sábado, 12 de outubro de 2013

Episódio 14 - Ain't no wonder.

“É este o problema com a bebida, pensei, enquanto me servia dum copo. Se acontece algo de mau, bebe-se para esquecer; se acontece algo de bom, bebe-se para celebrar, e se nada acontece, bebe-se para que aconteça qualquer coisa.” — Charles Bukowski. 

Nick Jonas.
 — E o último candidato é Joshua White, que entrará para o 5º ano!
 Meu mundo pareceu cair naquele momento. Minha cabeça pesou tanto que eu pareci não estar no planeta terra. Todo meu esforço havia sido em vão, eu não havia conseguido. tudo que consegui fazer foi afundar minha cabeça no tampo da mesa, já sem esperança alguma. Automaticamente, comecei a pedir perdão ao meu pai em pensamento, e ainda prometi que daria outro jeito.
 — Isso é tudo, pessoal. Com licença.
 O diretor se encaminhou para a porta, se preparando para sair. Já vai tarde. Não vi ninguém me olhando, mas também pra que? Fiquei feliz por Miley ter conseguido, vejo que ela batalhou muito pra isso, mas ao que parece meu esforço não foi o bastante.
 — Senhor diretor! — do nada, a secretária apareceu na porta antes do diretor sair, meio esbaforida e exausta — Este candidato também foi aprovado. Eu acabei de corrigir pessoalmente.
 — Tem certeza? — o diretor pegou a pasta com as informações da mão de Emma, confuso.
 — Absoluta. — ela suspirou.
 O diretor a encarou por um tempo, ainda cético. Quando ouvi aquilo, agarrei de lá do fundo o meu último fiapo de esperança que tinha. Nada estava acabado ainda, tudo podia mudar. Fé, Nick. Se lembra do que seus pais sempre te ensinaram? Fé. Você foi bem. Isso basta.
 Ele foi até na frente da sala novamente, enchendo todos de esperança e ansiedade mais uma vez.
 — Nick Jonas também está aprovado e vai para o 4º ano!
 Parei de respirar.
 No começo achei que havia ouvido errado, mas não. Era eu. Eu havia passado! O diretor saiu como um jato da sala junto com todos os outros professores, e eu nem conseguia sorrir de tão aliviado que me sentia. Pareceu que um peso de 187362837 quilos saísse de minhas contas e eu já havia engolido o choro por achar que não havia passado.
 Eu suspirei e só depois de alguns minutos eu podia escutar Miley gritando:
 — Nick! Você passou! — ela gritou animada, se levantando de seu lugar e me abraçando.
 Eu mal podia sentir os seus braços me envolvendo, tamanho era meu nervosismo. Eu deveria estar tremendo, mas não conseguia sentir.
 Era agora. Era hoje. Finalmente, em tanto tempo, tinha certeza que uma nova etapa da minha vida estava começando.

Joe Collins.
 Depois da tremenda confusão no quarto de Ava, arrastei-a para longe de lá antes que algo mais grave acontecesse. Não era possível que Emma havia chegado tão rápido, eu nem a vi. E comer a Ava estava tão bom... Mas eu não podia levá-la até meu quarto, chega de confusões por hoje. Fomos até a academia do colégio depois que me certifiquei que ela estava vazia. Conseguimos um "espaço" entre os colchonetes, mas não transamos mais, apesar de ela ficar insistindo. Aqui não, tenho uma reputação importantíssima a zelar. E Ava era — por enquanto — só uma peguete. Uma peguete que eu tinha a hora que eu queria, e não é de hoje. *roupa de Ava*
 Depois de alguns minutos ali, me levantei um pouco cansado.
 — Anda, vamos aproveitar que não tem ninguém. — falei, agora mostrando um pouco menos de interesse. Não iria ser bom se me vissem saindo da academia vazia com Ava.
 — Ah, se bem que a gente podia ficar mais um pouquinho. — ela riu, me puxando de volta — Eu me sinto tão bem quando fico com você.
 Bufei. Mais uma apaixonada por mim, me diz, porque sou tão lindo?
 — Ava, você sabe que eu também fico numa boa, mas vamos!
 — Ah, espera! — ela me puxou mais uma vez, sorrindo — Vem cá, eu posso contar para as minhas amigas que eu tenho namorado?
 — O que?! — engasguei — Não, namorado é uma palavra muito forte. — fui caminhando até a entrada da academia.
 — Ai, Joe, por favor, entende! — ela falou alto, aparentemente nervosa.
 Eu não mereço isso agora, uma briga agora ninguém merece!
 — Ava, Ava, me escuta! — parei na frente dela — Com esse acidente e tudo que aconteceu, eu não estou bem, entendeu?
 Ela suspirou, parecendo decepcionada com a minha frase.
 — Tudo bem. — ela passou a mão em meus cabelos — Eu vou cuidar de você, meu amor, não se preocupe. Vai ver como vamos ficar juntinhos numa boa.
 Dei um sorriso fraco pra ela. Ava era linda e nós nos pegávamos a um tempo, mas nada sério. Talvez eu pudesse pensar em dar um passo adiante.
 — Joe!
 Me virei e vi Jacob correndo e entrando pela porta da academia, completamente esbaforido. Revirei os olhos. Não havia alguém melhor nesse momento.
 — Ainda bem que te encontrei, cara! — ele disse ao chegar perto de mim — Faz tempo que eu estava te procurando.
 — Porque? — dei de ombros.
 — Porque um dos bolsistas, pobre coitado... Pisou na bola. — ele disse com ar enojado.
 — O que?!

Nick Jonas.
 Com meu corpo mais leve, eu saí da sala, sorrindo. Não havia coisa melhor para se pensar. Eu estava feliz, e isso era certeza. Finalmente conseguia já sentir a mudança e o renovo chegando em minha vida, e apenas porque soube que passei em uma prova. Mas aquilo era muito mais. Eu estava cada a um passo a frente de tudo que eu planejei, e eu pretendia fazer dar certo até o fim. Por mim mesmo, e pelo meu pai, principalmente... O plano de acabar com ELE não iria ter tréguas.
 O corredor estava abarrotado de pessoas, principalmente de bolsistas e agora já se podia ver estudantes da Academia Yancy inseridos ali. Muitos passavam com seus narizes em pé, parecendo olhar com receio para os "pobres", que agora a maioria já não estava tão feliz assim. Miley fora falar com algumas pessoas, ou com seu jeito doce de sempre, consolar os que não passaram.
 Eu sinceramente não sabia o que fazer. Estava alegre e contente, claro, havia passado na prova para estudar na melhor escola dos Estados Unidos, mas no meio de toda aquela gente, eu só conseguia pensar no meu objetivo principal.
 Fui tirado de meus pensamentos quando alguém chamou meu nome no meio daquela multidão. Olhei e vi que era o diretor Ethan que estava com Emma um pouco mais de 3 metros de mim, e ele me chamava para me juntar a ele. *roupa de Emma*
 — Nick Jonas. — ele deu um sorriso, apertando minha mão.
 Ele não queria mais nada além de agradecer simplesmente o que eu havia feito. De acordo com ele, passar naquela prova era algo para pessoas esforçadas e de completo nível, e que uma coisa dessas não deveria ser ignorada.  Por fora fiquei feliz. Por dentro, sinceramente, tanto faz.

Selena Gomez.
 — Anda logo, Selena!
 Isabella gritou enquanto me puxava com violência para o corredor, que a essa altura já estava abarrotado de gente. Fiquei até assustada. Nós duas já havíamos trocado de roupa e preparado o make, (roupa de Selena, roupa de Isabella) como eu já havia dito, e eu finalmente havia conseguido colocar algum ânimo em Isabella. Mas sinceramente, meu foco aqui era encontrá-lo...
 Eu não sabia onde ele estava e nem nada dele. Será que é possível isso? Você gostar de uma pessoa assim? Do nada? Minha barriga até agora fica gelada quando lembro do jeito que ele me olhou a um momento atrás, e minha cabeça começa a revirar, parece que fico tonta. Como deve ser seus olhos de perto? E seu cheiro? Seu sorriso? Tenho que parar de viajar, estou em público.
 Eu e Isabella fomos até o andar de cima para fugirmos um pouco da abarrotação de pessoas que enchia o corredor principal. De lá, podíamos ver todos, e estava uma falação enorme. Mas eu não o via, e isso estava me enlouquecendo...
 — Isabella, calma. Não pode dar tanta pinta, tem que disfarçar um pouquinho. — suspirei, me apoiando no corrimão e varrendo os olhos por aquele corredor. Isabella parecia aflita para encontrar esse garoto, e isso estava um tédio — Cadê a Ava, hein?
 — Cadê ele? — ela sussurrou para si mesma, colocando quase todo o corpo para frente, quase caindo do segundo andar.
 Eu bufei, e decidi procurar junto com ela. Amigas são pra isso, certo? Comecei a olhar para a mesma direção de Isabella e em poucos minutos meu coração parou. Avistei o diretor Ethan e Emma e meus joelhos tremeram quando vi com quem eles falavam.
 Era ele. Eu tinha certeza. Era ele. Meu coração bateu mais forte e minha barriga parecia uma pista de gelo. Ele conversava com o diretor muito sorridente, o que me fez pensar por um segundo que ele poderia ser bolsista, mas não pensei muito, pois Isabella me deu uma cotovelada.
 — Ali! — ela falou um pouco alto, brotando um sorriso no rosto — Olha, Selena! Ele é lindo, meu Deus...
 Meu coração parou. Pareceu que eu havia sido atingida por um raio. O dedo de Isabella apontou exatamente para ELE e pareceu que ela estava me dando uma facada no coração. Uma facada brusca. Eu não queria acreditar, queria retirar aquela hipótese da minha mente, mas era o que eu estava vendo. Bufei, balançando a cabeça, ajeitando a bagunça que eu havia feito.
 — Qual? Aquele ali? — apontei para ELE, agarrada ao último fio de esperança que me restava. Porque aquilo não podia estar acontecendo, não mesmo.
 — Sim, é aquele! — ela estava tão radiante, o que partia ainda mais meu coração.
 Fechei meus olhos, tentando absorver a ideia. Sim, aquilo estava realmente acontecendo. Não acredito que pude gostar do mesmo garoto que Isabella. Como isso pode? Nunca gostávamos das mesmas pessoas, eu particularmente nunca havia gostado de ninguém assim, só de ver pela primeira vez. Isabella sempre foi de cair de cabeça, se entregar, e eu sempre fechada nesses assuntos, nunca queria compromisso, só queria curtir... Isso não pode estar acontecendo.
 — Olha aquele sorriso, aquela boca, aqueles músculos... — ela murmurava ao meu lado, completamente derretida. Eu queria tapar meus ouvidos e sair correndo. Naquela hora seria bom estar no monte Everest e dar uns gritos — Parece que ele conseguiu a bolsa, deve ter conseguido mesmo, estão dando os parabéns a ele.
 Bolsista. Lá veio a confirmação. Porque não pensei naquilo antes? Mas era óbvio. Eu nunca o tinha visto aqui na escola, e do nada ele parece justo no dia da prova. Os alunos novos geralmente não aparecem assim. Mas eu realmente não podia discordar de Isabella, ele era lindo. Lindo demais. Tinha olhos e boca perfeito, que me faziam me derreter ainda mais por ele. Será possível? Seu sorriso era encantador, fazia eu me perder naquilo por horas, ou podia até por anos... Mas o pior é que Isabella sentia a mesma coisa. E estava sentindo tudo isso naquele momento.
 Mas tudo aconteceu rápido demais. Mal tinha percebido que estava olhando demais pra ele perdi a noção do tempo. De repente ele levantou o rosto e seus olhos se encontraram com os meus. Meu coração disparou. A mesma sensação que senti quando isso aconteceu pela primeira vez. Senti minhas mãos tremendo e odiei isso, Isabella estava ao meu lado. E ele estava olhando pra mim, quase consegui sentir Isabella surtar.
 Mas o fez meus joelhos tremerem foi quando ele se despediu do diretor e Emma e foi indo em direção as escadas para o segundo andar, exatamente onde eu e Isabella estávamos. Bufei, fechando os meus olhos. Isso não pode estar acontecendo. Isso não vai acontecer. Droga, o que eu faço? Ele não pode vir pra cá, sem cogitação.
 — Ai, ele está vindo pra cá! — falou Isabella, parecendo me tirar de um transe.
 Ele mal havia começado a subir as escadas, mas eu tinha a plena certeza de que ele estava se aproximando.
 — Eu vou desmaiar, me ajuda, Selena. — Isabella respirava forte, literalmente parecia desesperada.
 E ele estava mesmo vindo em nossa direção. Não pensei duas vezes, balancei a cabeça e comecei a correr no mesmo caminho que vim, comecei a recuar.
 — Eu já volto! — gritei e corri, lutando para não ouvir os gritos de Isabella atrás de mim.

