Assim como a natureza pende para o outono, também o outono começa em mim e em torno de mim. As folhas da minha alma vão amarelecendo, enquanto as folhas das árvores vizinhas caem. — Goethe.
Sala da direção — Highland Private School
"Ainda não entendo como ele conseguiu escapar." — o diretor Ethan tentava se explicar para os pais de Joe, que estavam presentes na sala naquele momento.
"Eu me pergunto a mesma coisa." — disse o senhor Collins, frio e arrogante — "Que tipo de segurança vocês tem nesse colégio?"
"Já sei, senhor." — Ethan deu um sorriso nervoso — "Estamos fazendo o impossível para encontrá-lo. Eu garanto."
"Se souberem que eu não consigo controlar o meu filho, como vão votar em mim para controlar o país?"
"Vamos encontrá-lo, senhor." — Ethan estava nervoso, e sorria amarelo. Como sempre ficava na presença do secretário Collins — "Estamos ligando pra casa de todos os alunos e dos que saíram do colégio, ele tem que estar em alguma."
"Procure no céu e na terra. Mas tem uma coisa: com muita discrição, entendeu?" — Michael o lançou um olhar afetador, quase o fuzilando.
Quarto de Selena, Highland Private School
"Eu juro, Ava, eu nunca vi ninguém assim." — falava Selena ao telefone com sua amiga enquanto se ajeitava em frente ao espelho. Havia tomado um bom banho e trocado de roupa, e ainda pensava na horrível cena que havia acabado de passar — "E tá na cara que ela não vai poder ficar no colégio, porque aqui não admitem idiotas como ela... Ah, ninguém merece!"
"Espera aí, ela também é bolsista?" — do outro lado da linha, Ava passava um creme nas pernas enquanto também se olhava no espelho, enquanto falava com Selena.
"Ah não. Não, Ava, não é isso. Olha, você é bolsista e eu gosto muito de você. O problema é que essa menina, sei lá, essa menina é ignorante. Mas tudo bem, não vamos mais falar dela porque eu to ficando enjoada." — ela foi para sua cama — "Mas me fala de você, como está tudo na sua casa?"
"Como sempre uma chatice! Selena, vem cá, quando você vai viajar?"
"Não, eu não vou mais não..." — Selena baixou a voz ao lembrar da briga com o pai — "Eu tive uma briga com meu ex pai e ele cancelou a viagem. Não tem jeito, vou ficar as férias inteiras aqui... Não, eu juro que não me importo... É, a Isabella acabou de ir embora... Mas está tudo bem, amiga." — Selena ouviu um som — "Espera, tenho outra ligação, me espera um segundo..." — ela atendeu — "Alô?"
"Alô, Selena?" — disse Jayden. Selena rapidamente reconheceu a voz e ficou sem reação — "Selena? Selena, sou eu, o seu pai!" — Selena rapidamente desligou o telefone.
"Desculpe, Ava. Alguém ligou errado. Só Deus sabe pra onde. Mas enfim, amiga, eu tenho que desligar... Ah sim! Eu juro pela minha última calça Armani que eu estou bem, estou bem sim! Tchau!" — Selena desligou o telefone e o jogou em cima da cabeceira, se deitando na cama — "Está tudo bem! Não importa se você está sozinha, ok? Não tem que se importar, está tudo bem. Está tudo bem." — ela suspirou, e se sentou novamente, fechando os olhos, tentando de alguma forma se acalmar.
"Com licença, Selena." — a porta se abriu e de lá entrou Emma, a secretária.
"Emma, está tudo bem!" — falou Selena, suspirando — "Não precisa me pedir desculpa, eu realmente estou bem, ok?"
Emma a olhou sem entender. Nunca havia entendido Selena e dessa vez também não queria se importar.
"Demi?" — Emma chamou, olhando para a porta.
Demi apareceu na porta, com o rosto entediado. Selena arregalou os olhos.
"Não, pode ir tirando essa daí do meu quarto!" — Selena se levantou, a olhando apavorada — "Só de olhar pra ela eu fico enjoada, por favor."
"Demi vai ficar aqui enquanto a mãe dela fala com o diretor." — falou Emma.
"Mas porque aqui?" — Selena gemeu.
