Toda positividade eu desejo à você, pois precisamos disso nos dias de luta.
— Charlie Brown Jr.
Quarto de Selena
Highland Private School
Selena's POV
Estava arrumando minhas coisas com Isabella em meu quarto, enquanto aguardava minha tão gloriosa viagem de férias.
Isabella: Você não acha estranho o seu pai ter estado aqui ontem e nem ter vindo falar com você? — ela dobrava algumas roupas minhas e as colocava na mala.
Selena: Não — dei uma risada, pegando um retrato de meu pai na cabeceira, dando um leve beijinho nela. — Esse é o jeito dele de me dizer que está zangado. Mas eu acho que no avião eu vou levar uns 2 minutos pra ele ficar calmo — nós rimos com a ideia.
Nós ouvimos passos e risadas vindos de fora do quarto, e depois vimos Joe e mais uma garota — da qual não me lembrava o nome — passando ali, rindo e se agarrando. Joe não prestava, isso era fato. A garota olhou para dentro do quarto e do nada sua expressão mudou. Ela largou Joe imediatamente e entrou, com uma cara de horror.
"Quem fez isso no meu quarto?" — ela arregalou os olhos, olhando para sua cama.
Foi quando eu me toquei. A parte de sua cama estava muito bagunçada, com roupas jogadas para todos os lados, estava realmente horrível.
"Aposto que foi você, não é?" — ela se virou para mim, com um olhar mortal.
Selena: Ah, calma, não se estressa! Em vez de ficar reclamando, porque você não dá um trato no seu cabelo? Me desculpa, mas essas pontas estão horríveis — soltei uma risdada bem propícia para o momento — Não fica zangada...
"Sabe que eu não te suporto? Vou agora mesmo pedir que me mudem de quarto!" — ela praticamente berrou e me jogou uma peça de roupa, saindo do quarto logo em seguida.
Isabella: Espera aí! — ela tentou chamar a garota de volta.
Selena: Você viu? Ela jogou isso em mim! — apontei para a peça de roupa.
Joe: É, Selena, exagerou! — quase tinha me esquecido de que Joe estava ali, e agora ele entrava no quarto, montado em sua jaqueta de couro e roupas caras — Sinceramente, eu acho que você não devia arrumar um escândalo depois do que fez ontem.
Selena: Quer saber? Acho bom não esquecer que estou acima do bem e do mal — me levantei, ficando de frente pra ele.
Joe: Pode até ser. Mas se for expulsa, me diz, como é que você e eu vamos ficar juntos?
Selena: Nossa, que lindo! — soltei uma gargalhada, me virando para Isabella e em seguida para Joe — Sabe qual é o problema, fofinho? Eu não tenho vocação pra babá. Entendeu, bebezinho?
Joe: Bebê? — ele ergueu uma sobrancelha.
Eu dei uma risada, ainda o encarando. Joe era assim: fuzilava quem ele via pela frente. Isso era fato, e não iria mudar. Já havia pegado mais da metade das garotas da escola e sempre estava em busca de novos ares.
Jayden: Selena!
Ouvi aquela voz e me virei pra porta, vendo meu pai ali parado. Dei um enorme sorriso.
Selena: Pai!! — meus olhos brilharam, eu pude sentir. Que saudade! Eu corri para abraça-lo.
Jayden: Podem nos deixar a sós por um momento, por favor? — ele falou com Isabella e Joe no quarto.
Joe: Claro! Com licença — ele deu um sorriso leve e se retirou.
Isabella: Olá, senhor! — ela deu um enorme sorriso, o abraçando — Com licença!
Selena: Pai, que bom que você veio! — bati palminhas de felicidade — O que aconteceu?
Jayden: Aconteceu uma coisa muito grave, filha.
Selena: Ah, que cara séria é essa? Porque você não me ajuda a arrumar a minha mala? Na viagem você me conta tudo com calma, e...
Jayden: Não vai ter mais viagem, Selena! — meus joelhos vacilaram — Esqueça as férias.
Selena: C-como assim? — sussurrei, perplexa.
Jayden: É o castigo pelo que você fez.
Selena: Pai, mas... Eu nunca vejo você, pai. Nem nos fins de semana você está comigo. Pai, porque não coloca um lacinho em mim e me dá de presente? — não queria meus olhos marejados, mas não podia evitar. Logo comigo!
Jayden: Me desculpe, mas isso é pro seu bem. Você tem que aprender a respeitar as normas.
Selena: Se não me levar... Eu não vou te perdoar nunca — chorei, e chorei mesmo. Ele apenas balançou a cabeça.