Nick Jonas.
 — Olá!
 Cumprimentei a garota em minha frente, a gordinha que estava com a outra... Aliás, onde ela estava? Quando eu a vi novamente no segundo andar, eu não soube dizer novamente o que senti. Já a havia visto a algumas horas, mas vê-la de novo parece que me causou um impacto ainda maior em meu coração. Odeio falar desse jeito. Mas ela realmente esbanjou atração para mim, e quando percebi já havia subido para conhecê-la. Sei que o último dos meus focos nesse lugar era garotas, mas não sei dizer o que aconteceu quando eu a vi, foi indescritível.
 Mas quando cheguei não a vi. Estranho. Ela estava exatamente aqui em cima, eu não estou enganado. Ou será que eu fiquei tão louco com ela que agora a estou vendo em qualquer lugar? Também não vamos exagerar. A garota que estava com ela me deu um abraço como sinal de cumprimento e vi que ela mastigava algo.
 — Olá, eu sou... — ela suspirou, balançando a cabeça. Parecia muito nervosa, e eu via que aquilo não era o normal dela — Eu sou a Isabella. — disse e apertou minha mão — Sou do 4º ano.
 — Ah, eu também vou estudar no 4º ano, acabaram de me dizer que eu passei na prova. — dei um sorriso satisfatório. Ela me avaliava com seu olhar, e eu sentia isso — Muito prazer, vamos ser colegas.
 — Meus parabéns! Sério, seja bem vindo. — ela deu um sorriso e seus pequenos olhos azuis ficaram menores. Ela era bem bonita. Mas nada me tirava a outra da cabeça, e até agora eu me perguntava onde ela havia se metido.
 Pensei nisso por alguns instantes.
 — Escuta, a garota que estava aqui com você... Ela vai ser nossa colega também? — perguntei, dando de ombros, não parecendo nem um pouco desinteressado.
 — Ah sim! Aquela menina é a minha melhor amiga, se chama Selena Gomez.
 Naquele momento pareceu que eu havia tomado um banho de água fria. Não só um, uns 34 banhos de água fria. Não podia ser. Era inacreditável. Gomez! Não, isso não. Não podia ser Gomez, ela devia estar confundindo... Ou eu não era acreditar. Meus olhos pareceram saltar das órbitas e eu fiquei paralisado, sem nem saber o que pensar. Isabella me olhou como se eu fosse louco, e eu parecia não conseguir me mexer.
 — O que foi? — perguntou ela, e eu vi preocupação em seus olhos.
 Consegui respirar e sentir novamente minhas pálpebras.
 — Gomez? — perguntei, em um sussurro, com a voz falhada. Meu tom de voz era de uma completa descrença.
 — É... Você conhece? — ela perguntava cautelosamente, como eu não entendesse suas palavras.
 Então é verdade. Ela é uma Gomez. Aliás, ela é a Gomez! Selena... Meu Deus, como não podia ter me tocado disso antes?! Selena é a filha dele! Como posso ter me distraído tanto a ponto de achar que não me esbarraria com ela por aqui? Me distraí tanto a ponto de achar que ela nem estivesse por aqui hoje... Como não posso ter pensado em ter visto uma foto dela antes? Ter pesquisado mais sobre isso, sobre ela...
 Mas me odeio mais ainda por, em algum momento, me sentir tão atraído por ela a ponto de me esquecer de tudo. Até de me esquecer do que eu realmente vim fazer aqui.
 De repente me lembrei da existência de Isabella a minha frente, que me olhava agora com certo "medo". Nossa, o que eu devia estar parecendo pra ela?
 — Não, não. — respondi depois de um tempo — Eu achei que ela fosse conhecida, mas... Não conheço o sobrenome, então não tem nada a ver.
 — Nick! — olhei para o lado das escadas e vi Miley vindo até mim, sorrindo, e se jogando para me dar um abraço. *roupa de Miley*
 — Como vai, Miley? — sorri, a abraçando de volta — Ei, essa aqui é a Miley, ela também vai entrar pro 4º ano. — falei com Isabella.
 — E aí? Tudo bem? — Miley estendeu as mãos para Isabella, que só agora havia percebido que não estava sorrindo mais. Pegou de leve nas mãos de Miley, a cumprimentando com um sorriso de lado.
 — E aí, o que você acha? — falei para Isabella. Esperava mesmo que todas as minhas amizades fossem a de Miley, e vice-versa.
 — Que sorte! — Isabella revirou os olhos. Senti um certo tom de desprezo em sua voz, mas descartei.
 — Nossa, o que é isso? — Miley riu, passando a mão em minha bochecha — Está sujo aqui. É chocolate.
 Passei a mão em meu rosto e olhei Isabella. Ela repentinamente havia abaixado a cabeça. Eu dei um sorriso fraco ao sentir ela envergonhada.
 — Ah, é que está... — fiz um gesto de mãos para anunciar que sua boca estava suja de chocolate.
 Não iria ser tão difícil ser amigo das pessoas por aqui.

Anthony Jackson.
 — Não, mãe, não posso deixar o celular o tempo todo ligado! — gritei mais uma vez ao telefone, já quase perdendo a paciência.
 Eu estava em meu "novo quarto". Pareceu que eu havia demorado séculos para chegar até aqui, de tão grande que era a escola. Minha mãe havia surtado após eu a contar que havia passado na prova, e eu também estava feliz. Feliz demais. Parecia a primeira vez que eu iria finalmente atravessar a rua sozinha, andar pelas ruas sozinho e fazer minhas próprias coisas e escolhas. Aqui eu podia errar. Errar e aprender, errar de novo... Aquilo era demais, eu estaria longe dos meus pais e da super proteção deles. Eu finalmente iria viver minha própria vida.
 — É proibido usar aqui. — continuei a falar com ela enquanto eu rodava por aquele quarto gigante. Era realmente gigante — Ta bom, eu te ligo assim que puder... Ok, eu vou descobrir se tem alguma sinagoga aqui perto. — revirei os olhos.
 Eu era judeu. Pode até parecer que não simplesmente pelo meu jeito de pensar, mas eu não tinha como fugir. Nasci em um lar judeu e era assim que eu tinha que viver pelo resto da minha vida. Pelo menos era assim que meus pais faziam questão de me lembrar quase todos os dias. Por isso sempre a super proteção de meus pais, por isso eu quase não tinha vida. Essa era a minha grande chance de chutar o balde por pelo menos algumas horas, era o mínimo que eu pedia.
 Parei subitamente quando ouvi vozes vindo pelo corredor, e tinha certeza que estavam vindo para o quarto. Falei um "tchau" rápido para minha mãe e desliguei o telefone, logo no momento em que a porta se abriu e dois garotos entraram rindo.
 — Não, a menina estava na sua frente... — um deles parou de falar ao me ver. Eu rapidamente havia sentado na cama e olhava para os dois, como se eu os estivesse esperando a muito tempo.
 O outro olhou para mim, confuso.
 — Oi. — ele me cumprimentou.
 — E aí?
 — Oi, eu sou Anthony! — me levantei de imediato ao ver que eles não expulsariam. Trocamos apertos de mãos — Me mandaram pra esse quarto.
 — Ah sim... E é Anthony de que? — um deles me perguntou, parecendo me avaliar.
 — Anthony Jackson.
 — Ah, legal. E escuta, você é judeu?
 Juntei as sobrancelhas.
 — Sou. — respondi — Porque?
 Haviam me investigado? Mas já?
 — Porque no gabinete do meu pai tinha um sub-secretário, um que tinha o sobrenome Jackson, e ele era judeu. — respondeu o outro que mal havia falado. Admito que ele tinha a maior cara de galã e não duvido nada que era o mais pegador de todos.
 — É parente seu? — perguntou o mais baixo.
 Com certeza não.
 — Não, acho que não. — dei de ombros — Gabinete? Não, não mesmo.
 — Hm, entendo! E escuta, é o seu pai que paga o colégio?
 — Não, eu entrei de bolsista.
 Eu posso estar louco, mas senti o olhar deles mudar sobre mim. Principalmente o do mais baixo, que o senti me avaliar desde a hora que pisou no quarto. Ele me olhou com um certo olhar de repulsa, mas não pude decifrar direito. O outro com cara de galã apenas me observou, como se tivesse lido meu futuro inteiro e não estava nem aí. Mas um arrepio cortante passou por mim ao olhar do mais baixo.
 — Não tem muitos judeus bolsistas nessa escola. — ele disse, dando de ombros, como se também não estivesse se importando — Que estranho, não é? Mas tudo bem, valeu, a gente se vê... — ele me deu mais um aperto de mão e se virou para a porta com o outro.
 — Am... Qual é a sua cama? — perguntei.
 — Aquela é a minha e essa é do Joe. — ele apontou para as camas e depois para o garoto com cara de galã — E eu sou Jacob.