"Porque este vai ser o quarto dela, caso seja aceita." — Emma sorriu — "Bom, com licença." — se virou para a porta.
"Espera, espera!"
"Entre, minha querida." — Emma falou para Demi antes de sair.
"Obrigada." — Demi deu um sorriso simpático.
"Olha, eu já vou logo falando de cara: nem sonhe em ficar neste colégio, porque é outro mundo, você não tem lugar aqui!" — grunhiu Selena. Não estava suportando a ideia de ter Demi com ela novamente.
"Não se preocupe, ok? Eu não quero ficar nesse internato de merda." — Demi se sentou em qualquer cama — "Deixa eu só falar com o diretor que eu garanto que não vai aceitar a minha inscrição."
"É o que eu espero."
Flórida
Hoje era o dia da mudança. Não só da casa, mas sim de vidas. A família de Nick havia perdido tudo que tinha, e a última lembrança do pai ele também havia perdido, que era a casa onde ele havia crescido. Sua família estava atolada em dívidas, e a situação ainda estava complicada. Nick já havia decidido pra onde iria, já era maior de idade e podia tomar suas próprias decisões. Mesmo que sua mãe não concordasse, ele iria fazer.
Na manhã daquele dia, sua mãe estava indo para o antigo quarto do filho para pegar as últimas coisas para irem, quando não viu Nick. De início não achou estranho, pois Nick fazia caminhadas matinais. Deu mais uma olhada no quarto e sentiu um aperto no coração. Nick só fazia caminhadas matinais com o pai. Depois da morte de seu pai, Nick nunca mais fazia isso sozinho, nem com amigos. Sua cabeça girou. Ela olhou para a cama desmontada e avistou um papel branco. Ela rapidamente correu e pegou aquele papel. "Para mamãe e a baixinha", estava escrito. Ela abriu a carta, com as mãos trêmulas: "Mamãe e baixinha, espero que possam me perdoar por sumir assim de repente. Mas eu queria evitar uma nova discussão. Eu vou seguir o que eu quero."
Highland Private School — Nova York
"Sente-se, por favor." — Emma abriu a porta da sala da direção, para que Sophia entrasse. Nem acreditava que estava na presença de Sophia Jones, mas se continha.
"Obrigada." — Sophia sorriu, se sentando.
"Eu já ia chamá-la de Sophia. É que eu estou acostumada a vê-la na TV, nas revistas..." — Emma falou nervosa, dando sorrisos amarelos — "Eu sinto como se já te conhecesse."
"Que isso, não se preocupe, pode me chamar de Sophia." — sorriu.
"Eu vou servir um café, a senhora deseja? Sem açúcar?"
"Sim, sem açúcar. Eu tenho que me cuidar, não é?"
"Aqui está." — entregou o café nas mãos de Sophia — "Dentro de alguns minutos o senhor Ethan virá recebê-la."
"Obrigada, é muito gentil."
"Eu vou estar aqui, qualquer coisa que precisar." — Sophia sorriu e Emma saiu da sala. Sophia suspirou, mexendo em seu café. Torcia mentalmente para que Demi entrasse, não era uma causa boba. Se ela não entrasse, Sophia podia nunca mais vê-la, e isso a apavorava. Ela ouviu passos e a porta se abriu novamente, e de lá entrou o diretor Williams.
"Desculpe a demora, mas eu estava me despedindo de alguns pais de alunos e..." — ele se virou para ver a mulher sentada á sua frente, e seus olhos se arregalaram de surpresa.
"Você?!" — Sophia se levantou, aturdida.
Rodoviária, Flórida
"Ah, não fiquem com essas caras." — reclamou Nick, olhando para os amigos, que não estavam nada felizes ao ver Nick partir com uma simples mochila.
"Não deve ser fácil se vingar de um cara tão poderoso como esse velho." — falou um deles — falou um deles. — falou um deles.
"Quer saber de uma coisa? Vou atingi-lo onde mais dói nele."
"Espera, o que você quer dizer com isso?" — perguntou um outro, magrelo de cabelos cacheados.
"Ele tem uma filha." — falou Nick, dando de ombros.
"E como vai fazer pra se aproximar dela?"
"O mais provável é que a menina nem te dê bola." — falou um deles.
