, mesmo já sendo um homem, me apaixonei como um adolescente."
 Uma torrente de lembranças invadiram a cabeça de Sophia naquele momento. Tudo voltava á tona, Ethan a olhava como se fosse a 10 anos atrás, do mesmo jeito. Seu coração se acelerou por uns instantes, o tempo suficiente que teve para se perder novamente naquele olhar que ela não via a tanto tempo.
"Mas não se apaixonou o suficiente pra largar tudo e ir embora com ela." — Sophia sussurrou, ainda encarando-o. Ethan suspirou, desviando o olhar.
"Eu não podia." — ele sussurrou — "Tinha uma carreira, uma família..." — ele se virou para sua mesa, pegando um porta-retrato com a foto de uma garota linda de cabelos castanhos claros e lindos olhos negros — "Sabia que eu tenho uma filha da idade da sua?"
"É claro que eu sei." — Sophia trincou os dentes, fechando os olhos com a lembrança — "Eu sumi quando descobri que a sua mulher estava grávida."
"Você não me perdoa, não é?" — ele bufou, ainda de costas para Sophia.
"Não, eu não vim aqui criticar nem nada. Pra mim, você é só uma lembrança." — ela ficou de frente para ele — "Uma linda lembrança."
"Eu nunca te esqueci." — se olharam nos olhos de novo — "Acompanhei a sua carreira pelas revistas, procurei tudo que podia para saber sobre o pai da sua filha, mas... Nunca soube nada dele." — Ethan estava tenso.
"Não se preocupe." — Sophia suspirou — "Demi não é sua filha. O pai dela é um homem que vive muito longe e que a única coisa boa que me deu foi essa princesa." — ela deu um sorriso de tristeza — "Mas agora quer me separar dela."
"Como assim? Porque?"
"Ele disse que eu não sou boa mãe. E se a Demi não ficar nesse colégio, ele vai levá-la com ele pra Europa." — ela bufou — "Tem que me ajudar pra que ela fique aqui, por favor."
"Fica tranquila." — Ethan pegou na mão de Sophia em cima da mesa, o que causou arrepios em ambos — "Me diz, porque ela não vai poder ficar aqui, com você?"

"Já disse que ninguém pode entrar na sala do diretor sem ser chamado!" — falou Emma na porta da sala da direção, enquanto Demi tentava de todos os jeitos entrar.
"Deixa que eu me anuncio, muito obrigada, não tenho a vida toda para esperar." — respondeu Demi, empurrando Emma da frente da porta e entrando a trotadas na sala.
"Não pode entrar..." — tentou Emma, mas Demi já havia entrado.
"Nossa, a julgar pela aparência do diretor eu julgo que ele tem bem menos tempo do que eu, não é verdade?" — Demi falou ao olhar para Ethan, que fez uma expressão de confusão — "O senhor já não devia estar aposentado?"
"Demi, por favor, minha filha!" — Sophia murmurou, se aproximando de Demi — "Essa é minha filha, senhor diretor." — Sophia deu um sorriso nervoso — "Por favor, o cumprimente, Demi."
"Como vai?" — Demi deu um aperto de mão em Ethan.
"Esse senhor é o diretor do colégio." — Sophia falava as palavras pausadamente, com uma tensão na voz como se tivesse medo do que Demi poderia fazer.
"Ah, um cigarrinho, você fuma?" — Demi tirou do bolso um maço de cigarros, estendendo para Ethan.
 Ethan olhou de forma assustada para Sophia, que já estava com vários pensamentos negativos na cabeça.

Quarto de Selena
Highland PS
Nova York

"Abri a exceção de trazer o telefone até aqui só porque é o seu pai e está ligando de Los Angeles, disse que não atende o celular." — disse Emma ao estender o telefone para Selena, que ainda estava sentada na mesma posição em sua cama.
 Selena revirou os olhos e olhou para seu iPhone em cima da cama.
"Ah, olha! Está desligado." — ela mostrou para Emma, dando um sorriso cínico — "Mas diz pra ele que eu vou ligar agora mesmo."
"Atende agora, vai?" — Emma arqueou as sobrancelhas, ainda estendendo o telefone.
"Tudo bem." — Selena sorriu nervosa, pegando o telefone. Emma virou de costas por alguns segundos, tempo suficiente para Selena desligar a chamada e colocá-lo na orelha — "Alô? Pai? Como você está, paizinho?" — ela sorria — "Puxa, eu estou tão feliz, nem te conto, não vejo a hora de passar as férias no Vacance Club... Juro! Tudo bem que não é igual as ilhas do Caribe, mas não importa, tem todo mundo que eu gosto e eles estão no colégio... Ah claro, pai, divirta-se bastante e não exagere com o trabalho. Tudo bem. Te amo, pai. Tchau." — Selena desligou e Emma a olhava desconfiada. Os dois não haviam brigado? Jayden foi bem claro ao telefone ao explicar isso á ela.
"Está tudo bem?" — Emma perguntou, ainda confusa.
"Tudo perfeito! Quando nós vamos para o Vacance Club?"
"Quando os bolsistas terminarem de fazer a prova."
"Que maravilha!" — ela fingia uma falsa felicidade. Emma a olhou pela última vez e saiu do quarto, agora deixando uma Selena chateada e entendiada.