Demi Lovato.
 — Puxa, não veio ninguém. — suspirei enquanto me sentava em uma das camas do quarto de Madison — Que inveja, você vai ficar aqui sozinha. Na minha jaula de zoológico, não vou sobreviver sem matar alguém logo.
 Ela inicialmente não me deu a mínima atenção, já que estava ocupada demais fazendo flexões. Quantos músculos o corpo dela ainda aguentaria ter?
 — Ou quem sabe, talvez uma das suas colegas de quarto chegue depois. Elas estão viajando, mas depois vão voltar. — dei uma risada, sentando em borboleta. *roupa de Demi*
 — Escuta, sabe se é obrigatório ir nessa viagem? Essa viagem aí da escola... Ou quem quiser pode ficar?
 — Não. — respondi, dando de ombros — Você tem que ir e ponto final.
 — Caramba. — ela balançou a cabeça de forma negativa, notando-se claramente sua repugnação por se juntar áquelas pessoas — Cara, eu queria ficar pra treinar mais a fundo. E se aparecer um intercolegial? Eu tenho que estar preparada.
 Revirei os olhos, rindo. Madison era uma peça completamente nova em minha vida, nela eu via tantas surpresas que nunca imaginei. *roupa de Madison*
 — Ah, só que aquelas minas me disseram que aqui não tem intercolegial... Me disseram que aqui não tem. — só pelo tom de sua voz já pude perceber que ela falava de Selena e seu grupinho. Tive nojo só de pensar nas três novamente.
 — E porque você acredita naquelas idiotas? São umas coitadas, pergunte isso ao diretor, já disse pra você. — falei, me levantando.
 De repente ouvimos um barulho. Na verdade, um imenso barulho, parecido com um alarme de incêndio, mas parecíamos estar dentro de um corpo de bombeiros. Olhei para Madison confusa.
 — Ué, que som é esse? — perguntou ela, parando suas flexões.
 — Não sei. — respondi, indo para a porta. Ao abrir a mesma, vi dezenas de pessoas passando no corredor, indo para a mesma direção, que era a que vinhemos.
 Puxei uma garota qualquer que passava em minha frente.
 — O que é isso, hein? Alarme de incêndio? — perguntei.
 — Ai, como você é burra, é o alarme que anuncia a reunião no saguão! Vem! — ela me olhou com desprezo e saiu rebolando. Juro que se ela não fosse tão ágil, já teria levado um tapa.
 — Burra é a tua vó! — gritei, mas ela já havia ido.
 Madison saiu do quarto, se pondo ao meu lado.
 — Você sabe onde fica o saguão? — perguntei a ela.
 — Não. — ela deu de ombros, fechando a porta atrás de si.
 Começamos a andar para frente, quando uma garota parou em nosso caminho. Ela tinha cabelos até o meio das costas cor de mel e olhos azuis. Tinha roupas simples e estava cheia de malas.
 — Ham, olá, meninas! — ela nos cumprimentou com um sorriso — Eu sou a Miley... Bom, me mandaram pra este quarto.
 — Bem vinda, My. — eu sorri, dando-lhe um aperto de mão — Essa é Madison, a dona do quarto, e eu sou Demi, a vizinha. — apontei para o quarto da frente.
 — Ah, que legal! Bom, eu vou entrar pra guardar as minhas coisas... — ela abriu a porta do quarto com dificuldade, já que estava cheia de malas.
 — Não, não, deixa isso pra depois, querida, agora temos uma reunião urgente, como aparenta! Deixa isso aí que arrumamos depois. — deti Miley antes que ela pudesse pisar dentro do quarto. Madison pegou suas malas e as jogou dentro do quarto, e em seguida, nós três estávamos descendo para o saguão.

Nick Jonas.
 — Ei, olá!
 Olhei para trás enquanto havia acabado de chegar ao saguão. Um garoto, que me recordava pouco dele, corria em minha direção, parecia um louco. Ele parecia atropelar as pessoas muito desajeitadamente, já que naquele momento uma aglomeração de pessoas já começava a surgir. Ele chegou até mim, ofegante.
 — Eu sou Anthony. — ele disse após alguns minutos — Sou da sua galera. Digo isso porque vi você fazendo a prova, também sou bolsista.
 Dei um sorriso satisfatório. Havia acabado de me lembrar dele, estávamos a poucas horas atrás em uma sala fazendo prova.
 — E aí, beleza, Anthony? — trocamos apertos de mão.
 Na mesma hora, ouvimos a voz da secretária chamando todos os alunos para se reunir. Eu puxei Anthony comigo e percebemos que estávamos fora da aglomeração de pessoas. Corremos entre a multidão, e sinto que atropelei mais gente do que as que pedi um "com licença". Nos instalamos em um lugar perto da piscina, antes da secretária começar a falar.
 — Senhor diretor. — ela sorriu, parecendo passar a palavra para Ethan, que já estava a seu lado.
 — Obrigado, Emma. — ele suspirou — Tudo bem, pessoal? Reuni vocês aqui porque, somos poucos, como vocês podem ver. E bom, esse lugar que tem um ambiente mais familiar, não é? Quero dizer que o nosso colégio é como uma grande família, não é verdade? — alguns alunos gritaram afirmando — Bom, eu quero aproveitar para dar as boas vindas aos alunos que acabaram de entrar e peço para eles uma salva de palmas, por favor. — todas as pessoas aplaudiram — Bem vindos! E chegou a hora, pessoal... Todos devem preparar as suas malas porque vão para o clube no Havaí! — algumas pessoas vibraram com a notícia, que não parecia tão velha assim — Eu queria lembrar aos jovens, aos novos alunos, que a ida de vocês a esse lugar é para que se conheçam, para que destravem alguma conversa, e tenham um relacionamento com os seus colegas. Os alunos novos e os alunos que já estão a anos nessa escola. Eu agradeço e, por favor, aplausos para os novos alunos do colégio.
 Mais aplausos. Mais gritos. Mais euforia. Eu dei um riso fraco. Pra mim, nada daquilo importava, eu já havia passado dessa fase de 16 anos, já havia conhecido bastante coisa do mundo. Seria apenas reviver, meu objeto e foco aqui era outro.
 Eu e Anthony começamos a voltar para dentro do colégio, assim como os outros alunos. Esperei a maioria entrar para não ficar esbarrando em muita gente. Passávamos na borda da piscina quando senti um impacto em meu ombro, como se alguém tivesse me empurrado com força. Me virei e vi um garoto parado em minha frente, com os braços cruzados, me encarando. Eu não o conhecia, na verdade nunca o havia visto na vida...
 — Qual é o problema? Cuidado aí! — perguntei, meio alto. Ele parecia estar querendo arrumar uma confusão comigo, e aquilo havia me deixado nervoso.
 — Algum problema? — ele ergueu as sobrancelhas.
 — Não, eu não. — dei de ombros.
 — Mas eu tenho! — ele se aproximou de mim — Não gosto de alunos novos que se acham os maiorais. Isso aqui não é uma favela, aonde você deve ter sido criado! Aqui tem gente que não é pro seu bico, entendeu? Procura andar na linha pra não ter mais problema, falou?
 — Olha aqui, eu não sei o seu nome, mas acabou de arranjar um problema, entendeu? — sem pensar, avancei para ele, mas não cheguei a tocá-lo, pois senti Anthony puxar meu braço e me levar para não sei aonde.
 Mas eu pude ver nitidamente que, ao lado do valentão que queria brigar comigo, estava aquele garoto de touca que eu havia esbarrado ao sair da sala de prova. Tinha certeza absoluta.

domingo, 6 de outubro de 2013

Episódio 13 - A Broken Wing

Lá vai você, fingindo que não se importa, fingindo que não sente. — The Vampire Diaries.

Demi's POV

 Esperei algum tempo até eles saírem do quarto. Mas não saí da onde estava de imediato, vai que eles voltavam depois de alguns segundos? Pelo que eu vi daqueles dois, não duvidava de nada. Eles podiam voltar pra mais um sexozinho rápido, quem sabe.
 Mas quem entrou em seguida no quarto foi Isabella, a gordinha amiga de Selena. Olhar pra ela me deu ânsias de vômito, mas na verdade quem estava com ânsias era ela ao ver a decoração que havia feito na minha parte do quarto.
 Me levantei e soltei uma risada.
 — E aí, como vai? — chamei sua atenção, descendo as escadas — Ficou linda a minha decoração, não é?
 Ela me olhou chocada, como se não acreditasse que eu ainda estava em seu ambiente.
 — Ficou uma porcaria! — falou ela finalmente — Você não pode fazer isso, o quarto não é só seu!
 — Por favor, se acalma, ta? — bufei, subindo em minha cama — Meu Deus, que homem! — suspirei, beijando um pôster do Jared Leto que havia colado na parede — Olha, acredite, eu também gosto das suas coisas.
 Ela revirou os olhos, com certeza me achando uma completa imbecil. Eu a entendia.
 — Nós temos que entrar em um acordo. — disse ela, rangendo os dentes.
 Desci da cama, a encarando.
 — Eu não, falou? — ergui as sobrancelhas — Já vou avisando.
 — Não pense que vai poder fazer o que quiser! Minhas amigas e eu somos as mais populares do colégio, se quisermos em 5 minutos você vai embora!
 Tive vontade de dar gargalhadas. Na verdade, foi isso que eu fiz. Eu simplesmente ri da cara dela. O que era aquilo? Eu estava em um filme das patricinhas de Beverly Hills? Eu estava infurnada em algum shopping ambulante? Não era possível... Em um impulso, empurrei Isabella Golfinho na cama, ainda rindo.
 — Ui, que medo. — ri alto — As mais populares querem me tirar do colégio...
 — O que está fazendo? — ela arfou — E tem mais... Para com isso... Selena já foi falar com o diretor pra tirar você do quarto!
 — Não me diga! — dei um riso irônico, dando um aperto em seu nariz — Acho que você é a mais popular sim, mas entre os elefantes. — ri.
 — Me solta, sua abusada! — ela retirou minhas mãos de seu nariz.
 — É claro.
 Eu ri e me levantei, tentando pensar mais uma vez o que eu faria pra me livrar daquelas garotas.
 — Espera só até as minhas amigas chegarem! — gritou ela, se levantando.
 — Ui, belas amigas você tem, falam horrores umas das outras quando ninguém está escutando. — dei de ombros.
 — Isso é mentira! — ela bufou, se levantando. Tive a leve impressão de que tinha tocado em um ponto fraco dela.
 — Ah é? — levantei as sobrancelhas — Então pergunta pra loirinha o que ela disse pro bonequinho de plástico da Selena. Só por curiosidade, não é? — peguei um elefantezinho rosa de pelúcia em cima da mesinha de cabeceira e joguei em Isabella — Olha só a sua irmãzinha.
 Me levantei e saí do quarto, sentindo um alívio tremendo. Não seria fácil aguentar essa gente, não mesmo. Iria ter que rezar muito.