Jayden: Eu sinto muito. É uma lição que eu tenho que te dar, ainda que me doa. O que você fez foi demais, Selena! Fez um papel ridículo no colégio, e...
Selena: Ta, eu sei, isso importa muito! Mas eu fiquei te esperando, pai. Eu preparei uma coreografia pra você. Eu estava esperando você chegar pra me ver e você não chegou! — minhas lágrimas não tinham limites — Mas você se importa mais com o ridículo, não é? Se importa mais com o ridículo do que os sentimentos da sua filha. Você sabe o que eu senti?! Eu te esperei horas, pai, e você nem apareceu! — corri, saindo do quarto. se ficasse mais um minuto, eu enlouqueceria.
Brooklyn
Nova York
Demi's POV
Fui até a praça e esperei. Esperei por ele contando os segundos, pois o que eu queria fazer não podia ser feito em outra hora. A notícia que minha mãe me dera antes ainda rondava em minha cabeça, isso ajudava para meu ódio crescer. Avistei um carro parando e me levantei do banco, vendo-o sair do mesmo. Meu "pai".
"Mandou me chamar? Bem, estou aqui." — ele olhava para o relógio quando falava. Patético.
Demi: Escuta aqui...
"Por favor, filha, não faça assim. Eu sou o seu pai."
Demi: Ah é? Não me diga, já tinha esquecido, eu não vejo você.
"Olha, minha filha, por favor..."
Demi: Me chama de Demi, os estranhos me chamam assim! E se quer que eu vire freira, deixa eu te dizer que...
"Não, não! É um internato, não é um convento."
Demi: Pra mim dá na mesma, ok? Esquece, não vou aceitar!
"Olha, você é muito nova pra entender, mas quando for adulta vai entender e me agradecer." — ele deu um sorriso satisfatório. Mas porque estava rindo? Eu nunca iria agradecê-lo, ele estava ficando louco.
Nesse momento olhei para os lados. Não queria olhar para o homem á minha frente, aquilo não me agradava. Vi que o motorista do brutamontes estava conversando com dois policiais sobre o carro estar mal estacionado, e do nada me veio uma ideia brilhante, como uma lâmpada brilhando em cima de minha cabeça.
Demi: Tem razão — dei um sorriso para ele, dessa vez "amigável" — Papai — soltei um suspiro e o abracei imediatamente — Senti muito a sua falta, paizinho! — ninguém estava vendo isso, certo?
"Eu também, minha filha." — ouvi um riso. O velho havia ficado realmente feliz e satisfeito.
Demi: Me abraça forte! — forcei uma voz de menininha realmente sentida pelo pai. Ele deu mais um riso e me abraçou mais forte. — Me dá um beijo — minha voz soava de carência.
"Claro, claro. Muitos" — ele beijou o topo de minha cabeça — "Eu te amo, meu amor."
Demi: Ah, me solta! — berrei de repente, o empurrando pra longe. Seu rosto tomou uma expressão confusa — Velho, safado, imundo! Me solta! Me solta! — eu gritava mais uma vez e ele não entendia nada. Pude ver os policiais se aproximando e fiz o drama ficar pior.
Policial: O que está acontecendo?
Demi: Esse velho queria abusar de mim, seu estúpido! — gritei, e tentei forçar um choro. Ah, nem sou mal.
Policial: Venha conosco... — disse pegando no braço de meu "pai".
"Espera, eu posso explicar, é minha filha... DEMI!!"
Saí correndo antes que pudesse sobrar pra mim. Sabia que ele não chegaria nem perto da delegacia, iria conseguir subornar os policiais fácil, mas não queria olhá-lo de novo. Nunca mais.
Highland Private School — 8:00 a.m
"E desse lado ficam os dormitórios." — falou a secretária com uma mulher baixinha e loira, apresentando-a para a escola enquanto as duas andavam pelos corredores do Highland. — "Claro, as mulheres e os homens são bem separados, como deve ser. No Highland Private temos três objetivos fundamentais: disciplina, excelência acadêmica e respeito."
"Escuta, eu quero perguntar uma coisa: o que me interessa saber sobre a bolsa?" — perguntou a mulher, parecendo impaciente.
"Ah sim! A cada ano um jovem de poucos recursos tem a oportunidade de entrar para o nosso colégio. Eles fazem uma prova muito rigorosa, porque temos que ter certeza de que tem o nível intelectual adequado."
"É bom, porque na realidade eu..."
"Emma!" — gritou a garota que havia saído do quarto de Selena nervosa, descendo as escadas 'soltando fogo pelas ventas' e indo até a secretária — "Eu quero que você me mude de quarto! Eu não suporto a Selena! Quem ela pensa que é? A rainha da Inglaterra?"