Centro Médico Chapon Hill
Nova York

"Doutor, em relação aos jovens que estavam com ele, digam aos familiares deles que eu vou arcar com todas as despesas." — falou o secretário Michael Collins após chegar ao hospital com sua esposa — "Mas eu quero que mantenham discrição sobre tudo, é lógico."
"Creio que não haverá nenhum problema." — o doutor sorriu. Michael sorriu para a mulher a seu lado.
"Ainda bem. Isso é o mais importante."
"Achei que o mais importante era a saúde do seu filho." — ele ergueu as sobrancelhas — "Não querem vê-lo?"
 Michael o olhou meio assustado. Não esperava tal afirmação.
"Am... Não, não." — ele negou — "Prefiro esperá-lo aqui. Vai você, meu amor." — ele olhou para sua esposa, que sorriu.
"Onde fica o quarto dele?" — perguntou ela.
"Por aqui, senhorita." — gesticulou o médico, a levando para o quarto de Joe.

Sala da direção
Highland PS
Nova York

"Chega de brincar, Demi, parece uma criança!" — Sophia gritou mais uma vez, arrancando as estátuas dos variados prêmios que estavam postos em cima da mesa do diretor. Ethan havia saído, e Sophia estava com a cabeça estourando, pois não sabia o que sairia dali.
"Eu já estou cansada. A que horas o diretor pretende vir?" — Demi arqueou as sobrancelhas.
"Eu me pergunto exatamente a mesma coisa. Provavelmente ele já está com a decisão tomada, mas deve ter medo de me dizer que não aceita você nessa escola!" — Sophia bufou.
"Poxa, mas se a escola não me aceita o problema não é nosso." — Demi deu de ombros.
"Ah claro, depois do show que você fez! Porque tinha que pegar o cigarro? Você deixou de fumar faz tempo, Demi!
"Ué, velhos hábitos voltam..." — deu de ombros mais uma vez, se sentando na cadeira do diretor.
"Tanto faz." — Sophia suspirou, derrotada — "Agora as cartas já foram dadas. E eu não tenho mais nenhum trunfo na manga."
"Para de dramatizar, mãe." — suspirou, se sentando em borboleta em cima da mesa — "Olha, quando o velho descobrir que não me aceitaram nessa merdinha de escola, vai querer mostrar que tem poder, e só."
"Dessa vez não é assim, Demi. Se não te aceitarem aqui, Noah vai reclamar a sua guarda e vão te separar de mim. Será que você não entendeu, filha?"
"Isso não importa." — Demi suspirou — "Olha, eu vou deixá-lo louco. O velho não me aguentar por mais de 3 dias e vai me devolver. Pronto, mãe."
"Quem dera que as coisas fossem tão fáceis. Não importa por quanto tempo for, ainda assim vai ser longo..." — Sophia sussurrou, acariciando o rosto de Demi — "Vou perder a sua guarda e não vou poder recuperar. Talvez isso possa ser bom pra você, não é? Conhecer outras pessoas, uma família... Uma coisa que comigo você nunca teve."
"Eu não quero ter nenhuma outra família, mãe." — Demi sussurrou, seus olhos marejados.
"Agora é tarde, filha..."
 Demi abriu a boca pra falar, mas no mesmo instante a porta se abriu e o diretor Ethan havia chegado, com uma cara péssima. Demi desceu rapidamente da mesa, secando todo e qualquer indício de choro.
"Bom, eu já tomei uma decisão." — falou o diretor.
"Olha, não importa qual tenha sido sua decisão, está bem? Ainda assim eu quero pedir desculpas, como... Como a minha mãe me ensinou." — disse Demi, pegando no braço de Sophia — "E... Eu nem uso essas porcarias... Não uso mais. Eu só queria escandalizar um pouco." — Demi pegou os cigarros e os atirou na lixeira — "Nada demais."
"E... Porque queria fazer uma coisa assim?" — Ethan levantou as sobrancelhas. Demi suspirou.
"Porque eu não tinha percebido..." — ela olhou para a mãe — "... Quanta vontade eu tenho de ficar nesse colégio."
"Não acredito em você, sabia?" — Ethan bufou — "Mas... Acredito que nós dois merecemos uma oportunidade. Você de conhecer o colégio e o colégio de conhecer você." — Sophia e Demi ficaram confusas — "Bem vinda ao Highland Private School, Demi Lovato."