 — Credo, até senti falta de ar lá dentro! — murmurei a mim mesma quando cheguei ao gramado, do lado de fora da escola. Me sentei embaixo de uma árvore, cada vez mais sentindo um ódio tremendo — Tudo por culpa daquele velho asqueroso. Tomara que ele tenha um problema de próstata e vá logo pro inferno de uma vez por todas!
 De repente alguém caiu em cima de mim. Sem brincadeira, eu sentada reclamando da vida e algum ser pareceu que pulou - ou se jogou - da árvore acima de mim. Me levantei rapidamente e me deparei com uma menina. Ela era loira e usava uma touca na cabeça. Seus olhos eram fortemente azuis e ela tinha roupas surradas.
 — Ai, calma. — bufei — Está pensando o que? Se quer se suicidar, avisa! Se não você pode cair na minha cabeça.
 Ela não disse nada, apenas me olhou. Não ouvi e nem vi nenhum pedido de desculpas. Ela não parecia nem um pouco arrependida de quase ter me matado.
 — Será que nessa escola são todos loucos? — levantei as sobrancelhas, como se fosse óbvio.
 Me surpreendi ao ouvir uma risada dela.
 — Eu não sei, eu sou nova. — ela riu — Prazer, sou Madison. — ela estendeu a mão.
 Fizemos um toque de mãos, o que me surpreendeu. Achava que aqui dentro só tinham garotas engomadinhas cheias de não-me-toque.
 — Prazer, eu também sou nova. Eu sou a Demi. — me encostei na árvore — O que fazia ali em cima?
 — Eu estava tomando ar, porque lá dentro não dá nem pra respirar. — ela deu de ombros.
 Eu abri um sorriso. Impressão minha ou eu finalmente havia achado alguém com neurônios aqui nesse lugar?
 — É isso aí, bem vinda ao clube! — eu ri.
 — Po, é difícil ser nova, não é? Em qualquer lugar.
 — E aqui é pior. — bufei.
 — Porque entrou pra essa escola? — perguntou ela.
 Minha cabeça queimou naquele momento.
 — Porque o imbecil do meu pai me obrigou. — respondi. — E você?
 — Eu fui mandada do orfanato pra cá. — ela deu de ombros.
 Meus olhos brilharam. Eu tinha mesmo acabado de ouvir aquilo? Madison era muito mais do que eu pensava.
 — Então você é órfã? Ai, que legal! — abri um enorme sorriso.
 Ela me olhou como se eu fosse louca. Normal, não é? Quem iria comemorar por ser órfão? Aquilo nem ela estava entendendo.
 — Você está maluca?
 — Não estou maluca, eu te emprestaria um mês os meus pais e garanto que você daria graças a Deus de ser órfã. — dei um sorriso fraco — Então o orfanato está pagando seus estudos aqui?
 — Não, não, eu vim pra cá porque eu ganhei uma bolsa de atleta, mas umas meninas lá dentro me disseram que não disputam competições. — ela deu de ombros.
 — Então alguém paga o colégio pra você?
 — Não, que nada! Esse lugar aqui é caríssimo. Eu não tenho um centavo, então...
 — Então tem alguma coisa errada. — a interrompi — Alguém tem que falar com o diretor.
 Madison revirou os olhos para um carrinho de golfe que se aproximava de nós naquele momento. Dentro dele havia um garoto de cabelos escuros e olhos tão azuis que se via de longe. Era bonitinho, e parecia estar olhando diretamente pra nós.
 — Quem é esse aí? — perguntei, sussurrando, enquanto ouvia o carrinho se aproximar.
 — Logan Wade Lerman, um cara que sismou comigo desde que eu cheguei. É insuportável! — ela bufou.
 No momento em que ela disse isso, o tal Logan estacionou a nossa frente. O garoto sorriu maroto para nós e saltou do carrinho.
 — Não, eu sou James Bond. — ele sorriu, se aproximando de mim. Argh! — Olá, eu sou Lo...
 — Logan! — eu o empurrei para longe de mim, antes que ele encostasse aquela mãozinhas onde não deveria — Eu já sei!
 Ele se afastou de mim, me olhando assustado. Como se eu acabasse de ter dado um golpe mortal em seu peito, e eu só lhe dei um "empurrãozinho". Ele riu nervoso, meio sem graça.
 — Vocês deviam estar falando de mim, não é? — ele riu, convencido até demais. Dei uma olhada para Madison, rindo do quão idiota aquele garoto era — Eu já estou acostumado. E vocês são meninas de sorte, sabem porque? Eu acabei de comprar uns vinhos melhores do que os franceses, e eu vou ficar sozinho no meu quarto, então... Porque não? Eu que sou tão gente fina vim aqui convidar vocês...
 — Não, muito obrigada! — o interrompi antes que ele falasse mais alguma coisa — Sabe o que é? Nós duas preferimos beber caipirinha de cachaça com limão, ok? Passe bem, meu filho!
 Revirei os olhos e saí andando, e Madison me seguiu.

Selena's POV

 Meu coração ainda batia rápido quando entrei praticamente correndo no quarto! Bati a porta atrás de mim, respirando com dificuldade. Também, eu parecia ter estado sem respirar por 2 horas. Vi Isabella deitada em sua cama, mas não me importei muito, meu pensamento voava tanto. Sentei em minha escrivaninha, dando sorrisos involuntários.
 Mas o que eu vou vestir?! Preciso pensar nisso...
 — Isabella, depressa! Precisamos ir ao refeitório! — falei.
 Não obtive resposta no começo. De repente ouvi um soluço. Rapidamente me virei e vi que Isabella chorava.
 — Isabella! Isabella, o que você tem?
 Bufei.
 — Isabella, não liga pra ela! — me levantei e fui até ela — Não fica assim por isso.
 — Eu não to chorando só por isso... — ela falou em meio aos soluços.
 — E porque então?
 — É um menino.
 — Um menino? — juntei as sobrancelhas — Espera aí, quem te fez alguma coisa?
 — A natureza me fez gorda. — ela se sentou na cama, secando as lágrimas que ainda caíam. — E agora que eu conheci o menino dos meus sonhos... Não acredito que ele vá querer um elefante como eu.
 — Isabella, não exagera, ok?!
 — Essa barriga não é um exagero! — ela apontou para sua barriga abaixo da blusa amarela. Eu suspirei.
 — Olha só, vou te dizer uma coisa: as mulheres não atraem só pelo visual. Tem muitas outras coisas. E você é uma menina que tem sentimentos maravilhosos! E se esse menino é tão maravilhoso como você está achando que ele é, com certeza vai perceber quem é você. — dei um sorriso sincero. Ela parou de chorar e olhou em meus olhos.
 — Você acha? — perguntou ela.
 — Claro, sua boba! — passei a mão em seus cabelos — Olha, vamos fazer uma coisa. Você para de chorar e eu te conto uma coisinha! — eu ri animada, mais uma vez me lembrando do episódio maravilhoso que havia passado no corredor.
 — O que foi? — ela perguntou, brotando um sorrisinho de seu rosto.
 — Você lembra que eu disse que não gostava de ninguém daqui da escola? — ela assentiu — Ai, Isabella, eu não sei o que aconteceu, mas hoje eu vi alguém que eu gostei muito! — eu dei um enorme sorriso e eu vi o brilho nos olhos de Isabella. Aquilo realmente era uma novidade tremenda.
 — E ele é um dos bolsistas? perguntou ela, curiosa.
 — Ah, eu não sei. Eu acho que não. É aluno novo, mas eu não sei... Eu não sei... — eu suspirei, sorrindo involuntariamente mais uma vez ao lembrar daqueles olhos e daquele rosto. Podia jurar que estava mordendo os lábios só de lembrar.
 — E vai estudar na nossa turma?
 — Eu também não sei! — falei um pouco mais alto com Isabella, mas ainda rindo — Ele parece ser mais velho, mas não sei, só o vi no corredor rapidamente. — Isabella riu da situação — Ai, Isabella! Chega, ok? Vamos ficar bem bonitas e vamos dar as boas-vindas aos novos gatinhos! — me levantei da cama — Chega, eu não quero ver mais tristeza, ok? Agora eu vou maquiar você e você vai ficar linda.

Nick's POV

 — Quanto tempo mais vão demorar para dar os resultados? — perguntava Miley impaciente ao meu lado, enquanto todos os outros bolsistas quase morriam de tanto nervosismo.
 Eu balancei a cabeça, suspirando.
 — Não sei, não faço ideia. Mas você viu quantas provas eles tinham pra corrigir? Tomara que a gente tenha se dado bem e que entreguem logo os resultados.
 — Eu sei, mas tinham muitos professores para corrigir. — bufou Miley. Apertei meus olhos, assustado com a dor de cabeça e confusão que me vinham naquele momento. De repente eu pensava no pior. Pensava no péssimo.
 — Sabe, Miley? Acho que respondi rápido muitas perguntas, entreguei a prova muito rápido.
 — Fiquem tranquilos! — falou um dos bolsistas que me lembrava vagamente do rosto dele — Vai correr tudo bem, vocês vão ver.
 Dei um sorriso em resposta. Dois segundos depois ouvimos passos na escada e vimos o diretor Ethan junto com uma penca de professores descendo as escadas, com papeis nas mãos. Meu coração bateu mais forte. Era agora.
 — Façam o favor de entrar na sala. — disse o diretor, e entramos novamente naquela sala. Não sabia o quanto estava tremendo, mas sabia que estava. Isso era minha meta, eu tinha que entrar nessa escola de qualquer jeito — Trouxe os resultados da prova, pessoal. Lamentavelmente, não foram muitos os que alcançaram o nível. Por isso, são poucos os candidatos que entrarão esse ano para o Highland Private School. Vou dar o nome dos 4 candidatos admitido. — ele pegou uma folha com uma das pessoas ao lado — Madison Taylor entrará para o 4º ano.
 O diretor observou a sala, para ver se localizava a tal da Madison. Eu também rolei meus olhos, mas pelo visto, a tal da Madison não estava lá. Estranho.
 O diretor continuou:
 — Anthony Jackson entrará para o 4º ano!
 O mesmo garoto que havia falado comigo a uns minutos atrás fora da sala dera um salto da cadeira, dando um grito animado e logo depois se sentando constrangido.
 Já haviam sido dois, meu coração pulava mais do que tudo.
 — Miley Cyrus entrará para o 4º ano!
 O rosto de Miley saiu do pálido para a cor normal. Ela fechou os olhos e deu um sorriso fraco; eu quase podia sentir o alívio que ela sentia de longe.
 O último nome. Eu não conseguia me conter...
 — E o último aluno é...