Emma: Está bem, minha filha, arrume suas coisas, depois conversamos — deu um sorriso amarelo de vergonha, fuzilando a aluna com os olhos, que saiu ainda nervosa. Ela se virou para a mulher, ainda nervosa — Aqui os alunos se sentem como se estivessem na casa deles. Além disso, nas férias nós oferecemos o Vacance Club.
"O que é isso?"
Emma: Um clube de férias.
"Ah sim, o clube!" — falou ela, animada.
Emma: É um lugar, como eu vou dizer, aonde os alunos descansam, e vão se conhecendo uns aos outros antes de começarem o ano letivo. Eu me refiro aos alunos novos, como a sua filha.
"Bom, ela não é minha filha. É minha sobrinha, mas eu a amo como se fosse minha filha."
Emma: Ah sim, claro! Venha por aqui.
As duas seguiram na direção de outro corredor, mas foram paradas novamente, dessa vez pelo secretário Collins e seu seguranças.
"Desculpe, Emma." — disse a esposa de Michael, com seu inseparável cigarro e suas roupas de grife — "Mas onde nós podemos encontrar o Joezinho?" — sua voz era irritante para Emma, que franziu o nariz com o cheiro do cigarro.
"Imagino que esteja no quarto dele terminando de arrumar as coisas." — respondeu, friamente.
"Que sapatos lindos!" — falou a mulher ao lado de Emma, apontando para os sapatos da 'primeira dama'.
"Obrigada!"
"Podem ir ao quarto, já sabem onde é!" — falou Emma, dando espaço para os dois passarem.
"Com licença." — disse Michael, com seu jeito frio e arrogante.
"Não é Collins, o secretário?!" — perguntou a mulher, com os olhos brilhando.
Highland Private School — 8:30 a.m — Joe's POV
Arrumei minha bolsa o mais rápido que pude, colocando tudo que eu precisava. A minoria, na verdade. Iria deixar tudo no guarda-roupa de meu quarto do colégio mesmo e iria sair dali o quanto antes. Não queria ficar nessa escola, era fato. Onde estava minha liberdade de expressão? Eu queria fazer o que eu quisesse! Jacob também estava apressado para sair, e nós partimos antes de qualquer um chegar, inclusive meu pai, que eu sabia que chegaria ali a qualquer momento.
Rapidamente saí pelos fundos da escola com Jacob e o táxi já nos esperava lá fora. Sorri com a oportunidade e entramos, partindo.
Highland Private School — 8:35 a.m
O pai de Joe estava quase chegando em seu quarto, quando um garoto desconhecido o parou no meio do caminho.
"Senhor Collins?" — falou ele, meio acanhado.
Michael: Sim?
"Aqui tem um recado do Joe." — falou ele, entregando um bilhetinho nas mãos do secretário — "Foi ele que deixou."
Michael: Um recado do Joe? — o garoto apenas balançou a cabeça e saiu. Michael abriu o bilhete e o leu, e sua cabeça pareceu latejar. Fechou os punhos automaticamente com a raiva que o tomava naquele momento — É o cúmulo!
"O que foi?" — perguntou sua esposa, chegando mais perto.
Michael: "Papai e mamãe, eu fui embora, não importa pra onde, não se preocupem, eu sei me virar sozinho." — ele ditou, cada vez mais furioso — Termina dizendo: Depois eu ligo.
"Ele fugiu!"
9:10 a.m — Joe's POV
Havia chegado rápido á casa de um amigo meu da região. Ele não usava aquela casa, então já era minha pelo tempo que eu quisesse. Eu e Jacob já estávamos sentados na beira da piscina, sem camisa, sendo mimados por uma empregada bem eficiente. Até que uma hora ela apareceu sem ser chamada.
"É do colégio." — ela nos estendeu um telefone, e minha mão gelou. Peguei-o rapidamente e ela saiu.
Jacob: Cara, e agora? Vai dar rolo! — ele sussurrava enquanto eu tampava a entrada de som com a mão.
Joe: Atende você — estendi o telefone para ele — Faz a voz do papai...
Jacob: O que?! Tá maluco?!
Joe: Jacob, por favor! meu pai quer saber onde eu to.
Jacob: Cara, vai dar o maior rolo da história! — ele pegou o telefone, dando umas tossidas e abafando a voz — Alô... Bom dia... Sim, não se encontra... Não, não está aqui... Jacob chegou aqui a algum tempo... Sim, com muito prazer... Bom dia.
Ele desligou e nós nos olhamos. Aliviados e assustados.
Nenhum comentário:
Postar um comentário