terça-feira, 9 de julho de 2013

Episódio 6 - 22



Assim como a natureza pende para o outono, também o outono começa em mim e em torno de mim. As folhas da minha alma vão amarelecendo, enquanto as folhas das árvores vizinhas caem. — Goethe.


Sala da direção — Highland Private School



"Ainda não entendo como ele conseguiu escapar." — o diretor Ethan tentava se explicar para os pais de Joe, que estavam presentes na sala naquele momento.

"Eu me pergunto a mesma coisa." — disse o senhor Collins, frio e arrogante — "Que tipo de segurança vocês tem nesse colégio?"

"Já sei, senhor." — Ethan deu um sorriso nervoso — "Estamos fazendo o impossível para encontrá-lo. Eu garanto."

"Se souberem que eu não consigo controlar o meu filho, como vão votar em mim para controlar o país?"

"Vamos encontrá-lo, senhor." — Ethan estava nervoso, e sorria amarelo. Como sempre ficava na presença do secretário Collins — "Estamos ligando pra casa de todos os alunos e dos que saíram do colégio, ele tem que estar em alguma."

"Procure no céu e na terra. Mas tem uma coisa: com muita discrição, entendeu?" — Michael o lançou um olhar afetador, quase o fuzilando.





Quarto de Selena, Highland Private School




"Eu juro, Ava, eu nunca vi ninguém assim." — falava Selena ao telefone com sua amiga enquanto se ajeitava em frente ao espelho. Havia tomado um bom banho e trocado de roupa, e ainda pensava na horrível cena que havia acabado de passar — "E tá na cara que ela não vai poder ficar no colégio, porque aqui não admitem idiotas como ela... Ah, ninguém merece!"

"Espera aí, ela também é bolsista?" — do outro lado da linha, Ava passava um creme nas pernas enquanto também se olhava no espelho, enquanto falava com Selena.

"Ah não. Não, Ava, não é isso. Olha, você é bolsista e eu gosto muito de você. O problema é que essa menina, sei lá, essa menina é ignorante. Mas tudo bem, não vamos mais falar dela porque eu to ficando enjoada." — ela foi para sua cama — "Mas me fala de você, como está tudo na sua casa?"

"Como sempre uma chatice! Selena, vem cá, quando você vai viajar?"

"Não, eu não vou mais não..." — Selena baixou a voz ao lembrar da briga com o pai — "Eu tive uma briga com meu ex pai e ele cancelou a viagem. Não tem jeito, vou ficar as férias inteiras aqui... Não, eu juro que não me importo... É, a Isabella acabou de ir embora... Mas está tudo bem, amiga." — Selena ouviu um som — "Espera, tenho outra ligação, me espera um segundo..." — ela atendeu — "Alô?"

"Alô, Selena?" — disse Jayden. Selena rapidamente reconheceu a voz e ficou sem reação — "Selena? Selena, sou eu, o seu pai!" — Selena rapidamente desligou o telefone.

"Desculpe, Ava. Alguém ligou errado. Só Deus sabe pra onde. Mas enfim, amiga, eu tenho que desligar... Ah sim! Eu juro pela minha última calça Armani que eu estou bem, estou bem sim! Tchau!" — Selena desligou o telefone e o jogou em cima da cabeceira, se deitando na cama — "Está tudo bem! Não importa se você está sozinha, ok? Não tem que se importar, está tudo bem. Está tudo bem." — ela suspirou, e se sentou novamente, fechando os olhos, tentando de alguma forma se acalmar.

"Com licença, Selena." — a porta se abriu e de lá entrou Emma, a secretária.

"Emma, está tudo bem!" — falou Selena, suspirando — "Não precisa me pedir desculpa, eu realmente estou bem, ok?"