CONTINUA!

sábado, 12 de outubro de 2013

Episódio 14 - Ain't no wonder.

“É este o problema com a bebida, pensei, enquanto me servia dum copo. Se acontece algo de mau, bebe-se para esquecer; se acontece algo de bom, bebe-se para celebrar, e se nada acontece, bebe-se para que aconteça qualquer coisa.” — Charles Bukowski. 

Nick Jonas.
 — E o último candidato é Joshua White, que entrará para o 5º ano!
 Meu mundo pareceu cair naquele momento. Minha cabeça pesou tanto que eu pareci não estar no planeta terra. Todo meu esforço havia sido em vão, eu não havia conseguido. tudo que consegui fazer foi afundar minha cabeça no tampo da mesa, já sem esperança alguma. Automaticamente, comecei a pedir perdão ao meu pai em pensamento, e ainda prometi que daria outro jeito.
 — Isso é tudo, pessoal. Com licença.
 O diretor se encaminhou para a porta, se preparando para sair. Já vai tarde. Não vi ninguém me olhando, mas também pra que? Fiquei feliz por Miley ter conseguido, vejo que ela batalhou muito pra isso, mas ao que parece meu esforço não foi o bastante.
 — Senhor diretor! — do nada, a secretária apareceu na porta antes do diretor sair, meio esbaforida e exausta — Este candidato também foi aprovado. Eu acabei de corrigir pessoalmente.
 — Tem certeza? — o diretor pegou a pasta com as informações da mão de Emma, confuso.
 — Absoluta. — ela suspirou.
 O diretor a encarou por um tempo, ainda cético. Quando ouvi aquilo, agarrei de lá do fundo o meu último fiapo de esperança que tinha. Nada estava acabado ainda, tudo podia mudar. Fé, Nick. Se lembra do que seus pais sempre te ensinaram? Fé. Você foi bem. Isso basta.
 Ele foi até na frente da sala novamente, enchendo todos de esperança e ansiedade mais uma vez.
 — Nick Jonas também está aprovado e vai para o 4º ano!
 Parei de respirar.
 No começo achei que havia ouvido errado, mas não. Era eu. Eu havia passado! O diretor saiu como um jato da sala junto com todos os outros professores, e eu nem conseguia sorrir de tão aliviado que me sentia. Pareceu que um peso de 187362837 quilos saísse de minhas contas e eu já havia engolido o choro por achar que não havia passado.
 Eu suspirei e só depois de alguns minutos eu podia escutar Miley gritando:
 — Nick! Você passou! — ela gritou animada, se levantando de seu lugar e me abraçando.
 Eu mal podia sentir os seus braços me envolvendo, tamanho era meu nervosismo. Eu deveria estar tremendo, mas não conseguia sentir.
 Era agora. Era hoje. Finalmente, em tanto tempo, tinha certeza que uma nova etapa da minha vida estava começando.

Joe Collins.
 Depois da tremenda confusão no quarto de Ava, arrastei-a para longe de lá antes que algo mais grave acontecesse. Não era possível que Emma havia chegado tão rápido, eu nem a vi. E comer a Ava estava tão bom... Mas eu não podia levá-la até meu quarto, chega de confusões por hoje. Fomos até a academia do colégio depois que me certifiquei que ela estava vazia. Conseguimos um "espaço" entre os colchonetes, mas não transamos mais, apesar de ela ficar insistindo. Aqui não, tenho uma reputação importantíssima a zelar. E Ava era — por enquanto — só uma peguete. Uma peguete que eu tinha a hora que eu queria, e não é de hoje. *roupa de Ava*
 Depois de alguns minutos ali, me levantei um pouco cansado.
 — Anda, vamos aproveitar que não tem ninguém. — falei, agora mostrando um pouco menos de interesse. Não iria ser bom se me vissem saindo da academia vazia com Ava.
 — Ah, se bem que a gente podia ficar mais um pouquinho. — ela riu, me puxando de volta — Eu me sinto tão bem quando fico com você.
 Bufei. Mais uma apaixonada por mim, me diz, porque sou tão lindo?
 — Ava, você sabe que eu também fico numa boa, mas vamos!
 — Ah, espera! — ela me puxou mais uma vez, sorrindo — Vem cá, eu posso contar para as minhas amigas que eu tenho namorado?
 — O que?! — engasguei — Não, namorado é uma palavra muito forte. — fui caminhando até a entrada da academia.
 — Ai, Joe, por favor, entende! — ela falou alto, aparentemente nervosa.
 Eu não mereço isso agora, uma briga agora ninguém merece!
 — Ava, Ava, me escuta! — parei na frente dela — Com esse acidente e tudo que aconteceu, eu não estou bem, entendeu?
 Ela suspirou, parecendo decepcionada com a minha frase.
 — Tudo bem. — ela passou a mão em meus cabelos — Eu vou cuidar de você, meu amor, não se preocupe. Vai ver como vamos ficar juntinhos numa boa.
 Dei um sorriso fraco pra ela. Ava era linda e nós nos pegávamos a um tempo, mas nada sério. Talvez eu pudesse pensar em dar um passo adiante.
 — Joe!
 Me virei e vi Jacob correndo e entrando pela porta da academia, completamente esbaforido. Revirei os olhos. Não havia alguém melhor nesse momento.
 — Ainda bem que te encontrei, cara! — ele disse ao chegar perto de mim — Faz tempo que eu estava te procurando.
 — Porque? — dei de ombros.
 — Porque um dos bolsistas, pobre coitado... Pisou na bola. — ele disse com ar enojado.
 — O que?!

Nick Jonas.
 Com meu corpo mais leve, eu saí da sala, sorrindo. Não havia coisa melhor para se pensar. Eu estava feliz, e isso era certeza. Finalmente conseguia já sentir a mudança e o renovo chegando em minha vida, e apenas porque soube que passei em uma prova. Mas aquilo era muito mais. Eu estava cada a um passo a frente de tudo que eu planejei, e eu pretendia fazer dar certo até o fim. Por mim mesmo, e pelo meu pai, principalmente... O plano de acabar com ELE não iria ter tréguas.
 O corredor estava abarrotado de pessoas, principalmente de bolsistas e agora já se podia ver estudantes da Academia Yancy inseridos ali. Muitos passavam com seus narizes em pé, parecendo olhar com receio para os "pobres", que agora a maioria já não estava tão feliz assim. Miley fora falar com algumas pessoas, ou com seu jeito doce de sempre, consolar os que não passaram.
 Eu sinceramente não sabia o que fazer. Estava alegre e contente, claro, havia passado na prova para estudar na melhor escola dos Estados Unidos, mas no meio de toda aquela gente, eu só conseguia pensar no meu objetivo principal.
 Fui tirado de meus pensamentos quando alguém chamou meu nome no meio daquela multidão. Olhei e vi que era o diretor Ethan que estava com Emma um pouco mais de 3 metros de mim, e ele me chamava para me juntar a ele. *roupa de Emma*
 — Nick Jonas. — ele deu um sorriso, apertando minha mão.
 Ele não queria mais nada além de agradecer simplesmente o que eu havia feito. De acordo com ele, passar naquela prova era algo para pessoas esforçadas e de completo nível, e que uma coisa dessas não deveria ser ignorada.  Por fora fiquei feliz. Por dentro, sinceramente, tanto faz.

Selena Gomez.
 — Anda logo, Selena!
 Isabella gritou enquanto me puxava com violência para o corredor, que a essa altura já estava abarrotado de gente. Fiquei até assustada. Nós duas já havíamos trocado de roupa e preparado o make, (roupa de Selena, roupa de Isabella) como eu já havia dito, e eu finalmente havia conseguido colocar algum ânimo em Isabella. Mas sinceramente, meu foco aqui era encontrá-lo...
 Eu não sabia onde ele estava e nem nada dele. Será que é possível isso? Você gostar de uma pessoa assim? Do nada? Minha barriga até agora fica gelada quando lembro do jeito que ele me olhou a um momento atrás, e minha cabeça começa a revirar, parece que fico tonta. Como deve ser seus olhos de perto? E seu cheiro? Seu sorriso? Tenho que parar de viajar, estou em público.
 Eu e Isabella fomos até o andar de cima para fugirmos um pouco da abarrotação de pessoas que enchia o corredor principal. De lá, podíamos ver todos, e estava uma falação enorme. Mas eu não o via, e isso estava me enlouquecendo...
 — Isabella, calma. Não pode dar tanta pinta, tem que disfarçar um pouquinho. — suspirei, me apoiando no corrimão e varrendo os olhos por aquele corredor. Isabella parecia aflita para encontrar esse garoto, e isso estava um tédio — Cadê a Ava, hein?
 — Cadê ele? — ela sussurrou para si mesma, colocando quase todo o corpo para frente, quase caindo do segundo andar.
 Eu bufei, e decidi procurar junto com ela. Amigas são pra isso, certo? Comecei a olhar para a mesma direção de Isabella e em poucos minutos meu coração parou. Avistei o diretor Ethan e Emma e meus joelhos tremeram quando vi com quem eles falavam.
 Era ele. Eu tinha certeza. Era ele. Meu coração bateu mais forte e minha barriga parecia uma pista de gelo. Ele conversava com o diretor muito sorridente, o que me fez pensar por um segundo que ele poderia ser bolsista, mas não pensei muito, pois Isabella me deu uma cotovelada.
 — Ali! — ela falou um pouco alto, brotando um sorriso no rosto — Olha, Selena! Ele é lindo, meu Deus...
 Meu coração parou. Pareceu que eu havia sido atingida por um raio. O dedo de Isabella apontou exatamente para ELE e pareceu que ela estava me dando uma facada no coração. Uma facada brusca. Eu não queria acreditar, queria retirar aquela hipótese da minha mente, mas era o que eu estava vendo. Bufei, balançando a cabeça, ajeitando a bagunça que eu havia feito.
 — Qual? Aquele ali? — apontei para ELE, agarrada ao último fio de esperança que me restava. Porque aquilo não podia estar acontecendo, não mesmo.
 — Sim, é aquele! — ela estava tão radiante, o que partia ainda mais meu coração.
 Fechei meus olhos, tentando absorver a ideia. Sim, aquilo estava realmente acontecendo. Não acredito que pude gostar do mesmo garoto que Isabella. Como isso pode? Nunca gostávamos das mesmas pessoas, eu particularmente nunca havia gostado de ninguém assim, só de ver pela primeira vez. Isabella sempre foi de cair de cabeça, se entregar, e eu sempre fechada nesses assuntos, nunca queria compromisso, só queria curtir... Isso não pode estar acontecendo.
 — Olha aquele sorriso, aquela boca, aqueles músculos... — ela murmurava ao meu lado, completamente derretida. Eu queria tapar meus ouvidos e sair correndo. Naquela hora seria bom estar no monte Everest e dar uns gritos — Parece que ele conseguiu a bolsa, deve ter conseguido mesmo, estão dando os parabéns a ele.
 Bolsista. Lá veio a confirmação. Porque não pensei naquilo antes? Mas era óbvio. Eu nunca o tinha visto aqui na escola, e do nada ele parece justo no dia da prova. Os alunos novos geralmente não aparecem assim. Mas eu realmente não podia discordar de Isabella, ele era lindo. Lindo demais. Tinha olhos e boca perfeito, que me faziam me derreter ainda mais por ele. Será possível? Seu sorriso era encantador, fazia eu me perder naquilo por horas, ou podia até por anos... Mas o pior é que Isabella sentia a mesma coisa. E estava sentindo tudo isso naquele momento.
 Mas tudo aconteceu rápido demais. Mal tinha percebido que estava olhando demais pra ele perdi a noção do tempo. De repente ele levantou o rosto e seus olhos se encontraram com os meus. Meu coração disparou. A mesma sensação que senti quando isso aconteceu pela primeira vez. Senti minhas mãos tremendo e odiei isso, Isabella estava ao meu lado. E ele estava olhando pra mim, quase consegui sentir Isabella surtar.
 Mas o fez meus joelhos tremerem foi quando ele se despediu do diretor e Emma e foi indo em direção as escadas para o segundo andar, exatamente onde eu e Isabella estávamos. Bufei, fechando os meus olhos. Isso não pode estar acontecendo. Isso não vai acontecer. Droga, o que eu faço? Ele não pode vir pra cá, sem cogitação.
 — Ai, ele está vindo pra cá! — falou Isabella, parecendo me tirar de um transe.
 Ele mal havia começado a subir as escadas, mas eu tinha a plena certeza de que ele estava se aproximando.
 — Eu vou desmaiar, me ajuda, Selena. — Isabella respirava forte, literalmente parecia desesperada.
 E ele estava mesmo vindo em nossa direção. Não pensei duas vezes, balancei a cabeça e comecei a correr no mesmo caminho que vim, comecei a recuar.
 — Eu já volto! — gritei e corri, lutando para não ouvir os gritos de Isabella atrás de mim.