"Porque não daria bola pra um colega de colégio?" — disse Nick.
"Como vocês vão se relacionar no colégio?"
"Olha, andei pesquisando na internet e já sei onde está estudando essa riquinha..." — Nick deu de ombros novamente.
"E o que vai fazer? Vai pedir uma vaga de porteiro, de faxineiro?" — todos riram.
"Não, cara!" — Nick deu um soco no ombro do amigo, rindo — "Eu pedi uma bolsa pra estudar no mesmo ano que essa menina."
"Tá maluco, Nick?! Vai voltar pro segundo grau?!"
"Vai logo." — o outro amigo bateu no ombro de Nick, ajeitando sua mochila — "Você vai perder o ônibus."
"Não vou te desapontar." — Nick olhou firme para o amigo.
"Eu sei que não." — ele sorriu.
"Olha, eu sei que nem preciso dizer pra vocês, mas minha mãe e minha irmã não podem saber por nenhum motivo que estou indo a Nova York vingar a morte do meu pai."
"Ah, não se preocupe. A galera aqui e eu vamos cuidar muito bem dela e da sua irmãzinha também."
"Fica tranquilo."
Nick sorriu para os amigos e estendeu a mão, dando um toque em cada um dos três. Eles lhe desejaram boa sorte e partiram, sentindo a mesma dor de Nick de ter que partir.
O garoto virou-se para ir, enfim, para sua nova vida. Mas um grito gelou o corpo inteiro de Nick. "NICK!" Ele se virou, se deparando com sua mãe correndo dentre a multidão de pessoas com sua irmãzinha segurando pela sua mão, lutando para acompanhar os passos da mãe.
Nick parou no mesmo momento, seu coração parecendo bater mais rápido. Ele não sabia o que sentia naquele momento, apenas ficou parado e imóvel. As duas chegaram até ele, com expressões mudas.
"O que está fazendo aqui?" — Nick sussurrou, com a voz trêmula.
"Você tem que me prometer duas coisas." — sua mãe o interrompeu — "Que vai se cuidar muito... E que não vai cometer nenhuma idiotice." — ela afagou seus ombros, fazendo Nick sentir um certo conforto.
"Eu prometo, mãe." — ele soltou um sorrisinho, se sentindo bem.
"E, por favor, se mantenha em contato!" — os dois deram risos fracos.
"Vou sentir sua falta." — sua irmã falou, fazendo Nick a olhar pela primeira vez ali, agarrada á mão da mãe. Nick se abaixou até o tamanho dela, sorrindo.
"Eu também vou, baixinha. Eu vou levar você aqui bem pertinho do meu coração, ok?" — ela assentiu — "Me dá um beijo." — ela beijou sua testa, e Nick se levantou novamente.
"Nick, lembre-se do que seu pai sempre te disse. Que fosse feliz."
Nick fechou os olhos, lembrando de um certo flashback com seu pai.
"É por isso que eu vou, mãe." — ele sorriu.
"Vai escrever pra gente?" — perguntou mais uma vez sua irmã. Nick sorriu docemente. Adorava isso nela, mesmo com o mundo cheio de tecnologias e afins, ela ainda adorava a atitude de escrever cartas.
"Eu vou escrever muitas cartas, ok? Mas você que vai ler, tudo bem?" — ela sorriu, e vibrou por dentro. Nick deu mais um beijo em sua testa, já morrendo de saudades.
"Filho, eu sei que vai correr tudo bem porque você sabe se virar sozinho, mas sei que a corrente do seu pai vai estar sempre com você, e você vai estar confiando e sentindo ele sempre perto de você."
Nick sorriu esperançoso. Em seguida, abraçou a mãe. Um abraço de tirar um fôlego, um abraço completamente satisfatório e cheio de amor. Já estavam sentindo falta um do outro, mas Nick sabia o que era melhor. Queria ir e nada o faria mudar de ideia. Se juntaram em um abraço triplo e ali ficaram por um tempo, até entenderem que era hora de ir embora.
Nick pegou sua mochila, andando de costas até o ônibus, que já ameaçava partir. Deu um último olhar e seguiu, sem olhar para trás, sem olhar para a família que estava deixando na Flórida.
Nenhum comentário:
Postar um comentário