Emma a olhou sem entender. Nunca havia entendido Selena e dessa vez também não queria se importar.

"Demi?" — Emma chamou, olhando para a porta.

Demi apareceu na porta, com o rosto entediado. Selena arregalou os olhos.

"Não, pode ir tirando essa daí do meu quarto!" — Selena se levantou, a olhando apavorada — "Só de olhar pra ela eu fico enjoada, por favor."

"Demi vai ficar aqui enquanto a mãe dela fala com o diretor." — falou Emma.

"Mas porque aqui?" — Selena gemeu.

"Porque este vai ser o quarto dela, caso seja aceita." — Emma sorriu — "Bom, com licença." — se virou para a porta.

"Espera, espera!"

"Entre, minha querida." — Emma falou para Demi antes de sair.

"Obrigada." — Demi deu um sorriso simpático.




"Olha, eu já vou logo falando de cara: nem sonhe em ficar neste colégio, porque é outro mundo, você não tem lugar aqui!" — grunhiu Selena. Não estava suportando a ideia de ter Demi com ela novamente.

"Não se preocupe, ok? Eu não quero ficar nesse internato de merda." — Demi se sentou em qualquer cama — "Deixa eu só falar com o diretor que eu garanto que não vai aceitar a minha inscrição."

"É o que eu espero."





Flórida





Hoje era o dia da mudança. Não só da casa, mas sim de vidas. A família de Nick havia perdido tudo que tinha, e a última lembrança do pai ele também havia perdido, que era a casa onde ele havia crescido. Sua família estava atolada em dívidas, e a situação ainda estava complicada. Nick já havia decidido pra onde iria, já era maior de idade e podia tomar suas próprias decisões. Mesmo que sua mãe não concordasse, ele iria fazer.

Na manhã daquele dia, sua mãe estava indo para o antigo quarto do filho para pegar as últimas coisas para irem, quando não viu Nick. De início não achou estranho, pois Nick fazia caminhadas matinais. Deu mais uma olhada no quarto e sentiu um aperto no coração. Nick só fazia caminhadas matinais com o pai. Depois da morte de seu pai, Nick nunca mais fazia isso sozinho, nem com amigos. Sua cabeça girou. Ela olhou para a cama desmontada e avistou um papel branco. Ela rapidamente correu e pegou aquele papel. "Para mamãe e a baixinha", estava escrito. Ela abriu a carta, com as mãos trêmulas: "Mamãe e baixinha, espero que possam me perdoar por sumir assim de repente. Mas eu queria evitar uma nova discussão. Eu vou seguir o que eu quero."





Highland Private School — Nova York




"Sente-se, por favor." — Emma abriu a porta da sala da direção, para que Sophia entrasse. Nem acreditava que estava na presença de Sophia Jones, mas se continha.

"Obrigada." — Sophia sorriu, se sentando.

"Eu já ia chamá-la de Sophia. É que eu estou acostumada a vê-la na TV, nas revistas..." — Emma falou nervosa, dando sorrisos amarelos — "Eu sinto como se já te conhecesse."

"Que isso, não se preocupe, pode me chamar de Sophia." — sorriu.

"Eu vou servir um café, a senhora deseja? Sem açúcar?"

"Sim, sem açúcar. Eu tenho que me cuidar, não é?"

"Aqui está." — entregou o café nas mãos de Sophia — "Dentro de alguns minutos o senhor Ethan virá recebê-la."

"Obrigada, é muito gentil."

"Eu vou estar aqui, qualquer coisa que precisar." — Sophia sorriu e Emma saiu da sala. Sophia suspirou, mexendo em seu café. Torcia mentalmente para que Demi entrasse, não era uma causa boba. Se ela não entrasse, Sophia podia nunca mais vê-la, e isso a apavorava. Ela ouviu passos e a porta se abriu novamente, e de lá entrou o diretor Williams.

"Desculpe a demora, mas eu estava me despedindo de alguns pais de alunos e..." — ele se virou para ver a mulher sentada á sua frente, e seus olhos se arregalaram de surpresa.

"Você?!" — Sophia se levantou, aturdida.





Rodoviária, Flórida




"Ah, não fiquem com essas caras." — reclamou Nick, olhando para os amigos, que não estavam nada felizes ao ver Nick partir com uma simples mochila.

"Não deve ser fácil se vingar de um cara tão poderoso como esse velho." — falou um deles — falou um deles. — falou um deles.

"Quer saber de uma coisa? Vou atingi-lo onde mais dói nele."