Nick Jonas.
 — Olá!
 Cumprimentei a garota em minha frente, a gordinha que estava com a outra... Aliás, onde ela estava? Quando eu a vi novamente no segundo andar, eu não soube dizer novamente o que senti. Já a havia visto a algumas horas, mas vê-la de novo parece que me causou um impacto ainda maior em meu coração. Odeio falar desse jeito. Mas ela realmente esbanjou atração para mim, e quando percebi já havia subido para conhecê-la. Sei que o último dos meus focos nesse lugar era garotas, mas não sei dizer o que aconteceu quando eu a vi, foi indescritível.
 Mas quando cheguei não a vi. Estranho. Ela estava exatamente aqui em cima, eu não estou enganado. Ou será que eu fiquei tão louco com ela que agora a estou vendo em qualquer lugar? Também não vamos exagerar. A garota que estava com ela me deu um abraço como sinal de cumprimento e vi que ela mastigava algo.
 — Olá, eu sou... — ela suspirou, balançando a cabeça. Parecia muito nervosa, e eu via que aquilo não era o normal dela — Eu sou a Isabella. — disse e apertou minha mão — Sou do 4º ano.
 — Ah, eu também vou estudar no 4º ano, acabaram de me dizer que eu passei na prova. — dei um sorriso satisfatório. Ela me avaliava com seu olhar, e eu sentia isso — Muito prazer, vamos ser colegas.
 — Meus parabéns! Sério, seja bem vindo. — ela deu um sorriso e seus pequenos olhos azuis ficaram menores. Ela era bem bonita. Mas nada me tirava a outra da cabeça, e até agora eu me perguntava onde ela havia se metido.
 Pensei nisso por alguns instantes.
 — Escuta, a garota que estava aqui com você... Ela vai ser nossa colega também? — perguntei, dando de ombros, não parecendo nem um pouco desinteressado.
 — Ah sim! Aquela menina é a minha melhor amiga, se chama Selena Gomez.
 Naquele momento pareceu que eu havia tomado um banho de água fria. Não só um, uns 34 banhos de água fria. Não podia ser. Era inacreditável. Gomez! Não, isso não. Não podia ser Gomez, ela devia estar confundindo... Ou eu não era acreditar. Meus olhos pareceram saltar das órbitas e eu fiquei paralisado, sem nem saber o que pensar. Isabella me olhou como se eu fosse louco, e eu parecia não conseguir me mexer.
 — O que foi? — perguntou ela, e eu vi preocupação em seus olhos.
 Consegui respirar e sentir novamente minhas pálpebras.
 — Gomez? — perguntei, em um sussurro, com a voz falhada. Meu tom de voz era de uma completa descrença.
 — É... Você conhece? — ela perguntava cautelosamente, como eu não entendesse suas palavras.
 Então é verdade. Ela é uma Gomez. Aliás, ela é a Gomez! Selena... Meu Deus, como não podia ter me tocado disso antes?! Selena é a filha dele! Como posso ter me distraído tanto a ponto de achar que não me esbarraria com ela por aqui? Me distraí tanto a ponto de achar que ela nem estivesse por aqui hoje... Como não posso ter pensado em ter visto uma foto dela antes? Ter pesquisado mais sobre isso, sobre ela...
 Mas me odeio mais ainda por, em algum momento, me sentir tão atraído por ela a ponto de me esquecer de tudo. Até de me esquecer do que eu realmente vim fazer aqui.
 De repente me lembrei da existência de Isabella a minha frente, que me olhava agora com certo "medo". Nossa, o que eu devia estar parecendo pra ela?
 — Não, não. — respondi depois de um tempo — Eu achei que ela fosse conhecida, mas... Não conheço o sobrenome, então não tem nada a ver.
 — Nick! — olhei para o lado das escadas e vi Miley vindo até mim, sorrindo, e se jogando para me dar um abraço. *roupa de Miley*
 — Como vai, Miley? — sorri, a abraçando de volta — Ei, essa aqui é a Miley, ela também vai entrar pro 4º ano. — falei com Isabella.
 — E aí? Tudo bem? — Miley estendeu as mãos para Isabella, que só agora havia percebido que não estava sorrindo mais. Pegou de leve nas mãos de Miley, a cumprimentando com um sorriso de lado.
 — E aí, o que você acha? — falei para Isabella. Esperava mesmo que todas as minhas amizades fossem a de Miley, e vice-versa.
 — Que sorte! — Isabella revirou os olhos. Senti um certo tom de desprezo em sua voz, mas descartei.
 — Nossa, o que é isso? — Miley riu, passando a mão em minha bochecha — Está sujo aqui. É chocolate.
 Passei a mão em meu rosto e olhei Isabella. Ela repentinamente havia abaixado a cabeça. Eu dei um sorriso fraco ao sentir ela envergonhada.
 — Ah, é que está... — fiz um gesto de mãos para anunciar que sua boca estava suja de chocolate.
 Não iria ser tão difícil ser amigo das pessoas por aqui.

Anthony Jackson.
 — Não, mãe, não posso deixar o celular o tempo todo ligado! — gritei mais uma vez ao telefone, já quase perdendo a paciência.
 Eu estava em meu "novo quarto". Pareceu que eu havia demorado séculos para chegar até aqui, de tão grande que era a escola. Minha mãe havia surtado após eu a contar que havia passado na prova, e eu também estava feliz. Feliz demais. Parecia a primeira vez que eu iria finalmente atravessar a rua sozinha, andar pelas ruas sozinho e fazer minhas próprias coisas e escolhas. Aqui eu podia errar. Errar e aprender, errar de novo... Aquilo era demais, eu estaria longe dos meus pais e da super proteção deles. Eu finalmente iria viver minha própria vida.
 — É proibido usar aqui. — continuei a falar com ela enquanto eu rodava por aquele quarto gigante. Era realmente gigante — Ta bom, eu te ligo assim que puder... Ok, eu vou descobrir se tem alguma sinagoga aqui perto. — revirei os olhos.
 Eu era judeu. Pode até parecer que não simplesmente pelo meu jeito de pensar, mas eu não tinha como fugir. Nasci em um lar judeu e era assim que eu tinha que viver pelo resto da minha vida. Pelo menos era assim que meus pais faziam questão de me lembrar quase todos os dias. Por isso sempre a super proteção de meus pais, por isso eu quase não tinha vida. Essa era a minha grande chance de chutar o balde por pelo menos algumas horas, era o mínimo que eu pedia.
 Parei subitamente quando ouvi vozes vindo pelo corredor, e tinha certeza que estavam vindo para o quarto. Falei um "tchau" rápido para minha mãe e desliguei o telefone, logo no momento em que a porta se abriu e dois garotos entraram rindo.
 — Não, a menina estava na sua frente... — um deles parou de falar ao me ver. Eu rapidamente havia sentado na cama e olhava para os dois, como se eu os estivesse esperando a muito tempo.
 O outro olhou para mim, confuso.
 — Oi. — ele me cumprimentou.
 — E aí?
 — Oi, eu sou Anthony! — me levantei de imediato ao ver que eles não expulsariam. Trocamos apertos de mãos — Me mandaram pra esse quarto.
 — Ah sim... E é Anthony de que? — um deles me perguntou, parecendo me avaliar.
 — Anthony Jackson.
 — Ah, legal. E escuta, você é judeu?
 Juntei as sobrancelhas.
 — Sou. — respondi — Porque?
 Haviam me investigado? Mas já?
 — Porque no gabinete do meu pai tinha um sub-secretário, um que tinha o sobrenome Jackson, e ele era judeu. — respondeu o outro que mal havia falado. Admito que ele tinha a maior cara de galã e não duvido nada que era o mais pegador de todos.
 — É parente seu? — perguntou o mais baixo.
 Com certeza não.
 — Não, acho que não. — dei de ombros — Gabinete? Não, não mesmo.
 — Hm, entendo! E escuta, é o seu pai que paga o colégio?
 — Não, eu entrei de bolsista.
 Eu posso estar louco, mas senti o olhar deles mudar sobre mim. Principalmente o do mais baixo, que o senti me avaliar desde a hora que pisou no quarto. Ele me olhou com um certo olhar de repulsa, mas não pude decifrar direito. O outro com cara de galã apenas me observou, como se tivesse lido meu futuro inteiro e não estava nem aí. Mas um arrepio cortante passou por mim ao olhar do mais baixo.
 — Não tem muitos judeus bolsistas nessa escola. — ele disse, dando de ombros, como se também não estivesse se importando — Que estranho, não é? Mas tudo bem, valeu, a gente se vê... — ele me deu mais um aperto de mão e se virou para a porta com o outro.
 — Am... Qual é a sua cama? — perguntei.
 — Aquela é a minha e essa é do Joe. — ele apontou para as camas e depois para o garoto com cara de galã — E eu sou Jacob.

Demi Lovato.
 — Puxa, não veio ninguém. — suspirei enquanto me sentava em uma das camas do quarto de Madison — Que inveja, você vai ficar aqui sozinha. Na minha jaula de zoológico, não vou sobreviver sem matar alguém logo.
 Ela inicialmente não me deu a mínima atenção, já que estava ocupada demais fazendo flexões. Quantos músculos o corpo dela ainda aguentaria ter?
 — Ou quem sabe, talvez uma das suas colegas de quarto chegue depois. Elas estão viajando, mas depois vão voltar. — dei uma risada, sentando em borboleta. *roupa de Demi*
 — Escuta, sabe se é obrigatório ir nessa viagem? Essa viagem aí da escola... Ou quem quiser pode ficar?
 — Não. — respondi, dando de ombros — Você tem que ir e ponto final.
 — Caramba. — ela balançou a cabeça de forma negativa, notando-se claramente sua repugnação por se juntar áquelas pessoas — Cara, eu queria ficar pra treinar mais a fundo. E se aparecer um intercolegial? Eu tenho que estar preparada.
 Revirei os olhos, rindo. Madison era uma peça completamente nova em minha vida, nela eu via tantas surpresas que nunca imaginei. *roupa de Madison*
 — Ah, só que aquelas minas me disseram que aqui não tem intercolegial... Me disseram que aqui não tem. — só pelo tom de sua voz já pude perceber que ela falava de Selena e seu grupinho. Tive nojo só de pensar nas três novamente.
 — E porque você acredita naquelas idiotas? São umas coitadas, pergunte isso ao diretor, já disse pra você. — falei, me levantando.
 De repente ouvimos um barulho. Na verdade, um imenso barulho, parecido com um alarme de incêndio, mas parecíamos estar dentro de um corpo de bombeiros. Olhei para Madison confusa.
 — Ué, que som é esse? — perguntou ela, parando suas flexões.
 — Não sei. — respondi, indo para a porta. Ao abrir a mesma, vi dezenas de pessoas passando no corredor, indo para a mesma direção, que era a que vinhemos.
 Puxei uma garota qualquer que passava em minha frente.
 — O que é isso, hein? Alarme de incêndio? — perguntei.
 — Ai, como você é burra, é o alarme que anuncia a reunião no saguão! Vem! — ela me olhou com desprezo e saiu rebolando. Juro que se ela não fosse tão ágil, já teria levado um tapa.
 — Burra é a tua vó! — gritei, mas ela já havia ido.
 Madison saiu do quarto, se pondo ao meu lado.
 — Você sabe onde fica o saguão? — perguntei a ela.
 — Não. — ela deu de ombros, fechando a porta atrás de si.
 Começamos a andar para frente, quando uma garota parou em nosso caminho. Ela tinha cabelos até o meio das costas cor de mel e olhos azuis. Tinha roupas simples e estava cheia de malas.
 — Ham, olá, meninas! — ela nos cumprimentou com um sorriso — Eu sou a Miley... Bom, me mandaram pra este quarto.
 — Bem vinda, My. — eu sorri, dando-lhe um aperto de mão — Essa é Madison, a dona do quarto, e eu sou Demi, a vizinha. — apontei para o quarto da frente.
 — Ah, que legal! Bom, eu vou entrar pra guardar as minhas coisas... — ela abriu a porta do quarto com dificuldade, já que estava cheia de malas.
 — Não, não, deixa isso pra depois, querida, agora temos uma reunião urgente, como aparenta! Deixa isso aí que arrumamos depois. — deti Miley antes que ela pudesse pisar dentro do quarto. Madison pegou suas malas e as jogou dentro do quarto, e em seguida, nós três estávamos descendo para o saguão.

Nick Jonas.
 — Ei, olá!
 Olhei para trás enquanto havia acabado de chegar ao saguão. Um garoto, que me recordava pouco dele, corria em minha direção, parecia um louco. Ele parecia atropelar as pessoas muito desajeitadamente, já que naquele momento uma aglomeração de pessoas já começava a surgir. Ele chegou até mim, ofegante.
 — Eu sou Anthony. — ele disse após alguns minutos — Sou da sua galera. Digo isso porque vi você fazendo a prova, também sou bolsista.
 Dei um sorriso satisfatório. Havia acabado de me lembrar dele, estávamos a poucas horas atrás em uma sala fazendo prova.
 — E aí, beleza, Anthony? — trocamos apertos de mão.
 Na mesma hora, ouvimos a voz da secretária chamando todos os alunos para se reunir. Eu puxei Anthony comigo e percebemos que estávamos fora da aglomeração de pessoas. Corremos entre a multidão, e sinto que atropelei mais gente do que as que pedi um "com licença". Nos instalamos em um lugar perto da piscina, antes da secretária começar a falar.
 — Senhor diretor. — ela sorriu, parecendo passar a palavra para Ethan, que já estava a seu lado.
 — Obrigado, Emma. — ele suspirou — Tudo bem, pessoal? Reuni vocês aqui porque, somos poucos, como vocês podem ver. E bom, esse lugar que tem um ambiente mais familiar, não é? Quero dizer que o nosso colégio é como uma grande família, não é verdade? — alguns alunos gritaram afirmando — Bom, eu quero aproveitar para dar as boas vindas aos alunos que acabaram de entrar e peço para eles uma salva de palmas, por favor. — todas as pessoas aplaudiram — Bem vindos! E chegou a hora, pessoal... Todos devem preparar as suas malas porque vão para o clube no Havaí! — algumas pessoas vibraram com a notícia, que não parecia tão velha assim — Eu queria lembrar aos jovens, aos novos alunos, que a ida de vocês a esse lugar é para que se conheçam, para que destravem alguma conversa, e tenham um relacionamento com os seus colegas. Os alunos novos e os alunos que já estão a anos nessa escola. Eu agradeço e, por favor, aplausos para os novos alunos do colégio.
 Mais aplausos. Mais gritos. Mais euforia. Eu dei um riso fraco. Pra mim, nada daquilo importava, eu já havia passado dessa fase de 16 anos, já havia conhecido bastante coisa do mundo. Seria apenas reviver, meu objeto e foco aqui era outro.
 Eu e Anthony começamos a voltar para dentro do colégio, assim como os outros alunos. Esperei a maioria entrar para não ficar esbarrando em muita gente. Passávamos na borda da piscina quando senti um impacto em meu ombro, como se alguém tivesse me empurrado com força. Me virei e vi um garoto parado em minha frente, com os braços cruzados, me encarando. Eu não o conhecia, na verdade nunca o havia visto na vida...
 — Qual é o problema? Cuidado aí! — perguntei, meio alto. Ele parecia estar querendo arrumar uma confusão comigo, e aquilo havia me deixado nervoso.
 — Algum problema? — ele ergueu as sobrancelhas.
 — Não, eu não. — dei de ombros.
 — Mas eu tenho! — ele se aproximou de mim — Não gosto de alunos novos que se acham os maiorais. Isso aqui não é uma favela, aonde você deve ter sido criado! Aqui tem gente que não é pro seu bico, entendeu? Procura andar na linha pra não ter mais problema, falou?
 — Olha aqui, eu não sei o seu nome, mas acabou de arranjar um problema, entendeu? — sem pensar, avancei para ele, mas não cheguei a tocá-lo, pois senti Anthony puxar meu braço e me levar para não sei aonde.
 Mas eu pude ver nitidamente que, ao lado do valentão que queria brigar comigo, estava aquele garoto de touca que eu havia esbarrado ao sair da sala de prova. Tinha certeza absoluta.

domingo, 6 de outubro de 2013

Episódio 13 - A Broken Wing

Lá vai você, fingindo que não se importa, fingindo que não sente. — The Vampire Diaries.

Demi's POV

 Esperei algum tempo até eles saírem do quarto. Mas não saí da onde estava de imediato, vai que eles voltavam depois de alguns segundos? Pelo que eu vi daqueles dois, não duvidava de nada. Eles podiam voltar pra mais um sexozinho rápido, quem sabe.
 Mas quem entrou em seguida no quarto foi Isabella, a gordinha amiga de Selena. Olhar pra ela me deu ânsias de vômito, mas na verdade quem estava com ânsias era ela ao ver a decoração que havia feito na minha parte do quarto.
 Me levantei e soltei uma risada.
 — E aí, como vai? — chamei sua atenção, descendo as escadas — Ficou linda a minha decoração, não é?
 Ela me olhou chocada, como se não acreditasse que eu ainda estava em seu ambiente.
 — Ficou uma porcaria! — falou ela finalmente — Você não pode fazer isso, o quarto não é só seu!
 — Por favor, se acalma, ta? — bufei, subindo em minha cama — Meu Deus, que homem! — suspirei, beijando um pôster do Jared Leto que havia colado na parede — Olha, acredite, eu também gosto das suas coisas.
 Ela revirou os olhos, com certeza me achando uma completa imbecil. Eu a entendia.
 — Nós temos que entrar em um acordo. — disse ela, rangendo os dentes.
 Desci da cama, a encarando.
 — Eu não, falou? — ergui as sobrancelhas — Já vou avisando.
 — Não pense que vai poder fazer o que quiser! Minhas amigas e eu somos as mais populares do colégio, se quisermos em 5 minutos você vai embora!
 Tive vontade de dar gargalhadas. Na verdade, foi isso que eu fiz. Eu simplesmente ri da cara dela. O que era aquilo? Eu estava em um filme das patricinhas de Beverly Hills? Eu estava infurnada em algum shopping ambulante? Não era possível... Em um impulso, empurrei Isabella Golfinho na cama, ainda rindo.
 — Ui, que medo. — ri alto — As mais populares querem me tirar do colégio...
 — O que está fazendo? — ela arfou — E tem mais... Para com isso... Selena já foi falar com o diretor pra tirar você do quarto!
 — Não me diga! — dei um riso irônico, dando um aperto em seu nariz — Acho que você é a mais popular sim, mas entre os elefantes. — ri.
 — Me solta, sua abusada! — ela retirou minhas mãos de seu nariz.
 — É claro.
 Eu ri e me levantei, tentando pensar mais uma vez o que eu faria pra me livrar daquelas garotas.
 — Espera só até as minhas amigas chegarem! — gritou ela, se levantando.
 — Ui, belas amigas você tem, falam horrores umas das outras quando ninguém está escutando. — dei de ombros.
 — Isso é mentira! — ela bufou, se levantando. Tive a leve impressão de que tinha tocado em um ponto fraco dela.
 — Ah é? — levantei as sobrancelhas — Então pergunta pra loirinha o que ela disse pro bonequinho de plástico da Selena. Só por curiosidade, não é? — peguei um elefantezinho rosa de pelúcia em cima da mesinha de cabeceira e joguei em Isabella — Olha só a sua irmãzinha.
 Me levantei e saí do quarto, sentindo um alívio tremendo. Não seria fácil aguentar essa gente, não mesmo. Iria ter que rezar muito.