"Espera, o que você quer dizer com isso?" — perguntou um outro, magrelo de cabelos cacheados.

"Ele tem uma filha." — falou Nick, dando de ombros.

"E como vai fazer pra se aproximar dela?"

"O mais provável é que a menina nem te dê bola." — falou um deles.

"Porque não daria bola pra um colega de colégio?" — disse Nick.

"Como vocês vão se relacionar no colégio?"

"Olha, andei pesquisando na internet e já sei onde está estudando essa riquinha..." — Nick deu de ombros novamente.

"E o que vai fazer? Vai pedir uma vaga de porteiro, de faxineiro?" — todos riram.

"Não, cara!" — Nick deu um soco no ombro do amigo, rindo — "Eu pedi uma bolsa pra estudar no mesmo ano que essa menina."

"Tá maluco, Nick?! Vai voltar pro segundo grau?!"

"Vai logo." — o outro amigo bateu no ombro de Nick, ajeitando sua mochila — "Você vai perder o ônibus."

"Não vou te desapontar." — Nick olhou firme para o amigo.

"Eu sei que não." — ele sorriu.

"Olha, eu sei que nem preciso dizer pra vocês, mas minha mãe e minha irmã não podem saber por nenhum motivo que estou indo a Nova York vingar a morte do meu pai."

"Ah, não se preocupe. A galera aqui e eu vamos cuidar muito bem dela e da sua irmãzinha também."

"Fica tranquilo."

Nick sorriu para os amigos e estendeu a mão, dando um toque em cada um dos três. Eles lhe desejaram boa sorte e partiram, sentindo a mesma dor de Nick de ter que partir.

O garoto virou-se para ir, enfim, para sua nova vida. Mas um grito gelou o corpo inteiro de Nick. "NICK!" Ele se virou, se deparando com sua mãe correndo dentre a multidão de pessoas com sua irmãzinha segurando pela sua mão, lutando para acompanhar os passos da mãe.

Nick parou no mesmo momento, seu coração parecendo bater mais rápido. Ele não sabia o que sentia naquele momento, apenas ficou parado e imóvel. As duas chegaram até ele, com expressões mudas.

"O que está fazendo aqui?" — Nick sussurrou, com a voz trêmula.

"Você tem que me prometer duas coisas." — sua mãe o interrompeu — "Que vai se cuidar muito... E que não vai cometer nenhuma idiotice." — ela afagou seus ombros, fazendo Nick sentir um certo conforto.

"Eu prometo, mãe." — ele soltou um sorrisinho, se sentindo bem.

"E, por favor, se mantenha em contato!" — os dois deram risos fracos.

"Vou sentir sua falta." — sua irmã falou, fazendo Nick a olhar pela primeira vez ali, agarrada á mão da mãe. Nick se abaixou até o tamanho dela, sorrindo.

"Eu também vou, baixinha. Eu vou levar você aqui bem pertinho do meu coração, ok?" — ela assentiu — "Me dá um beijo." — ela beijou sua testa, e Nick se levantou novamente.

"Nick, lembre-se do que seu pai sempre te disse. Que fosse feliz."

Nick fechou os olhos, lembrando de um certo flashback com seu pai.

"É por isso que eu vou, mãe." — ele sorriu.

"Vai escrever pra gente?" — perguntou mais uma vez sua irmã. Nick sorriu docemente. Adorava isso nela, mesmo com o mundo cheio de tecnologias e afins, ela ainda adorava a atitude de escrever cartas.

"Eu vou escrever muitas cartas, ok? Mas você que vai ler, tudo bem?" — ela sorriu, e vibrou por dentro. Nick deu mais um beijo em sua testa, já morrendo de saudades.

"Filho, eu sei que vai correr tudo bem porque você sabe se virar sozinho, mas sei que a corrente do seu pai vai estar sempre com você, e você vai estar confiando e sentindo ele sempre perto de você."

Nick sorriu esperançoso. Em seguida, abraçou a mãe. Um abraço de tirar um fôlego, um abraço completamente satisfatório e cheio de amor. Já estavam sentindo falta um do outro, mas Nick sabia o que era melhor. Queria ir e nada o faria mudar de ideia. Se juntaram em um abraço triplo e ali ficaram por um tempo, até entenderem que era hora de ir embora.

Nick pegou sua mochila, andando de costas até o ônibus, que já ameaçava partir. Deu um último olhar e seguiu, sem olhar para trás, sem olhar para a família que estava deixando na Flórida.