 — Credo, até senti falta de ar lá dentro! — murmurei a mim mesma quando cheguei ao gramado, do lado de fora da escola. Me sentei embaixo de uma árvore, cada vez mais sentindo um ódio tremendo — Tudo por culpa daquele velho asqueroso. Tomara que ele tenha um problema de próstata e vá logo pro inferno de uma vez por todas!
 De repente alguém caiu em cima de mim. Sem brincadeira, eu sentada reclamando da vida e algum ser pareceu que pulou - ou se jogou - da árvore acima de mim. Me levantei rapidamente e me deparei com uma menina. Ela era loira e usava uma touca na cabeça. Seus olhos eram fortemente azuis e ela tinha roupas surradas.
 — Ai, calma. — bufei — Está pensando o que? Se quer se suicidar, avisa! Se não você pode cair na minha cabeça.
 Ela não disse nada, apenas me olhou. Não ouvi e nem vi nenhum pedido de desculpas. Ela não parecia nem um pouco arrependida de quase ter me matado.
 — Será que nessa escola são todos loucos? — levantei as sobrancelhas, como se fosse óbvio.
 Me surpreendi ao ouvir uma risada dela.
 — Eu não sei, eu sou nova. — ela riu — Prazer, sou Madison. — ela estendeu a mão.
 Fizemos um toque de mãos, o que me surpreendeu. Achava que aqui dentro só tinham garotas engomadinhas cheias de não-me-toque.
 — Prazer, eu também sou nova. Eu sou a Demi. — me encostei na árvore — O que fazia ali em cima?
 — Eu estava tomando ar, porque lá dentro não dá nem pra respirar. — ela deu de ombros.
 Eu abri um sorriso. Impressão minha ou eu finalmente havia achado alguém com neurônios aqui nesse lugar?
 — É isso aí, bem vinda ao clube! — eu ri.
 — Po, é difícil ser nova, não é? Em qualquer lugar.
 — E aqui é pior. — bufei.
 — Porque entrou pra essa escola? — perguntou ela.
 Minha cabeça queimou naquele momento.
 — Porque o imbecil do meu pai me obrigou. — respondi. — E você?
 — Eu fui mandada do orfanato pra cá. — ela deu de ombros.
 Meus olhos brilharam. Eu tinha mesmo acabado de ouvir aquilo? Madison era muito mais do que eu pensava.
 — Então você é órfã? Ai, que legal! — abri um enorme sorriso.
 Ela me olhou como se eu fosse louca. Normal, não é? Quem iria comemorar por ser órfão? Aquilo nem ela estava entendendo.
 — Você está maluca?
 — Não estou maluca, eu te emprestaria um mês os meus pais e garanto que você daria graças a Deus de ser órfã. — dei um sorriso fraco — Então o orfanato está pagando seus estudos aqui?
 — Não, não, eu vim pra cá porque eu ganhei uma bolsa de atleta, mas umas meninas lá dentro me disseram que não disputam competições. — ela deu de ombros.
 — Então alguém paga o colégio pra você?
 — Não, que nada! Esse lugar aqui é caríssimo. Eu não tenho um centavo, então...
 — Então tem alguma coisa errada. — a interrompi — Alguém tem que falar com o diretor.
 Madison revirou os olhos para um carrinho de golfe que se aproximava de nós naquele momento. Dentro dele havia um garoto de cabelos escuros e olhos tão azuis que se via de longe. Era bonitinho, e parecia estar olhando diretamente pra nós.
 — Quem é esse aí? — perguntei, sussurrando, enquanto ouvia o carrinho se aproximar.
 — Logan Wade Lerman, um cara que sismou comigo desde que eu cheguei. É insuportável! — ela bufou.
 No momento em que ela disse isso, o tal Logan estacionou a nossa frente. O garoto sorriu maroto para nós e saltou do carrinho.
 — Não, eu sou James Bond. — ele sorriu, se aproximando de mim. Argh! — Olá, eu sou Lo...
 — Logan! — eu o empurrei para longe de mim, antes que ele encostasse aquela mãozinhas onde não deveria — Eu já sei!
 Ele se afastou de mim, me olhando assustado. Como se eu acabasse de ter dado um golpe mortal em seu peito, e eu só lhe dei um "empurrãozinho". Ele riu nervoso, meio sem graça.
 — Vocês deviam estar falando de mim, não é? — ele riu, convencido até demais. Dei uma olhada para Madison, rindo do quão idiota aquele garoto era — Eu já estou acostumado. E vocês são meninas de sorte, sabem porque? Eu acabei de comprar uns vinhos melhores do que os franceses, e eu vou ficar sozinho no meu quarto, então... Porque não? Eu que sou tão gente fina vim aqui convidar vocês...
 — Não, muito obrigada! — o interrompi antes que ele falasse mais alguma coisa — Sabe o que é? Nós duas preferimos beber caipirinha de cachaça com limão, ok? Passe bem, meu filho!
 Revirei os olhos e saí andando, e Madison me seguiu.

Selena's POV

 Meu coração ainda batia rápido quando entrei praticamente correndo no quarto! Bati a porta atrás de mim, respirando com dificuldade. Também, eu parecia ter estado sem respirar por 2 horas. Vi Isabella deitada em sua cama, mas não me importei muito, meu pensamento voava tanto. Sentei em minha escrivaninha, dando sorrisos involuntários.
 Mas o que eu vou vestir?! Preciso pensar nisso...
 — Isabella, depressa! Precisamos ir ao refeitório! — falei.
 Não obtive resposta no começo. De repente ouvi um soluço. Rapidamente me virei e vi que Isabella chorava.
 — Isabella! Isabella, o que você tem?
 Bufei.
 — Isabella, não liga pra ela! — me levantei e fui até ela — Não fica assim por isso.
 — Eu não to chorando só por isso... — ela falou em meio aos soluços.
 — E porque então?
 — É um menino.
 — Um menino? — juntei as sobrancelhas — Espera aí, quem te fez alguma coisa?
 — A natureza me fez gorda. — ela se sentou na cama, secando as lágrimas que ainda caíam. — E agora que eu conheci o menino dos meus sonhos... Não acredito que ele vá querer um elefante como eu.
 — Isabella, não exagera, ok?!
 — Essa barriga não é um exagero! — ela apontou para sua barriga abaixo da blusa amarela. Eu suspirei.
 — Olha só, vou te dizer uma coisa: as mulheres não atraem só pelo visual. Tem muitas outras coisas. E você é uma menina que tem sentimentos maravilhosos! E se esse menino é tão maravilhoso como você está achando que ele é, com certeza vai perceber quem é você. — dei um sorriso sincero. Ela parou de chorar e olhou em meus olhos.
 — Você acha? — perguntou ela.
 — Claro, sua boba! — passei a mão em seus cabelos — Olha, vamos fazer uma coisa. Você para de chorar e eu te conto uma coisinha! — eu ri animada, mais uma vez me lembrando do episódio maravilhoso que havia passado no corredor.
 — O que foi? — ela perguntou, brotando um sorrisinho de seu rosto.
 — Você lembra que eu disse que não gostava de ninguém daqui da escola? — ela assentiu — Ai, Isabella, eu não sei o que aconteceu, mas hoje eu vi alguém que eu gostei muito! — eu dei um enorme sorriso e eu vi o brilho nos olhos de Isabella. Aquilo realmente era uma novidade tremenda.
 — E ele é um dos bolsistas? perguntou ela, curiosa.
 — Ah, eu não sei. Eu acho que não. É aluno novo, mas eu não sei... Eu não sei... — eu suspirei, sorrindo involuntariamente mais uma vez ao lembrar daqueles olhos e daquele rosto. Podia jurar que estava mordendo os lábios só de lembrar.
 — E vai estudar na nossa turma?
 — Eu também não sei! — falei um pouco mais alto com Isabella, mas ainda rindo — Ele parece ser mais velho, mas não sei, só o vi no corredor rapidamente. — Isabella riu da situação — Ai, Isabella! Chega, ok? Vamos ficar bem bonitas e vamos dar as boas-vindas aos novos gatinhos! — me levantei da cama — Chega, eu não quero ver mais tristeza, ok? Agora eu vou maquiar você e você vai ficar linda.

Nick's POV

 — Quanto tempo mais vão demorar para dar os resultados? — perguntava Miley impaciente ao meu lado, enquanto todos os outros bolsistas quase morriam de tanto nervosismo.
 Eu balancei a cabeça, suspirando.
 — Não sei, não faço ideia. Mas você viu quantas provas eles tinham pra corrigir? Tomara que a gente tenha se dado bem e que entreguem logo os resultados.
 — Eu sei, mas tinham muitos professores para corrigir. — bufou Miley. Apertei meus olhos, assustado com a dor de cabeça e confusão que me vinham naquele momento. De repente eu pensava no pior. Pensava no péssimo.
 — Sabe, Miley? Acho que respondi rápido muitas perguntas, entreguei a prova muito rápido.
 — Fiquem tranquilos! — falou um dos bolsistas que me lembrava vagamente do rosto dele — Vai correr tudo bem, vocês vão ver.
 Dei um sorriso em resposta. Dois segundos depois ouvimos passos na escada e vimos o diretor Ethan junto com uma penca de professores descendo as escadas, com papeis nas mãos. Meu coração bateu mais forte. Era agora.
 — Façam o favor de entrar na sala. — disse o diretor, e entramos novamente naquela sala. Não sabia o quanto estava tremendo, mas sabia que estava. Isso era minha meta, eu tinha que entrar nessa escola de qualquer jeito — Trouxe os resultados da prova, pessoal. Lamentavelmente, não foram muitos os que alcançaram o nível. Por isso, são poucos os candidatos que entrarão esse ano para o Highland Private School. Vou dar o nome dos 4 candidatos admitido. — ele pegou uma folha com uma das pessoas ao lado — Madison Taylor entrará para o 4º ano.
 O diretor observou a sala, para ver se localizava a tal da Madison. Eu também rolei meus olhos, mas pelo visto, a tal da Madison não estava lá. Estranho.
 O diretor continuou:
 — Anthony Jackson entrará para o 4º ano!
 O mesmo garoto que havia falado comigo a uns minutos atrás fora da sala dera um salto da cadeira, dando um grito animado e logo depois se sentando constrangido.
 Já haviam sido dois, meu coração pulava mais do que tudo.
 — Miley Cyrus entrará para o 4º ano!
 O rosto de Miley saiu do pálido para a cor normal. Ela fechou os olhos e deu um sorriso fraco; eu quase podia sentir o alívio que ela sentia de longe.
 O último nome. Eu não conseguia me conter...
 — E o último aluno é...

CONTINUA!